Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

É o caos! Falta quase tudo na saúde, inclusive no IgesDF: profissionais de saúde, equipamentos, insumos, medicamentos, eficiência no transporte de pacientes e até manutenção predial; pode isso, Arnaldo?

Sexta, 5 de agosto de 2022


Saúde pública: MPDFT quer melhorias nas unidades de pronto-socorro e clínica médica

Do MPDF
Recomendação tem por base relatórios técnicos elaborados após vistorias do MPDFT em 12 hospitais regionais e no Hospital de Base

As Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) e Regionais de Defesa dos Direitos Difusos (Proreg) expediram recomendação à Secretaria de Saúde (SES) e ao Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF) sobre o funcionamento das unidades de pronto-socorro e enfermarias de clínica médica. O ofício foi enviado nesta terça-feira, 2 de agosto.

Na recomendação, as Promotorias de Justiça fixam o prazo de 60 dias para que a SES e o Iges-DF apresentem relatórios detalhados sobre as deficiências estruturais que inviabilizam o funcionamento adequado das unidades de pronto-socorro e enfermaria de clínica médica nos hospitais regionais e no Hospital de Base.

No mesmo prazo, também devem ser apresentados planos de ação que informem o cronograma para as adequações arquitetônicas e soluções para o déficit de profissionais, por categoria, além de informações como: principais ações de manutenção predial e reformas indispensáveis; número de leitos disponíveis e percentual de utilização; restrições de funcionamento (bandeiramento), com motivo e fundamentação; contratação para aquisição de insumos e medicamentos.

Brasil: eleições e modelo econômico

Quinta, 4 de agosto de 2022

Fonte: AEPET*
Publicado em 04/08/2022

Escrito por Maria Lucia Fattorelli

O problema do Brasil não é falta de recursos, mas o seu desvio e concentração nas mãos de poucos


– "Um dos principais eixos que sustentam esse modelo econômico é a política monetária suicida praticada pelo Banco Central do Brasil"



A escassez está presente na vida da imensa maioria do povo brasileiro, embora o Brasil seja um dos países mais ricos do planeta, com abundantes recursos naturais e financeiros, além de imensas possibilidades.

O problema do Brasil não é falta de recursos, mas o seu desvio e concentração nas mãos de poucos.

Isso não é um acaso ou fatalidade, mas decorre do modelo econômico implementado no país, o qual é conscientemente projetado para dar esse resultado.

Os principais eixos que sustentam esse modelo econômico são: o modelo tributário regressivo; a política monetária suicida praticada pelo Banco Central; o Sistema da Dívida, e o modelo primário-exportador de commodities da mineração e do grande agronegócio, irresponsável para com as pessoas e o ambiente.

A interconexão desses eixos produz o resultado esperado: desigualdade social, desrespeito aos direitos sociais previstos na Constituição, aprofundamento da miséria e do inaceitável mapa da fome; danos ambientais e ecológicos; atraso socioeconômico.

Por outro lado, crescem as fortunas de bilionários e o lucro dos bancos e grandes corporações nacionais e estrangeiras que exploram nossas riquezas naturais de forma predatória.

Estamos em ano eleitoral e os pré-candidatos fazem propostas agradáveis aos ouvidos de eleitores e eleitoras, porém, se de fato quiserem melhorar a vida do povo, terão que enfrentar seriamente os eixos que sustentam o injusto modelo econômico que atua no Brasil.

Caso contrário, continuaremos a ter mais do mesmo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Ministro Alexandre de Moraes vota pela irretroatividade da Lei de Improbidade Administrativa; está complicando pro Arruda Caixa de Pandora

Quinta, 4 de agosto de 2022

Na sessão desta quinta-feira, votaram o relator e o ministro André Mendonça, que divergiu.

Do STF
04/08/2022 20h29

Ministro Alexandre de Moraes vota pela irretroatividade da Lei de Improbidade Administrativa

O Supremo Tribunal Federal (STF) prosseguiu, nesta quinta-feira (4), o julgamento do recurso que discute a retroatividade das alterações na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/1992) inseridas pela Lei 14.230/2021 aos atos de improbidade culposos (sem intenção) e aos prazos de prescrição. Para o relator, ministro Alexandre de Moraes (relator), a lei não retroage para atingir casos com decisões definitivas (transitadas em julgado).

Único a votar na sessão de hoje além do relator, o ministro André Mendonça divergiu, por entender que as condenações definitivas podem ser revertidas mediante ação rescisória. A análise do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 843989, com repercussão geral (Tema 1.199), deve ser retomada na próxima semana, com os votos dos demais ministros.

