“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 18 de julho de 2019

O assalto ao FGTS rumo à destruição do BNDES

Quinta, 18 de julho de 2019
JOSÉ CARLOS DE ASSIS*


Você acha que Bolsonaro é muito bonzinho quando promete liberar o acesso total a contas ativas do FGTS e do PIS/Pasep? Você aplaude quando ele critica o sistema de remuneração do FGTS em razão de taxas de juros muito baixas? Você acha que o FGTS, sendo dinheiro do povo, não deveria ser emprestado pelo BNDES a grandes empresas? Você acha que os recursos do FGTS deveriam ser democratizados, destinados só a pequenas empresas?

Se você acha tudo isso, me desculpe, você se comporta como um manipulado em economia. Até justifico sua posição porque, no fundo, você não tem fonte de informação imparcial sobre essas coisas. A televisão e os jornais dão números secos, não as causas por detrás deles. Na verdade, a mídia imbeciliza a população. Ainda pior é que do lado dos chamados economistas progressistas há uma espécie de preguiça coletiva em esclarecer esses temas.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Apesar da promessa de combate à corrupção e renovação política, ministério de Bolsonaro tem quase metade dos ministros com problemas na Justiça

Sábado, 5 de janeiro de 2019

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

Por: Ricardo Machado e João Vitor Santos | 05 Janeiro 2019
No Brasil, a Justiça tarda e falha. Durante uma das campanhas mais duras ao Palácio do Planalto nas última décadas, Jair Bolsonaro mobilizou paixões em torno de um discurso que prometia acabar com a corrupção e promover renovação política e subiu a rampa presidencial. Se Paulo Guedes (Economia) era um nome certo no Ministério desde o início da campanha, Sérgio Moro (Justiça) foi de especulação improvável a confirmação entusiasta, e Ricardo Salles (Meio Ambiente), o último nome a ser anunciado.
Com a confirmação do alto escalão do novo governo, o cálculo final fica assim: dos 22 ministros de Bolsonaro, dez estão sendo ou já foram investigados pelo judiciário, inclusive com alguns dos ministros que confessaram os crimes cometidos. A razão pela qual tais ministros não estão presos variam de prescrição dos crimes a que são suspeitos, devido a demora do judiciário, a foro privilegiado dos que eram parlamentares. Da lista total, os responsáveis pelas pastas que foram ou são alvos de investigação são: Onyx Lorenzoni, Augusto Heleno, Paulo Guedes, Tereza Cristina, Damares Alves, Luiz Henrique Mandetta, Marcos Pontes, Ricardo Salles, Marcelo Álvaro Antônio e Gustavo Canuto.
A ampla cobertura midiática na última semana, desde a posse do novo presidente, manteve um tom laudatório em torno dos escolhidos de Bolsonaro. Entretanto, o verniz republicano de alguns políticos não sobrevive à primeira página de busca do Google. Para tentar compreender o perfil do atual ministério, mas sem análises políticas de fundo, o Instituto Humanitas Unisinos - IHU preparou uma reportagem com informações que pontuam a trajetória profissional, política e pública dos chefes de pasta da esplanada dos Ministérios. Ao final de cada minibiografia, apresentamos os links, na maior parte deles de órgãos oficiais, de onde as informações foram coletadas e podem ser checadas. O atual Ministério é resultado, também, de assimetrias na celeridade do judiciário, que, em caso de decisões de segunda instância e com base na Lei da Ficha Limpa, poderia indeferir as homologações dos postulantes aos cargos.
A reportagem é de Ricardo Machado e João Vitor Santos, jornalistas, que trabalham no Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Eis a reportagem.


Onyx Lorenzoni - Ministro da Casa Civil

(Foto: Geraldo Magela/Agência Estado)

O princípio da carreira política de Onyx Lorenzoni é no sindicalismo, atuando no Sindicato dos Médicos Veterinários do Rio Grande do Sul, na década de 1980. Entre 1995 e 2003, foi deputado estadual no Rio Grande do Sul. Há 21 anos faz parte do partido DEM (antigo PFL), a sigla tem ao menos sete integrantes sendo investigados na Operação Lava-Jato. Em maio de 2017, quando as delações de executivos da JBS foram homologadas pelo judiciário, o atual ministro admitiu ter cometido o crime de Caixa 2 em 2014, quando recebeu, ao menos, R$ 100 mil não declarados nas contas de campanha. Contudo, ele nega o repasse de outros R$ 100 mil em 2012. O caso se tornou ainda mais famoso quando Sergio Moro, Ministro da Justiça, afirmou que se deveria relevar o caso, afinal Lorenzoni havia pedido desculpas. Crítico ao Estatuto do Desarmamento, a campanha de Onyx Lorenzoni, em 2014, recebeu doação de R$ 100 mil de duas das maiores empresas de armas e munições do Brasil: a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e a Forjas Taurus S.A. Quatro anos antes, a Taurus repassou R$ 150 mil para a campanha de Onyx, mesmo valor doado pela Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições.

Gustavo Bebianno - Ministro da Secretaria-Geral da Presidência