Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador incra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador incra. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de março de 2025

Acampados da área mais violenta da Amazônia terão terra demarcada após dez anos de ameaças

Quinta, 20 de março de 2025

Desde 2015, cerca de 200 famílias do acampamento Marielle Franco aguardam pela criação do assentamento em Lábrea (AM)


O Instituto Brasileiro de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluiu o processo de arrecadação de parte das terras da gleba Novo Natal, em Lábrea (AM), para atender às famílias moradoras do acampamento Marielle Franco.

A conclusão do processo pode pôr fim a quase uma década de violências. Ao longo desses anos, os acampados tiveram casas incendiadas, sofreram agressões, torturas e ameaças. Em janeiro de 2025, um morador do acampamento foi encontrado morto, com um tiro no queixo. O caso está em investigação.

“É um alívio para nós, né?”, diz Paulo Sérgio Araújo, liderança do grupo de acampados, sobre a decisão do Incra. Preso há um ano, ele é acusado de organização criminosa. Araújo alega inocência e define a região como “terra sem lei”.

A arrecadação de 28,4 mil hectares da gleba Novo Natal – processo que define as terras como pertencentes à União – foi publicada no Diário Oficial em 24 de fevereiro deste ano.

De acordo com informações da superintendência do Incra no Amazonas, a criação do assentamento deve ser realizada nos próximos meses e atenderá 150 das 200 famílias que aguardam a regularização do território.

terça-feira, 3 de maio de 2016

‘Encontrei um quadro catastrófico’, revela ex-superintendente do Incra em Santarém

Exonerado há um mês, Claudinei Chalito fala sobre os problemas que encontrou em uma das superintendências mais problemáticas do Incra em todo o Brasil

Claudinei Chalito, ex-superintendente do Incra em Santarém, foi mais uma vítima da governabilidade. Quando concedeu entrevista, por telefone, à Pública, em 31 de março, estava em Brasília para ter sua última conversa na sede do Incra sobre sua exoneração. “Minha saída veio no âmbito da crise institucional que nós vivemos. Foi uma indicação política que se deu no centro do governo”, comenta.
"Havia mais de 12 mil beneficiários bloqueados após uma fiscalização feita pela CGU no ano passado. Mais de 15 convênios estavam paralisados", o ex-superintendente do Incra, Claudinei Chalito, descreve o quadro caótico da SR-30 após assumir o órgão (Foto: Ascom Incra)
Ao descrever o quadro caótico que encontrou ao assumir a superintendência do Incra em Santarém, Claudinei Chalito lembra de 12 mil beneficiários bloqueados após uma fiscalização feita pela CGU em 2015, além de mais de 15 convênios paralisados (Foto: Ascom Incra)

Com o desembarque do PMDB da base aliada do governo Dilma Rousseff, anunciado em 29 de março — dois dias antes da conversa definitiva de Chalito em Brasília –, o comando da Superintendência Regional do Incra em Santarém foi oferecido a Adaías Gonçalves, um apadrinhado do deputado Vicente Chapadinha (PTN-PA). Para Chalito e outros funcionários do Incra, foi um esforço de aproximação do governo com o PTN (Partido Trabalhista Nacional) às vésperas da votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Após a divulgação do acordo pela imprensa, Chapadinha negou que estivesse negociando seu voto. “Fui acusado de que votaria a favor da presidente em troca de cargos no governo federal, o que não é verdade. Todos os cargos que indiquei foram feitos desde o início do mandato e somente agora as indicações começaram a sair. Em nenhum momento me foi condicionado o apoio à presidente em troca de cargos”, afirmou o deputado em nota à imprensa paraense. Coincidência ou não, dois dias após o voto favorável de Chapadinha à admissibilidade do processo de impeachment pela Câmara, o governo exonerou Adaías Gonçalves. À frente da SR-30 está agora a servidora de carreira Elita Beltrão.

Chalito foi exonerado sob protesto de mais de 60 movimentos sociais da região, que divulgaram uma nota de apoio à sua gestão e chegaram a ocupar a sede da superintendência com apoio de vários servidores.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ministério Publico Federal aponta Incra como responsável por um terço do desmatamento da Amazônia

Quarta, 10 de outubro de 2012
Aline Leal
Repórter da Agência Brasil

A Justiça Federal proibiu o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de criar assentamentos sem regularização ambiental no estado do Pará. A ação judicial, que culminou na decisão, apontou o Incra como responsável por um terço do desmatamento na Amazônia.

