
“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
sexta-feira, 30 de julho de 2021
DESESPERO: Bolsonaro admite não ter prova de fraudes em eleições. TSE rebate mentiras em tempo real

Mariene de Castro - Pot-pourri ai que saudades tenho da Bahia
---------------
Cida Torneros é jornalista aposentada e edita no Rio de Janeiro o Blog Vou de Bolinhas.
quinta-feira, 29 de julho de 2021
Eu e você no Congresso Nacional
PRESIDENTE OU PRESTIDIGITADOR: O VOTO QUE PODE NÃO SIGNIFICAR DEMOCRACIA.
Quinta, 29 de julho de 2021
Leia mais em: https://veja.abril.com.br/blog/jorge-pontes/so-a-terceira-via-nos-salvara-em-2022/ O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Divulgação/DivulgaçãoPor
Pedro Augusto Pinho*
“Poucas unidades militares têm uma reputação tão ruim quanto os pretorianos, a guarda dos imperadores de Roma, sua privilegiada (cobravam muito mais do que os legionários, e serviram menos tempo) e muitas vezes petulante escolta. O corpo, que também acompanhava o imperador em campanhas, entrando em combate como soldados, teve múltiplas funções, incluindo as de polícia secreta, espionagem e operações clandestinas (como assassinar inimigos do Estado). Foram precursores das unidades de elite e dos guarda-costas dos líderes modernos, influenciaram forças como a Guarda Suíça, a Guarda Imperial de Napoleão e as SS, e seu eco alcança até mesmo o universo de Star Wars, em cujo novo filme, Os Últimos Jedi, o líder supremo do mal conta com uma guarda pessoal inspirada diretamente neles (embora armada com espadas e lanças laser em vez de gládios e pilums)”, escreveu para El País, o jornalista catalão Jacinto Antón (Pretorianos, a força obscura por trás do trono dos imperadores romanos) a respeito de duas publicações recentes (2017) dos historiadores Guy Martyn Huchet de la Bédoyère (Praetorian: The Rise and Fall of Rome’s Imperial Bodyguard) e Arturo Sánchez Sanz (Pretorianos: La élite del ejército romano).
Também, neste artigo de 09/01/2018, lemos: “o momento mais sórdido da história da guarda (e de Roma) foi o leilão feito pelos pretorianos da dignidade imperial no ano 193, após o assassinato de Pértinax, que havia tentado colocá-los na linha, depois que na época de Cómodo tinham se acostumado a fazer o que queriam, incluindo bater em transeuntes. “Ofereceram o trono ao melhor lance, uma oferta indigna e degradante, um dos momentos em que eles e Roma foram ao fundo do poço”. Quem comprou o trono, em ascensão, foi Didio Juliano, que durou apenas 66 dias porque não pôde pagar a quantia acertada com os pretorianos”.
As armas dos pretorianos, em nossos impérios e repúblicas, nem sempre foram as de fogo, muitas vezes foram aqueles papeizinhos, pintados de verde (agora também de azul), que no “Guia do Mochileiro das Galáxias” você é informado que os terráqueos gostam muito. Porém sem esclarecer que cada dia valem menos, pois já são impressos sem lastros – e depois querem culpar os chineses (!?).
Estamos próximos da nona eleição presidencial na Nova República, sob a mesma emendada e rasgada, inclusive pelos que deveriam obrigar o respeito, Constituição de 1988, e ainda aguardamos algum projeto razoavelmente semelhante aos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs) da época da “ditadura”.
Sem Projeto para o País, que seja apresentado e discutido, não apenas pelo candidato, mas por todas as forças políticas e, principalmente, estarem na fundamentação dos Partidos Políticos, cujas legendas lhe dão suporte para registro da candidatura.
