“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Protagonista de si mesmo, Mourão estremece a candidatura do capitão

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Por
HELIO FERNANDES*

Poucos estão percebendo, mas o general que passou para a reserva, por ter defendido a intervenção militar, assumiu o comando da campanha presidencial. È o segundo de Bolsonaro, mas se movimenta intensamente como o primeiro dele mesmo. Estranhamente nomeado presidente do histórico Clube Militar, usa, abusa e utiliza essa posição para conquistar espaço, dentro e fora do circulo militar.

Dois pontos que considera importantíssimos para a sua predominância, e a substituição do Bolsonaro. Não esconde que o Brasil precisa de uma nova Constituição. Mas afirma sem qualquer hesitação, que não pode ser votada e promulgada pelo povo, diretamente. Ou pelo Congresso. Sua formula vem sendo divulgada com insistência.

Os personagens que redigirão essa constituinte, serão nomeados pelo presidente eleito. E a nova Constituição será referendada e ratificada, pelo novo presidente. Ele mesmo, no seu entendimento e apreciação. Como presidente poderá vetar ou acrescentar qualquer coisa, será presidente com todos os Poderes.

O segundo ponto que considera fundamental: ser candidato eleito com total apoio militar. Aí, encontra forte resistência de um grupo que não admite que um general de brigada recente, se transforme em presidente da Republica, sem voto, sem povo, sem urna, uma nova espécie de Temer, usurpador. Mas temos que reconhecer: militares empedernidos, surrealistas e revoltados contra os civis, preferem continuar apoiando Bolsonaro, apesar dele ser capitão da reserva, ficou no quartel um tempo mínimo.

A grande preocupação do general Mourão: sua chapa tem que ser vitoriosa no primeiro turno. E com uma votação cada vez maior. Ele adoraria obter maioria absoluta, (50 por cento mais 1 voto) mas sabe que isso é impossível. No entanto tem muita esperança numa votação que chegue ou ultrapasse, mesmo ligeiramente os 30 por cento.

Conseguido isso, do dia 7 de outubro, até antes do dia 28, tentará de todas as maneiras eliminar o segundo turno. Não ganha de ninguém, tem certeza de que assumirá, espalha desde já, "Bolsonaro não terá condições físicas para assumir a presidência". Então ele assumirá, tudo isso é rigorosamente verdadeiro, embora com a total falta de credibilidade dos dois.

PS- Alguém (vários) tentou lembrar a ele, a pretensão e ambição do coronel Passarinho, que tentou ser presidente, até mesmo no AI-5 de 1968. Não conseguiu por ser coronel da reserva.

PS2- Mourão, tranqüilo, responde: "Eu sou general e presidente do Clube Militar". 

PS3- Eles são capazes de tudo. 2 milhões e 200 mil mulheres, fizeram manifestação contra o voto em Bolsonaro e Mourão.

PS4- Eles modificaram criminosamente a frase, que passou a ser "favorável" a Bolsonaro e Mourão.

PS5- Isso é crime, ninguém foi punido.

*Matéria pode ser republicada com citação do autor. 
Fonte: Blog Oficial do Jornal da Tribuna da Imprensa.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O general Mourão, tão acintoso e perigoso quanto Bolsonaro capitão

Quinta, 13 de setembro de 2018
Por
Hélio Fernandes*

Tenho estudado o perfil do vice de Bolsonaro pela sua origem e seu comportamento no momento. Ainda na ativa, em discurso publico, pediu intervenção militar nos pais. Na reserva continua com as mesmas ideias, mas com roteiro diferente. Só que no caminho que vem percorrendo, ele é o segundo da chapa, mas com obsessão de ser o primeiro.

Como conseguiria essa transformação inusitada, atropelando até mesmo o companheiro de aventura eleitoral? Nenhuma preocupação, não esconde a superioridade, general é general, capitão é capitão.

(No meu livro sobre Fernando de Noronha, um dos capítulos mais importantes, intitulado "O Poder Militar no Brasil", faço uma radiografia devastadora do dia humilhante e medíocre da vida nos quartéis. Escrevi isso há mais de 50 anos, Mourão e Bolsonaro não existiam, mas cabem perfeitamente no estudo. Só por causa dessa analise, vale ter sido escrito o livro e foi fundamental para a proibição).

Agora, Mourão está mais ativo do que nunca. Ganhou a presidência do Clube Militar, importantíssima para o seu objetivo. Farsante, logo no dia do atentado com dupla interpretação, pediu moderação. Agora, recorreu ao STF, quer autorização para participar dos debates presidenciáveis, apesar de ser apenas vice.

Bolsonaro e Mourão não têm a menor preocupação com o segundo turno. Têm lugar cativo nesse segundo turno. Mas nenhuma possibilidade de ir em frente eleitoralmente. Aí o perigo e o conflito com a DEMOCRACIA.

PS- O STF não pode autorizar, de modo algum, que um vice participe de debate programado para presidenciáveis.

*Matéria pode ser republicada com citação do autor. Fonte: Blog Oficial do Jornal da Tribuna da Imprensa