Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 6 de março de 2023

João Goulart é Doutor Honoris Causa in memoriam

Segunda, 6 de março de 2023
                                             Bárbara Goulart (foto divulgação)

João Goulart é Doutor Honoris Causa in memoriam

2 de março de 2023

O Conselho Universitário da Universidade Santa Úrsula outorgou o título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao Presidente João Goulart, na última quarta-feira, dia 1º de março, quando ele estaria fazendo mais um aniversário. A honraria foi entregue à viúva de Jango, dona Maria Thereza Fontella Goulart que, na cerimônia, estava acompanhada dos filhos, João Vicente e Denize, e das netas Bárbara e Isabela.

No dia 1º de março de 1919, nascia em São Borja, no Rio Grande do Sul, o menino João, filho de Vicente Rodrigues Goulart, um estancieiro, coronel da Guarda Nacional, e de Vicentina Marques Goulart, uma dona-de-casa, devotada à família. Desde cedo, esse guri recebeu o apelido de “Jango”, ou “Janguinho”. Ainda criança, se apaixonou pelo futebol, jogando como lateral-direito, no Sport Club Internacional. Já em Porto Alegre, cursou a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Após a renúncia do Presidente Getúlio Vargas, em outubro de 1945, Jango escolheu a carreira política, aceitando o convite de Getúlio para ingressar no PTB local e, mais tarde, tornar-se-ia presidente do PTB estadual e nacional. Em 1947, Getúlio convenceu-o a concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, sendo eleito. Em 18 de abril de 1950, Jango anunciou a candidatura de Vargas e, nesse mesmo pleito eleitoral, foi eleito para a Câmara dos Deputados.

Vargas, em 1953, nomeou Jango Ministro do Trabalho. Como ministro, optava por negociações entre grevistas e patrões, em vez de métodos repressivos.

Após a morte trágica de Vargas, Jango, deprimido, pensou em se afastar da política. No enterro de Vargas, declarou: “Nós, dentro da ordem e da lei, saberemos lutar com patriotismo e dignidade, inspirados no exemplo que nos legaste”.

Em outubro de 1955, o PSD lançou Juscelino Kubitschek como candidato à Presidência e Jango, pelo PTB, à Vice-Presidência. JK foi eleito com 37% dos votos no dia 3 de outubro, e Jango foi eleito com mais de 500 mil votos que o seu companheiro de chapa.

Pela capacidade de negociar com o movimento sindical, Jango foi em grande parte responsável pela estabilidade política do Governo JK.

Em fevereiro de 1959, foi lançada a candidatura de Lott, e Jango considerava essa candidatura fraca. Pela fraqueza eleitoral de Lott, apareceu a chapa informal “Jan-Jan”, ou seja, “Jânio-Jango”. Jânio Quadros e João Goulart são eleitos Presidente e Vice-presidente da República.

No dia 25 de agosto, Jânio renunciou ao cargo, com Jango em visita oficial a China.

Com o apoio de alguns coronéis e do povo, Brizola inicia a Campanha da Legalidade. Na manhã do dia 26, o país amanheceu num estado de sítio não oficial. No dia 31, aumentava o risco de guerra civil, pois militares de todo o país ficavam ao lado da legalidade e havia o risco de conflito entre as forças de Brizola e do governo.

No dia 1º de setembro, Tancredo Neves foi ao Uruguai discutir com João Goulart. De acordo com Tancredo, Jango tinha resistência ao parlamentarismo, mas terminou o aceitando devido ao risco de mortes. O Congresso Nacional aprovou a emenda parlamentarista. Jango chegou a Brasília no dia 5 de setembro e assumiu a presidência no dia 7 de setembro de 1961.

O seu governo pode ser dividido em duas fases: Parlamentarista: de setembro de 1961 a janeiro de 1963. O primeiro gabinete, chamado de “Conciliação Nacional”, foi nomeado dia 8 de setembro, tendo Tancredo Neves como primeiro-ministro. Em 26 de junho de 1962, o primeiro gabinete pediu demissão para concorrer às eleições de outubro. Brochado da Rocha teve sua indicação como primeiro-ministro aprovada pelo Congresso Nacional, no dia 10 de julho. Brochado renunciou e Hermes Lima foi empossado, dia 19 de setembro de 1962.

Durante a fase parlamentarista, os poderes políticos do presidente foram diluídos e a figura mais importante no governo era o primeiro-ministro. Isso foi a forma encontrada para que os militares aprovassem a posse de Jango, mas também não durou muito. Um plebiscito realizado em 1963 determinou o retorno do presidencialismo no Brasil.

A fase Presidencialista durou de janeiro de 1963 a abril de 1964. João Goulart era um quadro progressista, e a sua presença na presidência do país incomodava grupos da elite daqui e de nações poderosas, como os Estados Unidos, que, no contexto da Guerra Fria, atuavam consistentemente para derrubar lideranças progressistas em todo o continente americano, sobretudo depois do exemplo cubano.