Opção legítima

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, a partir da Lei 14.230/2021, a configuração de atos de improbidade exige a intenção de agir (dolo) do agente, e a retirada da modalidade culposa (não intencional) é uma opção legislativa legítima. Para ele, a norma mais benéfica relacionada às condutas culposas não retroage para aplicação no caso de decisões definitivas e processos em fase de execução das penas.

Em relação às ações em que não há trânsito em julgado, o relator considera que não é possível aplicar a ultra-atividade (extensão dos efeitos) da norma revogada, cabendo ao juiz analisar, em cada caso, se há má-fé ou dolo eventual. Se o juiz considerar que houve vontade consciente de causar dano, a ação prossegue. No entanto, não poderá haver punição por ato culposo (como inabilidade ou inaptidão) nas ações que já estão em andamento, pois não é possível sentença condenatória com base em lei revogada.

🎂33 ANOS DE VILA RORIZ❤️

Quinta, 4 de agosto de 2022

🎂33 ANOS DE VILA RORIZ❤️  [no Setor Oeste do Gama]

Hoje é o aniversário desse setor periférico de uma cidade periférica, que foi construído com o suor e o trabalho de gente trabalhadora e honesta, que chegou aqui e plantou o coração no chão de seus quintais.

Chegamos antes do asfalto, do encanamento, do esgoto, da Escola Classe 28, das igrejas...

Chegamos depois da Cachoeira da Loca e seu pranto de bilhões de anos, que esculpiu rochas tão antigas quanto a própria Terra, do Cerrado e sua beleza, do Meloso e do canto das águas do Córrego Serra, do Gama e seu desenho de colméia...

E aqui construímos nossos lares e uma comunidade vibrante, que só a gente pobre, humilde, simples e forte desse país é capaz de fazer.

Tenho orgulho de ter nascido, crescido e de viver aqui até hoje com a minha família.

Qualidade de vida pra mim é morar num lugar onde os meus vizinhos me viram nascer, onde esbarro todos os dias com amigos de infância, é atravessar a rua e deixar meus filhos na escola e na creche, ter uma cachoeira belíssima na porta de casa, precisar descer duas ruas para dar um abraço na minha avó, chegar no trabalho de bicicleta em 10 minutos, ver o pôr do sol no horizonte, garotos jogando xadrez na praça à noite, crianças brincando num parquinho de areia ao abrir o portão e ouvir o som de capoeira que vem do pátio da escola.

Esse é o meu lugar no mundo! Quem mora no Gama ama! Mas quem vive aqui, é feliz!


#GamaDF

https://www.instagram.com/p/Cg2XrUNujUG/?igshid=MDJmNzVkMjY=

STJ: É possível atribuir efeitos amplos à sentença em ação civil pública que concede remédio para paciente específico

Quinta, 4 de agosto de 2022

​Ao negar provimento a agravo interno do Estado de Santa Catarina, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, reafirmou que é possível a atribuição de efeitos amplos (erga omnes) à sentença proferida em ação civil pública na qual se pede medicamento para um paciente específico.

Do STJ
No caso dos autos, o Ministério Público postulou que o poder público fornecesse o medicamento Spiriva a uma mulher com enfisema e a outros pacientes com idêntico problema de saúde.

Deputado alerta sobre fim de prazo para a troca de ônibus

Quinta, 4 de agosto de 2022
                                 Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Segundo Vigilante, já foram repassados às empresas, a título de subsídio, mais de R$ 1 bilhão

Marco Túlio Alencar — Agência CLDF

Termina neste mês de agosto o prazo para que as empresas que integram o sistema de transporte coletivo efetivem a substituição dos veículos que rodam atualmente por ônibus novos. “Após dois adiamentos, nem todos efetuaram a troca”, alertou o deputado Chico Vigilante (PT), durante a sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quarta-feira (3). O parlamentar, inclusive, enviou ofício à Secretaria de Mobilidade do DF questionando a pasta sobre o cumprimento do prazo.

“Segundo informações que chegaram ao meu conhecimento, as empresas Piracicabana, Pioneira e Urbe completaram a renovação da frota. Porém a São José, que atende Ceilândia e Brazlândia, bem como a Marechal não fizeram a substituição”, observou. Para Vigilante, “a população pobre que anda de ônibus não aguenta mais”. O distrital ainda lembrou que já foram repassados às empresas, a título de subsídio, mais de R$ 1 bilhão.

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A seguir uma sugestão do Blog Gama Livre:

Clique aqui e veja uma charge do José Bello (Bello) —excelente chargista mineiro de Juiz de Fora, já falecido— que  neste trabalho criticou o transporte coletivo em sua cidade. Na charge, colocou um ônibus com destino à Universidade Federal de Juiz de Fora. 

