Sexta, 26 de maio de 2017
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
por Ciro Barros | 26 de maio de 2017
Para Darci Frigo, entrevistado pela Pública, mortes na Santa Lúcia
podem ser retaliação à morte de segurança; é a segunda maior chacina do
campo brasileiro nos últimos vinte anos
O presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Darci
Frigo, contestou a versão apresentada pela Secretaria de Segurança
Pública e Defesa Social (Segup) do Pará sobre a morte de dez posseiros
na fazenda Santa Lúcia, em de Pau D’Arco (PA), na última quarta-feira
(24). “A pergunta que a gente se faz é se não foi uma ação de vingança
tendo em vista a morte do segurança da fazenda há poucos dias no local”,
disse Frigo em entrevista à Pública nesta quinta-feira.
Ele se refere à morte do segurança Marcos Batista Montenegro, baleado
no último dia 30 de abril quando patrulhava a fazenda ocupada. Os tiros
teriam sido disparados pelos posseiros. No dia da chacina, os policiais
civis e militares, liderados pela Delegacia de Conflitos Agrários
(Deca) de Redenção, foram à ocupação para cumprir 16 mandados de prisão e
de busca e apreensão relacionados ao assassinato do segurança. Segundo a
Segup, eles teriam sido recebidos a tiros pelos posseiros. Dos dez
mortos, sete eram da mesma família: o casal Jane Julia de Oliveira e
Antonio Pereira Milhomem, seus três filhos e dois sobrinhos.