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(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

MICROPLÁSTICOS: PEQUENOS DEMAIS PARA SEREM VISTOS E NUMEROSOS DEMAIS PARA SEREM IGNORADOS

Sexta, 25 de outubro de 2024


 MICROPLÁSTICOS: PEQUENOS DEMAIS PARA SEREM VISTOS E NUMEROSOS DEMAIS PARA SEREM IGNORADOS


Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 25 de outubro de 2024

Escrevi vários livros. Entre eles está a obra “SAÚDE E BEM-ESTAR. MINHAS ANOTAÇÕES”. Nesse compêndio, a partir de inúmeras pesquisas em fontes especializadas, defendo que saúde e bem-estar consistentes e duradouros estão relacionados com uma série de hábitos saudáveis, notadamente em relação à alimentação, atividade física, sono de qualidade, exposição ao Sol (ou suplementação de vitamina D), consumo adequado de água e equilíbrios espiritual, emocional e social.

No referido livro, disponível gratuitamente na versão eletrônica (site: aldemario.adv.br), foram destacadas as perversas características das indústrias alimentícia, agropecuária, da pesca e farmacêutica. As atividades referidas são importantíssimos braços da atividade econômica no âmbito do sistema socioeconômico capitalista na sua atual etapa financeira e rentista. A lógica fundamental do sistema, bem identificada nas práticas das indústrias mencionadas, é a acumulação frenética, contra tudo e contra todos, dos maiores lucros possíveis. A saúde das pessoas, o cuidado com o meio ambiente e o tratamento decente para com os animais, em suma, os mais caros valores morais e civilizatórios, são aspectos claramente secundários. Tudo se transforma em mercadoria, a ser comprada e vendida no mercado para gerar um contínuo acúmulo de riquezas nas mãos de poucos, muito poucos.

A degradação do meio ambiente avança fortemente e se apresenta como um dos quatro grandes problemas do mundo na atualidade. Os outros três são: a) a aceleração das abissais desigualdades socioeconômicas; b) uma enorme financeirização parasitária da atividade econômica onde convivem poderosas corporações transnacionais e Estados nacionais relativamente impotentes e c) a erosão dos valores democráticos e dos direitos humanos, considerada a crise da democracia representativa tradicional e a abordagem mais ampla e moderna que reconhece os direitos da natureza.

Uma das formas mais inusitadas de constatar a crescente degradação do meio ambiente, com fortes repercussões na saúde e no bem-estar de bilhões de pessoas, consiste na invasão invisível do microplástico.

“Os plásticos são definidos em química como os materiais orgânicos poliméricos sintéticos, formados pela união de grandes cadeias moleculares, conhecidas como polímeros, que, por sua vez, são constituídas por moléculas menores, chamadas de monômeros./Sua principal matéria-prima é o petróleo, um combustível natural extremamente importante e utilizado para os mais diversos fins. A fração nafta do petróleo é levada para as indústrias petroquímicas, onde passa por um processo de separação em vários compostos puros que darão origem ao plástico” (fonte: plastico.com.br).

Partículas entre 5 mm e 1 micrômetro (0,001 mm) são chamadas de microplástico. Os microplásticos primários são fabricados com essas dimensões reduzidas para uso em cosméticos, itens de higiene pessoal, tintas e fertilizantes. Já os microplásticos secundários decorrem da degradação de plásticos maiores. Partículas menos de 0,001 milímetro são denominadas de nanoplásticos.
 
Alguns dados, relacionados com plásticos, são estarrecedores. “Em 2016, o Fórum Econômico Mundial de Davos soltou uma previsão sombria: até 2050, os oceanos teriam, em peso, mais plásticos do que peixes”. “Já a Unep (United Nations Environment Programme, ou Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) afirma que, hoje, podem existir até 199 milhões de toneladas de plástico nos oceanos”. “Um estudo, realizado na Austrália, atesta que, até 2019, havia mais de 170 trilhões (sim, com ‘t’!) de partículas plásticas flutuando pelos oceanos” (fonte: uol.com.br).