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(Millôr Fernandes)
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sábado, 10 de setembro de 2022

REPORTAGEM: A “estratégia discursiva” dos cartazes que pediram golpe no 7 de setembro

Sábado, 10 de setembro de 2022


Para pesquisador da UERJ, mensagens “criam caos" para "fomentar o golpe”; ao menos 23 cartazes e faixas anti-democráticas foram identificados pela Pública em Brasília

Laura Scofield, Rubens Valente, Yolanda Pires
Postado originalmente no site da PÚBLICA em 9 de setembro de 2022

O policial militar reformado do Distrito Federal Aroldo Soares da Silva, 63, morador de Guará (DF), colocou duas faixas, em português e em inglês, que exigiam “Fora Suprema Corte comunista” na grade de proteção instalada pela PM no gramado em frente ao Congresso Nacional nesta quarta-feira do 7 de setembro em Brasília.

Perguntado pela reportagem da Agência Pública se não era um ato contra a democracia, Aroldo respondeu: “Não é um ato contra a democracia porque a democracia é cumprir a Constituição brasileira. Se você não está cumprindo a Constituição e não foi eleito pelo povo, você deve sair”, disse. Segundo ele, há “muitas coisas” da Constituição que o STF (Supremo Tribunal Federal) “não está cumprindo” e o presidente Jair Bolsonaro “já fez com que a população visse isso”.

Pedidos por “intervenção” das Forças Armadas — um eufemismo para golpe, ação ilegal e sem respaldo na Constituição —, pela destituição de ministros do STF e com ataques ao processo eleitoral brasileiro circularam pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao longo de toda a manhã do 7 de setembro, transformado pelos bolsonaristas em ato político e eleitoral, como mostrou nossa reportagem.

A Pública fotografou 52 faixas e cartazes exibidos por manifestantes, dos quais 23 tinham mensagens golpistas ou atacavam a lisura das próximas eleições presidenciais marcadas para outubro — o número equivale a 44% da amostra. Uma das faixas mais extensas dizia: “Queremos o presidente Bolsonaro no Poder. Intervenção militar no Judiciário, no Legislativo e nova Constituição e a criminalização do comunismo no Brasil. Já!!!”

Um homem carregava um cartaz verde e amarelo que dizia: “Presidente, acione as Forças Armadas. Faça intervenção democrática”. Outra faixa pregava: “Presidente Bolsonaro, acione as Forças Armadas para ‘nova constituição anti-comunista’”. Uma terceira repetia: “Presidente, acione as Forças Armadas!”

                            Laura Scofield/Agência Pública

Outra das faixas pedia a “demissão” de nove ministros do STF citados nominalmente — ficaram de fora somente André Mendonça e Kássio Nunes Marques, ambos indicados ao cargo por Jair Bolsonaro.

Cartazes pediam o “saneamento” do STF, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do Congresso. “PR [presidente], restaure a lei e a ordem no Brasil!”, dizia outra faixa, traduzida para o inglês, numa aparente tentativa de levar a mensagem ao público internacional.