“Os procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, dos recursos hídricos e do patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia”, registrou a ação, aberta pelo Ministério Público Federal.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Incra é o maior desmatador da Amazônia, diz o Ministério Público Federal

Sexta, 6 de julho de 2012
MPF aponta o Incra como o maior desmatador da Amazônia


Ações contra a autarquia do governo federal foram ajuizadas em seis estados da região. Área desmatada em assentamentos já representa um terço do desmatamento amazônico

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou essa semana uma nova etapa da atuação contra o desmatamento ilegal na Amazônia. Foram ajuizadas ações em seis estados – Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso – que apontam o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como o maior desmatador da região. As ações reúnem dados inéditos sobre o desmatamento em assentamentos de reforma agrária que mostram que cerca de um terço das derrubadas ilegais vêm ocorrendo nessas áreas.

“Os procedimentos irregulares adotados pelo Incra na criação e instalação dos assentamentos vêm promovendo a destruição da fauna, flora, recursos hídricos e patrimônio genético, provocando danos irreversíveis ao bioma da Amazônia”, dizem as ações iniciadas essa semana, resultado de investigação conjunta que demorou um ano para ser concluída.

A participação do Incra no volume total de desmatamento da região também vem crescendo por conta da regularização ambiental da atividade pecuária. Historicamente, a criação de gado em áreas particulares era o principal vetor do desmatamento, mas dois anos depois dos acordos da Carne Legal, iniciados no Pará, as derrubadas em assentamentos estão ficando mais preocupantes. Elas representavam 18% do desmatamento em 2004, mas em 2010 atingiram um pico: somaram 31,1% de todo o desmatamento anual na Amazônia.

As ações relatam à Justiça Federal os danos em cada estado. Em comum, em todos os processos o MPF pede a interrupção imediata do desmatamento em áreas de reforma agrária, proibição de criação de novos assentamentos sem licenciamento ambiental e um plano para licenciar os assentamentos existentes, bem como para averbação de reserva legal e recuperação de áreas degradadas, com prazos que vão de 90 dias a um ano.

As ações judiciais foram elaboradas pelo Grupo de Trabalho da Amazônia Legal, que reúne procuradores da República de toda a região, e ajuizadas em seis dos nove Estados que compõem a Amazônia Legal. Amapá e Tocantins ficaram de fora por terem números inexpressivos de desmatamento nas áreas de reforma agrária. O Maranhão, que tem uma das situações mais graves nos assentamentos, está concluindo o inquérito sobre o assunto.

Cem metrópoles - A área já desmatada pelo Incra corresponde a 20 anos de desmatamento se mantido o ritmo atual, de cerca de 6 mil km2 por ano. De acordo com a investigação, até 2010 o Incra foi responsável por 133.644 quilômetros quadrados de desmatamento dentro dos 2163 projetos de assentamento que existem na região amazônica.

Para se ter uma ideia do prejuízo, a área desmatada é cerca de 100 vezes o tamanho da cidade inteira de São Paulo. Só no ano passado, dentro de assentamentos já criados do Incra, foram perdidos 1 milhão e 668 mil hectares em floresta (um hectare é o tamanho médio de um campo de futebol). Entre 2000 e 2010, foram mais de 60 milhões de campos de futebol em florestas que vieram ao chão.

O MPF fez um cálculo com base no valor comercial dos produtos madeireiros e chegou a um valor total de R$ 38, 5 bilhões em danos ambientais causados pelo Incra em toda a Amazônia. O valor corresponde ao que foi desmatado entre 2000 e 2010 e calculado pelos valores mínimos do mercado.

Os números foram obtidos por três instituições distintas, a pedido do MPF, em análise das fotos de satélite dos assentamentos. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) chegaram às mesmas conclusões: o desmatamento está descontrolado nas áreas de reforma agrária. “Temos então que os assentamentos instalados pelo Incra responderam por 18% dos desmatamentos verificados na Amazônia Legal nos últimos 10 anos”, dizem os procuradores da República nas ações judiciais.

