Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador abrasco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador abrasco. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil



Domingo. 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil

Há 40 anos, em meio a lutas sociais, país assistia à 8ª Conferência de Saúde. O que permitiu este feito histórico, que deu origem ao SUS? Por que Outra Saúde vai resgatá-lo agora, diante de crise prolongada e às vésperas de uma eleição decisiva?

OutraSaúde

Créditos: Revista Radis

Em um mês de março, há 40 anos, acontecia um evento que mudaria os rumos da vida política e social brasileira. Não simplesmente por ter dado as bases para o que viria a ser o Sistema Único de Saúde (SUS) – o que já seria extraordinário. Mas a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em Brasília entre os dias 18 e 21 de março de 1986, conseguiu ir além. Mostrou que mesmo em tempos brutos é possível construir força política para ensejar grandes mudanças.

A história da Reforma Sanitária não é conhecida pelos brasileiros. Pouco se conta sobre como foi possível criar um sistema de saúde dessas proporções. Quase ninguém sabe que seu projeto era ainda mais ousado, mas começou a ser dinamitado logo a partir de seu nascimento, porque “a saúde como direito de todos e dever do Estado” entrava na Constituição no mesmo momento em que o Brasil abria-se ao neoliberalismo.

Essa história – e suas contradições – começa a ser descrita e debatida pelo Outra Saúde a partir de agora. No ano em que seu grande marco, a 8ª Conferência Nacional de Saúde (carinhosamente conhecida como Oitava), faz quatro décadas, queremos resgatar seu espírito de criação coletiva e participação popular e investigar o que ela tem a dizer ao Brasil de 2026. Seu ímpeto e sua criatividade têm muito a ensinar em um ano como este.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Dossiê Pandemia vê o SUS diante da chantagem dos mercados

Segunda, 28 de novembro de 2022


Dossiê Pandemia vê o SUS diante da chantagem dos mercados

Documento lançado na semana passada pela Abrasco [Associação Brasileira de Saúde Coletiva] reúne análises de dezenas de pesquisadores e debate legados e perspectivas da crise sanitária. Em suas páginas, fica clara a incompatibilidade entre saúde pública e neoliberalismo

OUTRASAÚDE
Publicado 28/11/2022

Após reunir milhares de pessoas em centenas de oficinas, debates e apresentações de pesquisas, o 13º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva entrega uma relevante contribuição a toda a sociedade. Trata-se do Dossiê Abrasco da Pandemia de Covid-19, documento escrito em conjunto por dezenas de pesquisadores e profissionais do campo da saúde, dividido em três partes que somam 315 páginas.

“O Dossiê sobre a covid-19 nos chega em um momento decisivo para debatermos os legados e as perspectivas da pandemia. Ao mobilizar seus associados, que atuam nas várias disciplinas da Saúde Coletiva, a Abrasco nos apresenta uma análise técnica e política que é, ao mesmo tempo, profunda e abrangente. Uma reflexão fundamental para aprendermos com o passado e nos prepararmos melhor para as emergências sanitárias do futuro”, afirma Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, na apresentação do documento.

O Dossiê se divide em três grandes capítulos, que se desenvolvem em subtemas associados. São eles: 1) A emergência da covid-19 em um país desigual e injusto; 2) A gestão da pandemia no Brasil em toda sua complexidade; 3) Lições aprendidas e desafios pós-pandemia.

O estudo conecta a realidade brasileira com a mundial, ao destacar que mesmo nos países líderes do capitalismo, os sistemas de saúde não estiveram à altura das necessidades impostas pela pandemia. E o motivo é um só: a “razão de mundo” neoliberal que hegemoniza as relações políticas, sociais e econômicas globais. São décadas de desmonte do chamado bem-estar social.

“Uma análise da Organização Mundial de Saúde (OMS), referente ao período imediatamente anterior à pandemia, registrou que os países apresentavam como principais fragilidades: insuficiência das ações de vigilância, monitoramento e gerenciamento de risco; ausência ou inadequação da comunicação de risco; inexistência de uma rede global de vigilância genômica; deficiências dos sistemas nacionais de saúde em relação à assistência aos infectados e aos enfermos, incluindo a proteção dos trabalhadores de saúde; incapacidade de assegurar a provisão adequada de medicamentos, equipamentos e insumos, destacando-se o acesso equitativo a vacinas”, informa o dossiê.

