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(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Estrella: “Brasil é a joia da coroa da reorganização mundial”

Sexta, 23 de outubro de 2026

Estrella: “Brasil é a joia da coroa da reorganização mundial”

“Pai do pré-sal”, geólogo está lançando o livro “Energia e Soberania”, no qual destaca a vontade política do presidente Lula para o descobrimento daquelas reservas.

Da AEPET
Publicado em 22/10/2026

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O geólogo Guilherme Estrella, diretor da Petrobrás entre 2003 e 2012 - época do descobrimento do pré-sal - está lançando Energia e Soberania, livro no qual indaga se o Brasil será capaz de transformar sua riqueza natural em desenvolvimento socioeconômico para seu povo. Editada pelo Senge-RJ com apoio da Fisenge, do Clube de Engenharia e da FUP, a publicação denuncia a destruição do arcabouço legal construído em torno do pré-sal, cujo ápice se deu com a promulgação da chamada Lei de Partilha, que garantia à Petrobrás o papel de operadora única do pré-sal e parte da renda petroleira para a Educação e Saúde, por exemplo.

Elaborada com apoio técnico da AEPET, a Lei de Partilha hoje está desfigurada. “Desde o seu nascimento, a AEPET representa a alma da Petrobrás”, disse Estrella nesta entrevista exclusiva, acrescentando que esta tradição que está completando 65 anos tem sua importância renovada neste angustiante contexto geopolítico.

“O Brasil é a joia da coroa da reorganização mundial que vem ocorrendo. E devemos garantir nossa soberania. A descoberta do pré-sal demonstrou de que o Brasil pode ser um país soberano, com segurança energética, garantir nossa inserção independente no mundo. Isso incomodou tanto que chamada Quinta Frota dos EUA foi reativada, houve roubo de computadores da Petrobrás. Tudo culminou com a operação lava-jato”, pondera o geólogo.


“Um dos objetivos da lava jato foi destruir grandes empresas brasileiras”, prossegue Estrella, frisando que a Engenharia é “a base dos grandes movimentos de industrialização”. Para ele, após o chamado “Consenso de Washington”, governos submissos como o de FHC, que colocou ações da Petrobrás na bolsa de Nova Iorque, procuraram destruir conquistas como o monopólio estatal do petróleo e a concepção de uma Petrobrás integrada, “do poço ao posto”, como se diz.

“O golpe contra Dilma acelerou esse processo e com Temer e sua ponte para o futuro e, depois, Jair Bolsonaro, a União deixou de ser a única influente na nomeação de conselheiros e ativos como a BR Distribuidora, a Liquigaz e os gasodutos foram vendidos a preços inferiores ao valor real”.

Tudo isso preocupa Estrella em relação ao futuro, incluindo a delicada questão da Transição Energética. “O Brasil já possui matriz energética equilibrada, que já representa nossa contribuição para a transição. O governo precisa conduzir o processo, não a iniciativa privada. Temer mudou lei das SA e das estatais, tirando do governo o poder efetivo de gerenciá-las integralmente. Hoje, praticamente todas as fontes alternativas são controladas pela iniciativa privada. E a própria Petrobrás atualmente funciona como a iniciativa privada: quer o lucro máximo”, reclama.

Culpando a privatização da BR Distribuidora pela fragilização ainda maior do governo em relação ao chamado "mercado", ele ressalta que exportar petróleo cru, além de não gerar desenvolvimento industrial, acaba contribuindo para a produção de CO2, já que será consumido em outros países em detrimento de fontes alternativas.

“É uma incoerência”, define, acrescentando que o país precisa acumular reservas porque, se hoje é autossuficiente em energia, não o será se quiser elevar seu consumo per capita para níveis próximos aos países desenvolvidos.



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Rogerio Lessa