Segunda, 12 de janeiro de 2026
Guerra! Guerra! O mundo precisa sair deste entorpecimento midiático
PÁTRIA LATINA - ESPECIAIS - 6 de janeiro de 2026
Pedro Augusto Pinho*
Os estudos clássicos sobre as civilizações tratam das guerras como elementos de conquista, de subordinação, da dominação dos povos pela força. Mas isso foi no passado. Os recentes acontecimentos na Palestina, na Ucrânia e o que ocorreu no sábado, dia 3 de janeiro de 2026, na Venezuela, mostram que o mundo precisa acordar, o mundo precisa de guerra para salvar a humanidade.
O gênio Darcy Ribeiro, em “O Dilema da América Latina” (1978), escreveu o que se constata hoje, primeiro quartel do século XXI, espalhado pelo mundo. As guerras se travaram por “conspirações, subornos, intimidações, contratos, campanhas publicitárias”.
Ainda Darcy Ribeiro dizia da necessidade de ser determinada “a composição e a natureza das classes dominantes, seu grau de conivência na perpetuação do subdesenvolvimento, e sua capacidade de autotransformação para o exercício de um papel renovador”.
Tudo isso se tornou possível pelos movimentos que surgem no início do século XX em duas direções, a princípio independentes, mas que se unem no correr da II Grande Guerra.
A primeira tratando do domínio das fontes de energia; a segunda no desenvolvimento da teoria da comunicação.
E o berço desta nova colonização, da escravização, foi o país onde sua história é verdadeira peça de ficção: os Estados Unidos da América (EUA).
Trataremos de demonstrar cada afirmação, sobre as fontes de energia e sobre a teoria da comunicação, começando pela farsa da História dos EUA.
UM PAÍS ONDE TUDO É FAKE
Muitos historiadores já se debruçaram sobre a história inventada para justificar os interesses presentes dos Estados Unidos da América (EUA). Oliver Stone é dos mais conhecidos, como John Perkins, mas vocês encontrarão o francês Pierre Melandri, e Ray Raphael que escreveu, em 2004, “Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos: a verdadeira história da independência norte-americana”. Vou me deter sobre um único caso: a História da Constituição, que vigora desde 4/3/1789, há 236 anos, com 27 emendas, sendo dez de 1791, cinco antes do século XX, e a última, a 27ª emenda, de 1992, que limita a capacidade do Congresso em aumentar seus próprios salários até o início do próximo mandato.
Os delegados à Convenção, que se reuniram em maio de 1787, na Filadélfia, somavam 55: todos brancos, homens de posses (donos de escravos, de plantações, fazendeiros, negociantes, advogados, banqueiros, armadores), consequentemente de ótima reputação.
Por Estados os delegados eram: dois de New Hampshire; três de Connecticut e Nova Iorque; quatro de Carolina do Sul, Massachusetts e Geórgia; cinco de Carolina do Norte, Nova Jersey, Delaware e Maryland; sete da Virgínia e oito da Pensilvânia. Rhode Island boicotou a Convenção na Filadélfia.
Charles L. Mee Jr., historiador estadunidense, após exaustiva pesquisa, envolvendo artigos publicados nos séculos XIX e XX, ensaios e dissertações não publicados, documentos encontrados em arquivos públicos, e dezenas de livros, elaborou “A História da Constituição Americana”, editada em 1987. No Prólogo desta obra encontramos a seguinte frase: “Ao término da Convenção, nenhum dos delegados – nem um sequer – estava inteiramente satisfeito com a constituição que haviam elaborado. Alguns recusaram-se firmemente a assiná-la, e os que a assinaram fizeram-no com graus variáveis de relutância, desalento, angústia e desagrado”.
Atribui-se a Benjamin Franklin, considerado um dos Pais Fundadores dos EUA, a seguinte crítica, que teria sido enunciada quando da sua assinatura na Constituição: “Quando se reúne um certo número de homens para dispor da vantagem de sua sabedoria conjunta, inevitavelmente estão se reunindo com esses homens todos os seus preconceitos, suas paixões, seus erros de opinião, seus interesses locais e suas visões egoístas. Pode-se esperar um produto perfeito de tal Assembleia?”.
