Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador hospitais psiquiátricos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hospitais psiquiátricos. Mostrar todas as postagens

sábado, 18 de maio de 2019

No Brasil, hospitais psiquiátricos se tornam moradias por tempo indeterminado

Sábado, 18 de maio de 2019
Do

No estado de São Paulo, 1.500 pacientes moram em hospitais psiquiátricos ou em hospitais de custódia, de acordo com Ministério Público Federal (MPF).
Foto: Reprodução Internet
18/05/2019 

Três décadas após o início da luta antimanicomial, governo Bolsonaro sinaliza financiar modelo asilar em substituição ao tratamento comunitário.


Por Anelize Moreira, para Saúde Popular
O grito, o sofrimento e o abandono de pacientes internados com doenças mentais enfrentam dificuldades para chegar aos canais de denúncia. Isolados e apartados do convívio social, as violações aos direitos dessa população só chegam à justiça ou nos noticiários quando um familiar ou profissional resolve falar sobre a situação dos hospitais psiquiátricos ou comunidades terapêuticas.
No Brasil há 15.532 leitos em hospitais psiquiátricos, além de 59 Unidades de Acolhimento e 1.475 leitos SUS em hospitais gerais, de acordo com Ministério da Saúde. Essa população fica na invisibilidade e muitos ficam internados por décadas, sem perspectiva de saída para o convívio social. No início dos anos 2000 havia 50 mil leitos.
“Internação é para casos agudos e de curta permanência. O problema é que esses hospitais não visam internação com prazo determinado. Esses pacientes se tornam moradores desses hospitais, porque não há uma preocupação com a alta e reinserção social”. É o que afirma a procuradora da república Lisiane Braecher, trabalha com a desistitucionalização de espaços de saúde mental.

Hospitalização tem cor

A Secretaria Estadual da Saúde informou que, no ano de 2014, a população totalizava 5.490 pessoas. Desde então, 66,5% delas já passaram por esse processo desinstitucionalização, contabilizando pessoas que passaram a residir em Serviços de Residência Terapêutica (SRT), retornaram ao convívio familiar ou faleceram devido à idade avançada.
No estado de São Paulo, 1.500 pacientes moram em hospitais psiquiátricos ou em hospitais de custódia, de acordo com Ministério Público Federal. “O atendimento varia de acordo com cada instituição, mas isso não interessa, porque hospital não é lugar para se morar. Essa pessoa tem o direito de um tratamento que vise a alta é o que prevê a lei”, diz a procuradora.
De acordo com estudo, há proporcionalmente maior presença de negros em hospitais psiquiátricos paulistas, o que demostra os processos de preconceito, exclusão, abandono das populações mais vulneráveis.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Inspeções em 40 hospitais psiquiátricos evidenciam violação de direitos

Quarta, 12 de dezembro de 2018
Hospital Colônia, Barbacena, 1961.
Foto: Luiz Alfredo
12/12/2018

Ministério da Saúde tem até quinta-feira (13) para responder sobre a suspensão de repasses ao atendimento comunitário 

Do
Por Redação*

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), em conjunto com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), realizaram vistoria em 40 instituições psiquiátricas, em 17 estados das cinco regiões do Brasil, no início de dezembro.
A existência ilegal  de aparelhos de eletrochoque, pessoas sob cárcere privado ou amarradas com lençóis, entre outras situações de violação de direitos, assim como indícios de tortura a pacientes com transtornos mentais, foram alguns dos problemas detectados na varredura entre os dias 3 e 7 de dezembro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Raquel Dodge ressalta importância de programa de ressocialização de pessoas com longas internações psiquiátricas

Quarta, 17 de outubro de 2018
PGR participou de evento que também marcou a abertura da exposição “Morar em Liberdade: 15 anos do Programa de Volta para Casa”

Do MPF
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, participou, nesta terça-feira (16), da abertura de atividade promovida pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF) para celebrar os 15 anos do Programa de Volta Para Casa. Trata-se de uma iniciativa criada por meio da Lei Federal 10.708/2003, que instituiu o auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes que tenham permanecido em longas internações psiquiátricas. O evento da PFDC contou com uma roda de conversa que debateu os principais desafios relacionados ao direito à saúde mental no Brasil.
A PGR ressaltou que o programa segue os preceitos previstos na Constituição Federal de 1988, de que todos são iguais em dignidade e em direitos. Para a PGR, trata-se de um fato relevante, já que o mês de outubro marca os 30 anos de promulgação da Constituição. “É importante contribuir para a implementação de uma política exitosa como essa, que é baseada na ideia do aumento da autonomia das pessoas, do resgate da cidadania, e que aposta na ressocialização e na convivência harmônica em uma sociedade plural. Isso está no âmago do que é essencial da Constituição de 1988”. Também participaram do evento a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e a diretora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Brasília), Fabiana Damásio.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Torturas, maus-tratos, mortes em hospitais psiquiátricos e abrigos. Até quando?

Quinta, 27 de julho de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Com quase 18 anos do caso de Damião Ximenes, em Sobral (CE), relatos, registros e fatos sobre maus-tratos, violência e morte em hospitais psiquiátricos e casas de repouso no Brasil assombram a população brasileira. O mais recente, ocorrido no dia 13 de julho, envolveu o músico Mário Travassos, filho de Luiz Eduardo Travassos, que já foi vice-prefeito de Niterói-RJ. Mário foi internado no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba, com sintomas de ansiedade. Do hospital, os médicos acharam melhor que ele fosse transferido para outra unidade. Ele foi para a Clínica da Gávea, na Zona Sul do Rio, mas, no dia seguinte, ele morreu. O caso do músico, segundo Paulo Amarante, coordenador do GT Saúde Mental da Abrasco, é bem parecido com o de Damião Ximenes.