Vamos então para mais uma farsa ou um ilusionista, que tivemos, por duas vezes, com grande prejuízo para o País, sem contar o último eleito, desde a primeira redemocratização, em 1945, também seguida de uma Constituição (1946): com Jânio Quadros (1960) e uma vassoura, e Fernando Collor (1989), com sua espingarda de caça aos marajás (indianos no Brasil ou homicídio?).
Mas o ano 1989, não foi apenas uma tragédia brasileira, foi também o ano do Consenso de Washington e seu nefasto decálogo que vem desfigurando as realidades nacionais e por todo mundo. Uma globalização financeira que se impõe também como nova cultura, os identitarismos que afastam parcelas das populações do legítimo interesse nacional, para buscar outras “identidades” como a mais marcante.
Veja, caro leitor, se você é perguntado, em qualquer lugar do mundo, quem você é, o que responde: bissexual?, índio pataxó?, neopentecostal? Ou informa sua nacionalidade? Mas os capitais financeiros apátridas, que residem em paraísos fiscais, têm pavor dos “nacionalismos”, gostam de dividir as nações, os países, de modo a quebrar as nacionalidades em idealizações globais, que nem mesmo são convincentes. Observe se os negros têm todos a mesma etnia em Angola ou Gana ou na Nigéria? Qual a semelhança dos iroqueses ou cherokees com os ianomâmis ou mapuches ou aimarás?
E, por favor, advogo que cada um e todos mantenham orgulho de suas culturas; mas lembrem bem de que foram principalmente os ingleses, que há séculos são dominados pelas finanças, quem mais destruíram culturas e etnias, basta ver onde o inglês é língua oficial. Na África, um amplo continente dominado por estrangeiros europeus, os idiomas locais, exceto o suaíle, não saem de dentro das casas ou da comunidade. Mas o megaespeculador plurinacional George Soros destina bilhões de dólares estadunidenses (que ele melhor do que ninguém sabe ter os dias contados) para movimentos identitários de etnias e sexuais.
Há um aspecto por demais relevante, que obriga a apresentação de projetos nacionais nas eleições do executivo e do legislativo no próximo ano: as perspectivas recém-divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), sediado na capital dos Estados Unidos da América (EUA). Examinemos com maior profundidade o que significam estas “análises” do FMI.
O FMI estava presente na formulação do Consenso de Washington (novembro de 1989), é cúmplice. E, desde então, tivemos nove “crises”, todas que resultaram em transferência de valores dos tesouros nacionais para as finanças apátridas ou na transferência de ativos rentáveis para este mesmo capital.
Recordando: 1990, no Japão, que nunca mais se reergueu; 1992, na Europa, que resultou no “Tratado Maastricht” ou “Tratado da União Europeia” que vigora desde 1º de novembro de 1993, reduzindo as soberanias nacionais que se extinguem com a adoção do euro; 1994, no México, crescendo naqueles últimos sete anos, apesar da abertura econômica, e com adesões à revolta nacionalista de Chiapas; 1997, no sudeste asiático, onde os “tigres” se industrializavam e desenvolviam tecnologias próprias; 1998, na Rússia, mais um empurrão para o desmembramento total da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS – 1991), tirando recursos da Rússia; 1999, no Brasil, para aproveitar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e acelerar a transferência de recursos brasileiros para o controle das finanças apátridas; 2000, nos EUA, limitar a autonomia das empresas de tecnologia digital aos interesses do sistema financeiro internacional, a “bolha da internet”; 2001, na Argentina, o governo Carlos Menem (8 de julho de 1989 a 10 de dezembro de 1999), seguidor do decálogo do Consenso de Washington, arruinou a Argentina, que resultou na declaração de insolvência. Esta “crise” buscou um compromisso e a fórmula para saudar a dívida.