Dessa forma, a pandemia apenas pôs a nu o reflexo de um modelo de governança global que prioriza formas pouco produtivas, ambientalmente destrutivas e até fictícias de acumulação privada de capital, dentro do qual os Estados são meros balcões de negócios onde oligarquias colocam a vida a serviço dos movimentos e instintos dos mercados financeiros. Não à toa um país como a Espanha se depara com fuga de médicos e imensas manifestações em favor do sistema público de saúde.

No Brasil não é diferente e, mesmo quando estamos diante de um razoável acordo social em favor de aumento dos investimentos no SUS, o cerco ideológico neoliberal, desproporcionalmente amplificado pela mídia empresarial, continua a tentar impor condições que em nada se referem às necessidades objetivas dos usuários de serviços de saúde.

É evidente que o contexto específico brasileiro, que enfrentou a pandemia sob a administração de um neofascista que combateu as posições respaldadas pela ciência com afinco, ampliou as nossas adversidades. Morreu-se muito acima da média no Brasil de Bolsonaro, Pazuello e uma classe médica politicamente alinhada. Mas ainda há pandemia e neoliberalismo em nosso cotidiano. O vírus não desapareceu. A ditadura dos mercados tampouco. Como é consenso no campo da saúde, devemos também nos preparar para novas epidemias globais.

“O combate à covid-19 requer o aprofundamento da democracia e de relações virtuosas entre direitos individuais e coletivos, esses últimos de reconhecimento tardio, mas de importância crucial para o futuro da humanidade. De fato, só será possível construir projetos orientados por mais equidade, justiça e cidadania ao fortalecer a dimensão política das relações sociais. São esses valores que devem orientar o esforço interdisciplinar e as consequentes respostas a serem dadas frente à crise sanitária, econômica, social e humanitária que abalou o mundo neste início de século XXI”, sintetiza o documento.

Não se trata de meros apontamentos ideologicamente motivados, como costumam atacar os teóricos neoliberais a respeito de tudo que contrarie seus objetivos privatistas. “São os principais autores e autoras da Saúde Coletiva no Brasil. São muitas vozes, que tratam dos legados e perspectivas para tratarmos emergências catastróficas como esta que ainda vivemos”, completa Rômulo Paes, vice-presidente da Abrasco e editor do dossiê.

Você pode acessar por aqui o Dossiê Abrasco da Pandemia de Covid-19.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OUTROSQUINHENTOS



Fonte:  OUTRASAÚDE


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Estudo aponta degradação de 30 anos de conquistas do SUS frente à austeridade e governo Bolsonaro

Segunda, 15 de julho de 2019
Da Abrasco

Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Bruno C. Dias

Ilustração de Paula Cardoso para a revista Piauí

Ladeira abaixo. A ilustração de Paula Cardoso para Piauí é a imagem que melhor resume o espírito do artigo “Brazil’s unified health system: the first 30 years and prospects for the future” publicado ontem, 11 de julho no periódico The Lancet. O estudo liderado pelo departamento de Saúde Global e População da Harvard TH CHang of Public Health e com a participação de diversos abrasquianos entre 12 instituições nacionais e internacionais de ensino e pesquisa aponta que as principais conquistas obtidas nos últimos 30 anos com o Sistema Único de Saúde (SUS)  deterioram-se cada vez mais rápido frente à vigência da austeridade expressa na Emenda Constitucional 95 e no aprofundamento das políticas do governo Bolsonaro.
A partir da modelagem de quatro cenários em cerca de 30 indicadores entre demográficos, epidemiológicos, econômicos e do sistemas de saúde, os pesquisadores apontam que em todos cenários os índices pioraram, sobretudo para os municípios menores e mais pobres, com menor capacidade de arrecadação e maior dependência de verbas da União.
“O primeiro cenário é bem conservador, mas hoje estamos pior. As restrições fiscais implementadas a partir de 2016 marcaram o início de um período de retrocesso nas conquistas obtidas pelo sistema universal de saúde. Mas em
paralelo temos novas diretrizes ambientais, educacionais e de saúde do governo [Jair] Bolsonaro que podem reverter muito rapidamente os progressos, comprometer a sustentabilidade do SUS e a capacidade de cumprimento da obrigação constitucional na prestação de cuidados de saúde às populações”, diz o sanitarista Adriano Massuda em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Ao final, o artigo traz 6 recomendações, no qual destaca que a universalidade das políticas de saúde com um efetivo financiamento adequado e devidamente alocado são fundamentais para a manutenção do legado do sistema e para recuperação dos indicadores recessivos. Aponta também uma necessária mitigação na judicialização sem perda de equidade nas ações nacionais e locais de saúde serviços e produtos oferecidos pelo SUS.
Assinam o artigo Marcia C Castro, Adriano Massuda, Gisele Almeida, Naercio Aquino Menezes-Filho, Monica Viegas Andrade, Kenya Valéria Micaela de Souza Noronha, Rudi Rocha, James Macinko, Thomas Hone, Renato Tasca, Ligia Giovanella, Ana Maria Malik, Heitor Werneck, Luiz Augusto Fachini e Rifat Atun. Acesse o pdf.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Carta de Goiás – “Direitos Humanos não se pede de joelhos. Exige-se de pé”