O presidente engajou-se em um programa de reformas estruturais no país que ficou conhecido como Reformas de Base. No que se refere a essas reformas, destacaram-se no governo João Goulart as seguintes medidas: Reforma Agrária; Reforma Educacional; Reforma Fiscal; Reforma Eleitoral; Reforma Urbana e a Reforma Bancária. As Reformas de Base propostas por Jango, mas não implementadas, moldaram o Estado brasileiro depois da redemocratização, inspirando a Constituição Brasileira de 1988.

Desgastado com a crise econômica e com a oposição de militares, o presidente procurou fortalecer-se, participando de manifestações e comícios que defendiam suas propostas. A manifestação mais importante ocorreu no dia 13 de março de 1964. O Comício da Central reuniu 150 mil pessoas. Em seu discurso, Goulart anunciou uma série de medidas que estavam no embrião das reformas de base; defendeu a reforma da Constituição para ampliar o direito de voto a analfabetos e militares de baixa patente; e criticou seus opositores que, segundo ele, sob a máscara de democratas, estariam a serviço de grandes companhias internacionais e contra o povo.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Caiu a ficha. "Depois do entreguismo subterrâneo do Pré-sal, só resta a terceira via"

Sábado, 27 de fevereiro de 2016
"Basta de discursar pelos pobre outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes."
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*João Vicente Goulart
Jango golpeado pelas “Reformas de Base”              

O que vimos ontem [24/2/2016] na votação do PLS 131 da Petrobras foi vergonhoso, rasteiro, inoportuno com nossa história de lutas a mercê da traição governamental da qual tínhamos esperança de resistência.

Estamos, todos aqueles que amamos o Brasil e nossa nacionalidade, iludidos, magoados e com muita falta de esperança, roubada no mais indigno e subterrâneo ocaso oportunista da subtração de nossos princípios de luta, com a atitude do governo ao negociar por debaixo do tatame a entrega do Pré-sal, e a retirada da Petrobras do controle dos investimentos de nossas riquezas petrolíferas.

A negociação espúria, ao apagar das luzes, deixou os próprios parlamentares da base a ver navios.Navios negreiros, navios dos anjos negros, navios das sete irmãs petroleiras internacionais que naquele momento zarpavam e começavam a navegar a partir de nossas costas, transportando nossas esperanças como fizeram portugueses e espanhóis na nossa América Latina colônia. O ouro mudou de cor, mas não mudou de dono.

Sentimo-nos traídos e pior, desamparados por quem acreditávamos estar confiando e defendendo o patrimônio público de nossa Pátria.

A surpresa após a votação no Senado com o placar de 40 a 26, com duas abstenções, negociados dentro do Planalto com a oposição na parte da tarde, retirando da Petrobras a primazia do direito de exploração do Pré-sal, foi um ato de covardia, pois, não precisava tanto, bastava então, entregar o governo aos grandes bancos, aos interesses multinacionais, ao mercado ou, se quisessem aos perdedores da eleição de 2014, para que capitaneassem  essas naves junto aos entreguistas e outros mercadores do destino nacional,  terminando de privatizar o Brasil, ou melhor, continuar a vendê-lo como fez  o príncipe guru das privatizações, FHC, lesando a Pátria, seus filhos e descendentes, como um verdadeiro Pizarro, sangrando as “veias abertas” de nosso povo.

Está na hora de repensar nosso destino, nossos caminhos, reaver nossas esperanças e mergulharmos na história do trabalhismo; reagrupar as forças, extrair de nossas raízes os exemplos de lutas e de propostas da resistência nacional.  E, para tanto, temos direito de chão adquiridos ao longo de nossa trajetória.

Temos história de sobra para isto.

O trabalhismo propôs ao país o salário mínimo, a CLT, o voto feminino, a organização sindical, a reforma agraria, a reforma tributária, taxando o patrimônio das empresas, não os assalariados. Propusemos a reforma educacional, a lei do controle das remessas de lucros, a reforma urbana, a reforma bancaria que nenhum outro governo se animou a tocar; já desapropriamos empresas estrangeiras que exploravam e sugavam os trabalhadores brasileiros, já encampamos refinarias e outorgamos o monopólio à Petrobras, tanto da extração quanto do refino e já mostramos do que somos capazes, sem temer as reações dos prepotentes das baionetas e dos donos do capital.


Já é hora de lembrar isto ao povo brasileiro: nossas riquezas são nossas e não de quem tenha mais.

A democracia é a arte política da maioria de conquistar novos objetivos e não pode ser traída por interesses pessoais imaginando a eventualidade da ruptura institucional, arquitetada por manipulações subterrâneas em tribunais não representativos ou eleitos.

Já sofremos golpes contra nossas propostas, já amargamos exílio por não trair as conquistas sociais e políticas do nosso povo. Mas continuamos a almejar a libertação de nossos trabalhadores, donos reais de todas as riquezas desta terra miscigenada e brasileira.