A nona crise, desta amplamente aceita enumeração, exige uma reflexão sobre a evolução dos capitais financeiros após as desregulações dos anos 1980. Ela foi denominada “crise dos subprimes”, que ocorreu nos EUA e na Europa Ocidental de 2007 a 2010. A jornalista Hanna Rosin (israelense, autora de “The End of Men: And the Rise of Women”, de 2012) argumenta que os milhões de adeptos da teologia da prosperidade podem ter influenciado o problema no mercado imobiliário, que causou a crise econômica de 2008-2009. Mais divulgada, no entanto, atribui a causa à falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers. E, em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras, como a de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, atingindo a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália, até 2010. Aqui o presidente Lula chamou de “marolinha”, o que foi geralmente denominado “tsunami”.
Podemos entender que os “capitais tradicionais”, assim os denomino para distinguir dos “capitais marginais”, têm início na Inglaterra medieval, com as Magnas Cartas do século XIII. Porém é a partir do século XVI, com a incorporação do “Novo Mundo”, que eles ganham a força econômica: constituição das Companhias das Índias, financiando as guerras anglo-holandesas e culminando com a criação do banco privado, emissor da moeda e da fixação das taxas de juros, em 1694, o Banco da Inglaterra, por séculos controlado pela família judaica Rothschild.
Os “capitais marginais”, assim designo pois andavam em armários, malas, bunkers, sua presença nos sistemas legais, formais, oficiais financeiros não era permitida. Ele tinha origem no que constituía crime: o tráfico de drogas, o comércio de pessoas e órgãos humanos, o contrabando de armas e de outros produtos rentáveis e desejáveis, porém difíceis pelas condições existentes em países e regiões, a prostituição e manutenção dos modernos pretorianos ou milicianos.
As desregulações promovidas pela Margaret Thatcher (Reino Unido) e por Ronald Reagan (EUA) absorveram no sistema legal os “capitais marginais”, que na primeira década desta oportunidade (1990-1999) testaram as vantagens e possibilidades com quatro trilhões de dólares estadunidenses.
Os “marginais” tinham sobre os “tradicionais” a imensa vantagem da liquidez, da pronta disponibilidade de dinheiro; nem estavam imobilizados nem representavam dívidas, eram “cash”, “em espécie”. Acreditamos que a “crise de 2008-2010” representou o primeiro embate entre estes dois conjuntos de capitais financeiros, do qual não saiu um vencedor nítido (ao menos para quem está apreciando de fora), mas a possibilidade de ter sequência, esperarmos outra crise.
Ao garantir que o mundo todo terá queda nos respectivos Produtos Internos Brutos (PIBs) em 2022, o FMI, que é do ramo e participa de todas as jogadas, está mostrando que haverá uma nova rodada na disputa entre “tradicionais” e “marginais”, talvez já neste final de 2021.
Ora, para a defesa da Pátria, para um mínimo de dignidade nacional, não se pode aceitar outro representante dos interesses estrangeiros ou a manutenção de um escamoteador na condução do País. Precisamos de alguém que tenha suporte político, forme alianças de interesses nacionais e não dos capitais apátridas ou alienígenas, para explicar e convencer o povo a ter um Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), ou um Projeto Nacional Brasileiro (PNB).
Como seria este novo PNB ou PND?
As condições internacionais e nacionais dos anos 1960/1970 e de agora, pós 1991, são bastante diferentes.
O Brasil vinha de uma sequência de transformações e de crescimento, desde o pós-guerra. Esta época que os economistas da Associação Francesa de Economia Política denominaram “os trinta anos gloriosos”, de 1945 a 1975.
A destruição que o neoliberalismo promoveu na estrutura de governo, principalmente após o fim da URSS, para que pudessem ser as finanças o verdadeiro poder, obriga ser das mais urgentes metas, as providências dos 100 dias, uma nova configuração organizacional do Brasil. Algo talvez ainda mais profundo do que fez Getúlio Vargas, vencedor da Revolução de 1930, que a história batizou “Era Vargas”. E durou quase um século!
