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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Suspensa licitação para construção da Estação de Tratamento de Água Corumbá

Sexta, 18 de maio de 2012
Do TCDF
TCDF encontrou várias irregularidades no edital lançado pela Caesb

O Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou, nessa quinta-feira, 17 de maio, a suspensão cautelar da Concorrência nº 001/2012, lançada pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal para a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) Corumbá, em Valparaíso de Goiás-GO. A abertura do certame estava prevista para a próxima segunda-feira, dia 21 de maio.  O valor total estimado para a licitação era de R$ 99.235.252,63.

O corpo técnico do TCDF examinou os itens do edital referentes às obras e aos serviços de engenharia e constatou diversas irregularidades. Foram encontradas inconsistências e ausência de detalhamento nos custos da obra, desatualização do orçamento, erros na aplicação dos encargos sociais, opção pela alternativa mais cara para a plantação de grama e a falta de estudos que justifiquem a composição do concreto hidráulico.

Também não foi feita nenhuma sondagem no local em que a ETA - Corumbá será construída. “Variações bruscas na natureza do solo em pequenos intervalos de área não são incomuns, quanto mais nas distâncias aqui existentes. Independentemente do tipo de empreitada, o projeto básico deve, obrigatoriamente, conter todos os elementos necessários e suficientes para a caracterização da obra e avaliação precisa do seu custo, conforme se verifica no art. 6º, inciso IX, da Lei nº 8.666/93, com mais razão em um empreendimento de aproximadamente R$ 100 milhões”, esclarece o relatório.

Para os auditores, a Caesb deve executar os estudos geotécnicos na área para rever os cálculos estruturais do empreendimento, apresentar o detalhamento das fundações de forma compatível com o que determina a Lei de Licitações e promover as respectivas mudanças no orçamento.

Não foi encontrada qualquer referência quanto à obrigação de a contratada fornecer o Manual de Operação, Uso e Manutenção, conforme especifica a NBR-14037. “Note-se que a presente licitação trata de objeto complexo, formado por um conjunto que abrange obras civis, hidráulicas e uma série de equipamentos eletro-mecânicos, além de produtos químicos, todos esses materiais e sistemas interagindo, expostos às ações do meio ambiente e projetados para tratar a água que irá ser consumida pela população. Além disso, o empreendimento terá gerenciamento conjunto (Caesb e SANEAGO) e, certamente, será executado por mais de uma empresa. Note-se que mesmo a ETA – Corumbá, de responsabilidade da Caesb, será executada em duas fases, sendo que nessa 1ª fase as instalações elétricas e de automação serão executadas à parte, ou seja, reforça-se a necessidade da existência de manuais de manutenção e operação do sistema”, destaca o relatório.

Também não há no edital, nem nos anexos, a Anotação de Responsabilidade Técnica referente ao projeto básico. Segundo a Súmula nº 260, do Tribunal de Contas da União, é dever do gestor exigir apresentação da ART referente a projeto, execução, supervisão e fiscalização de obras e serviços de engenharia, com indicação do responsável pela elaboração de plantas, orçamento-base, especificações técnicas, composições de custos unitários, cronograma físico-financeiro e outras peças técnicas.

A Caesb tem um prazo de 15 dias para apresentar as justificativas ou promover as correções no edital (Processo N. 7.936/12).

Sobre a Estação de Tratamento de Água Corumbá

A ETA Corumbá integra o Sistema Produtor de Água Corumbá, a ser implantado no município de Valparaíso de Goiás -GO para suprir a demanda de grande parte da população no Entorno do Distrito Federal (atendida pela Saneamento de Goiás S/A – SANEAGO) e a região Sudoeste do DF (de responsabilidade da Caesb). A planta a ser executada em função dessa licitação, na primeira etapa, deverá ter uma capacidade de produção de água tratada de até 2,8 m³/s, quando completa, utilizando um processo de coagulação, floculação, clarificação e filtração. Nesta licitação (ETA Corumbá) as obras civis permitirão a vazão de 2,8 m³/s, mas os equipamentos hidráulico-mecânicos serão instalados para uma vazão de 1,4 m³/s, dividido igualmente entre o DF e o entorno.

domingo, 4 de abril de 2010

Hidrelétrica liga Roriz a esquema do DF

Domingo, 4 de abril de 2010
do jornal O Estado de São Paulo
Considerada símbolo da corrupção, obra é alvo de inquérito no STJ que indica ex-governador como ''pai'' do chamado ''mensalão do DEM''

Vannildo Mendes - O Estado de S.Paulo
O inquérito 650, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), abre nesta semana uma nova frente de investigação e reforça a condição do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) como "pai" do esquema de corrupção de Brasília desmantelado pela Operação Caixa de Pandora.
Um documento a que o Estado teve acesso faz uma radiografia tão detalhada da hidrelétrica de Corumbá IV que a usina é tratada pelo Ministério Público como uma espécie de obra símbolo da corrupção no Distrito Federal - uma obra que teve nada menos que 17 aditivos ao contrato inicial, todos para injetar dinheiro público na construção.
Inaugurada em 2006 e construída pela estatal Companhia Energética de Brasília (CEB) em consórcio com a empreiteira Serveng-Civilsan, Corumbá IV foi orçada em R$ 280 milhões, mas custou R$ 716,2 milhões, em valores corrigidos - mais de duas vezes e meia o preço inicial. No inchaço de R$ 436 milhões há uma fatia de R$ 179,6 milhões sem justificativa na prestação de contas.
Leia a reportagem “Hidrelétrica liga Roriz a esquema do DF”