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sábado, 27 de abril de 2024

Filho de João Cândido rebate Marinha: “meu pai é um herói popular”

Sábado, 27 de abril de 2024

© Prefeitura de São João de Meriti/Reprodução

Em carta, comandante questionou homenagem ao marinheiro

Por Leo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro - Publicado em 27/04/2024

Após a Marinha se manifestar contra o reconhecimento de João Cândido como herói da pátria, o único filho vivo do líder da Revolta da Chibata criticou o posicionamento, mas diz que não se surpreende. Adalberto Cândido, conhecido como seu Candinho, avalia que há uma aversão à figura de João Cândido e conta que os familiares nunca foram procurados pela Marinha.

"Ela não se envolve em nenhum evento relacionado com meu pai. Quando houve a cerimônia de instalação da estátua do meu pai na Praça XV, no Rio de Janeiro, não tinha ninguém da Marinha presente. Parece que nutrem um ódio. Eles deviam agradecer aos marinheiros por terem feito a Marinha evoluir. Mas não quero que meu pai seja herói da Marinha, quero que seja um herói do povo. Meu pai é um herói popular. A verdade é que a Marinha não se atualizou como deveria", disse seu Candinho, em entrevista à Agência Brasil nesta sexta-feira (26).

A inclusão de João Cândido no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria depende da aprovação do Projeto de Lei 4046/2021, atualmente tramitando na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. Na segunda-feira (22), a Marinha enviou uma carta oficial endereçada ao deputado federal Aliel Machado (PV), que preside a comissão. Deflagrada no Rio de Janeiro em 1910 como reação aos castigos corporais aplicados aos marinheiros, a Revolta da Chibata foi descrita pela Marinha como uma "deplorável página da história nacional" que se deu pela "ação violenta de abjetos marinheiros".

A carta foi assinada pelo comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen. "A Força Naval não vislumbra aderência da atuação de João Cândido Felisberto na Revolta dos Marinheiros com os valores de heroísmo e patriotismo; e sim, flagrante que qualifica reprovável exemplo de conduta para o povo brasileiro", registra o texto.

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é um livro de aço voltado para perpetuar, através do registro do nome, a memória dos brasileiros que se destacaram na história do país. Desde que foi criado, em 1992, já foram homenageados 64 pessoas, entre eles Tiradentes, Anita Garibaldi, Chico Mendes, Zumbi dos Palmares, Machado de Assis e Santos Dumont. Ele fica depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, monumento localizado em Brasília. A inclusão de novos nomes só ocorre mediante aprovação de lei pelo Congresso Nacional.

Na carta enviada à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, o comandante Olsen classifica a revolta como "subversão" e "ruptura de preceitos constitucionais organizadores das Forças Armadas". Ele sustenta que houve desrespeito à hierarquia e à disciplina e menciona ainda que inocentes morreram no episódio.

Seu Candinho contesta. Segundo ele, a Marinha naquela época desrespeitava suas próprias regras internas, prática que mudou graças ao movimento dos marinheiros. "Não havia essa disciplina. Pelo código disciplinar, o limite eram 25 chibatadas. Deram 250 em um marinheiro".

Embora reconheça o "justo pleito pela revogação da prática repulsiva do açoite", Olsen alega que os marinheiros estavam interessados em "vantagens corporativistas e ilegítimas". Também consta no texto que o reconhecimento de João Cândido como herói passaria a "mensagem de que é lícito recorrer às armas que lhe foram confiadas para reivindicar suposto direito individual ou de classe".

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

MPF recomenda abertura de arquivos sobre João Cândido e políticas de reparação a familiares

Quinta, 20 de novembro de 2019
Recomendação pede à Marinha que organize acervo sobre o Almirante Negro para divulgação à sociedade, e aos governos federal e municipal que estabeleçam políticas de reparação

Foto: Reprodução internet

Do MPF

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação à Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), à Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e à Prefeitura de São João de Meriti, na Baixada Fluminense (RJ) para que sejam adotadas medidas de valorização à memória de João Cândido Felisberto. A recomendação se dá após apuração no inquérito civil público 1.30.010.000055/2019-64, que visa a acompanhar a atuação de entes públicos federais, estaduais e municipais na preservação da memória do “almirante negro”, como era conhecido na Marinha.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Patrimônio Cultural: MPF instaura inquérito civil para identificar registros da trajetória de João Cândido ('O Almirante Negro'), líder da revolta da chibata,

Segunda, 4 de janeiro de 2019
Imagem: Wikimedia

Do MPF
A ideia é acompanhar a atuação de entes públicos federais, estaduais e municipais na preservação da memória do "almirante negro", como era conhecido na Marinha

O Ministério Público Federal (MPF) instituiu inquérito civil público para apurar as medidas de valorização da memória do marinheiro João Cândido Felisberto por órgãos municipais, estaduais e federais. O procedimento também tem por objetivo identificar os registros de João Cândido na marinha brasileira e acompanhar as medidas adotadas pelos entes públicos para garantir a abordagem histórica de sua trajetória, tendo em vista o disposto na Lei 10.639, de 2003, que manda incluir no currículo oficial da rede de ensino a luta dos negros no Brasil.


A medida atende a demandas da sociedade civil de São João de Meriti, município onde o "Almirante negro", como era conhecido, viveu os últimos anos de sua vida. No dia 14 de dezembro de 2018, o MPF participou de reunião na Casa de Cultura de São João de Meriti que tratou do pedido de inscrição de João Cândido como “herói da pátria”, por meio de projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional. Em 17 de janeiro de 2019, houve no MPF outra reunião sobre o tema, ocasião em que foi apresentada, pela sociedade civil local, demandas sobre a preservação da memória de João Cândido. 



Como providências iniciais, o MPF solicitou ao Comandante da Marinha do Brasil e ao Comandante do 1º Distrito Naval que encaminhem os dados e registros que estes tenham de João Cândido Felisberto. À Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, foi requisitado que encaminhe cópia integral do processo administrativo que cuidou da criação do “Museu Marinheiro João Cândido” e/ou preste as informações pertinentes acerca da construção. Ao prefeito do Município de São João de Meriti, foi pedido que informe as medidas que vêm adotando para que seja preservada a memória de João Cândido no município em que este viveu nos últimos anos de sua vida. Por fim, à Secretaria Municipal de Educação de São João de Meriti e à Secretaria Estadual de Educação pediu-se que informem quais medidas são adotadas no currículo escolar para discussões acerca da importância de João Cândido Felisberto na história do Brasil. O prazo para a resposta dos ofícios é de 10 dias.
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