Gostaríamos de deixar claro que um projeto nacional nem é somente um trabalho intelectual, de gabinete, ainda mais de um único conjunto de especialistas, é um trabalho multidisciplinar, mas, principalmente, que exige um esforço, desde o início, de mobilização e da ampla participação popular em todas as suas etapas. É fundamentalmente um trabalho do povo e para o povo brasileiro
Vamos nos arriscar a apresentar alguns processos, algumas ideias. De início, dividiríamos o trabalho em dois conjuntos, sob gerenciamentos próprios, as questões nacionais dirigidas à SOBERANIA e as destinadas à CIDADANIA.
Quais são as questões da Soberania? Também se subdividiriam nas: 1) da Defesa Nacional, 2) da Gestão e Proteção dos Recursos Naturais, 3) do Desenvolvimento Nacional e 4) da Aplicação e Participação dos Rendimentos Nacionais. Em todas elas há, como é óbvio, o permanente e incentivado desenvolvimento científico e tecnológico.
É necessário, desde logo, excluir qualquer ideia de capitalismo de estado ou de Estado que opera todos os recursos. O papel principal do Estado é o de planejar, conforme as prioridades definidas pelo povo na sua participação direta, e orientar. Toda iniciativa privada, que não seja em área de segurança ou estratégica para defesa e desenvolvimento nacionais, é bem-vinda.
E as questões da cidadania? É o permanente e contínuo trabalho da formação da cidadania, da exclusão da pedagogia colonial, da verdadeira autonomia da pessoa humana. Constituem subdivisões da Cidadania: 1) trabalho, a garantia e proteção ao trabalho, como a forma de dar dignidade e propiciar a realização do ser humano, e, como decorrência, a previdência e a assistência social; 2) existência, as condições de saúde, de habitação e de mobilidade urbana. Como se infere destas ações, a urbanização, o saneamento básico, a interligação da saúde com o desenvolvimento das indústrias nacionais de medicamentos, vacinas, materiais hospitalares, vai demonstrar que esta estrutura tem o funcionamento sistêmico, integrado por sistemas de informação confiáveis, desenvolvidos e mantidos por empresas brasileiras; 3) consciência, que preferimos à designação habitual de educação, pois se quer dar a ideia que é desenvolvida a partir da pessoa, da cultura e perspectivas nacionais. Como se expressou, com verdadeira poesia, este grande construtor do Brasil, geógrafo e humanista Milton Santos: “o conhecimento do mundo vem do meu jardim”; 4) comunicação e vocalização. Tem-se que, sem censura mas com responsabilidade e amplamente, levar a informação a todas as pessoas. Não da forma monopolista comercial de hoje, mas também desta em conjunto com as das redes comunitárias, oficiais dos governos, e mesmo estrangeiras, com definidos tempos e participações máximas. Igualmente tem-se que garantir a todo cidadão o direito de se expressar e dialogar com o Estado, em todos os níveis, e os prestadores de serviços e produtores de bens que estejam disponíveis para todos habitantes; a esta parte denominamos vocalização; 5) participação cidadã, os incentivos para que todos os cidadãos se interessem pela vida da comunidade, do Estado onde more, do País. Devem ser desenvolvidas as estruturas e mecanismos de participação, colaboradores do bem estar geral.
Há, também, um conjunto de atividades próprias do Estado Nacional que as denominamos Garantia dos Direitos, onde se incluem as investigações e julgamentos e as repressões a distúrbios e atos pré-definidos como hostis à pessoa e à sociedade.
Concluindo, sugeriríamos considerar a divisão das competências do Estado Nacional em quatro níveis: o municipal, tratando das questões da cidadania; o estadual, tratando da garantia dos direitos; o regional, do desenvolvimento nacional e da gestão e proteção dos recursos naturais; e da união, com a defesa nacional e a aplicação e participação dos rendimentos nacionais. Parece-nos necessária a redefinição dos espaços territoriais e das populações mínimas e máximas para constituição dos municípios, para que se tornem administráveis com a máxima autonomia e disponibilidade de recursos.
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado
Fonte: Site Pátria Latina
Direita e extrema-direita querem o semipresidencialismo para conter Lula.
Quinta, 29 de julho de 2021
Direita e extrema-direita querem o semipresidencialismo para conter Lula.A história não se repete (a não ser, na conhecida lição de Marx, como farsa ou tragédia), mas no Brasil ela é recorrente, pois está no DNA da república, desde as ditaduras de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, o recurso ao golpe de Estado, em suas múltiplas e renovadas modalidades. É o velho e castrense instrumento de que se vale a casa-grande para impor diques ao processo histórico, sempre que se lhe apresenta, ainda quando por erro de avaliação histórica, a emergência das massas, que no Brasil a burguesia anacrônica e os militares colonizados confundem, desde o século XIX, como “ameaça comunista”, fantasma sempre trazido à vida para justificar a sustentação do statu quo, naquele então a ordem derivada do escravismo colonial. Joaquim Nabuco (O abolicionismo, 1884). relata que a Sociedade Auxiliadora da Agricultura (a UDR da época) condenava como “comunista” o projeto do senador Souza Dantas, que, elaborado por encomenda do Imperador, previa a abolição da escravatura, associando-a ao acesso do liberto à terra. O projeto “comunista” do senador liberal e do monarca é de 1884! Desde sempre o cerne da vida nacional, a alma do sistema político, é a propriedade privada. Sacralizada pelo poder da terra. Este é um país que muda e se transforma com a velocidade típica do mundo mineral. Em 1950, a campanha contra a candidatura de Getúlio Vargas antecipou-se ao pleito. O ex-ditador, dizia a imprensa (nomeadamente O Globo, o Correio da Manhã, o Estadão e os jornais de Assis Chateaubriand) e dizia a UDN (o braço político dos militares, que por seu turno eram o braço armado do reacionarismo golpista), não podia ser candidato. Ficou famosa a sentença do jornalista e futuro deputado Carlos Lacerda, o ex-comunista que se transformou no principal líder da direita brasileira no século passado: “O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar” (Tribuna da Imprensa, 1º/6/1950). Eleito Vargas, a UDN e os militares (à frente de todos o ministro da Guerra, general Canrobert Pereira da Costa), tentam impedir sua posse, alegando, sem base constitucional ou legal, a necessidade de maioria absoluta de votos para a proclamação do eleito (Getúlio, em pleito que conhecera vários candidatos, obtivera 49% dos votos, contra 30% dados ao seu principal oponente). Derrotados pelo Tribunal Superior Eleitoral, militares e civis, na caserna, nos jornais, no parlamento, procedem à desestabilização do governo. Ao cabo, instala-se a “república do Galeão” (matriz da frustrada “república de Curitiba” de nossos dias), culminando com golpe de 24 de agosto de 1954. Como se vê, cumpria-se roteiro ditado por Carlos Lacerda. Nas eleições de 1955 a cena é a mesma, com atores renovados. Os ministros militares, em manifesto à nação, anunciam a inconveniência da candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck, à presidência da república; o presidente da república, João Café filho, pede ao candidato que desista de sua candidatura “para evitar um golpe militar”. O general Juarez Távora, candidato da UDN, da direita e dos militares (como o brigadeiro Eduardo Gomes em 1946 e 1950) é derrotado, e as forças golpistas de sempre, visando a impugnar a posse dos eleitos, voltam a arguir a cediça tese da maioria absoluta, levantada antes contra Vargas. Derrotados nas urnas e no pleito judicial, políticos e militares tentam o golpe militar, frustrado pela dissidência do ministro da guerra, general Teixeira Lott. Sem condições de conquistar o poder pelo único caminho conhecido pela democracia representativa, as eleições, a UDN e suas adjacências civis e militares passam a defender o parlamentarismo – que, no Brasil, não é um sistema de governo, mas o biombo por intermédio do qual a direita estima manter o poder apartado do humor das massas. Foi empregado como instrumento de golpe civil-militar em 1961, para impedir que a posse inevitável de João Goulart se fizesse acompanhar da plenitude dos poderes que lhe conferia o presidencialismo da Constituição de 1946, sob a qual fôra eleito em 1955 como companheiro de chapa de JK. Hoje, o que se conhece como “centro” (um saco de gatos onde se arranham Doria, Kassab, Ciro, Amoêdo, Mandetta, Leite et caterva), proclama que a eventual candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República deve ser evitada, pois seu sucesso representará a vitória de um dos “extremismos políticos” da cena político-ideológica brasileira, e, assim, mede com a mesma régua a centro-esquerda e a extrema-direita genocida. No mesmo sentido e com os mesmos objetivos os intelectuais orgânicos do sistema. Citado em artigo na última Piauí (nº 178), o requisitado economista Giannetti adjetiva Bolsonaro e Lula (este, consabidamente uma das lideranças políticas mais conciliadoras da história desta pobre república) como “divisivos”. Porque se o ainda presidente da república e candidato à reeleição em campanha é um extremista confesso, Lula, que a ele se opõe, precisa ser, embora em seus oito anos de governo tenha revelado moderação e capacidade de diálogo à toda prova. É a lógica do autointitulado “centro” que, não mais podendo apoiar a extrema-direita, não quer apoiar a centro-esquerda, para a qual o sistema ainda faz cara feia. Há, mesmo, um candidato desse campo conservador entendendo que o ex-presidente (que, segundo as pesquisas conhecidas, lidera as preferências eleitorais) deve ceder-lhe a vez, e, entre um ataque e outro, apela pela sua desistência. Apresenta-se em pré-campanha vociferando contra Lula, e seu discurso nada fica a dever em virulência à retórica de Carlos Lacerda contra Vargas. Nem fica longe do capitão. Mas ao eleger como alvo de sua iracúndia o ex-presidente, seu ex-ministro termina por se perfilar como linha auxiliar do candidato da extrema-direita. A esta tática chama-se “remar de costas para o objetivo”. O chamado “centro”, que, no segundo turno de 2018, podendo optar pela moderada candidatura de centro-esquerda, optou pela abominável extrema-direita, suicidando-se, corre agora de seca a meca à procura de quem, com mínimas possibilidades eleitorais, possa representá-lo, e assim conter um possível avanço eleitoral de um Lula extremamente cauteloso. Como se vê, enquanto faltam à esquerda e à centro-esquerda engenho e arte para a arquitetura de uma frente ampla, centro, direita e extrema-direita avançam em uma coalizão eleitoral de fato. A hipótese da eleição de Lula, porém, ronda as conjecturas de analistas e atores. Pondo as barbas de molho, direita e extrema-direita refazem as pegadas de seus antecessores para retomar a envilecida tentativa de mudança de sistema de governo. Se a eleição e posse de Lula podem se transformar em realidade, então que previamente se lhe castrem os poderes, como surrupiados foram os poderes de Jango em 1961. Posto que o pleito do parlamentarismo tout court está vedado na atual ordem constitucional pelo pronunciamento do plebiscito de 1993, que ratificou a opção pelo presidencialismo, os juristas da classe dominante inventam o mostrengo do “semipresidencialismo”. O lamentável presidente da Câmara dos Deputados, porém, a quem foi entregue o comando da operação dessa indecência no Congresso quer ir mais a fundo, pois a fome de poder do “centrão” é insaciável. Ameaça a república com uma “reforma” do sistema político e eleitoral que ofende a ordem constitucional e despedaça a democracia representativa. É o que pretende, por exemplo, com o tal “distritão” para a eleição de deputados e vereadores, o pior sistema jamais imaginado, mediante o qual a escória política espera tão simplesmente conservar o atual controle sobre o legislativo brasileiro, pois, destruindo com os partidos, ensejando a eleição de personalidades de ocasião, desafeitas ao debate público e às questões políticas e de Estado, afasta da campanha e do parlamento a discussão programática e o debate cívico, impedindo ou dificultando ainda mais a eleição de candidatos de formação ideológica. Acaba de vez com o chamado “voto de opinião”, e cria novos “currais eleitorais”, desta feita controlados pela mídia eletrônica e pelas seitas religiosas, regadas com os recursos que o “centrão” tão bem sabe drenar dos cofres públicos. Esta proposta tem as impressões digitais de Michel Temer, o que vale como atestado de sua peçonha. Ele a apresentou, anos passados, em reunião do conselho político de Lula, de onde sairia para a vice-presidência de Dilma Rousseff, para cumprir o papel de perjuro que havia sido traçado para Café filho, vice de Getúlio Vargas. O enredo do misto de tragédia e farsa em cena, reservara, contudo, papel de destaque para as hoje desacreditadas forças armadas brasileiras. Coube ao general ministro da defesa sair de seus cuidados e faltar às suas responsabilidades (como fardado e como ministro) para associar-se ao capitão parvo e pulha na trama que visa, na busca do caos político, a denunciar como fraudado um pleito que ainda não se realizou. Cometendo crime de responsabilidade e atentando contra a Constituição, o general faz chegar ao presidente da Câmara, político sem limites, que não haverá eleições, ou seja, haverá golpe militar, se o Congresso não aprovar, como quer o capitão candidato, a adoção do voto impresso. Pego com a boca na botija, o general engendra capciosa nota de desmentido em que termina por afirmar o que pretendia negar, a testemunhada ameaça às instituições democráticas. Volta a defender o voto impresso e o vincula “a maior transparência e legitimidade no processo de escolha” de nossos representantes nos diversos poderes. É o repeteco, agora claramente como farsa, do tweet do general Villas Bôas, então comandante do exército, dizendo ao STF como aquela corte deveria votar para impedir, em 2018, a candidatura do ex-presidente Lula. Não cabe ao general ministro e a nenhum general ou almirante ou brigadeiro, com comando ou não, enquanto na ativa, dar pitacos na política, ou dizer o que o Congresso deve ou não aprovar, ou como o STF deve julgar; muito menos lhes é permitido dizer, como diz o ainda ministro da defesa em sua malfadada nota, que as forças armadas cumprem a Constituição, como se pudesse dizer que não a cumprem, e muito menos pode dizer que elas sempre cumpriram com seu dever, tantas foram as que vezes em que a violentaram. Solidariedade – Assino o artigo de Conrad Hübner Mendes, “O STF come o pão que o STF amassou”(FSP. 6/4/2021). Roberto Amaral______________ Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia |
quarta-feira, 28 de julho de 2021
Cultura: profissionais cobram do GDF liberação integral dos recursos do FAC
Quarta, 28 de julho de 2021
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Profissionais da área da Cultura reivindicam os editais para seleção dos projetos a serem financiados. Cerca de R$ 100 milhões estariam em caixa. Essa não é a primeira vez nessa Pandemia que eles são obrigados a pressionar o GDF. No ano passado foi a mesma luta. Foto de Luiza Garonce/G1
Supremo reforça nas redes esclarecimento sobre competência conjunta da União, estados e municípios no combate à pandemia; mentira contada mil vezes não vira verdade, viu Bolsonaro?
Quarta, 28 de julho de 2021
Novo vídeo das redes sociais do STF alerta novamente para notícias falsas de que a Corte teria proibido o governo federal de atuar no enfrentamento da Covid-19.
Do STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) lançou novo vídeo da série #VerdadesdoSTF, que busca conscientizar a sociedade sobre a importância da checagem de fatos, a fim de evitar a propagação de fake news. A peça divulgada nas redes sociais da Corte reforça o esclarecimento sobre decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6341, que reconheceu a competência concorrente de estados, DF, municípios e União no combate à pandemia de Covid-19.