Quarta, 26 de dezembro de 2018
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Reunidos  para compartilhar desafios e buscar alternativas de enfrentamento a uma realidade tão desfavorável a famílias camponesas, de agricultoras, povos indígenas e comunidades tradicionais, estudiosos, profissionais das diversas áreas do conhecimento e organizações e movimentos sociais de dez países encontraram-se na cidade de Goiás (GO) nos dias de 10 a 13 de dezembro, durante o 1º Seminário Internacional e 3º Seminário Nacional Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos. Diversas abrasquianas e abrasquianos estiveram presentes, contribuindo para o debate do atual sistema agroalimentar dominante na América Latina e no mundo, destacando os impactos na saúde individual e coletiva. Juntamente com outras 70 organizações, a Associação  é signatária da Carta de Goiás. Leia o documento na íntegra, baixe o PDF e acesse aqui publicação no site do evento:

sábado, 17 de novembro de 2018

208 milhões de brasileiros usufruem do Sistema Único de Saúde

Sábado, 17 de novembro de 2018
Da
Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva


Psicóloga Andreia Resende e a cabeleireira Bruna Paulista: SUS também é acolhimento | Foto: Flavio Tavares/Hoje em Dia

Em homenagem aos 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG), produziu uma série de cinco reportagens sobre a eficiência do sistema, que é referência mundial. Seja através de tratamento de doenças – ou da distribuição de vacinas, de pesquisas, da vigilância sanitária e controle de medicamentos, da formação de profissionais de saúde, do mapeamento de epidemias…Todos os brasileiros dependem e usufruem do SUS de alguma maneira. Confira, abaixo, as facetas do cuidado abordadas pelo veículo:
A reportagem Sobrenome SUS: Programa Saúde da Família cresce 45% em Minas em uma década conta a história da Estratégia de Saúde da Família, das equipes, dos Agentes Comunitários e de como era o acompanhamento da população antes do SUS ser implantado, em 1988, quando só 30 milhões de pessoas tinham direito ao atendimento.

sábado, 28 de julho de 2018

Congresso de saúde coletiva defende política de redução de agrotóxicos

Sábado, 29 de julho de 2018
Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) lançou hoje (28), durante a 12ª edição do congresso da entidade, um dossiê atualizado sobre o uso de agrotóxicos no país. Denominado Dossiê Científico e Técnico contra o Projeto de Lei do Veneno (PL 6.299/2002) e a favor da proposta que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pnara), o documento foi produzido pela Abrasco e pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em meio às discussões sobre o projeto aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados no dia 26 de junho.

sábado, 31 de março de 2018

‘Já tivemos parlamentares que compreendiam e defendiam o SUS, não temos mais’ diz Ligia Bahia

Sábado, 31 de março de 2018
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Inês Costal e Patrícia Conceição / do Observatório de Análise Política em Saúde