De acordo com o Imazon, os assentamentos mais desmatados estão no Pará, Maranhão e Mato Grosso. São 764 assentamentos (287 no PA, 207 no MA e 117 no MT) que juntos desmataram mais de 64 mil hectares até 2010. Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo. Nesses locais, entre 75% e 100% da cobertura vegetal foi derrubada ilegalmente, o que acrescenta a ausência da reserva legal na lista de infrações ambientais do Incra. Na Amazônia, o Código Florestal prevê reserva legal de 80% da cobertura vegetal, em propriedades privadas e também nas áreas de reforma agrária.

“No total de 2160 projetos válidos, o Inpe detectou que 1511 encontram-se com mais de 20% de sua área desmatada, o que corresponde a 70% dos Projetos de Assentamento”, diz a ação judicial. Mais da metade dos assentamentos na Amazônia – 1156 deles - devastaram a floresta de mais de 50% de seus territórios.
Regularização ambientalSão várias as causas que colocam o Incra como protagonista do desmatamento na Amazônia – negligência com a infraestrutura dos assentamentos, descontrole sobre a venda de lotes – mas pesa muito na balança a ausência quase total de licenciamento ambiental nos projetos. De acordo com o Tribunal de Contas da União, até 2003 tinham sido criados mais de 4 mil assentamentos sem licença ambiental no país.

Após essa data, ainda que não existam números totais, o TCU apontou em auditoria que a prática permaneceu inalterada: “o modo de criação, gestão e implantação de assentamentos em desrespeito à legislação ambiental deve-se à falta de ação do Incra, que sequer chega a protocolar os pedidos de licenciamento”, concluiu a auditoria. Para o MPF, “a ausência de protocolo é grave e enfraquece qualquer defesa do Incra no sentido de que a criação de tais assentamentos sem a devida licença ambiental decorre da falta de manifestação dos órgãos ambientais”.

Íntegra das ações judiciais:
Acre
Amazonas
Mato Grosso
Pará
Rondônia
Roraima

terça-feira, 10 de abril de 2012

Ninguém aguenta mais. Não param de surgir denúncias envolvendo Cachoeira

Terça, 10 de abril de 2012
Carlos Newton
É impressionante como um homem como Carlinhos Cachoeira tenha conseguido se infiltrar em diferentes órgãos públicos federais e estaduais. Sabe-se que ele até interferia nas promoções na Polícia Militar de Goiás. E agora é o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que se vê obrigado a afastar o superintendente do órgão no Distrito Federal, Marco Aurélio Bezerra da Rocha, suspeito de envolvimento em tráfico de influências com o surpreendente empresário-bicheiro de Goiás.

Devido à Semana Santa, a decisão, tomada na última quinta-feira, só foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Rocha foi afastado do cargo por 30 dias, e será substituído temporariamente por Luis Fernando de Souza.

O Incra já havia anunciado que afastaria servidores que ocupavam cargos de chefia na superintendência do DF, “permitindo, assim, que as investigações transcorram de maneira isenta”, porque gravações realizadas pela Polícia Federal com autorização da Justiça durante a Operação Monte Carlo revelaram que o grupo de Cachoeira, denunciado por suspeita de comandar um esquema de exploração de jogos ilegais, negociou propina no Incra com o objetivo de regularizar uma fazenda.

O relatório da Polícia Federal menciona valores e diz haver envolvimento de Rocha com o grupo do empresário-bicheiro. O superintendente afastado, no entanto, disse à Folha que nunca teve reuniões com as pessoas citadas nos relatórios da Operação Monte Carlo. Será?
###
 
DECADÊNCIA MORAL

Traduzindo tudo isso: a existência de um personagem como Carlinhos Cachoeira mostra a deterioração da política brasileira, na qual a corrupção realmente passou a fazer parte da rotina administrativa, com impunidade garantida.

O grau de surrealismo é tamanho que um homem sem escrúpulos como Cachoeira consegue ser defendido por um ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos. É certo que todo criminoso tem direito a defesa, mas quem ocupa o cargo de ministro da Justiça deveria ser mas seletivo na escolha de clientes.

Isso parece óbvio, mas quando lembramos que personalidades como Renan Calheiros e Jarbas Passarinho foram ministros da Justiça, é realmente desanimador.