Mas também a charge pode representa com perfeição os cacarecos e as deficiências do transporte coletivo em Brasília. É só trocar, na charge, o letreiro "UFJF" por "UnB". Bota UnB, ou qualquer linha que parta, principalmente, de regiões administrativas que não o Plano Piloto para qualquer destino dentro do DF. Claro que também o transporte coletivo de linhas do Plano Piloto de Brasília é uma coisa horrorosa. Vergonhosa, também. Inclusive no que diz respeito a freqüência dos horários. 

Em resumo, o sistema de transporte coletivo no DF é um caos, e a cada dia mais cacareco e trágico fica.

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

R$ 225 BILHÕES —Bancos contra Bolsonaro? Instituições financeiras têm lucro recorde no seu governo

Quarta, 3 de agosto de 2022

Transações por Pix ajudaram a aumentar ganho de bancos no país, ao contrário do que diz Bolsonaro — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Presidente diz que tirou dinheiro dos bancos com Pix, mas eles nunca lucraram tanto como agora

Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 02 de Agosto de 2022

Após a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) subscrever a carta em favor da democracia elaborada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou a apoiadores estar sendo perseguido pelas instituições financeiras. Segundo ele, a suposta perseguição seria uma reação de empresários do sistema financeiro à criação do Pix e dos bancos digitais.

Na semana passada, Bolsonaro chegou a dizer que "deu uma paulada" nos bancos com o Pix, que permite que correntistas transfiram dinheiro entre contas sem pagar taxas. Dias antes, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), já havia afirmado que os bancos teriam perdido entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões por conta da nova tecnologia.

Juliana Caymmi, neta de Dorival, apresenta o espetáculo Caymmi-se. Será nesta sexta-feira (5/8) em Brasília com entrada gratuita e transmissão pelo Youtube

Quarta, 3 de agosto de 2022

Neta de Dorival, a cantora e compositora interpreta fases distintas da obra da família Caymmi. Apresentação tem entrada gratuita

Nesta semana, as Sextas Musicais apresentam ao público o espetáculo Caymmi-se. No palco do CTJ Hall, na Casa Thomas Jefferson da SEP Sul 706/906, Juliana Caymmi, neta de Dorival, interpreta fases distintas da profunda obra da família Caymmi. Acompanhada por violão e percuteria, Juliana proporciona uma sonoridade envolvente e intimista, criando empatia com a plateia, que sente vivenciar parte da história da música popular brasileira.

A apresentação conta com a participação especial da cantora e compositora Márcia Tauil. No elenco, estão ainda o violonista Cairo Vitor e o baterista e percussionista Sydney Campos.

Agronegócio desmatou “51 mil campos de futebol” de vegetação nativa no cerrado baiano

Quarta, 3 de agosto de 2022
                              Foto José Cícero/Agência Pública

Conclusão está em relatório inédito que aponta que grandes fazendas cometeram crimes ambientais entre 2015 e 2021 com respaldo do órgão ambiental estadual da Bahia (Inema)






3 de agosto de 2022
Vasconcelo Quadros

ESPECIAL: AMAZÔNIA SEM LEI




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O Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) teria fechado os olhos para uma série de irregularidades ambientais e permitido que grandes empresários do agronegócio desmatassem, entre 2015 e 2021, mais de 50 mil hectares de vegetação nativa de cerrado no Oeste do Estado, entre as bacias dos rios Grande e Corrente, afetando a vida de uma população tradicional estimada em mais de 600 mil pessoas distribuídas em 31 municípios do Matopiba, região conhecida como nova fronteira agrícola na divisa entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A denúncia é resultado de um projeto inédito intitulado “Desvendando as A.S.V do Cerrado Baiano”, com o cruzamento de dados oficiais e análise sobre milhares de portarias expedidas pelo órgão oficial ambiental estadual (Inema) autorizando o desmatamento. No relatório, ao qual a Agência Pública teve acesso exclusivo e que será lançado amanhã, estão envolvidos o Instituto Mãos da Terra (Imaterra), a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a WWF-Brasil, o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Observatório do Matopiba.

Justiça manda Youtube retirar do ar vídeos de caça

Quarta, 3 de agosto de 2022
Onça pintada no pantanal - Reprodução de vídeo do Youtube

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
“A veiculação e indexação de conteúdo denotativo de crimes ambientais é, por si só, dano ambiental, não apenas por fomentar a destruição da fauna, como por representar poluição sobre o meio ambiente virtual” – sentenciou o juiz Carlos Maroja da Vara do Meio Ambiente, Desenvolvimento Fundiário e Urbano e Fundiário do DF.


