“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 23 de outubro de 2016

A migração como revolta contra o capital

Domingo, 23 de outubro de 2016
Do resistir.info
por Prabhat Patnaik [*]
 
 
 
 
O facto de que um grande número de refugiados – especialmente de países que ultimamente têm sido sujeitos às devastações da agressão imperialista e das guerras – estejam desesperadamente a tentar entrar na Europa é visto quase exclusivamente em termos humanitários. Se bem que esta percepção tenha sem dúvida validade, há um outro aspecto da questão que tem escapado à atenção, nomeadamente que é a primeira vez na história moderna que a questão da migração está a ser postulada fora do controle exclusivo do capital metropolitano. Até agora os fluxos migratórios haviam sido ditados inteiramente pelas exigências do capital metropolitano; agora, pela primeira vez, povos estão a violar os ditames do capital metropolitano e a tentar por em prática suas próprias preferências quanto a onde pretendem estabelecer-se. Pobres e miseráveis, em sem estarem conscientes das implicações das suas próprias acções, estes infelizes refugiados estão com efeito a votar com os seus pés contra a hegemonia do capital metropolitano, o qual invariavelmente procede presumindo que os povos submeter-se-iam docilmente aos seus ditames, incluindo a questão de onde viver.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Porquê o Socialismo?

Sábado, 13 de fevereiro de 2016
“A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe atualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal.”
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Do resistir.info
por Albert Einstein
Será aconselhável para quem não é especialista emAlbert Einstein assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.
Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de forma a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por muitos fatores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente econômicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de fato o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu atual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.