A entrevistada do mês de março do Observatório de Análise Política em Saúde – OAPS acompanha de perto a presença, cada vez maior, do setor privado na saúde. Ligia Bahia, doutora em Saúde Pública, médica e docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde da Abrasco, fala sobre as mudanças na privatização da saúde – “tem uma dominância financeira que está em todos os pontos do sistema” – e os desafios de investigar e analisar a movimentação financeira do setor privado, além de contrapor o discurso que opõe os setores privado e público, creditando ao primeiro qualidade e excelência.
Na entrevista a pesquisadora também comenta a relação de empresas com os poderes Executivo e Legislativo e critica a falta de uma bancada da saúde com melhor atuação: “Nós já tivemos parlamentares que compreendiam o SUS, defendiam, que estavam à frente desse processo, não temos mais. Nossos parlamentares não se comportam como sanitaristas, se comportam na defesa de interesses diversificados. E esse não é um problema do Legislativo, também é o nosso problema”.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Maurício Barreto: “Preocupa-nos nesse momento atual o que diz respeito às políticas sociais de saúde”

Quarta, 24 de janeiro de 2018
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Maurício Barreto durante a conferência “Superando crises econômicas: o papel do desenvolvimento científico tecnológico”, no X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em outubro de 2017  – Fotos: Rafael Venuto/Abrasco
Ph.D. em Epidemiologia (Universidade de Londres), professor titular aposentado do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da mesma instituição, pesquisador sênior do Instituto Gonçalo Moniz da Fiocruz (Fiocruz-Bahia), coordenador do Cidacs – Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Este é Maurício Barreto, o primeiro entrevistado de 2018 do Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS). No bate-papo, o pesquisador toca em temas como os desafios para implantação do Cidacs, o uso de grandes bases de dados nacionais para pesquisa no campo da saúde, a investigação sobre os efeitos dos cortes em políticas sociais para a saúde da população e o sistema de saúde brasileiro. “Houve aumento importante na expectativa de vida média da população, inclusive na expectativa de vida saudável, redução significativa e importante da mortalidade infantil, redução da mortalidade por doenças cardiovasculares etc. Há, portanto, uma acumulação de eventos positivos que se refletiram em benefícios na saúde da população. Preocupa-nos esse momento atual, principalmente no que diz respeito às políticas sociais e de saúde e outras medidas restritivas, ficando a pergunta do quanto tudo isto pode trazer de reduções ou de não-ganhos dos avanços anteriores”, avalia.
Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS): Você coordena o Cidacs – Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, que completou um ano de implantação em dezembro de 2017. Fale um pouco sobre essa iniciativa e quais as perspectivas do projeto. O cenário de cortes na área de Ciência e Tecnologia tem impactado o Cidacs?

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

“O ministro da Saúde não entende de saúde pública ou de vacinas”, diz ex-diretor do Butantan

Quarta, 23 de janeiro de 2018
Da Abrasco
Isaías Raw. Foto de R. Capote/Folhapressdeng
Os jornalistas Fernando Moraes e Gabriel Alves do jornal Folha de São Paulo, entrevistaram o pesquisador Isaías Raw que, aos 90 anos, mantém a mesma inquietude dos tempos de estudante de medicina da USP. “Sempre me meti com aquilo que não era a minha obrigação profissional”, disse à Folha em seu gabinete no Instituto Butantan, em São Paulo, onde, embora aposentado, passa boa parte de seus dias.
Raw falou sobre sua crítica à vacina da Sanofi contra a dengue: – “A Sanofi embarcou na vacina errada. Primeiro porque não protege contra os quatro tipos e agora chegou-se a conclusão de que a vacina é um perigo para quem nunca teve dengue. Curiosamente, houve apenas um comprador para a vacina, o Estado do Paraná. O que ele vai fazer com essa vacina agora? Qual é a relação do governador do Estado do Paraná e o ministro da Saúde? O ministro é um político, ele não entende de saúde pública ou de vacinas”, disse o pesquisador.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Pela defesa do SUS e por uma formação e pesquisa em saúde aliadas às necessidades sociais —— Carta Final do ABRASquim