Por Chico Sant’Anna

A Google Brasil Internet e o Youtube foram condenados pela Justiça do Distrito Federal a retirarem de suas plataformas, todos os vídeos que exibam a prática de caça de animais silvestres no território brasileiro, a não disponibilizar novos vídeos, bem como os vídeos que promovam a cação de animais no Brasil. A sentença nessa instância é definitiva, cabe recursos a instâncias superiores, mas mesmo que recorra, as multinacionais terão que cumprir o que foi definido, sob pena de ter que pagar multa de R$ 10 mil por dia de atraso.

Leia também:

A decisão é fruto de uma ação civil pública impetrada pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que busca eliminar dessas plataformas a apologia à caça indiscriminada. Para a Renctas, a divulgação dos vídeos por “caçadores assassinos” atrai mais seguidores e incentiva a caça ilegal em total desrespeito ao meio ambiente e à legislação ambiental brasileira.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Eleições 2022: TSE assina acordo e formaliza Missão de Observação da Uniore

Terça, 2 de agosto de 2022

Grupo formado por organismos eleitorais do continente americano apresentará relatório no contexto do pleito geral de outubro

Do TSE
02/08/2022

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, e o conselheiro-presidente do Instituto Nacional Eleitoral (INE) do México, Lorenzo Córdova Vianello, assinaram nesta terça-feira (2) acordo de procedimentos para a realização de Missão de Observação Eleitoral (MOE) internacional da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) nas Eleições Gerais 2022. A celebração do protocolo ocorreu em cerimônia na sede do Tribunal, em Brasília.

Este é o terceiro acordo de procedimentos assinado com organismos internacionais para a atuação de missões de observação no pleito de outubro. O TSE já formalizou parcerias com o Parlamento do Mercosul (Parlasul) e com a Organização dos Estados Americanos (OEA). Os documentos estabelecem deveres e responsabilidades das partes e garantem total liberdade e autonomia para acompanhar e avaliar o processo eleitoral brasileiro.

Ao celebrar o acordo desta terça, o presidente do TSE deu as boas-vindas aos integrantes da Missão Avançada Independente de Observação Eleitoral da Uniore e ressaltou que a visita representa a continuidade dos trabalhos da instituição nas Eleições Gerais de outubro, bem como permite trilhar novas frentes de cooperação entre o Tribunal e organismos homólogos na América Latina.

Reflexões para Teoria do Estado Nacional: centralizar, descentralizar

Terça, 2 de agosto de 2022

Reflexões para Teoria do Estado Nacional: centralizar, descentralizar

Por Felipe Quintas e Pedro Augusto Pinho.*
2 De Agosto De 2022

Enfraquecimento dos estados mina projeto de desenvolvimento

“A sede de ouro, a ambição de domínio ou o caráter despótico dos que anelavam por um vasto teatro para nele representarem suas cenas, por vezes mais bárbaras que as dos próprios selvagens, atraíam então ao Brasil, com algumas exceções, os colonos, donatários, governadores, capitães generais e vice-reis. Conferia-se quase sempre (cremos que mais por ignorância do que por cálculo) a execução da lei, no interior, a homens brutais ou sanguinários que, arvorados da autoridade de capitão-mor, decidiam a seu livre arbítrio da vida de honestos cidadãos, de virtuosos pais de família, que caíam em seu desagrado” (Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto Lisboa, Opúsculo Humanitário, 1853).

Afora a questão da soberania, para o fio condutor de toda nação independente poucos assuntos são mais importantes do que a organização política nacional. Não se trata, especificamente aqui, das formas de governo, que, de Platão a Montesquieu, ocupam largo espaço na teoria política. Trata-se do sistema político, algo ainda mais estruturante. Ele diz respeito à forma como o poder é disposto na definição do país.

Na história moderna, três são os principais sistemas políticos: unitarismo, federalismo e confederação. Suas diferenças residem no grau de centralização e descentralização. O unitarismo corresponde à forte centralização num núcleo específico de poder que responde por toda a nação; o federalismo, à maior distribuição de poder a entidades subnacionais como estados ou províncias, dentro de uma estrutura nacional unificada a partir de uma capital; e a confederação, a um agrupamento de entidades independentes, mas convergentes. Não custa dizer que jamais existiu um sistema absolutamente centralizado ou absolutamente descentralizado, pois os extremos inviabilizariam qualquer organização nacional.

Nas monarquias, essa discussão é, em geral, inexistente, pois o sistema político do país é definido de antemão pela combinação de centralização na Coroa e descentralização no Parlamento e nos distritos eleitorais. No Brasil, pouco antes da Proclamação da República, Joaquim Nabuco chegou a levantar a bandeira da “monarquia federativa”, que combinaria a centralização do poder na Coroa, com ampla distribuição de encargos e responsabilidades governamentais e administrativas às províncias. Porém a ideia não se efetivou, pois as paixões e os interesses dominantes dirigiam-se à república. São nas repúblicas onde essa discussão encontra terreno fértil, pois o sistema político é a priori incerto, por não haver um centro estabelecido de uma vez por todas.

