Domingo, 17 de julho de 202

A gravidade da situação não vem se refletindo nas políticas públicas relacionadas ao controle da pandemia - Mike Sena / Agência Brasil
Segundo especialista ouvido pelo BdF, vítimas se concentram em grupos vulneráveis, o que gera invisibilização de casos
Thalita Pires
São Paulo | Brasil de Fato | 17 de Julho de 2022
Há duas semanas, o Brasil apresenta, todos os dias, média móvel de mortes diárias de covid-19 maior que 200, com tendência de alta. Nesta sexta-feira (15), por exemplo, o número chegou a 250, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).
Esse montante de óbitos é muito menor do que os registrados em abril de 2021, na pior onda da pandemia. Naquele momento, a média móvel de mortes diárias ultrapassou a marca de 3 mil. Mas, mesmo assim, o país se encontra em um cenário de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave nunca antes registrado.
A dimensão da tragédia do ano passado dificulta a percepção de que o país ainda convive com um patamar recorde de mortes por causas respiratórias, desde que essas informações começaram a ser coletadas. Um levantamento realizado com os dados abertos do InfoGripe/Fiocruz mostra que, entre 2009 e 2019, o Brasil registrou 22.122 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave, uma média de pouco mais de 2 mil mortes por ano. Hoje, o país vê 2 mil óbitos por apenas uma causa – a covid-19 – a cada 10 dias, em média.
Isso mostra que mesmo com o avanço da vacinação, o coronavírus segue sendo muito mais letal do que os vírus que causam gripe, que já circulam no mundo há mais tempo. Agora, essa letalidade está concentrada em grupos específicos: idosos, pessoas imunossuprimidas, crianças menores do que 1 ano e aqueles que, por qualquer motivo, não se vacinaram. Dessa forma, tornam-se mortes "invisíveis".
