Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Assassinatos de negros sobem, enquanto demais caem em uma década

Quinta, 27 de agosto de 2020
Da 
DW — Deutsche Welle*

Mulher protesta contra a violência policial no Complexo do Alemão, no Rio

Os assassinatos de negros no Brasil aumentaram 11,5% em uma década, revelou o Atlas da Violência de 2020, divulgado nesta quinta-feira (27/08). De 2008 a 2018, a taxa de homicídios neste grupo da população saltou de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Opinião: As vítimas da irresponsabilidade

Quarta, 12 de agosto de 202
O Brasil não poderia ter escolhido pior presidente para enfrentar uma pandemia. Quantas vidas poderiam ter sido poupadas não fosse o discurso irresponsável de Bolsonaro é uma pergunta que pairará sobre a história.

Da DW  Deutsche Welle*


Cruzes no Cemitério do Caju, no Rio, onde algumas das vítimas da
covid-19 foram enterradas
O Brasil ultrapassou neste fim de semana oficialmente a marca de 100 mil mortos por covid-19. O número carrega em si uma tristeza imensurável. São 100 mil famílias que não puderam velar seus mortos, enterrados às pressas devido a protocolos de segurança sanitária. Em milhares e milhares desses casos, as famílias não puderam visitar seus entes queridos em seus últimos dias. É uma tragédia inominável. 
E, ainda assim, era previsível. Embora tivesse tido tempo de se preparar, já que o primeiro caso de covid-19 foi registrado em São Paulo quando a doença já havia infectado mais de 80 mil pessoas em 40 países, o Brasil reagiu à chegada da pandemia de forma descoordenada e ineficiente, perdendo rapidamente o controle sobre a disseminação do vírus, porque quem deveria estar coordenando os esforços nacionais preferiu fazer pouco caso da pandemia. 
O Brasil não poderia ter escolhido presidente mais despreparado para enfrentar uma crise como esta. No início de março, Jair Bolsonaro disse que o poder destruidor do novo coronavírus estava "superdimensionado" e que a imprensa promovia "histeria". Quando a situação na Itália já era crítica, o presidente disse que no Brasil a covid-19 mataria menos de 800 pessoas e que na Itália o número de mortes era alto porque a população era idosa.
Avaliações equivocadas, baseadas em palpites sem qualquer fundamento, como tantas outras que Bolsonaro fez ao longo desses quase seis meses – e por que não dizer de sua vida política. Sua postura negacionista e marcada por um notório desprezo pelo conhecimento científico mantém o país sem um ministro da Saúde desde o dia 15 de maio, quando o segundo ministro na pandemia deixou o governo por discordar do presidente.
No momento em que a epidemia começou a se agravar no Brasil, em vez de reconhecer o próprio erro e começar a trabalhar para proteger a população, Bolsonaro dobrou a aposta: criticou as regras de isolamento social impostas por governadores e prefeitos, incentivou o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, promoveu aglomerações e vetou o uso obrigatório de máscaras em escolas e estabelecimentos comerciais e religiosos. Não ajudou e ainda atrapalhou.
Quando o país se aproximava de 40 mil mortes por covid-19, o presidente passou a se esquivar da própria responsabilidade e, de forma covarde, jogou a culpa do alto número de infecções sobre governadores e prefeitos.
E agora o país chora seus mais de 100 mil mortos. Em vez de se solidarizar com as famílias atingidas, o presidente preferiu usar suas redes sociais para destacar o número de recuperados, como se a morte de 100 mil pessoas pudesse, de alguma forma, ser relativizada.
Quantas vidas poderiam ter sido poupadas no Brasil não fosse o discurso ignorante e irresponsável do presidente da República é uma pergunta que pairará sobre a história. E que deve perseguir Bolsonaro e todos aqueles que, por ação ou omissão, o alçaram ao poder.
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Francis França é editora-chefe da DW Brasil
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*A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

domingo, 2 de agosto de 2020

Celso Furtado: 100 anos do paraibano que mudou a economia

Domingo, 2 de agosto de 2020
O renovado debate sobre o papel do Estado na economia, suscitado pelo contexto da pandemia de covid-19, traz ideias do autor de volta para o centro da discussão, no ano de seu centenário.