Os Estados Unidos da América (EUA), primeira grande república moderna, encontrou-se às voltas com a distribuição interna do poder quando da sua formação. Os EUA eram, no início, uma confederação de 13 países, as antigas 13 colônias britânicas. No entanto, muitos dos Pais Fundadores acalentavam o projeto de estabelecer um governo nacional centralizado, em Washington, para transformar a confederação em federação. Sem um Poder Executivo forte, pensavam eles, os EUA não teriam como criar um centro de força para se proteger econômica e militarmente das investidas estrangeiras.

Os Artigos Federalistas, clássico do pensamento político, mostram o debate em torno da engenharia institucional adequada para conciliar, com o máximo possível de estabilidade, os interesses nacionais unificados do novo país com a diversidade de desígnios das elites locais. A solução alcançada foi a criação do Legislativo bicameral, dividido em Câmara e Senado, cabendo ao Senado, como na Antiga Roma, de quem os estadunidenses retiraram a inspiração para muitas das suas instituições, a responsabilidade por equilibrar o poder nacional do Executivo com a pluralidade de poderes locais, que se fariam representar proporcionalmente no Legislativo. A federação estaria salva em prol dos interesses conservadores, afastando o risco de um cesarismo presidencial ou de um populismo parlamentar que permitissem mudanças rápidas e bruscas nas estruturas de poder.

No Brasil, a República instaurou, desde o início, o modelo federalista, de clara inspiração estadunidense. A Constituição de 1891 outorgava aos estados o direito de estabelecer suas próprias presidências e constituições. A Política dos Governadores, implantada por Campos Salles, em 1898, para garantir o apoio dos dirigentes estaduais à Presidência da República, institucionalizou o fenômeno do coronelismo e oficializou o mandonismo local.

Não foram poucos os nacionalistas, como Alberto Torres e Oliveira Vianna, que se insurgiram contra essa nova ordem, vendo-a, acertadamente, como um grande acordo de feudalização do Estado, colocá-lo a serviço de interesses locais, mormente associado a interesses externos, em detrimento dos interesses nacionais.

Diferentemente dos EUA, que se formaram, desde a colonização, pela relativa descentralização do poder e para o qual o federalismo era uma solução orgânica, o Brasil, formado em bases administrativas centralizadas desde o Governo-Geral, poderia ser ameaçado pela permanência do federalismo.

Sem jamais renunciar oficialmente ao federalismo, a história da república brasileira apresenta um padrão de alternância entre centralização e descentralização, que Golbery do Couto e Silva chamou de sístole-diástole. Os momentos de sístole correspondem aos governos executivos fortes, que se sobrepõem aos estados para ditar políticas nacionais, e são intercalados aos momentos de diástole, de descentralização do poder e de prevalência dos interesses locais nos âmbitos parlamentares.

A maior parte da Primeira República, a Nova República de 1946–1964 e a Novíssima República instaurada em 1985 são exemplos de momentos diastólicos, enquanto a ditadura de Floriano Peixoto, o Estado Novo e a ditadura militar de 1964–1985 são os exemplos sistólicos.

Porém, como todos sabem, o Brasil não é para amadores. O arranjo federativo consagrado na Constituição de 1988 difere enormemente daquele de 1891, pois, enquanto 1988 enfraquece os estados e fortalece os municípios como entes federativos, o de 1891 fortalecia sobretudo os estados. A Primeira República, conquanto liberal no plano federal, viu o florescimento de experiências não liberais no âmbito estadual, sendo o caso mais conspícuo o castilhismo gaúcho, que antecipou, no Rio Grande do Sul, a obra social modernizadora da Era Vargas.

A Novíssima República impede que algo do tipo aconteça, pois enfraquece tributariamente os estados, que também tiveram sua autonomia financeira gravemente prejudicada com a privatização dos bancos estaduais, na década de 1990, mas abre espaço para a multiplicação de municípios e propicia a criação de experiências municipais não menos interessantes, como os orçamentos participativos, pioneiros também no Rio Grande do Sul, mais especificamente em Porto Alegre, e as moedas sociais.

A municipalização do federalismo brasileiro, que não encontra paralelo em outras repúblicas, sequer nos Estados Unidos, onde os estados continuam sendo o locus de gestão das principais políticas civis, encontra respaldo em várias correntes políticas. À direita, valoriza-se a ideia de descentralização em si, como antídoto aos que ela considera excessos centralizadores e burocratizantes das máquinas federais robustecidas. À esquerda, enaltece-se a autogestão comunitária das questões locais como uma escola de participação democrática.

