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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 4 de março de 2026

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola

Quarta, 4 de março de 2026

AJUDA HUMANITÁRIA

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola


Governo brasileiro e organizações sociais reforçam cooperação com Cuba frente ao bloqueio dos EUA

Brasil de Fato — Havana (Cuba) 



0 governo do Brasil anunciou que enviará, nesta semana, um carregamento de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba, no âmbito de um programa de cooperação bilateral. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, que começou na última segunda-feira (2), em Brasília (DF).

O ministro esclareceu que os insumos serão adquiridos em território brasileiro com recursos fornecidos pelo próprio governo e, posteriormente, disponibilizados à ilha caribenha.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou Teixeira ao ser questionado pela agência de notícias Prensa Latina.

Segundo informou a agência de notícias cubana, a ajuda faz parte de um programa coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O envio de doações ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que ameaça impor sanções a qualquer país que “direta ou indiretamente” venda ou forneça petróleo a Cuba. Trata-se de uma medida que, segundo o Coordenador Residente da ONU em Cuba, Francisco Pichón, transformou a escassez de combustíveis “no principal multiplicador de riscos humanitários” e que, durante o último mês, agravou a crise enfrentada pela ilha.

O presidente Lula manifestou-se contra a medida unilateral dos Estados Unidos. No dia 7 de fevereiro, durante o 46º aniversário do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, Bahia, Lula afirmou que Cuba é vítima de um “massacre alimentado pela especulação americana” e ressaltou que “nosso país se solidariza com o povo cubano. E nós, como partido, temos que encontrar maneiras de ajudar”.

Além disso, diversas organizações sociais e sindicais brasileiras condenaram a medida e promoveram campanhas de doações em apoio à ilha. A Campanha de Solidariedade com Cuba — promovida por movimentos sociais e sindicais — realizou recentemente o envio de um primeiro carregamento com 1.700 quilos de medicamentos prioritários destinados a hospitais da província de Santiago de Cuba, afetada pelo furacão Melissa.

Segundo os organizadores, a iniciativa responde à escassez provocada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas, recentemente reforçado com novas sanções no setor energético.

Solidariedade do Brasil

A cooperação brasileira com Cuba não é um fato isolado. No final do ano passado, o governo brasileiro entregou uma doação composta por dez toneladas de alimentos desidratados, 50 purificadores de água e kits de medicamentos.

As doações tinham como objetivo ajudar os afetados pelo furacão Melissa, classificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma catástrofe “enorme”, que, no final de outubro, atingiu o leste da ilha com categoria três na escala Saffir-Simpson.

Estima-se que a ajuda do Brasil tenha beneficiado mais de 5.500 pessoas nas províncias orientais do país. Na ocasião, o embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, destacou que a cooperação entre os dois países se fortaleceu desde 2023, com o relançamento de mais de dez projetos de cooperação técnica em áreas como saúde, educação e produção agrícola.

Solidariedade na América Latina

Com o recente anúncio do governo brasileiro, o Brasil se soma aos esforços que também vêm sendo realizados pelo governo de Claudia Sheinbaum para reforçar a cooperação com a ilha caribenha.

Após um primeiro envio de 800 toneladas de alimentos, no último sábado (28), dois navios da Marinha mexicana atracaram na baía de Havana com um segundo carregamento de ajuda humanitária que incluiu 1.200 toneladas de alimentos, além de 23 toneladas adicionais arrecadadas por organizações sociais com o apoio do Governo da Cidade do México.

Segundo anunciou a presidenta Claudia Sheinbaum, que classificou como “muito injusta” a intenção dos Estados Unidos de impor tarifas aos países que exportam petróleo à ilha, os envios de ajuda humanitária continuarão enquanto o governo executar “todas as ações diplomáticas necessárias para restabelecer o envio de petróleo” à ilha, garantindo que “não se pode estrangular um povo assim”.


Editado por: Maria Teresa Cruz

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