Domingo, 23 de outubro de 2016
Do resistir.info
por Prabhat Patnaik
[*]

O facto de que um grande número de refugiados – especialmente de
países que ultimamente têm sido sujeitos às
devastações da agressão imperialista e das guerras –
estejam desesperadamente a tentar entrar na Europa é visto quase
exclusivamente em termos humanitários. Se bem que esta
percepção tenha sem dúvida validade, há um outro
aspecto da questão que tem escapado à atenção,
nomeadamente que é a primeira vez na história moderna que a
questão da migração está a ser postulada fora do
controle exclusivo do capital metropolitano.
Até agora os fluxos migratórios haviam sido ditados inteiramente
pelas exigências do capital metropolitano; agora, pela primeira vez,
povos estão a violar os ditames do capital metropolitano e a tentar por
em prática suas próprias preferências quanto a onde
pretendem estabelecer-se. Pobres e miseráveis, em sem estarem
conscientes das implicações das suas próprias
acções, estes infelizes refugiados estão com efeito a
votar com os seus pés contra a hegemonia do capital metropolitano, o
qual invariavelmente procede presumindo que os povos submeter-se-iam docilmente
aos seus ditames, incluindo a questão de onde viver.