Ambos parecem concordar com o sofisma de Hélio Beltrão, ministro do Planejamento do governo Figueiredo (1979–1985), de que todos moram no município, mas ninguém mora no governo federal. A afirmação é ilógica pois compara dois entes de natureza distinta, um ente federativo (município) e um ente administrativo (governo federal). Obviamente ninguém mora no governo federal, mas todos moram na União brasileira, assim como moram em municípios; igualmente, ninguém mora na prefeitura.

Sem negar os avanços e benefícios do municipalismo, deve-se reconhecer que as políticas municipais possuem alcance limitado, ainda mais no caso brasileiro em que muitos municípios consomem toda a sua arrecadação na simples manutenção da sua estrutura administrativa. Orçamentos participativos e moedas sociais são interessantes, mas políticas industriais e arrojadas políticas educacionais, tão necessárias, necessitam de entes federativos maiores, com maior capacidade burocrática e logística para tornar realidade os melhores projetos.

É preciso pensar que o Brasil é um país continental, e, portanto, que precisa de um pacto federativo que permita a entes federativos maiores que os municípios serem coparticipantes de estratégias nacionais de desenvolvimento, sem prejuízo da capacidade ordenadora da União. O dilema entre centralismo e federalismo, comum nos debates políticos de um século atrás, é totalmente dispensável hoje em dia, pois a história nos proporcionou meios e soluções para evitá-lo.

Pode-se e deve-se fortalecer a União, os estados e os municípios ao mesmo tempo, dentro de ordem federativa que contemple a diversidade de realidades internas e mantenha todas elas unidas dentro da comunidade nacional de sentimento e de destino. O enfraquecimento tributário e administrativo dos estados privou a União de importantes parceiros para um projeto nacional de desenvolvimento. Essa é uma situação precisa ser revista.


Felipe Maruf Quintas é cientista político.

Pedro Augusto Pinho é administrador aposentado.



A palavra e o conhecimento são fundamentais para vencer o obscurantismo, diz Antonio Nóbrega

Terça, 2 de agosto de 2022
Brincante, trovador, menestrel, o multiartista Antonio Nóbrega foi convidado de mais uma edição do Brasil de Fato Entrevista - Divulgação

A palavra e o conhecimento são fundamentais para vencer o obscurantismo, diz Antonio Nóbrega

"Estamos vivendo um momento institucional de obscurantismo", lamentou o artista

Rádio Brasil de Fato
Redação
02 de Agosto de 2022

A inconsciência de nós mesmos e dos nossos problemas nos torna mais vulneráveis

Antonio Nóbrega é natural de Recife e iniciou sua vida artística através do violino. Em 1971, foi convidado por Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, grupo de música de câmara brasileira com raízes populares. Fruto do seu envolvimento com o universo da cultura popular brasileira, a partir de 1976, começou a desenvolver um estilo próprio de criação em artes cênicas e música.

Sua extensa carreira inclui apresentações por todo o Brasil, além de países como Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Cuba, Rússia e França. Nóbrega é detentor de diversas premiações em reconhecimento por seu trabalho de valorização da cultura brasileira, como o TIM de Música, o Shell de Teatro, o Mambembe, o APCA e o Conrado Wessel, além ter sido condecorado por duas vezes com a Comenda do Mérito Cultural.

POR VIDA E TERRA —Movimentos populares lançam campanha nacional para frear a crescente violência no campo

Terça, 2 de agosto de 2022

De acordo com a CPT, as maiores vítimas de assassinatos em conflitos agrários são ativistas em defesa dos direitos humanos e da natureza - Foto: Katie Mähler/Apib

Nos primeiros seis meses de 2022, o número de pessoas assassinadas em conflitos por terra já superou o total de 2020

Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 02 de Agosto de 2022

A violência no campo brasileiro não para de crescer. Só nos últimos dois anos, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), assassinatos cresceram 75% e o trabalho escravo, 113%. Diante deste cenário, 33 organizações e movimentos sociais lançam, nesta terça-feira (2) às 10h, a "Campanha contra a violência no campo: em defesa dos povos do campo, das águas e das florestas".

O evento, em Brasília (DF) e com transmissão online pelos canais do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), é uma iniciativa das organizações signatárias da campanha. Entre elas, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Teia dos Povos, a Cáritas Brasileira, a Articulação Nacional de Quilombos (ANQ) e o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu.

