“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 27 de maio de 2018

‘Efeito Marielle’: mulheres negras entram na política por legado da vereadora

Domingo, 27 de maio de 2018


Da

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O assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) chocou o Brasil pela brutalidade do crime e por ter representado um ataque direto a muitos símbolos: mulher, negra, lésbica e favelada. Mais do que uma pessoa, as balas feriram grupos e ideais. Um amigo de longa data dela, o geógrafo Lourenço Cezar, chegou a dizer à Ponte que a pessoa que disparou contra ela deveria ter conhecimentos de ciências sociais, já que, com os tiros, conseguiu atingir inúmeras pessoas de uma única vez.
A vereadora e o motorista Anderson Gomes foram assassinados na noite do dia 14 de março deste ano, logo depois que ela saiu de um evento em que discutia negritude, representatividade e feminismo. Os disparos da submetralhadora 9mm, segundo a investigação, tinham alvo certo: Marielle. Mas acabaram atingindo Anderson. Colegas do PSOL na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro se comprometeram a manter viva a luta dela. Tanto que no dia 2/5, após negociação com a presidência da Casa, a bancada conseguiu aprovar cinco de pelo menos sete projetos de lei de autoria dela que tinham ficado por serem votados.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Marielle, sobrenome favela

Terça, 24 de abril de 2018

Por
https://ponte.org

Marielle foi ‘um projeto da Maré’, fruto de anos de luta por inclusão; moradores da favela sentiram a morte dela como um recado: ‘vocês cresceram demais’

“Vai lá, sim, Maria, mas vai com cuidado e carinho, porque as pessoas ainda estão sofrendo”, disse para mim um dos contatos que fiz, por telefone, antes de visitar a favela da Maré, na zona norte do Rio. Encontrei muita dor e saudade ali. Também medo. E um bocado de revolta. Alguns ainda não gostam de falar sobre tudo o que aconteceu a uma de suas mais ilustres filhas: a vereadora Marielle Franco, morta com quatro tiros na noite de 14 de março, ao lado do motorista Anderson Gomes, num crime que continua sem solução.
Quando falam dela, em quase todos os momentos, amigos usam o verbo no presente. “O que Marielle foi? O que é Marielle”, me corrigiu, em determinado momento, o geógrafo Lourenço Cezar da Silva, 47 anos, que foi amigo dela por mais de 20 anos – quase a mesma idade da filha de Marielle, Luyara, que hoje tem 19. Eu tinha perguntado que palavra simbolizava a vereadora. “Favela. Tá na cara dela: favelada. Tudo em torno da Marielle sempre singulariza a questão da favela. As possibilidades de uma mulher sofrer o que ela sofreu na favela são imensas. Acontece todo dia, né? E tem mais: quando a coisa aperta aqui, é a mulher que toma a frente. Se vier um policial agora e quiser me arrastar, a única figura que pode ser que ele respeite é a mulher”, pondera. “A Marielle é um projeto nosso, porque a formação que a gente tem até hoje [do cursinho comunitário] é pra ocupar esse lugar que a ela ocupou. A gente já estava pensando em novos quadros para ocupar outros espaços”.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Guardas apagam homenagem a Marielle durante procissão em MG

Sexta, 6 de abril de 2018
Da


‘Respeitem a cidade’, diz o guarda enquanto passa a bota na arte e ameaça levar os artistas à delegacia por desobediência



Uma homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco, do Rio de Janeiro, quase acabou com pessoas detidas por desacato em Ouro Preto, Minas Gerais, no sábado (31/3). Isso porque um GCM (Guarda Civil Metropolitano) da cidade considerou afrontosa uma arte feita com o nome da parlamentar em meio aos tradicionais tapetes com serragem. Argumentou que era um ato político e não religioso, como devia ser na ocasião.