Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Pedro Augusto Pinho e entreguismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pedro Augusto Pinho e entreguismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Mais do que um crime, uma desonra

Segunda, 13 de janeiro de 2019
Por
Pedro Augusto Pinho

MAIS DO QUE UM CRIME, UMA DESONRA

O competente e combativo economista Cláudio Oliveira, analisando o quadro do Fluxo de Caixa, divulgado pela Direção da Petrobrás, em Nova Iorque, em 04 de dezembro de 2019, concluiu que estes gestores venderão ativos da empresa, ativos geradores de bens e de lucros, para elevar os dividendos.

Dividendos que são, após as entregas a estrangeiros que ocorrem com o patrimônio nacional, de Fernando Henrique Cardoso a Jair Bolsonaro, majoritariamente pagos na bolsa de valores estadunidense.

Nunca vi, nem li, nos 60 anos vividos, dos bancos da Faculdade de Administração ao trabalho como profissional de administração, no Brasil e no exterior, tal descaramento, tal afronta ao País e a seus cidadãos.

Mas o início deste mandato já deixava entrever a sorte da Petrobrás. Antes da designação do Ministro para o Ministério das Minas e Energia (MME), ao qual hierarquicamente se subordina a direção da Petrobrás, o futuro Ministro da Economia, Paulo Guedes, definia Roberto Castello Branco como o presidente dessa maior empresa brasileira e das grandes petroleiras, em reservas de petróleo e competência técnica, em todo mundo.

E o Almirante Bento Albuquerque ficava literalmente a ver navios. E se vê, agora, diante da voraz família Coelho, de Petrolina (Pernambuco), um verdadeiro clássico do mandonismo político nordestino, cortiça que boia em todas as águas, do PT a Bolsonaro, tentar para sua última prole a reconquista do MME, sob sua ação antinacional no tempo de Temer.

Posso e devo ter sincera dúvida com quem despacha Roberto C. Branco.

A ignomínia dessa venda dos ativos foi denunciada por Cláudio de Oliveira ao confrontar a distribuição de US$ 34 bilhões, entre 2020 e 2024, e a venda no mesmo período de US$ 30 bilhões, em ativos da empresa.

Ora, como já foi tantas e tantas vezes divulgado e demonstrado, a Petrobrás tem geração de caixa invejável. Jamais precisou vender ativos para saldar dívidas ou cobrir prejuízos, estes operacionalmente inexistentes, o que deveria deixar roxo de vergonha os pseudos analistas econômicos da televisão e jornal Globo, Época e sucedâneos.

Mas continuemos nas análises sempre percucientes de Cláudio Oliveira. O Plano Estratégico (PNG) 2020/2024 não prejudica apenas a Petrobrás, o que o fazendo já causaria enorme dano ao Brasil.

Esta gestão da Petrobrás está prejudicando o dia a dia, o cotidiano de milhares de famílias brasileiras, que precisam se deslocar por ônibus e de caminhoneiros e trabalhadores em transporte, que tem nos combustíveis um dos principais custos. Ao alienar ativos da Petrobrás, exportar petróleo para importar derivados, deixando refinarias, terminais e dutos ociosos, a gestão da Petrobrás – não seus concursados e competentes técnicos – provoca um prejuízo para as contas nacionais. É uma verdadeira gestão colonial, onde os donos estão realmente nos Estados Unidos da América (EUA), I love you Trump, ou em Israel ou no Reino Unido, local de residência das famílias mais ricas do mundo.

Como se todo este desconcerto fosse pouco, e, talvez fingindo uma ignorância que seu verdadeiros patrões não aceitariam dos empregados, a Direção da Petrobrás denomina seu plano estratégico como placa em metrô inglês ou estadunidense: cuidado com o vão, a fresta entre o vagão e a plataforma: mind the gap.

Isso mesmo, talvez um ato falho, que Freud explicaria, destes dirigentes ou prepostos, alertando para a irregularidade do que propõe para a Petrobrás: cuidado com o buraco!

Nossa vulnerabilidade começa na desinformação. Quase unânime a comunicação de massa no Brasil deseduca, desinforma, ilude. O que denomino pedagogia colonial. Enquanto considerarmos que liberdade é um direito de terceiros para se aproveitarem de nossa ignorância, de nossa boa fé, não vejo como reverter esta situação.

