“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 18 de setembro de 2018

O dia em que a Prefeitura de SP cuspiu no padre – e no povo de rua

Segunda, 17 de setembro de 2018
Da
https://ponte.org/

Padre Júlio Lancelotti celebrou missa em homenagem a moradores de rua agredidos por guardas civis metropolitanos; prefeitura diz que está apurando os fatos 

Padre Júlio mostra bomba de gás disparada dentro do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima | Foto: Daniel Arroyo/ Ponte Jornalismo  

A fúria de Lampião, a coragem de Maria Bonita, o molejo de Luiz Gonzaga, a magia de Raul Seixas. José Orlando, 55 anos, carrega toda essa gente pelo corpo, como parte das 16 tatuagens que cobrem sua pele. Tinha posto na mente que todos eles iriam protegê-lo e lhe dar força quando precisasse. 

José Orlando mostra ferimento causado por golpe de cassetete de um GCM | Foto: Daniel Arroyo/ Ponte Jornalismo 
Mas, na última sexta-feira (14/9), quando os homens e mulheres da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo passaram a espancar moradores de rua diante do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, no Belenzinho, zona leste da cidade de São Paulo, as forças invocadas pelas tatuagens não lhe serviram de nada. “Cadê Lampião, cadê Maria Bonita, cadê Luiz Gonzaga, cadê Raul Seixas, cadê?”, pensou. Quando viu, Orlando estava caído na calçada, com a cabeça aberta por um golpe de cassetete.
José Orlando, chamado de “velhinho” e “senhor” pelos irmãos de rua | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo 
Segundo os moradores de rua que frequentam o São Martinho, a violência começou como sempre começa, com o “rapa”, a apreensão de objetos da população de rua, que a Prefeitura prefere chamar de “trabalho de zeladoria rotineira”. Segundo a Secretaria Especial de Comunicação do prefeito Bruno Covas (PSDB),  os GCMs davam suporte a uma equipe da Subprefeitura da Mooca que fazia o “rapa” e teria sido “hostilizada” por moradores de rua. 

sábado, 15 de setembro de 2018

‘Padre de merda’: Guardas cuspiram em mim e ameaçaram, afirma Júlio Lancelotti

Sábado, 15 de setembro de 2018
Da
https://ponte.org/

Vídeo mostra Guarda Civil Metropolitana jogando spray de pimenta em espaço para população de rua na zona leste de SP; ‘Disseram: ‘vamos dar um fim nesse padre’ e ameaçaram voltar’, afirma Júlio


Foto: TV Brasil
   Truculência, spray de pimenta em ambiente fechado, balas de borracha, armas de choque e cuspe no rosto de um padre. Este é o relato de Julio Lancellotti, vigário episcopal para a população de rua da Arquidiocese de São Paulo, sobre uma ação da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo ocorrido no Centro Comunitário São Martinho de Lima, um espaço para a população em situação de rua na Mooca, zona leste da capital paulista. Além do cuspe, Padre Júlio afirma ter sido ameaçado pelos guardas.
   A violência teve início quando os guardas faziam uma ação de “rapa”, em que retiram pertences das pessoas. Entre os itens estavam papelões e recicláveis, que as pessoas vendem para sobreviver.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Direitos do cidadão: Os desafios no cuidado à população em situação de rua são temas de diálogo com a participação da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC)

Terça, 10 de julho de 2018
Do MPF
“Não há possibilidade de qualquer política pública ser eficaz sem a participação dos sujeitos afetados por ela”, ressaltou Deborah Duprat
Foto da mesa que dirigiu os trabalhos.
Imagem: PFDC
A rua – um dos espaços sociais de maior pluralidade – é também cenário de inúmeros desafios no que se refere à plena efetivação dos direitos humanos, concluíram os participantes do diálogo sobre a política de assistência social, realizado na última quinta-feira (5), em Brasília, no âmbito do Encontro Nacional sobre os Direitos Socioassistenciais da População em Situação de Rua.

Temas como o atendimento a crianças e adolescentes, as especificidades da população LGBTI, os cuidados relacionados às pessoas idosas ou com deficiência, a violência contra a mulher e o enfrentamento ao racismo estiveram no centro da discussão, que contou com a coordenação da procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat.

domingo, 8 de abril de 2018

No DF, ex-morador de rua cursa direito e faz vaquinha para pagar formatura

Domingo, 8 de abril de 2018
Por



Walisson se forma no final deste ano | Foto: Facebook

Uma destino feliz fez com que Walisson dos Reis Pereira, 30 anos, ex-morador de rua, fosse um personagem diferente nessa história. O jovem, que morava há quatro anos na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, conseguiu, em 2012, retornar aos estudos. Hoje, após conseguir uma vaga pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), está no oitavo semestre do curso de Direito e luta para concluir o curso e participar da formatura, no final deste ano.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Estudo em SP aponta alta prevalência de dores crônicas entre moradores de rua

Sexta, 30 de março de 2018
O Albert Einstein elaborou um curso online gratuito sobre o tema para profissionais de saúde e estudantes.

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil
Estudo inédito do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) mapeou a ocorrência de dores crônicas em moradores de rua. Foram entrevistados 69 pessoas em situação de rua da capital paulista. O resultado é que a dor crônica atinge 82,6% desse grupo, sendo que 73,8% das queixas são de incômodos nos músculos, tendões, ligamentos, articulações e ossos.

“A escala que nós utilizamos é dividida entre uma dor fraca, moderada e intensa. Cerca de 90% da mostra apresenta uma dor intensa, então quase todos os entrevistados, que já eram pacientes com dores crônicas, sentiam dor todos os dias por muitos anos”, explicou a enfermeira Ariane Graças de Campos que desenvolveu a pesquisa como dissertação de mestrado com orientação da pesquisadora Eliseth Ribeiro Leão. Quase 70% dos entrevistados disseram sentir dor todos os dias e, em grande parte dos casos, a duração é de horas (39,1%) ou dias (40,6%).