Quinta, 13 dee agosto de 2026
Fidel Castro, que deu saúde à América Latina
Sistema universal criado sob sua batuta inspirou a luta da Reforma Sanitária – e a criação da Saúde da Família. Em seu centenário, legado do líder da Revolução Cubana reforça o dever da solidariedade com a aguerrida ilha, frente à tentativa de asfixia
Publicado 13/08/2026 às 10:30

“Nosso país não lança bombas contra outros povos, nem manda milhares de aviões bombardear cidades. Dezenas de milhares de médicos cubanos oferecem seus serviços em missões internacionalistas nos locais mais remotos e inóspitos do mundo. Mandamos médicos, não bombas.”
A conhecida citação de Fidel Castro, que remete a um discurso proferido pelo líder de Cuba na capital argentina de Buenos Aires em 2003, sintetiza a centralidade que a saúde cumpre no processo revolucionário daquele país, em diversos sentidos. Como resumiu o médico sanitarista José Noronha, ao introduzi-lo durante uma visita do cubano à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 1990, Fidel é a “liderança latino-americana e mundial que foi capaz de imprimir em uma pequena ilha do nosso continente uma das mais profundas revoluções sanitárias de que se tem conhecimento em toda a história da humanidade”.
Após a Revolução de 1959, Cuba construiu um pioneiro sistema público e gratuito de saúde na América Latina. A ilha caribenha também desenvolveu e introduziu inovações como a Saúde da Família, os agentes comunitários de saúde, a participação popular e a intensa conexão entre serviços de saúde, indústria farmacêutica estatal e instituições de ensino e pesquisa. Seus êxitos não ficaram restritos às fronteiras do arquipélago – inspiraram a Reforma Sanitária Brasileira e a criação de outros sistemas de saúde ao redor do mundo, além de fornecerem apoio a países em necessidade por meio de brigadas internacionalistas de profissionais de saúde.
No centenário de Fidel, comemorado nesta quinta-feira (13), o Outra Saúde destaca sua singular incidência no campo da saúde enquanto liderança política. No boletim de hoje, oferecemos aos leitores uma listagem histórica dos feitos da Revolução Cubana na saúde, informações sobre o protagonismo do Comandante nessas transformações estruturais e lembranças de sua influência nos primórdios da Reforma Sanitária brasileira, incidindo sobre aspectos do próprio SUS.
Legado de desigualdade e miséria
Enredada na órbita de influência dos Estados Unidos desde sua independência e possuindo uma economia basicamente agrária e turística, Cuba registrava níveis exorbitantes de concentração de renda e desigualdade até 1959, que também se expressavam na saúde. “A cobertura de serviços de saúde respondia majoritariamente ao exercício privado de profissionais” na capital do país, Havana, e era “ruim ou inexistente” nas áreas rurais, explica um estudo publicado em 2015.
As consequências desse cenário podem ser percebidas nos principais indicadores. Ao fim dos anos 1950, Cuba possuía uma taxa de mortalidade infantil de 80 óbitos a cada mil nascidos vivos (o atual índice na ilha é 8 vezes menor; o do Brasil, 6,5 vezes menor). Em 1958, a subnutrição atingia 40% das crianças em idade escolar nas escolas públicas, e 10% nas escolas privadas. Com números variáveis, diversos estudos relatam altas taxas de infecção por parasitas, tuberculose e malária. A expectativa de vida era de pouco menos que 60 anos.
A crítica às más condições de vida já fazia parte do discurso de Fidel Castro enquanto opositor político, antes mesmo da vitória da revolução que encabeçou. Em seu conhecido discurso A história me absolverá, proferido em 1953 como defesa em um processo judicial a que estava sendo submetido pela ditadura em vigor no país, ele denunciava: “De tanta miséria só é possível se livrar com a morte, e nisso o Estado ajuda a população: a morrer. 90% das crianças do ambiente rural estão devoradas por vermes que entram por seus pés descalços. Quando um pai de família só consegue trabalhar quatro meses ao ano, como poderá comprar remédios para seus filhos? Eles crescerão raquíticos, aos trinta anos não terão mais um só dente na boca, e morrerão de miséria e decepção”.
“O acesso aos hospitais do Estado, sempre repletos, só é possível mediante a recomendação de um chefe político, que exigirá do necessitado o seu voto e o de sua família, para que Cuba siga sempre igual ou pior”, criticava o jovem advogado.
Leque de transformações sistêmicas
Durante boa parte da década de 1950, Cuba foi governada de forma ditatorial pelo militar Fulgencio Batista, que ascendeu em um golpe apoiado pelos Estados Unidos. Impopular e responsabilizado pelas péssimas condições de vida da população, o regime viu a oposição crescer até se tornar uma rebelião generalizada, que levou Batista a fugir do país no dia 1º de janeiro de 1959. Nesse processo, que ficou conhecido como Revolução Cubana, houve ampla participação popular e de diversos grupos políticos, em especial do Movimento 26 de Julho. Em fevereiro, o líder do movimento, Fidel Castro, tornaria-se primeiro-ministro do país.
As transformações realizadas em Cuba a partir daquele momento foram inúmeras, e atingiram todos os campos da vida social, melhorando as condições de vida da população e enfrentando injustiças históricas. Aqui, cabe contar as que incidiram sobre a saúde.
Em 1961, uma lei do governo revolucionário criou o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Surgia ali um pioneiro sistema de saúde público, gratuito e unificado na América Latina (em alguns países da região, já havia serviços estatais, mas em geral ligados ao emprego formal e por vezes pagos, com a exceção da notável experiência do SNS chileno). No ano anterior, outra lei havia definido o recém-criado Ministério da Saúde Pública (Minsap) como “organismo coordenador de todas as ações de saúde do país”.
Nas décadas seguintes, o Estado trabalharia intensamente para a universalização do acesso à saúde, com um leque de medidas inovadoras. Muitas delas estão descritas no livro Cuba: la salud en la revolución, publicado pelo Minsap em 1975. A obra explica que o esforço envolveu ampliar a “cobertura física”, criando milhares de novas unidades de saúde; a “cobertura legal”, a partir de leis que passaram a assegurar o direito à saúde para todos, sem discriminação de qualquer tipo; e a “cobertura econômica”, ao declararem-se gratuitos todos os serviços de saúde. As ações envolveram forte investimento público, mas foram marcadas principalmente por uma mudança de paradigma nas ações de saúde.