Enquanto considerarmos que a corrupção vem da falta de caráter, é uma questão individual e não de um sistema que só privilegia o lucro, o ganho a qualquer preço e de qualquer modo, como ser honesto sem ser otário?

O período Bolsonaro talvez fique registrado como aquele em que a corrupção, os desvios, as farsas foram tão longe que foi necessária a ruptura geral, a construção do nunca concluído Estado Nacional Brasileiro para termos um país e uma cidadania. Dizer com orgulho, parodiando o poema de Maiakovski: sou um cidadão brasileiro.

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Tirando as teias da sala

Quinta, 9 de agosto de 2018
Por
Pedro Augusto Pinho
O que precisamos no Brasil, para sair desta ditadura jurídico-midiática e da opressão financeira do neoliberalismo, é da efetiva renovação política.

Não para colocar os filhos da gerontocracia que domina há séculos nossa Nação, os “netos do poder”.
A única vez que tivemos a possibilidade de mudar, verdadeiramente, o País, com nova economia, novos padrões de sociedade e cultura, foi na Revolução de 1930, dirigida pelo nosso maior estadista até agora, Getúlio Vargas.

Ele também foi deposto, exilado no próprio território nacional, atacado pela corrupta comunicação de massa, sempre a soldo dos interesses estrangeiros, e jamais saiu da alma do povo.

Getúlio encontra agora, igualmente perseguido pelas “forças e os interesses contra o povo”, que “não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa”, seu sucessor, estadista e popular, Luis Inácio Lula da Silva.

Mostrando mais do que um gênio político, a grandeza da alma que se preocupa com a nação e seu povo, como Vargas, em 1945, Lula disse: “Vote em Haddad!", “Vote em Manuela!”.

Um dos aspectos do Brasil que Vargas queria construir está relatado em “América aracnídia”, de Ana Luiza Beraba. Vemos ali o modo de colocar o Brasil como referência e projeção continental durante o Estado Novo. Na edição de um suplemento – Pensamento da América – contando com intelectuais melhor relacionados com as culturas e autores latino-americanos, caribenhos, estadunidenses e canadenses, formou-se no dizer de Ana Luiza as “teias culturais interamericanas”.

Coloco este fato, pouco conhecido, para mostrar a dimensão de um estadista, acima de tudo interessado na construção de um País soberano, capaz de promover o desenvolvimento para seu povo, e conquistar respeito e projeção no exterior.

Lula com o Mercosul e com os BRICS agia na mesma linha de Getúlio. E, como é óbvio, aqueles que “não querem que o povo seja independente”, promovem “campanha subterrânea dos grupos internacionais” aliados a “grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. Contra a justiça da revisão do salário mínimo” contra a “liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás” querem destruir as conquistas da Era Vargas e o Legado de Lula.

O mar de lama não corria no Catete de Vargas, como não corre nas lideranças do Partido dos Trabalhadores. Lá, como agora, o mar de lama corre nas hostes entreguistas, nos golpistas que querem entregar a Petrobrás, a Eletrobrás, as riquezas nacionais, a previdência social e o salário digno dos trabalhadores.

Precisamos de um governo que acabe com o monopólio midiático, com a entrega do patrimônio natural e o construído pela Nação, que nos devolva a dignidade e a garantia do trabalho, que leve nossa cultura a outros povos e nos dê a paz.

Poderemos ter Soberania e Paz com um Presidente que afirma: “Pobre não sabe fazer nada”, segundo a Folha de São Paulo? Ou tem um vice para quem o Brasil herdou a “indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos”, em evento na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul (RS).

Ou de candidato que promete rever o papel do Estado, hoje, “caro, inchado e ineficiente” e “diminuir a máquina” nacional para que seja ocupada por empresas estrangeiras, pagando salários miseráveis, eliminando direitos trabalhistas e previdenciários, exportando a preços vis nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nosso minério, a água de nossos aquíferos, para lucro dos fundos abutres, dos ricos investidores estadunidenses, europeus e asiáticos?

Estamos diante de um conjunto de candidatos que representam o passado, um passado de escravidão e de ódio.

O medo da mudança, por essas forças do passado, ficou claramente demonstrado pela Rede Bandeirantes censurando a presença de Haddad no debate dos presidenciáveis pela televisão.

Precisamos tirar estas teias de aranha da sala, de nossa porta.

Precisamos da juventude de idade e de ideias. Ele disse: Haddad e Manuela.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado