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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Falta de médicos no Hospital Veterinário Público do DF impacta atendimento a animais abandonados e famílias vulneráveis


Quarta, 21 de janeiro de 2026

Desligamento de veterinários aumentou espera por serviço; 55% dos lares no DF têm animal de estimação

Do Brasil de Fato — Brasília (DF)

Hospital Veterinário Público de Taguatinga é referência no atendimento gratuito a cães e gatos e atende uma população crescente de tutores no DF.| Crédito: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Referência no atendimento público a animais, o Hospital Veterinário Público do Distrito Federal, localizado em Taguatinga, voltou ao centro do debate público após denúncias de precarização no atendimento devido ao desligamento de profissionais da unidade. A saída de cinco médicos veterinários ocorre em um cenário já marcado por longas filas, relatos de espera excessiva e alta demanda por serviços gratuitos de saúde animal, fundamentais para milhares de famílias do DF.

Dados da Secretaria do Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema-DF) e da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) indicam que 55% dos lares do DF possuem ao menos um animal de estimação. Ao todo, são cerca de 837 mil pets distribuídos em aproximadamente 679,7 mil residências, o que evidencia a dimensão da demanda por políticas públicas estruturadas na área de saúde animal.

Criado para oferecer atendimento veterinário gratuito à população, o Hospital Veterinário Público de Taguatinga atende principalmente tutores em situação de vulnerabilidade social e animais em condição de rua e abandono, funcionando como um importante instrumento de proteção e de saúde pública.

Segundo denúncias feitas por trabalhadores e entidades representativas da categoria, cinco veterinários foram desligados recentemente do hospital. A redução da equipe tende a agravar problemas antigos: filas extensas e dificuldade de acesso ao atendimento. Há relatos de tutores que chegam a pernoitar em frente à unidade para garantir uma senha, situação considerada desumana por representantes do setor.

Veterinários desligados

O assessor jurídico do Sindicato dos Médicos Veterinários do Distrito Federal (Sindvet-DF), Antônio Evangelista de Andrade, explicou que os desligamentos ocorreram por meio de distratos contratuais. “Houve o distrato compulsório de cinco profissionais, que não eram empregados formais, mas pessoas jurídicas, além de outros dois que pediram desligamento. A justificativa apresentada pela coordenação do hospital foi a necessidade de ajustes administrativos”, afirmou.

Segundo Evangelista, o sindicato acompanha o caso de perto e avalia possíveis irregularidades. “O papel do sindicato é analisar juridicamente a forma como esses distratos foram feitos. Se for constatada alguma ilegalidade, haverá manifestação por parte da assessoria jurídica. Os profissionais afetados podem e devem procurar o sindicato para receber orientação e apoio”, disse.

Ele também destacou a relevância social do hospital. “Considerando a enorme população de cães e gatos no Distrito Federal, muitos deles em situação de rua ou pertencentes a famílias sem condições de arcar com custos elevados, um hospital público veterinário é de grande valia. Medicamentos e tratamentos são caros, e o serviço público garante dignidade tanto aos tutores quanto aos animais”, ressaltou.
Outro lado

O Brasil de Fato DF entrou em contato com a Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan), do Governo do Distrito Federal, para solicitar esclarecimentos sobre os desligamentos de profissionais e as denúncias de precarização no Hospital Veterinário Público de Taguatinga. Até o fechamento desta edição, não houve retorno da pasta.

O sindicato cobra maior transparência e ampliação da capacidade de atendimento. “É lógico que se deve cobrar da gestão um serviço mais eficaz. A situação de pessoas dormindo na fila para conseguir atendimento não pode ser naturalizada, isso é desumano”, conclui o assessor jurídico.


Editado por: Clivia Mesquita