Terça, 28 de novembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Nós, estudantes de graduação, de pós-graduação, professores e profissionais de saúde reunidos nos dias 20 e 21 de novembro de 2017 na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais por evento do ABRASquim 2017 – 1º Encontro Estudantil de Saúde Coletiva, manifestamos preocupação com o grave momento histórico e político vivido atualmente pelo povo brasileiro, marcado por uma retirada brutal de direitos sociais duramente conquistados e assegurados pela Constituição Cidadã.
A Saúde e a Educação, elementos-chave para a construção e consolidação de uma sociedade democrática e de uma nação soberana, são as áreas que mais têm sofrido com as medidas propostas para solucionar a crise no país. Exemplo disso é a promulgação da EC 95/2016 que congela em 20 anos os gastos públicos – que potencialmente inviabiliza o SUS – e ainda os cortes orçamentários sofridos pelas universidades públicas e pela Ciência, Tecnologia e Inovação. Em um momento de crises e incertezas, a falta de solidariedade emerge como uma ameaça à coletividade, ficando latente a fragmentação social e a individualização que ameaçam o ideário do SUS.
O ensino superior público também tem sido alvo de desmonte. Propostas de viés privatizante questionam a gratuidade e a gestão pública das universidades e até o seu papel na construção do conhecimento. Cortes orçamentários inviabilizam pesquisas e a própria autonomia das universidades, levando-as a buscar meios alternativos de financiamento nem sempre comprometidos socialmente. Consequentemente, a própria discussão e formação no âmbito da Saúde Coletiva sofre o efeito desses retrocessos, acirrando ainda mais as dificuldades ainda enfrentadas por esse campo.
Esses desafios nos levam a conclamar todos os estudantes, pesquisadores, trabalhadores, gestores, usuários do SUS e movimentos sociais da saúde, bem como toda a sociedade, para:
1) Defender o Sistema Único de Saúde e o direito universal assegurados pela Constituição Federal Brasileira de 1988;
2) Reivindicar um financiamento público adequado às políticas públicas democraticamente consensuadas na Constituinte, sendo necessária a revogação da EC 95/2016 de congelamento dos gastos públicos;
3) Defender as conquistas já alcançadas no âmbito da Atenção Básica no Brasil, não aceitando os retrocessos impostos pela nova proposta da Política Nacional de Atenção Básica;
4) Repudiar toda e qualquer forma de limitação da universalidade do SUS, como colocado pela proposta de planos populares de saúde;
5) Reivindicar a criação de um plano de carreira para os trabalhadores do SUS com salários e condições de trabalho adequadas;
6) Defender uma formação e pesquisa em saúde comprometidas ética e politicamente com o SUS e com as necessidades sociais e de saúde da comunidade, pautada pelo protagonismo dos estudantes, usuários, trabalhadores do SUS e dos movimentos sociais na construção do conhecimento;
7) Defender uma universidade pública democrática: aberta, diversificada e participativa aos estudantes, movimentos sociais e aos vários atrizes e atores da comunidade, sendo produtora não só de conhecimento técnico, mas também de sujeitos e cidadania;
8) Respeitar a transversalidade e a intersetorialidade na produção do conhecimento e do cuidado em saúde;
9) Combater o produtivismo desenfreado da pesquisa em saúde, reivindicando formas mais equitativas e criativas de avaliação da produção acadêmica;
10) Dedicar esforços, pesquisas e ações ao combate às iniquidades sociais;
11) Ocupar os vários espaços – instituídos ou não – de discussão e construção de políticas públicas, como as universidades, os conselhos de saúde e os espaços formais da Democracia Representativa; e
12) Unir-se à luta pela Saúde Coletiva.
Acreditamos que momentos de crise também podem ser momentos de reinvenção. Assim, o imperativo que se coloca é o enfrentamento coletivo à desesperança e a necessidade de resistir.
Belo Horizonte, 21 de novembro de 2017

domingo, 29 de outubro de 2017

Moção de repúdio ao programa “Alimentos para todos”, da prefeitura da cidade de São Paulo

Domingo, 29 de outubro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco –  vem a público manifestar seu repúdio ao programa “Alimentos para todos”, lançado pela prefeitura de São Paulo em 08 de outubro deste ano1. O referido programa teve origem no Projeto de Lei N. 550/2016, do vereador Gilberto Natalini, que institui a Política Municipal de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos, estabelecida pela Lei N. 16.704/2017. Conforme anunciado, caberá a uma dada empresa transformar produtos alimentícios próximos à data de vencimento, ou fora do padrão de comercialização, em um produto granulado (cuja composição ainda não foi divulgada). As notícias veiculadas até o momento indicam algumas alternativas de distribuição como, nas refeições de albergues e nas cestas básicas distribuídas pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Em 18 de outubro, o prefeito anunciou a intenção de também distribuir o produto na alimentação escolar2, embora tenha recuado após manifestação do Ministério Público Estadual.

