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(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 15 de abril de 2025

GDF reduz salário de servidores da Casa Abrigo, que atende mulheres em risco de morte

Terça, 15 de abril de 2025

Secretaria da Mulher corta adicional de insalubridade da equipe; DF já registrou 7 feminicídios em 2025


Brasil de Fato — Brasília (DF)

Em meio a alta de feminicídios no Distrito Federal, a Secretaria da Mulher (SMDF) reduziu o salário de cerca de 30% dos servidores da Casa Abrigo, equipamento público que oferece acolhimento institucional para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar com risco de morte, segundo denúncia do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc).

A redução corresponde ao corte do adicional de insalubridade. O valor era recebido por parte da equipe e foi cortada pela SMDF com a justificativa de “isonomia”. “O certo seria estender o adicional de insalubridade a todas e todos que trabalham naquele importante equipamento público”, defende o presidente do Sindsasc, Clayton Avelar. “Ao agir dessa forma, a SMDF está prejudicando a política pública de proteção às mulheres sob risco real de feminicídio”, avalia.

Entre janeiro e a primeira semana de abril deste ano, o DF registrou sete feminicídios, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF). O número já ultrapassa o número computado no mesmo período do ano passado, quando cinco crimes desse tipo foram registrados.

A SSP-DF detalha que em janeiro, fevereiro e março de 2025, aconteceram dois feminicídios por mês. Na primeira semana de abril, houve um registro no dia 4. Os crimes aconteceram nas regiões administrativas de Planaltina (dois casos), Estrutural, Cruzeiro, Fercal, Recanto das Emas e Paranoá.

“Se hoje lamentamos o grande número de feminicídios no DF, esse número certamente seria maior não fosse o trabalho dos servidores e servidoras que atuam na Casa Abrigo. As abrigadas na Casa, se não estivessem lá, poderiam estar incluídas na trágica estatística do feminicídio”, destaca o Sindsasc em nota.

A principal função da Casa Abrigo é oferecer um local seguro e protegido onde as mulheres, que sofrem violência doméstica e vivem sob risco de serem mortas, e seus filhos possam se abrigar temporariamente. A localização da casa é mantida em sigilo para garantir a segurança das residentes e evitar qualquer tipo de ameaça dos agressores.

O local funciona 24h por dia, durante toda a semana, e tem o endereço trocado com frequência para garantir a confidencialidade. A vítima é encaminhada para o local por autoridade policial, após realizar o registro da ocorrência de violência doméstica, por ordem judicial, ou após atendimento na Casa da Mulher Brasileira (CMB).