“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Temporão: os temas silenciados no debate eleitoral

Quinta, 27 de agosto de 2026

Temporão: os temas silenciados no debate eleitoral

Saúde é uma das maiores preocupações do país. Mas receio de perder votos faz candidatos evitarem problemas urgentes. Um é inevitável: o orçamento do SUS, já insuficiente, segue comprimido pelo ajuste fiscal. Ex-ministro reflete sobre essa e outras questões ignoradas

OutraSaúde                                          SUS

José Gomes Temporão é médico sanitarista, membro titular da Academia Nacional de Medicina e ex-ministro da Saúde do Brasil. Créditos: Divulgação/STF

Há um silêncio perturbador que atravessa o debate político no contexto das eleições de 2026, envolvendo vários temas caros ao campo da saúde pública.

Embora a pesquisa Datafolha de março de 2026 aponte que a saúde lidera as preocupações dos eleitores, as plataformas eleitorais dos vários partidos, em temas estratégicos, ou está ausente ou se apoia em diagnósticos genéricos e propostas superficiais.

Enquanto setores do campo progressista silenciam por receio de confrontar crenças religiosas ou visões conservadoras, a direita omite-se por oposição ideológica a qualquer forma de regulação estatal sobre mercados e comportamentos.

A perspectiva da saúde coletiva exige que se discutam as evidências científicas e que se revelem os determinantes sociais e comerciais da saúde, que as campanhas ocultam sob o manto da conveniência eleitoral.

sábado, 25 de julho de 2026

Ligia Bahia: “A estratégia deve ser a desprivatização”

Sábado, 25 de julho de 2026

Ligia Bahia: “A estratégia deve ser a desprivatização”


Em evento organizado por Outras Palavras e FESPSP, dois sanitaristas debatem como fortalecer o SUS. Para a professora da UFRJ, urge dar marcha ré na relação público-privada. Gonzalo Vecina propõe multiplicar a bem-sucedida experiência dos consórcios regionais

OutraSaúde
Publicado originariamente no OUTRASAÚDE em 24/07/2026

Nesta quarta-feira (22), os sanitaristas Ligia Bahia e Gonzalo Vecina se encontraram no auditório da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), na capital paulista, para debater os caminhos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), à luz dos desafios que as eleições de 2026 impõem. O diálogo foi mediado por Aparecida Pimenta, atual coordenadora do Instituto Walter Leser (IWL/FESPSP)

A mesa (assista aqui) é parte do ciclo de seminários Desafios para outro Brasil, promovido pela FESPSP e pelo portal Outras Palavras, casa do boletim Outra Saúde. Os seis encontros anteriores debateram outros temas estratégicos para as transformações estruturais do país, como orçamento público, Previdência Social, trabalho, segurança pública, soberania energética e industrialização. Os episódios estão todos disponíveis para visualização no canal da instituição de ensino superior.

Professora da UFRJ e coordenadora do Grupo de Pesquisa e Documentação sobre Empresariamento de Saúde (GPEDS), Ligia Bahia dedicou sua fala a um chamado para uma avaliação sóbria do atual estado do SUS, cada vez mais profundamente atravessado por relações público-privadas. Nesse cenário, em sua visão, é momento de adotar uma estratégia de “desprivatização” do sistema de saúde. “Se a gente não caminhar para isso, não tem mais SUS”, reforça.

Por sua vez, o professor emérito da FSP-USP e fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina, usou seu tempo para indicar cinco pontos centrais em que é preciso concentrar esforços para a recuperação do SUS – entre eles, o Complexo Econômico Industrial da Saúde, o financiamento e a construção de novos arranjos regionais de gestão.

domingo, 12 de agosto de 2018

SUS é mais do que uma política de saúde pública

Domingo, 12 de agosto de 2018
Foto: cremepe.org.br

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por: João Vitor Santos | 11 Agosto 2018

Entrevista especial com Jairnilson Paim
Desde sua criação, o Sistema Único de Saúde - SUS trouxe inúmeros avanços para a saúde pública no Brasil. É o que defende Jairnilson Silva Paim, doutor em Saúde Coletiva. “O SUS dispõe de uma rede de instituições de ensino e pesquisa que interage com os serviços de saúde, possibilitando que um conjunto de pessoas adquiram conhecimentos, habilidades e valores vinculados aos seus princípios e diretrizes”, destaca.
Para o médico, esses avanços revelam o potencial do SUS e sua própria natureza. Afinal, é preciso compreendê-lo como algo muito além de uma política de saúde pública. “O SUS é um sistema público, não um ‘sistema de saúde pública’. A integralidade da atenção supõe a articulação de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. Com o SUS, buscava-se superar o Tratado das Tordesilhas que separava a saúde pública, confinada no Ministério da Saúde, e a assistência médica prestada pela medicina previdenciária (Inamps) e pelo setor privado”, esclarece.
Segundo Jairnilson, os ataques a que o sistema vem sendo submetido parte justamente dessa lógica de o reduzir a uma política. Por isso defende que se tenha clareza nesse conceito. “Quando os conservadores, os liberais e a mídia misturam o SUS com a saúde pública não o fazem inocentemente: querem limitar o SUS ao controle de doenças e epidemias ou à profilaxia, de modo que a assistência médica fique submetida ao mercado ou, no limite, seja oferecida apenas para os pobres”. Esse erro é tão sério que é cometido até mesmo por setores mais progressistas. “Até mesmo setores de esquerda usam a expressão saúde pública em contraposição à ‘saúde privada’, caindo na armadilha de restringir o SUS conforme a ideologia dominante”, adverte.
Ainda na entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, o médico observa como essa epidemia de sarampo “é um dos preços pagos pela desestruturação do SUS”. Para ele, o argumento de que as pessoas buscam menos as vacinas porque se baseiam em notícias falsas de redes sociais insuflado por movimentos como o antivacínico não serve para explicar o fenômeno em toda a população. “Será que situações desse tipo, até possíveis de serem observadas na classe média, podem ser generalizadas para o conjunto da população?”, questiona.
Jairnilson Paim | Foto: UFSC
Jairnilson Silva Paim é graduado em Medicina, mestre em Medicina e Saúde e doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. É professor de Política de Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e coordenador do Observatório de Análise Política em Saúde. Entre suas publicações estão Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para compreensão e crítica (Salvador: Edufba/Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008), O que é o SUS (Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009), Desafios da Saúde Coletiva no Século XXI (Salvador: Edufba, 2006), Saúde Coletiva: Teoria e Prática (Rio de Janeiro: Medbook, 2013) e a Crise da saúde pública e a utopia da Saúde Coletiva (Salvador: Casa da Qualidade, 2000).
Confira a entrevista.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Brasil tem dinheiro para jogar fora, para fazer vários SUS, diz Nelson Rodrigues dos Santos

Segunda, 2 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Um dos maiores especialistas em saúde pública do Brasil, o médico e professor da Unicamp Nelson Rodrigues dos Santos afirmou nesta terça-feira, 26, no Auditório da ADunicamp (Associação dos Docentes de Campinas) que o Brasil tem dinheiro para jogar fora e que poderia facilmente pagar vários SUS (Sistema Único de Saúde) com melhor qualidade.