Calheiros tem diploma de advogado, mas nunca exerceu a profissão, pois se elegeu deputado estadual quando ainda nem  tinha se formado. Já Passarinho, coronel do Exército, foi ministro e seu maior feito foi a portaria criando a nação Ianomami, um território do tamanha da Itália, onde vivem apenas 4 mil índios. 
E o notório saber? Serve para quê mesmo?

Fonte: Tribuna na Internet

domingo, 18 de dezembro de 2011

Governo abandona de vez a reforma agrária

Domingo, 18 de dezembro de 2011
Artigo publicado originalmente em Caros Amigos

Apenas 6 mil famílias foram assentadas este ano no país, enquanto a concentração de terra aumenta e os latifúndios improdutivos somam mais de 130 milhões de hectares
Por Lúcia Rodrigues
Gilmar Mauro fala da situação agrária no Brasil
“A estrutura fundiária do Brasil continua a mesma do período colonial”. A afirmação de Gilmar Mauro, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, não é mera retórica. Está calcada em estudos que comprovam que pouco se avançou em termos de distribuição da terra desde os tempos da Coroa Portuguesa.
O coeficiente de Gini, índice utilizado em pesquisas científicas para medir o grau de desigualdade social, revela que a concentração de terra no país até aumentou, se os dados analisados forem os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 1950, os números do IBGE apontavam 0,840 de concentração. Cinco décadas e meia depois, em 2006, esse índice subiu para 0,854. Quanto mais o índice se aproxima de um, maior o grau de concentração da terra.
Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) são levemente mais generosos. Por eles, se verifica que houve uma ligeira queda na concentração fundiária, que passou de 0,836, em 1967, para 0,820, em 2010. Os indicadores nos dois casos demonstram que a distribuição continua longe, de atender à demanda dos que pleiteiam acesso à terra neste país.
Hoje, 1% dos grandes latifundiários domina mais de 40% das terras brasileiras. Não bastasse a altíssima concentração fundiária nas mãos de poucos, ainda há outro agravante. A esmagadora maioria dessas propriedades é improdutiva.
Dos 217,4 milhões de hectares registrados pelo Incra como grandes propriedades, 136,8 milhões são identificados como improdutivos. Não cumprem, portanto, a função social preconizada pela Constituição Federal de 1988.
Mas o total de hectares de latifúndios improdutivos no Brasil é muito superior à área reconhecida pelo órgão governamental. O próprio Incra assume isso. A legislação existente dificulta que inúmeras propriedades improdutivas sejam catalogadas como tal.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

MPF/MS: servidores do Incra são denunciados por venda de declaração falsa a assentados

Segunda, 4 de abril de 2011
Do MPF
Documentos forjados atestavam que lotes vendidos ilegalmente estavam em situação regular. Funcionários cobraram R$ 3 mil para falsificar certidão

O Ministério Público Federal em Dourados, Mato Grosso do Sul, denunciou à Justiça Federal quatro funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por corrupção passiva, fraude processual e falsidade ideológica. Por R$ 3 mil, os servidores forjaram certidão de regularidade de lote que tinha sido vendido ilegalmente pelos assentados.

Segundo investigações da Polícia Federal, os crimes aconteceram no Assentamento Angélica - conhecido como Estrela do Sul - no município de Angélica, ao sul do estado. Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça comprovam a venda das declarações.

Compra e venda de lotes - O inquérito policial teve início com diligências sobre possíveis alienações de lotes pelos assentados. Só no Estrela do Sul – assentamento para fins de reforma agrária -  20 trabalhadores rurais foram denunciados por compra e venda de terras. Lotes chegaram a ser comercializados por R$ 35 mil.

Segundo a legislação brasileira, a venda de terras pelos assentados é vedada. Além disso, a invasão de terras públicas, com o intuito de ocupação, é crime, com pena de 6 meses a 1 ano de detenção.

Declaração falsa - No decorrer das investigações, a polícia descobriu ainda que havia o pagamento de propina a funcionários públicos para a emissão de declarações falsas. Proprietários de um terreno, receosos com a possibilidade da descoberta da alienação de suas terras, e consequente perda da área, tentaram comprar atestados de regularidade dos lotes.

