Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

INTERNACIONALISMO —MPA reúne delegações de 15 países em ato por soberania alimentar e solidariedade entre os povos

Quinta, 14 de maio de 2026

MPA reúne delegações de 15 países em ato por soberania alimentar e solidariedade entre os povos

Encontro em Brasília denunciou sanções econômicas, guerras e uso da fome como instrumento político

Brasil de Fato — Brasília (DF)

Representantes populares de quatro continentes participaram da plenária realizada no Centro Comunitário Athos Bulcão. | Crédito: Flávia Quirino/Brasil de Fato DF

O Centro Comunitário Athos Bulcão, na Universidade de Brasília (UnB), recebeu na terça-feira (12) o ato político “Noite da Soberania e Solidariedade dos Povos”, atividade que integrou a programação do 4º Encontro Nacional e da celebração dos 30 anos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O espaço reuniu delegações de quatro continentes em uma plenária marcada por denúncias contra o imperialismo, defesa da soberania alimentar e fortalecimento do internacionalismo popular.

Organizado pela Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC – Via Campesina), o encontro reuniu representantes diplomáticos, lideranças camponesas e movimentos populares de 15 países. Em comum, as falas denunciaram o uso da fome, das sanções econômicas e dos bloqueios internacionais como mecanismos de guerra contra os povos.

A médica cubana Aleida Guevara, filha de Ernesto Che Guevara destacou a solidariedade como elemento fundamental para a construção de um novo projeto de sociedade. Em sua fala, ressaltou que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelos povos, a capacidade de apoiar uns aos outros mantém viva a esperança coletiva.

terça-feira, 12 de maio de 2026

LUTA CAMPONESA —MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) reúne camponeses em Brasília e reforça luta por soberania alimentar

Terça, 12 de maio de 2026

Mesa de abertura reúne lideranças populares e representantes de organizações sociais em Brasília | Crédito: Comunicação/MPA

LUTA CAMPONESA
MPA reúne camponeses em Brasília e reforça luta por soberania alimentar

Encontro debate combate à fome, agroecologia e direitos em celebração dos 30 anos do movimento

Brasil de Fato — Brasília (DF)

Nesta segunda-feira (11), o Centro Comunitário Athos Bulcão, da Universidade de Brasília (UnB), recebeu a abertura do 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O evento reúne cerca de 1.200 camponeses e camponesas de 20 estados brasileiros para marcar os 30 anos de trajetória de um dos principais movimentos populares ligados à defesa da soberania alimentar, da agroecologia e do abastecimento popular no país.

Com o tema “30 anos de luta e afirmação camponesa, construindo soberania alimentar e nacional”, o encontro segue até quarta-feira debatendo estratégias para enfrentar a fome, a crise climática e o avanço do agronegócio sobre os territórios camponeses. A programação também inclui mesas sobre feminismo camponês, diversidade, abastecimento popular e articulações internacionais.

domingo, 20 de outubro de 2024

Mapa para livrar o Brasil do Agronegócio

Domingo, 20 de outubro de 2024


Em contraponto ao modelo agrícola hegemônico, Agroecologia ganha corpo e repercussão. Um primeiro esforço de mapeá-la mostra: há imenso potencial, e interesse do governo. Mas faltam políticas públicas capazes de puxar uma virada

Foto: Agroviver/Reprodução
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MAIS
Na próxima quarta-feria (16/10), celebra-se o Dia Mundial da Agricultura e Soberania Alimentar. Outras Palavras publicará, ao longo da semana, textos que propõem, como alternativa à captura da terra pelos rentistas, um novo modelo agrícola, baseado na redistribuição da propriedade fundiária, na produção de alimentos e em tecnologias que dispensem o envenenamento da comida.

O Brasil enfrenta uma das mais severas secas de sua história. No final de setembro de 2024, 58% do território nacional estava em situação de seca, e dentro dessa área, uma parcela significativa sofre com uma escassez hídrica severa. Esta é considerada a maior seca em 73 anos no Pantanal, e a mais grave em 40 anos na Amazônia. Além de prejudicar a biodiversidade, a crise hídrica afeta drasticamente o equilíbrio dos ecossistemas e amplia o risco de incêndios florestais, agravando ainda mais a vulnerabilidade ambiental do país.

Os impactos cada vez mais intensos e devastadores de eventos climáticos extremos, têm evidenciado a urgência de práticas que não só aumentem a resiliência dos ecossistemas, mas que também promovam uma adaptação a longo prazo, tanto ambiental quanto social, nas regiões afetadas. Nesse cenário, fica cada vez mais evidente a conexão entre as práticas do agronegócio e a intensificação dos eventos climáticos extremos, especialmente considerando os impactos deste setor sobre o desmatamento, as alterações no uso do solo para a expansão da fronteira agrícola, o emprego de hidrocarbonetos na síntese de fertilizantes, e a contaminação ambiental gerada pela aplicação indiscriminada de agrotóxicos e pelo acúmulo de resíduos derivados desses processos.

A expansão agrícola intensiva, especialmente nas áreas de monocultura de soja e milho, está ligada ao desmatamento, à degradação dos solos e à redução da vegetação nativa, que são barreiras naturais contra enchentes, intensificando a vulnerabilidade do território a chuvas intensas, levando ao escoamento excessivo de água e ao aumento das inundações.

As queimadas de florestas e áreas de pastagem, além de serem crimes ambientais, são alimentadas por longas estiagens. Em setembro de 2024, o Brasil registrou 7.322 focos de incêndio, representando 71,9% das queimadas na América do Sul. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que, ao longo do ano, o país contabilizou mais de 80 mil focos de queimadas, um aumento de 30% em relação à média histórica.

A expansão das fronteiras agrícolas, que destrói biomas como a Amazônia, Cerrado e Pantanal, é um dos principais fatores que agravam a crise. A falta de controle ambiental e práticas criminosas de alguns setores do agronegócio intensificam a devastação, e se beneficiam da devastação de terras para a criação de pastagens e cultivo de monoculturas. As queimadas, agora mais frequentes e intensas, têm provocado crises ambientais e de saúde pública, com impactos diretos no regime de chuvas.