O levantamento da CPT evidencia que a maioria das 5,5 milhões de pessoas afetadas pelos conflitos em áreas rurais está na região da Amazônia Legal e pertence a comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e camponesas. "A campanha nasce a partir do grito dessas comunidades", sintetiza Carlos Lima, historiador e coordenador nacional da CPT.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

VIOLÊNCIA POLÍTICA —Deputada Manuela D'Ávila denuncia novos ataques contra ela, sua família e Lula

Segunda, 1º de agosto de 2022

"Ser mulher pública é ser ameaçada", disse ela em publicação nas redes; PCdoB cobra que "criminosos sejam punidos"

Brasil de Fato | Porto Alegre |
 
Este é mais um dos recorrentes casos de violência política que Manuela tem sofrido no decorrer de sua carreira pública - Foto Marcelo Camargo/ Agência Brasil

“Mãe e filha e mãe. Ser uma mulher pública no Brasil é ser ameaçada permanente. É escolher um lugar para o medo, outro para a coragem, outro lugar pro fingir ignorar. Ser mulher pública é conviver com a ameaça de estupro como correção pela coragem, com a ameaça de morte como silenciador.” Com essas palavras a ex-deputada federal Manuela D’Ávila iniciou a denúncia de mais um ataque proferido contra ela, envolvendo sua filha de seis anos, sua mãe e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação foi feita em sua conta no Instagram, nesta segunda-feira (1º), junto da imagem que recebeu com as mensagens de xingamentos e ameaças.

"Ser mulher pública é ouvir de muitos que não aguentariam nem metade, que tá tudo bem, que é assim mesmo. Como se fosse o preço a pagar por estar num lugar que não é o nosso, que não é pra nós. Essa é mais uma das ameaças que eu, minha filha e também minha mãe sofremos", completou a denúncia.

Nos comentários da publicação, diversas pessoas públicas enviaram mensagens de apoio. A direção estadual do PCdoB/RS, partido ao qual pertence Manuela, lançou uma nota pública manifestando total solidariedade à ex-deputada por conta dos constantes ataques a si e a sua família. “Em um mundo civilizado, livre da barbárie, criminosos deste tipo estariam presos respondendo por seus crimes”, afirma o partido.

“Denunciamos constantemente a misoginia e violência às mulheres públicas no Brasil, como as dirigidas reiteradamente contra Manuela. Exigimos que as autoridades tomem as providências para garantir que cessem as ameaças e que os criminosos sejam punidos”, complementa.

Este é mais um dos recorrentes casos de violência política que Manuela tem sofrido no decorrer de sua carreira pública. Em março deste ano, em outra publicação, ela disse que a primeira vez que foi agredida por causa de uma fake News foi em 2014, o que foi se agravando após o nascimento de sua filha. Em 2021, ela revelou uma ameaça de estupro contra sua filha, envolvendo o pai de um colega da escola onde a menina estuda.

O nome de Manuela era um dos mais cotados para concorrer à vaga do RS ao Senado pela federação PT, PCdoB e PV. Nas pesquisas, aparecia nas primeiras posições de intenção de voto. Contudo, em maio deste ano ela comunicou que não concorreria. Entre os motivos alegados estava a falta de união das esquerdas, mas também os ataques que vem recebendo nos últimos anos.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira

Alexandre de Moraes acolhe pedidos de São Paulo e Piauí sobre queda de arrecadação do ICMS; bolsonaro prometeu, mas não compensa Estados pela redução do ICMS sobre combustível

Segunda, 1º de agosto de 2022


Segundo o ministro Alexandre de Moraes, a perda, decorrente das leis recentes sobre a matéria, causa profundo desequilíbrio na conta dos estados.

Do STF
01/08/2022

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais duas medidas liminares referentes à dívida dos estados, levando em consideração a queda de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre gasolina, energia elétrica e comunicações decorrente das Leis Complementares (LCs) 192/2022 e 194/2022, que vedam a fixação de alíquotas sobre esses setores em patamar superior ao das operações em geral. As decisões dizem respeito a São Paulo e ao Piauí.

Olha o panetone!!! STJ: Relator restabelece inelegibilidade do ex-governador do DF José Roberto Arruda

Segunda, 1º de agosto de 2022

Do STJ
Relator restabelece inelegibilidade do ex-governador do DF José Roberto Arruda

Com base em decisão anterior proferida em processo idêntico, o ministro Gurgel de Faria revogou decisão da presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, durante o plantão judiciário de julho, havia suspendido duas condenações por improbidade administrativa do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Como efeito das suspensões, Arruda recuperou seus direitos políticos e poderia se candidatar nas eleições de outubro.

Em junho deste ano, no pedido de Tutela Provisória (TP) 4.003, Gurgel de Faria havia negado seguimento ao pedido de Arruda para a concessão de efeito suspensivo a um recurso especial, no qual o ex-governador contesta acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

A tramitação do recurso especial estava suspensa, à espera do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de aplicação retroativa da nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei 14.230/2021). A concessão do pretendido efeito suspensivo afastaria a aplicação imediata do acórdão do TJDFT até o julgamento no recurso especial no STJ.
Decisão anterior pode ser questionada por meio de recurso próprio

Em nova análise das TPs 4.022 e 4.023 – nas quais a presidência do STJ havia deferido o efeito suspensivo –, o relator apontou que o pedido em ambas é idêntico àquele já analisado na TP 4.003, o que inviabiliza novo julgamento pela corte.

"Tendo em conta que a decisão deste relator pode ser combatida por meio do recurso próprio (artigo 1.021 do CPC/2015), evidencia-se a inadequação da presente via, sendo certo, ainda, que eventual fato novo, como alegado na inicial (não conhecimento do pedido de efeito suspensivo em agravo interno), pode ser suscitado na tutela provisória originária", apontou o relator ao não conhecer dos pedidos nas TPs 4.022 e 4.023.


Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):TP 4003TP 4022TP 4023

Fonte: STJ
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Vamos relembrar alguma coisa da Caixa de Pandora? 

Câmera Escondida - Governador José Roberto Arruda recebendo dinheiro




Melô do Arruda

MPDF: réus por grilagem de terra são condenados a penas que, somadas, ultrapassam 60 anos

Segunda, 1º de agosto de 2022

Dentre os réus está um advogado que foi condenado a mais de 11 anos de reclusão. A sentença é do dia 22 de julho de 2022.

Do MPDF
A Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) obteve a condenação de sete pessoas acusadas de parcelamento irregular do solo na região da área de proteção ambiental (APA) da Bacia do Rio São Bartolomeu, em São Sebastião. A Vara Criminal de São Sebastião condenou o grupo pelos crimes de organização criminosa, parcelamento irregular do solo, crime ambiental e falsificação de documentos. A pena dos réus somada foi fixada em mais de 60 anos de prisão, em regime fechado.

ENTENDA —BdF Explica | O Funcionamento da Lei Rouanet e como ela sofre desmontes no governo Bolsonaro

Segunda, 1º de agosto de 2022
Lei Rouanet injetou quase R$ 50 bilhões de reais à economia brasileira entre 1991 e 2018 - ©Arquivo Agência Brasil

Legislação existe desde 1991 e teve impacto direto na profissionalização do setor cultural brasileiro

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 01 de Agosto de 2022

Uma legislação que mudou o mercado cultural brasileiro e que injetou quase R$ 50 bilhões na economia do país em 27 anos está na lista de alvos preferenciais de ataques do bolsonarismo.

Desde a campanha eleitoral de 2018, a Lei Rouanet recebe críticas que relacionam o mecanismo à farra com dinheiro público, embora o financiamento privado seja o principal ponto da norma.

Nesta edição, o BdF Explica a Lei de Incentivo à Cultura e mostra que o governo de Jair Bolsonaro enfraqueceu a legislação e criou meios para direcionar as possibilidades de custeio à projetos alinhados ideologicamente ao conservadorismo.

SAÚDE PÚBLICA —Varíola dos Macacos: medidas de prevenção valem para toda a população, sem preconceito

Segunda, 1º de agosto de 2022

Especialistas apontam riscos de estigmatização da doença e alertam que o combate precisa ser coletivo

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 01 de Agosto de 2022

Poucos dias antes de o Brasil confirmar três casos de infeção por varíola dos macacos em crianças, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia reforçado o alerta para os riscos de propagação da doença entre toda a população, reiterando que ela não está restrita a grupos específicos.

Em reunião com a imprensa, membros da OMS relembraram que a infecção é particularmente preocupante e pode causar casos graves entre pessoas que ainda estão nas primeiras fases de desenvolvimento, mulheres grávidas e pacientes com a imunidade comprometida.

Mãe nossa que estais na terra



Agosto
Mãe nossa que estais na terra

Nas aldeias dos Andes, a mãe terra, a Pachamama, celebra hoje a sua grande festa.

Dançam e cantam seus filhos, nessa jornada sem fim, e vão oferecendo para a terra um pouco de cada um dos manjares do milho e um golinho de cada uma das bebidas fortes que molham a sua alegria.

E no final, pedem a ela perdão por tanto dano, terra saqueada, terra envenenada, e suplicam a ela que não os castigue com terremotos, nevascas, secas, inundações e outras fúrias.

Essa é a fé mais antiga das Américas.
Assim os maias tojolabales cumprimentam a mãe, em Chiapas:

         Você nos dá feijões,
      que são tão saborosos
      com pimenta, com tortilha.
      Você nos dá milho, e café do bom.

         Mãe querida, cuide bem de nós, cuide bem.

      E que a gente jamais pense
      em vender você.


Ela não mora no Céu. Mora nas profundidades do mundo, e lá nos espera: a terra que nos dá de comer é a terra que nos comerá.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”.
L&PM Editores, 2ª edição, pág. 247