domingo, 22 de outubro de 2017

PGR emite parecer de inconstitucionalidade a benefícios fiscais para agrotóxicos

Domingo, 22 de outubro de 2017
 
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva 
Por Bruno C. Dias

No último dia 17 de outubro, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, emitiu parecer pela inconstitucionalidade da cessão de benefícios fiscais à compra de agrotóxicos. A decisão está vinculada à análise pela PGR do Ministério Público Federal (MPF) sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.553.  A Abrasco ingressou como amicus curiae nesta ADI, impetrada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

A ADI 5553 é contra duas cláusulas do Convênio 100/1997, do Conselho Nacional de Política Fazendária – Confaz, e dispositivos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), estabelecida pelo Decreto 7.660/2011. A primeira cláusula questionada é a que reduz 60% da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de agrotóxicos nas saídas interestaduais. A segunda autoriza os estados e o Distrito Federal a conceder a mesma redução nas operações internas envolvendo agrotóxicos. Já o decreto concede isenção total de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aos agrotóxicos. Todas as leis compõem o pacote de bondades que o governo Temer tem oferecido à bancada ruralista e empresários da agroindústria como moeda de troca para o apoio político frente aos pedidos de cassação de seu mandato.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Brasil tem dinheiro para jogar fora, para fazer vários SUS, diz Nelson Rodrigues dos Santos

Segunda, 2 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
Um dos maiores especialistas em saúde pública do Brasil, o médico e professor da Unicamp Nelson Rodrigues dos Santos afirmou nesta terça-feira, 26, no Auditório da ADunicamp (Associação dos Docentes de Campinas) que o Brasil tem dinheiro para jogar fora e que poderia facilmente pagar vários SUS (Sistema Único de Saúde) com melhor qualidade.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Estratégias para consolidação do SUS e do direito à saúde – artigo de Gastão Wagner

Terça, 19 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Por Gastão Wagner de Sousa Campos*


I – Projeto e frente política em defesa do SUS:
A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) depende da constituição de um Bloco Político capaz de renovar e de dar continuidade aos movimentos sociais em defesa da vida.

A incorporação das diretrizes do SUS à Constituição de 1988 possibilitou o desenvolvimento de uma nova política de saúde no Brasil. Esta mudança foi inspirada nas experiências dos sistemas universais e públicos de saúde. Estes sistemas foram parte fundamental de reformas sociais  implementadas, ao longo do século XX, em vários países, objetivando o estado de bem-estar. Tanto a inscrição na Constituição do direito universal à saúde, quanto o início da implementação do SUS deveram-se a uma conjugação favorável de fatores de ordem política. Dentro da luta pela democratização e contra a ditadura militar ao longo dos anos setenta e oitenta, organizou-se também um influente movimento sanitário que adotou o SUS como sua estratégia mais geral. Entretanto, ao longo dos anos noventa e da primeira década do terceiro milênio, a progressiva implementação do SUS dependeu basicamente de ações internas às instituições. Mudanças por dentro do aparelho de Estado, um Estado ampliado é importante reconhecer, já que a criação de arranjos de controle social e de gestão participativa trouxeram para o interior das organizações públicas a disputa entre diversos projetos, entre diferentes interesses e múltiplos atores sociais. É importante reconhecer que nesta dinâmica participativa os partidos políticos, governantes, setores da burocracia e intelectuais tiveram maior influência do que a representação da sociedade civil ou dos usuários, em particular.

Entretanto, não se deve subestimar a importância de movimentos sociais específicos da área da saúde na implementação do SUS, pois graças a eles foram sendo possível implementar novas políticas e novos programas. Este foi o caso da reforma psiquiátrica, do movimento pró humanização, de luta contra a AIDS, a favor da Estratégia de Saúde da Família e pela Educação em Saúde, entre outros. Este ciclo de lutas produziu mudanças na cultura e na prática do SUS, gestando-se novos valores e conceitos sobre maneiras para se assegurar o direito à saúde. Em geral, estes movimentos aglutinaram profissionais com visão crítica e camadas populares diretamente interessadas no enfrentamento de alguns problemas de saúde. Estes movimentos encontraram apoio em distintas entidades, associações acadêmicas e políticas, como Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – CEBES, Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, entre outras, e lograram influenciar políticas e modos de atuação em municípios, reformas locais que produziram “efeito demonstração” e pressão para que Secretarias de Estados e o Ministério da Saúde as adotassem como estratégias para todo o SUS.