Notícias falsas deturpam a decisão, alegando que o Supremo proibiu o governo federal de agir no enfrentamento da pandemia. No entanto, a Secretaria de Comunicação Social do STF já havia publicado esclarecimento sobre o caso no início do ano, destacando o entendimento do colegiado. Essa e outras checagens estão publicadas na seção do portal “#VerdadesdoSTF” para alertar sobre a importância da verificação de informações suspeitas.
Na área, é possível conferir a lista com as mais recentes notícias desmentindo boatos e fake news sobre o Supremo.
Confira o vídeo:
Leia mais:
COM 30 ANOS DE ATRASO, UNIVERSIDADE DO DISTRITO FEDERAL SAI DO PAPEL
Quarta, 28 de julho de 2021
A UnDF estava prevista na Lei Orgânica do DF, de 1992, e no Plano Distrital de Educação (PDE) (Lei nº 5.499/2015).
Depois de três décadas de luta, o Distrito Federal cria sua primeira universidade pública distrital. Em uma cerimônia no Palácio do Buriti, na manhã desta quarta-feira (28), o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) instituíram a Universidade do Distrito Federal (UnDF) Jorge Amaury, após sanção do Projeto de Lei Complementar 34, de 2020.
A iniciativa de materializar esse projeto foi da atual presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura da CLDF, deputada Arlete Sampaio (PT). Ela contou, durante seu discurso na cerimônia, que, ao ser eleita presidente da comissão, analisou os projetos em pauta e considerou que o da criação da UnDF seria fundamental. “A partir daí assumimos a responsabilidade de convocar audiências públicas para debatê-lo para que o texto enviado pelo governo pudesse ser aprimorado a partir das informações que recolhemos das várias contribuições de diversos especialistas”.
Shibata: TRF3 afasta prescrição de denúncia contra ex-agente da ditadura
Quarta, 28 de julho de 2021
Trata-se das mortes de Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, que foram presos ilegalmente e cruelmente torturados entre agosto e setembro de 1973. Segundo a acusação, o episódio teve supostamente a participação de figuras destacadas entre os oficiais responsáveis pela aniquilação de opositores do regime militar, como o delegado Sérgio Paranhos Fleury, o agente policial Luiz Martins de Miranda Filho e o coronel Antônio Cúrcio Neto, entre outros. Embora os óbitos tenham sido causados por intensas sessões de espancamento e uso de instrumentos de tortura, informa a denúncia que o laudo assinado por Shibata, único ex-agente da ditadura que teve algum envolvimento nessas mortes, omitiu marcas evidentes nos corpos das vítimas e apenas endossou a versão oficial forjada na época, de que os militantes haviam sido mortos após troca de tiros com agentes das forças de segurança.Acolhendo recurso do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) reconheceu não haver prescrição da pretensão punitiva do Estado, em crime de falsidade ideológica cometido por ex-agente da ditadura militar. A decisão ocorreu em denúncia contra o médico legista Herry Shibata, por elaborar laudos necroscópicos falsos que esconderam sinais de tortura de dois militantes políticos assassinados pelos órgãos de repressão.
Deputada evangélica sobre aliança de igrejas com Bolsonaro: "Falta de conhecimento e fanatismo"

terça-feira, 27 de julho de 2021
Luedji Luna: “O amor é fundamental para reconstrução da nossa humanidade”

Amor é essencial às mulheres negras para construir um outro imaginário onde possamos superar a dor
Um Corpo No Mundo estava buscando uma África ancestral e o Bom Mesmo É Estar Debaixo D'Água eu queria trazer a África de agora.
Trabalhar com pessoas negras entra dentro da lógica do afeto também.
Uma filha que veio para disputar espaços de poder. Fui criada nesta perspectiva.
Eu tenho a sorte de vir de uma família que tinha uma consciência negra muito grande e me educou para ser, praticamente, uma arma de guerra.
Sugestão do Blog Gama Livre:




