Fórum Todas Elas fortalece atuação em rede no enfrentamento à violência contra a mulher
Publicado em 19/08/2026
Núcleos de Direitos Humanos
Núcleo de Atenção às Vítimas
O evento promoveu o diálogo sobre prevenção, proteção e responsabilização no enfrentamento às violências contra as mulheres

Realizado no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, o fórum teve como foco o compartilhamento de experiências e estratégias para fortalecer a atuação integrada e aprimorar o atendimento às mulheres em situação de violência.
Integração entre as redes
Na abertura, a coordenadora do Núcleo de Gênero do MPDFT, promotora de justiça Adalgiza Aguiar, destacou a importância da articulação entre as instituições e da construção de fluxos locais de atendimento. “O projeto Todas Elas tem como objetivo fomentar a construção de fluxos e protocolos para o atendimento às mulheres em situação de violência doméstica e familiar e fortalecer a integração das redes locais”, afirmou.
A promotora explicou que a iniciativa busca identificar as necessidades de cada território, fortalecer as redes existentes nas regiões administrativas e aproximá-las da rede distrital, de modo a qualificar a atuação dos profissionais diante de situações de violência.
A promotora de justiça e secretária-geral do MPDFT, Cláudia Tomelin, também participou da abertura e ressaltou a importância da atuação em rede e do aprendizado a partir das experiências para fortalecer os serviços.
As assistentes sociais Laiane Vasconcelos, assessora-chefe do Núcleo de Gênero, e Pamela Rodrigues, da Assessoria de Perícia e Acompanhamento de Políticas Públicas, apresentaram os resultados do formulário de avaliação de equipamentos e serviços de atendimento à mulher em situação de violência (Ames).
Desenvolvido no âmbito do projeto Todas Elas, o instrumento reúne 26 questões baseadas nos eixos da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres: prevenção, assistência, garantia de direitos humanos e combate. A ferramenta permite identificar dificuldades, lacunas e necessidades das redes locais.
Os dados foram coletados entre fevereiro e setembro de 2025 nas redes de Brasília, Ceilândia, Planaltina, Gama e Santa Maria. Em 2026, o formulário também foi aplicado em São Sebastião. Atualmente, o Todas Elas atua em nove regiões administrativas.
Segundo as assistentes sociais, o levantamento permite identificar problemas recorrentes nos territórios e compartilhar essas informações com a rede distrital, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas. “As redes foram muito proativas e ficamos com esse compromisso de compartilhar, de devolver essas informações para aprimorar as políticas públicas para as mulheres aqui no Distrito Federal”, afirmou Laiane.
Proteção e responsabilização
A promotora de justiça Thais Tarquínio, coordenadora do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) do MPDFT, foi a mediadora do painel “Estratégias de proteção e responsabilização nos cenários de violência doméstica e familiar”, que reuniu representantes do sistema de Justiça, segurança pública e assistência para discutir estratégias de proteção e responsabilização.
A promotora de justiça Lia Siqueira, do Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial (Ncap) do MPDFT, destacou que 100% das redes consultadas relataram dificuldades para registrar boletim de ocorrência e 71% não receberam informações sobre medidas protetivas de urgência. Ela ressaltou ainda a existência de protocolos da Polícia Civil para o atendimento com perspectiva de gênero, crimes sexuais e feminicídio e defendeu sua efetiva aplicação.
“A Delegacia de Polícia é a porta de entrada do sistema de justiça, de proteção às vítimas de violência doméstica e de proteção da mulher, de violência de gênero em geral. Se a Delegacia de Polícia não funciona, todo o sistema de justiça, todo o nosso sistema de proteção, toda a rede cai”, afirmou Lia Siqueira.
A delegada Adriana Romana Dolis, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I), apresentou os protocolos utilizados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e ações de capacitação de policiais e profissionais da segurança pública. A juíza Fabriziane Stellet Zapata, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), destacou a importância de ampliar a divulgação dos canais de atendimento e das informações sobre medidas protetivas.
Representando a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a tenente-coronel Renata Braz das Neves Cardoso apresentou iniciativas do Programa de Prevenção Orientada à Violência Doméstica e Familiar (Provid), com destaque para o uso de informações estruturadas, avaliação de risco e integração com sistemas do Judiciário.
Memória e enfrentamento à violência
A programação contou ainda com a exposição “Memórias e Silêncio”, da artista visual Valéria Teixeira Lima. A mostra resgata a história de sua avó paterna, Vicência Alves de Lima, vítima de feminicídio cometido pelo marido em 1965, no interior do Ceará. Durante a apresentação, Valéria falou sobre os impactos da violência na trajetória dos dez filhos de Vicência e nas gerações seguintes.
No mesmo dia, o MPDFT apresentou a nova página do Núcleo de Gênero no portal da instituição, reformulada para facilitar o acesso a projetos, serviços, conteúdos e canais de atendimento. Também foi lançado o folder “Lugar de Mulher é na Política”, elaborado em parceria pelo Núcleo de Gênero, pela Ouvidoria das Mulheres e pela área de atuação eleitoral do MPDFT.
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