Terça, 3 de setembro de 2024
Segundo relatos de agentes culturais e comerciantes, órgãos do governo agiram de forma truculenta e sem diálogo

Ação para proibir o comércio ao longo do Eixão do Lazer atingiu diretamente pequenos comerciantes, músicos e representantes da arte e cultura do DF - Foto: Reprodução
Rafaela Ferreira
Brasil de Fato | Brasília (DF) em 02 de setembro de 2024 às 21:08
Comerciantes, artistas, organizações e parlamentares do Distrito Federal se mobilizam contra uma ação do Governo do DF (GDF), que neste domingo (1) proibiu o comércio ao longo do Eixão do Lazer, atingindo diretamente pequenos comerciantes, músicos e representantes da arte e cultura.
Segundo a Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal), a fiscalização ocorreu para verificar licenças, removendo do local os "vendedores irregulares". Na ocasião, trabalhadores, agentes culturais e frequentadores do Eixão do Lazer foram surpreendidos com uma ação do DF Legal, em parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER) e da Polícia Militar (PMDF). Segundo relatos de artistas e comerciantes, a ação no espaço cultural foi truculenta.
Para Hosana Coelho e Glauber Cruz, idealizadores do Rock no Eixo, a fiscalização não teve nenhuma abertura para diálogo. "Foi sem nenhuma justificativa, ninguém falava o que era. O Eixão do Lazer tem mais de 30 anos e só agora o DER percebeu que tem gente comercializando lá e fazendo manifestação cultural?", questionam. "Ontem a ação foi contra a música, os ambulantes, eles tiraram todo mundo do Eixão, até mesmo as famílias".
Em um vídeo que circulou nas redes sociais, também foi apontado a ausência da justificativa da ação. “Estamos recebendo, com surpresa, uma tropa do DER que está mandando todo mundo sair do Eixão, notificando todas as barracas para irem embora. Tentamos conversar com um agente da fiscalização, mas parece que não tem papo, mandaram todo mundo sair”, diz a pessoa no vídeo.
Para o deputado distrital Gabriel Magno (PT), que preside a Comissão de Educação e Cultura na Câmara Legislativa do DF (CLDF), a ação demostrou um modus operandi do governo, que tem um resultado "desastroso" para o próprio governo do DF. "Foi uma ação de reação a atividades democráticas e abertas".