domingo, 17 de setembro de 2017

Movimentos da sociedade civil reivindicam rotulagem de alimentos adequada já

Domingo, 17 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Senhores Diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),

Considerando que é um direito básico do consumidor “à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem”, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC)1;

Considerando que as regras vigentes sobre informação nutricional nos rótulos de alimentos no Brasil não garantem o direito à informação sobre a composição e a qualidade nutricional dos alimentos devido a vários problemas de visualização e compreensão do conteúdo e de mensagens contraditórias na parte frontal da embalagem2;

Considerando a experiência bem sucedida do Chile em adotar um modelo de rotulagem nutricional frontal de advertências com a utilização de texto com linguagem direta e simples, a alusão gráfica do octógono, que remete a uma placa de “Pare”, e o uso da cor preta 3;

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

“Para onde caminha o SUS?” pergunta o Fórum Permanente de Políticas Públicas e Cidadania

Quinta, 17 de agosto de 2017
Da Abrasco
Fotografia de Antonio Scarpinetti – SEC – Unicamp

Os caminhos do Sistema Único de Saúde foram o tema do mais recente Fórum Permanente de Políticas Públicas e Cidadania, na terça-feira, 8 de agosto, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp. O encontro contou com a presença do presidente da Abrasco, professor Gastão Wagner e ainda de representantes do CONASS, CONASEMS e da academia, foram duas palestras e uma mesa redonda para discussão.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Crise e futuro do SUS em debate na TV

Segunda, 31 de julho de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva
O atual quadro financeiro do Sistema Único de Saúde esteve em debate na última edição do programa de entrevistas “Domínio Público”, transmitido no último dia 23. Alcides Miranda, professor do programa de pós-graduação e do curso de graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e dirigente da Abrasco foi um dos entrevistados.
“O SUS sempre foi subfinanciado, uma política pública com uma aposta no acesso universal, sendo o Brasil o único país com mais de 100 milhões de habitantes com um sistema de saúde universal. Os países que têm essa política gastam cerca de 8% do seu produto interno bruto em saúde. No caso brasileiro, nunca passou dos 3,7%, destacou Alcides Miranda ao apresentador e jornalista Jairo Jorge. Participou também do programa Diego Espíndola, secretário de saúde do município de Piratini, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado (COSEMS-RS) e dirigente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems).
“Domínio Público” é produzido por um canal independente e fica disponível na plataforma de vídeos YouTube. Assista abaixo a edição na íntegra.
Publicado em 24 de jul de 2017
Domínio Público debate os desafios do Sistema Único de Saúde

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Por outro Ministro da Saúde com outra política para a saúde – Por um Ministério da Saúde comprometido com o SUS!

Quarta 26 de julho de 2016
Nota da Abrasco
Foto: Erasmo Salomão/MS
Ricardo Barros é uma ameaça ao direito à saúde e ao SUS.
Nós, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), somamos-nos às entidades médicas exigindo seu afastamento.
Mais uma vez, ao discorrer sobre problemas de funcionamento do SUS, no caso, o trabalho médico, Barros atuou de maneira demagógica e inadequada ao seu cargo. Demagógica, porque apresentou proposta simplista para um problema complexo. Controle de ponto mediante o sistema de biometria – o que exigiria uma licitação e gastos milionários – sequer arranha a crônica falta de médicos e a péssima política de pessoal do SUS. Inadequada, porque o Ministro deveria utilizar o poder de convocação do Ministério da Saúde, por ele dirigido, para construir, com a participação dos estados, municípios e representantes de usuários e de profissionais, uma nova política de pessoal para o SUS. Vale lembrar que estados e municípios têm arcado com o principal ônus em relação ao gasto com pessoal: afinal, são responsáveis pela contratação e pela gestão de 96% da força de trabalho do SUS. Em realidade, as dificuldades com os profissionais do SUS são decorrentes de pelo menos dois fatores que o ministro jamais menciona.