Da 
Deutsche Welle*


Celso Furtado em foto de 2003, um ano antes de sua morte, aos 84 anos
Quando tinha apenas 17 anos, na Paraíba, Celso Furtado anotou em seu diário: "Hoje eu decidi que vou escrever um livro sobre a história da civilização brasileira." O que poderia ser um devaneio juvenil se materializou duas décadas depois, quando o pensador publicou, em 1958, Formação econômica do Brasil, maior obra de referência do pensamento econômico brasileiro.
O clássico trouxe um até então inédito entrelaçamento entre história e economia. Furtado analisa os vários ciclos econômicos, do açúcar ao início da indústria, para identificar o cerne do subdesenvolvimento brasileiro. Estava ali a ideia que aprofundaria em quase 30 livros dali em diante: o subdesenvolvimento não era etapa natural de um processo, mas uma realidade perene, derivada da inserção do Brasil e países semelhantes, exportadores de insumos, na economia mundial – a dinâmica "centro-periferia".

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Mulheres e negros são os mais afetados pela covid-19 no Brasil, aponta IBGE

Sexta, 24 de julho de 2020
A cada dez pessoas que relatam mais de um sintoma da doença, sete são pretas ou pardas – parcela da população fortemente dependente da informalidade. Em relação a homens, mulheres têm saúde e trabalho mais prejudicados.
De acordo com o IBGE, 39% dos trabalhadores pretos e pardos estão em regime de informalidade, ante 29,9% dos brancos
Da
DW —Deutsche Welle*
No Brasil, os prejuízos financeiros e de saúde causados pela covid-19 pesam muito mais sobre mulheres, negros e pobres. É o que apontam dados sobre mercado de trabalho e sintomas gripais aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês de junho.
O órgão do governo federal mostrou, em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19, que o número de desempregados foi acrescido de 1,68 milhão de pessoas em junho, o que representou alta de 16,6% na comparação com maio. Com isso, chegou a 11,8 milhões de brasileiros o total de desocupados no país, que só leva em consideração quem procurou trabalho – missão dificultada pelo isolamento social. E a conjuntura é particularmente cruel para determinados grupos sociais.

Hidroxicloroquina é ineficaz em caso leve ou moderado de covid-19

Sexta, 24 de julho de 2020
Maior estudo brasileiro já realizado sobre o efeito do medicamento promovido pelo governo Bolsonaro também apontou que uso pode aumentar risco de arritmia cardíaca e lesão do fígado. 
Medicamento já foi chamado de “cura” pelo presidente Bolsonaro, que costuma exibir caixas do fármaco para apoiadores

Da
DW — Deutsche Welle*



Um amplo estudo que liderado pelos principais hospitais privados do Brasil apontou que a hidroxicloroquina não tem eficácia no tratamento de pacientes internados com quadros leves ou moderados de covid-19. As conclusões foram publicadas nesta quinta-feira (23/07) no The New England Journal of Medicine.
Segundo o estudo, a administração da hidroxicloroquina, combinada ou não com o antibiótico azitromicina, não melhorou as condições de pacientes com coronavírus.

terça-feira, 7 de abril de 2020

CORONAVÍRUS: Cortes na ciência comprometem resposta à covid-19 no Brasil

Terça, 7 de abril de 2020
Da Deutsche Welle*

Pandemia atinge país em meio a cenário de falta de verbas e corte de bolsas, que deixam laboratórios obsoletos e levam à fuga de cérebros. Dependência da importação de equipamentos também dificulta combate ao vírus.

Recentes cortes interromperam um ciclo de expansão de investimentos em ciência e tecnologia no Brasil

A fila de 16 mil testes para covid-19 no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, expõe a vulnerabilidade de um país que escolheu não investir em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) nos últimos anos. A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil em meio a um cenário de cortes de bolsas de pesquisa, defasagem tecnológica dos laboratórios e desmoralização das universidades.