A eleição de 2018 está próxima e nós temos história, nela temos propostas e no caminho desafios.

Falta botar a coragem na rua, “nas praças que são do povo e só ao povo pertencem”, e como disse também  Jango, alertando os falsos democratas:
  
-​"Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.
 
Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.

A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia anti-povo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.

A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício."

Nossa proposta deve ser clara, objetiva e transformista, na legalidade constitucional, na doutrina que nos orienta do positivismo, mas além de tudo ampla e nacionalista. Vamos propor a nossa luta sem dissimulo, vamos propor a retomada e reestatização da Vale, da Embratel, Telesp, Telemar, CEEE, CSN, BEG, BEA, etc., etc. e de tantas outras privatarias que não caberiam neste artigo.

A terceira via está em curso. É o trabalhismo nacionalista.

Tem cara e tem coragem, tem história e realizações suficientes para a retomada da Pátria, para a retomada da soberania, da dignidade, da educação e das oportunidades iguais para todos.

Basta de conversinhas meritocratas em um país tremendamente injusto e sem igualdade de oportunidades.

Basta de discursar pelos pobres outorgando privilégios para os barões da mídia e para banqueiros. Fazendo concessões espúrias no apagar das luzes.

O bipartidarismo entre oposição e governo está no fim, está nas mãos do povo brasileiro em 2018, construir a terceira via.

A terceira via é a via trabalhista e nacionalista, vamos abraçar esta luta, vamos abraçar o Brasil.

Com liberdade não ofenderemos, não temeremos e muito menos compactuaremos com os direitos de nossos trabalhadores.
 
*João Vicente Goulart
Diretor do IPG- Instituto Presidente João Goulart 

sábado, 7 de novembro de 2015

Rollemberg: O Himmler do Cerrado

Sábado, 7 de novembro de 2015
Da Tribuna da Imprensa
Por João Vicente Goulart*


Abandonar os companheiros de luta e passar para o outro lado é considerado traição.

O atual governo do PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO, eleito por grande parte da esquerda brasileira no Distrito Federal, por setores sindicais, por movimentos populares, por socialistas autênticos, por trabalhistas que acreditavam na doutrina de homens como Hermes Lima, Antonio Houssais, Arraes e outros tantos vultos do atual partido, como Luiza Erundina e Roberto Amaral, tornou-se uma grande traição.

Houve votos de um exército de idealistas que compõem seus quadros e da aliança que o apoiou, que acreditavam estarem votando no desenvolvimentismo econômico a favor dos menos favorecidos, dos desprotegidos, dos excluidos, dos sem teto e dos sem terra que hoje se sentem  traídos e abandonados pelo governador.

Ele é uma espécie de Himmler do Cerrado, que tal qual  o alemão, abandonou seus pares no final da II grande guerra, querendo negociar uma rendição dos seus companheiros,  aos aliados que venceriam.

Aqui, a traição aos trabalhadores brasilienses, e o não cumprimento de acordos salariais já homolagados na justiça, a submissão de seu governo as elites mais reacionárias de Brasilia ligadas ao achaque político, a compra de alvarás de construção, novilhas de ouro, dinheiros de campanhas suspeitos da lava-jato, ligadas a tudo o que há de pior no destino do Distrito Federal, por certo é um abandono e uma traição aos principios programáticos do socialismo.

Essa atitude não deu certo para Heinrich Himmler; foi considerado criminoso de guerra, foi preso e suicidou-se.

Para quem queria sair do DF como candidato a presidência da Republica pelo Partido Socialista em 2018, após a morte de Eduardo Campos, é um bom exemplo.

O governador Rollemberg, “socialista” de araque, vai pelo mesmo caminho da atitude do alemão.

Depois de cassar a “cessão de uso” do espaço que abrigaria o “Memorial da Liberdade e Democracia Pte. João Goulart”, espaço este que contaria as novas gerações a triste história do Golpe de 1964 e suas consequências, depois das propinas dentro da TERRACAP divulgadas recentemente para se obter áreas no GDF, depois de sua polícia bater em professores que legitimamente revindicam seus aumentos salariais como direito, depois de não atender os profissionais da saúde publica do Distrito Federal, ignorar as greves do Metrô e DETRAN, após não assentar diversas famílias de sem terra que vivem nas estradas e em áreas de grileiros contumazes da elite que impera, depois de muito cinismo e traição, apoiar Aécio Neves e por consequência o movimento golpista que assola o Brasil; o suicídio para ele não mais se faz necessario.

Este Himmler do Cerrado já está morto.

A herança que sobrará para quem nele confiou, é a traição aos trabalhadores, à memória nacional, a falta de palavra, a covardia...

Sobra só o medroso, que atira a pedra e esconde a mão.

*João Vicente Goulart, Diretor IPG-Instituto João Goulart.