Sem saber que já estavam sendo investigados, eles pediram ao líder do assentamento que intermediasse junto aos servidores do Incra em Dourados a confecção de uma certidão ideologicamente falsa. A certidão foi produzida e apresentada pelos assentados em depoimento à polícia. O documento custou R$ 3 mil. Comprovou-se que os servidores do Incra cobraram propina para a confecção e entrega da declaração.

Penas - Os servidores do Incra e o líder do assentamento responderão na Justiça por receber vantagem indevida com violação do dever funcional (corrupção passiva); tentar induzir a erro a polícia e o Ministério Público Federal (fraude processual); e emitir declaração pública falsa (falsidade ideológica). As penas, acumuladas, podem chegar a 17 anos.

Já os assentados que compraram a certidão, além de responder pela invasão e venda dos lotes, ainda serão responsabilizados por corrupção ativa - quando se oferece vantagem indevida a funcionário público -, falsidade ideológica e fraude processual.

Referência processual na Polícia Federal de Naviraí: IPL 0008/2010 - DPF/NVI/MS

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Incra diz que pesquisa da CNA sobre produção em assentamentos não é confiável

Terça, 13 de Outubro de 2009
Marco Antonio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil   

Brasília - O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, contestou, há pouco, a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), segundo a qual 37% dos assentados brasileiros não produzem nada na sua propriedade. Os dados foram coletados pelo Ibope, mas Hackbart confrontou-os com os do Censo Agropecuário e prometeu divulgar, até o fim do ano, “dados confiáveis” sobre a realidade produtiva em assentamentos.

“Quero reafirmar que a reforma agrária produz muitos alimentos. O censo agropecuário, que pesquisou todos os estabelecimentos do país, mostra que a agricultura familiar detém 24% da área total e produz 40% do valor bruto da produção agropecuária brasileira. Fico com o censo e não com o Ibope, que pesquisou mil famílias. Temos 1 milhão de famílias assentadas no Brasil inteiro em 80 milhões de hectares. A amostra é insuficiente”, afirmou Hackbart, em entrevista coletiva.

“O interessa da CNA é dizer que a reforma agrária não é mais necessária. E nós sabemos que a reforma é um caminho para desenvolver o país de forma sustentável”, acrescentou Hackbart.

De posse de produtos expostos na última 6ª Feira da Agricultura Familiar e da Reforma Agrária, Hackbart citou alguns assentamentos que batem recordes de produção pelo Brasil, mas ressalvou que esse tipo de dado não é o indicador adequado para uma avaliação única de eficiência da reforma agrária. Numa analogia, Hackbart alegou ser impossível comparar uma Votorantim com uma empresa de fundo de quintal.

“Nossa grande missão é reduzir a violência, promover a cidadania e garantir acesso a direitos básicos. Não dá para medir o sucesso da reforma agrária pela sua inserção no mercado com o que as famílias produzem. O grande objetivo é desconcentrar o uso e a propriedade da terra.  O principal é tirar as famílias das lonas, e a produção é um passo seguinte”, disse Hackbart.

A pesquisa da CNA mostrou que a maioria dos assentados (37%) tem renda familiar de um salário mínimo, 35%, entre um e dois salários mínimos e 26%, de mais de dois salários mínimos. A conclusão é que 37% dos assentados têm renda individual de um quarto do salário mínimo.

A fragilidade financeira dos assentados, na visão de Hackbart, “reflete a realidade socioeconômica de cada região.” O presidente do Incra diz que o assentamento da família é o primeiro passo para a conquista da cidadania, que só se tornará efetiva com o reforço das políticas de saúde e educação nas áreas rurais pelo estados e prefeituras.

“O processo [de conquista da cidadania] precisa ser encurtado . Temos de acelerar mais, mas não é fácil. Construção de escolas , de estradas. É difícil convencer um prefeito a construir uma escola no assentamento, porque ele vai preferir fazer em um bairro na cidade” , argumentou Hackbart.

Apesar da pesquisa CNA/Ibope dizer que 75% dos assentados não têm acesso ao programa de crédito rural do governo federal, o Incra sustenta ter pago, desde 2003, mais de R$ 4 bilhões de crédito para os assentados.