Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
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No Brasil, a Justiça tarda e falha. Durante uma das campanhas mais duras ao Palácio do Planalto nas última décadas, Jair Bolsonaro mobilizou paixões em torno de um discurso que prometia acabar com a corrupção e promover renovação política e subiu a rampa presidencial. Se Paulo Guedes (Economia) era um nome certo no Ministério desde o início da campanha, Sérgio Moro (Justiça) foi de especulação improvável a confirmação entusiasta, e Ricardo Salles (Meio Ambiente), o último nome a ser anunciado.
Com a confirmação do alto escalão do novo governo, o cálculo final fica assim: dos 22 ministros de Bolsonaro, dez estão sendo ou já foram investigados pelo judiciário, inclusive com alguns dos ministros que confessaram os crimes cometidos. A razão pela qual tais ministros não estão presos variam de prescrição dos crimes a que são suspeitos, devido a demora do judiciário, a foro privilegiado dos que eram parlamentares. Da lista total, os responsáveis pelas pastas que foram ou são alvos de investigação são: Onyx Lorenzoni, Augusto Heleno, Paulo Guedes, Tereza Cristina, Damares Alves, Luiz Henrique Mandetta, Marcos Pontes, Ricardo Salles, Marcelo Álvaro Antônio e Gustavo Canuto.
A ampla cobertura midiática na última semana, desde a posse do novo presidente, manteve um tom laudatório em torno dos escolhidos de Bolsonaro. Entretanto, o verniz republicano de alguns políticos não sobrevive à primeira página de busca do Google. Para tentar compreender o perfil do atual ministério, mas sem análises políticas de fundo, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU preparou uma reportagem com informações que pontuam a trajetória profissional, política e pública dos chefes de pasta da esplanada dos Ministérios. Ao final de cada minibiografia, apresentamos os links, na maior parte deles de órgãos oficiais, de onde as informações foram coletadas e podem ser checadas. O atual Ministério é resultado, também, de assimetrias na celeridade do judiciário, que, em caso de decisões de segunda instância e com base na Lei da Ficha Limpa, poderia indeferir as homologações dos postulantes aos cargos.
A reportagem é de Ricardo Machado e João Vitor Santos, jornalistas, que trabalham no Instituto Humanitas Unisinos - IHU.
Eis a reportagem.
Onyx Lorenzoni - Ministro da Casa Civil
(Foto: Geraldo Magela/Agência Estado)
O princípio da carreira política de Onyx Lorenzoni é no sindicalismo, atuando no Sindicato dos Médicos Veterinários do Rio Grande do Sul, na década de 1980. Entre 1995 e 2003, foi deputado estadual no Rio Grande do Sul. Há 21 anos faz parte do partido DEM (antigo PFL), a sigla tem ao menos sete integrantes sendo investigados na Operação Lava-Jato. Em maio de 2017, quando as delações de executivos da JBS foram homologadas pelo judiciário, o atual ministro admitiu ter cometido o crime de Caixa 2 em 2014, quando recebeu, ao menos, R$ 100 mil não declarados nas contas de campanha. Contudo, ele nega o repasse de outros R$ 100 mil em 2012. O caso se tornou ainda mais famoso quando Sergio Moro, Ministro da Justiça, afirmou que se deveria relevar o caso, afinal Lorenzoni havia pedido desculpas. Crítico ao Estatuto do Desarmamento, a campanha de Onyx Lorenzoni, em 2014, recebeu doação de R$ 100 mil de duas das maiores empresas de armas e munições do Brasil: a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Forjas Taurus S.A. Quatro anos antes, a Taurus repassou R$ 150 mil para a campanha de Onyx, mesmo valor doado pela Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições.
“Vamos retirar de perto da administração pública federal todos aqueles que têm marca ideológica clara” – Onyx Lorenzoni


