Quarta, 23 de setembro de 2020
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Os manuais de história dizem que o Império foi o nosso “regime civil”, em contraste com a República, quando a preeminência da farda extrapola para a intervenção direta. Na realidade, a ascensão política dos militares já se estabelece, num crescendo, a partir da guerra contra o Paraguai, e se assume de corpo inteiro na sequência do golpe de 1889. O vestibular foram as ditaduras dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Ali tomaram gosto. O poder agrário — reacionário, anti-progresso, que sustentara a monarquia atrasada, nascida velha, e que deveria haver sucumbido com ela —, emerge e reina no curso de toda a república velha, até pelo menos 1930. Seu símbolo foi a política cognominada de “café-com-leite”, caracterizada pelo rodízio de paulistas e mineiros na presidência da república.
Com anunciados propósitos modernizantes, o novo regime será sustentado pelos militares até 1945; com alterações, internas, concilia com as oligarquias, convive com dificuldades como o intermezzo democrático de 1934-1937, para, finalmente, conhecer seu apogeu com o golpe de 1937, que instaura a ditadura do “estado novo”, chefiada por Getúlio Vargas.