Efetivamente, Mee Jr. nos traz diversos exemplos das mesquinharias que motivaram o comparecimento, até os itinerários, seus comportamentos e relacionamentos com outros delegados. Ao final, 16 (30%) se recusaram a assinar a Constituição.
Outro aspecto que fica fora das análises deste momento histórico, é que 13 ex-colônias falaram por 50 estados, e isso nunca foi revisto.
Quando eram incorporadas as 10 primeiras emendas à Constituição, um estado, Vermont, passava a ser incluído na União, o 14º. A ele se seguiram Kentucky (1792), Tennessee (1796), Ohio (1803), Louisiana (1812), Indiana (1816), Mississippi (1817), Illinois (1818), Alabama (1819), Maine (1820), Missouri (1821), Arkansas (1836), Michigan (1837), Flórida e Texas (1845), Iowa (1846), Wisconsin (1848) e Califórnia (1850). Desta maneira, os EUA, na metade do século XIX, computavam 31 estados, todos, excetuando o Texas, a leste da bacia Mississipi-Missouri, como se houvesse sido traçado um meridiano aos 95º.
É óbvio que havia um sentido, o que nos leva a considerar a segregação da população originária, remanescente do genocídio praticado pelos homens brancos e bem situados, os europeus que vieram “fazer a América”. E que serviria posteriormente para promover o surto colonial estadunidense sob o título de “Destino Manifesto”, recuperado por Donald Trump, com o “Make America Great Again (MAGA)”.
Excluindo Alasca e Havaí, incorporados à União em 1959, no mesmo espaço dos demais estados foram adicionados em 1912, Novo México e Arizona, e em 1907, Oklahoma. Todos os demais foram incluídos na segunda metade do século XIX. Mas esta Constituição plutocrática se impôs a todos.
ENERGIA E SUAS FONTES
A fonte energética que construiu as civilizações até o século XVIII foi o carvão vegetal, responsável pela destruição das florestas europeias e outras devastações pelo mundo. O Brasil chega atrasado por quase dois séculos, construindo o País no litoral atlântico, o país dos caranguejos. Só em meados do século XX adotou o projeto de ocupação do interior: a mudança da capital para área do Planalto Central, tendo o bioma do Cerrado.
A I Revolução Industrial (1760-1840) utilizou o carvão mineral, abundante no Reino Unido, que lhe deu a primazia econômica e fez do mundo do século XIX seu vasto domínio, “onde o Sol nunca se punha”.
A II Revolução Industrial (1870-1950) utilizou o petróleo. Assim como o carvão mineral destronou o carvão vegetal pela quantidade de energia muito superior, o que barateia seu uso; o petróleo também tinha muito maior eficiência energética e por custo significativamente inferior. Uma tonelada de carvão mineral representaria 0,137 toneladas de petróleo. Quanto ao custo, seria mais complexo pelo poder calorífico do carvão mineral, considerando o mais eficaz, ter-se-ia 7.000 kcal/kg para 10.800 kcal/kg de um barril de petróleo.
Esta eficácia do petróleo, tendo maior facilidade de comercialização e também poder ser usado como insumo industrial (fertilizante, plásticos, produtos farmacêuticos), o colocou competitivo até com a energia da fissão nuclear, também com usos na medicina.
O que se considera III Revolução Industrial tem outros contornos que não da energia, mas igualmente de amplo uso industrial e absolutamente imprescindível nas comunicações: a digitalização da informação e a miniaturização dos equipamentos. Elas têm origem na década de 1920 e aproveitam a revolução da miniaturização nos anos 1970/1980.
Hoje o domínio desta Revolução está entregue aos “gestores de ativos”, em função da mudança de poder a partir das “crises do petróleo” (anos 1970) e das “desregulações”, que beneficiam unicamente as finanças, na década 1980, complementada com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991.
O mundo hoje vive a falácia da “transição energética”, uma energia intermitente, não estocável, e muito mais cara do que a do petróleo e da fissão nuclear.
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