Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 16 de abril de 2025

Dois desaparecidos da ditadura, um ex-militar e um pedreiro, são identificados na vala de Perus; saiba quem são

Quarta, 16 de abril de 2025

Ossadas de Grenaldo Jesus Silva e Denis Casemiro foram reconhecidas pela equipe de antropologia forense da Unifesp


Brasil de Fato — São Paulo (SP)
16.abr.2025 às 19h07


Grenaldo Jesus Silva era militar em 1964, quando se opôs ao golpe deflagrado pela própria instituição que integrava. Preso e expulso da Marinha, fugiu de São Luís (MA), sua terra natal, para viver na clandestinidade em São Paulo. Constituiu uma família que não sabia do seu engajamento político e assim ficou por anos até que, em 1972, sentindo que o cerco fechava, tentou sequestrar um avião no aeroporto de Congonhas.

Denis Casemiro, pedreiro e agricultor, entrou no Sindicato de Lavradores de Votuporanga (SP), onde nasceu. Pouco depois e ainda jovem, se juntou às fileiras da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Um ano antes de Grenaldo estampar as manchetes com a tentativa de fuga fracassada, Denis chegava à cidade de Imperatriz (MA). Tinha ali a missão de ajudar a organizar uma guerrilha rural contra a ditadura.

O maranhense foi capturado em São Paulo. O paulista, no Maranhão. Mortos pelo regime que combatiam, ambos foram enterrados como indigentes na vala clandestina de Perus do Cemitério Dom Bosco, em São Paulo (SP). Cerca de trinta anos depois, saíram da condição de desaparecidos da ditadura. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (16), foi feito o anúncio da identificação dos remanescentes ósseos de Grenaldo e Dênis.