Para levar o cuidado a regiões antes negligenciadas, como os interiores e as periferias urbanas, criaram-se ainda na década de 1960 os centros de saúde rural e as policlínicas. Cuba começava a desenvolver o que se consolidaria posteriormente sob o nome de Atenção Primária à Saúde (APS) ou Atenção Básica, afastando-se do modelo hospitalocêntrico de saúde. A mudança ocorreu antes mesmo da adoção da Declaração de Alma Ata, documento de 1978 da Organização Mundial da Saúde (OMS) que definiu a APS como estratégia para alcançar a “saúde para todos”.
Posteriormente, nos anos 1980, uma reorganização do modelo cubano criaria o programa Médicos e Enfermeiras da Família. “Apesar do nome, [a iniciativa] colocou uma equipe multiprofissional, não-especializada, para cuidar de populações de áreas geográficas bem delimitadas e marcadas por uma articulação hierarquizada com os outros níveis de atenção”, explica estudo. Nascia ali a concepção de Saúde da Família que posteriormente se disseminaria pelo mundo – e que, naquele momento, permitiu à ilha socialista alcançar a tão buscada universalização da saúde.
Cuba também inovou ao priorizar o que na época se denominava ações preventivas. “A medicina curativa, apesar do aperfeiçoamento de suas técnicas, não pode assegurar um alto nível de saúde na população. A promoção e a proteção da saúde se impõem como atividades prioritárias quando se trata de oferecer à comunidade um elevado nível de bem-estar”, explica a publicação de 1975 do Minsap.

Com o objetivo de “estreitar as relações serviço-comunidade” e “aumentar a confiança da comunidade nos serviços de saúde”, o país passaria a estimular a participação popular no sistema de saúde. Inicialmente, o processo consistia no envolvimento de organizações de massa como os sindicatos, federações de mulheres, associações de agricultores e Comitês de Defesa da Revolução em ações como campanhas de vacinação, doação de sangue e realização de exames. Depois, levou à criação de um pioneiro programa de agentes comunitários de saúde, seguindo os passos dos “médicos de pés descalços” da China socialista.
Para enfrentar o problema da dependência, o governo de Castro também apostou no investimento em ciência, de forma articulada com o fortalecimento da capacidade produtiva. Assim, a ilha passou a contar com instituições como o Instituto Finlay, na área de vacinas, a BioCubaFarma, do setor de biotecnologia, e o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB). As entidades desenvolvem significativa quantidade de pesquisas e, a partir delas, fabricam imunizantes de covid-19 (como as vacinas Abdala e a Soberana) e medicamentos para tratamento oncológico. Até hoje, são poucos os países da América Latina que possuem a relativa autonomia que Cuba registra em sua indústria de saúde.

Inicialmente, metade da força de trabalho médica havia saído do país após a Revolução. “Antes, muitos sonhavam em ir para os Estados Unidos para estudar, mas não conseguiam o visto. Depois da revolução, é claro, deram vistos para todos, para nos deixar sem médicos. O que fizemos então foi desenvolver as faculdades de medicina”, rememorou Fidel em 1990. Assim, Cuba apostou no fortalecimento da formação em saúde, com a criação de um grande número de universidades e “cursos politécnicos na área da saúde”, destacou em 1980. O país passaria a ter uma das maiores proporções de médicos por mil habitantes do mundo.
Outro traço incontornável do sistema de saúde cubano é seu estímulo ao internacionalismo na saúde. Desde 1963, com início na Argélia, missões médicas são enviadas às nações que precisam de força de trabalho e cooperação técnico-científica para o desenvolvimento de seus sistemas de saúde ou para responder a emergências sanitárias. Criou-se também a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), que forma profissionais para ajudar a mitigar o déficit nos países vizinhos.
Em seu informe ao II Congresso do Partido Comunista de Cuba, realizado em 1980, Fidel Castro compartilha uma série de cifras que ajudam a entender o que significaram as duas décadas iniciais de transformação da saúde cubana. No Brasil, o discurso foi publicado no livro Retrato de Cuba, da Editora Quilombo, ligada à organização política e de resistência à ditadura militar MR-8.

De acordo com o então presidente cubano, naquele ano de 1980, o investimento em saúde havia superado em vinte e duas vezes o gasto anual de 1959. A produção de medicamentos crescera a ponto de atender 81% da demanda nacional. Os ingressos nas carreiras universitárias de medicina e odontologia haviam triplicado frente aos números de 1975.
Foram erradicadas doenças como poliomielite (1962), malária (1967), tétano neonatal (1972), difteria (1979) e chegou-se a zerar os casos de raiva por dez anos (1977-1987). Posteriormente, se eliminaram males como o sarampo (1993), a rubéola (1995) e a transmissão vertical do HIV e da sífilis (2015). Mediante campanhas de vacinação universal, melhoria das condições sanitárias da população e acompanhamento atento do sistema de saúde, na maioria dos casos, Cuba foi o primeiro país da América Latina a pôr fim a essas moléstias.
Fidel na vanguarda
Em todo esse processo, a participação de Fidel Castro não se resumiu à de um líder político que observa o bom trabalho de seus subordinados. Segundo inúmeras fontes, o líder possuía um forte interesse pelo setor, formulando orientações e conduzindo pessoalmente o trabalho.

Ator da construção do sistema de saúde cubano desde seus primórdios, o médico epidemiologista Cosme Ordónez Carceller, em seu livro La salud pública en Cuba – Experiencias de un trabajador de la salud, atesta o protagonismo do Comandante no trabalho. “Fidel Castro esteve intimamente envolvido na direção da política de saúde de Cuba. Suas orientações marcaram mudanças radicais e estabeleceram novas estratégias para o Sistema Nacional de Saúde”, defende.
Em sua visão, a principal delas foi a definição da saúde da família como “elemento chave para o aperfeiçoamento da APS, constituindo o eixo da estratégia para o desenvolvimento de nosso sistema público de saúde”.
A mesma opinião se expressa em avaliação do Commonwealth Fund, fundação privada norte-americana que promove estudos no setor saúde. “Os êxitos de Cuba na saúde refletem diretamente as decisões de Fidel Castro. Os cubanos apontam consistentemente que Castro priorizou pessoalmente dois serviços: Saúde e Educação. Os compromissos da nação com a saúde são amplamente verificáveis. Cuba gasta 10% de seu PIB com saúde. Os serviços são gratuitos, financiados pelo Estado e priorizam a atenção primária, estendendo-se a todas as comunidades da ilha.”
O SUS, também um pouco cubano
É pouco lembrada a visita de Fidel à Fiocruz, ocorrida no ano de 1990. Nesta manhã, Outra Saúde publicou um registro em vídeo do evento, bem como a transcrição de seu discurso e da saudação de José Noronha, à época secretário estadual de saúde do Rio de Janeiro, que o introduziu. O líder cubano falou por cerca de uma hora no auditório do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), fazendo um relato dos esforços para erguer o SNS cubano, formar novos profissionais e introduzir os médicos de família.
“A visita se deu no contexto de uma epidemia de meningite dos sorogrupos B e C que se iniciara em 1988. Não havia vacina eficaz contra o sorogrupo B no Brasil e o Instituto Finlay, em Cuba, já produzia uma. Se discutia uma cooperação de Fiocruz com Cuba para testar e validar o imunizante”, explica Noronha a este boletim.
A admiração política por Fidel entre os servidores da Fiocruz que assistiam ao momento se revela em uma tocante passagem da saudação do sanitarista brasileiro: “Essas palmas que o senhor vê, essa busca por um autógrafo, essa vontade de tocá-lo, de vê-lo, os sorrisos que pudemos presenciar nos corredores abarrotados do INCQS, mostram que está bem viva a presença de Cuba enquanto inspiradora dos ideais de democracia e justiça social que soubemos cultivar aqui no Brasil”.
Na realidade, a influência da experiência cubana pôde ser sentida em um leque enorme de países. E se, por um lado, o Sistema Único de Saúde (SUS) se constituiu como um “modelo original” dos brasileiros, como certa vez definiu a sanitarista Sonia Fleury em entrevista a Outra Saúde, é certo que o movimento sanitário e popular possuía referência em nações como Cuba – ao lado de outras, como Itália e Inglaterra – ao travar a luta para criar um sistema público e universal de saúde no Brasil.
“A contribuição de Cuba no campo da saúde, com seus êxitos iniciais das décadas de 1960 e 70, abriu espaço para novas correntes de opinião na massa de trabalhadores da saúde em diversos países da América Latina, gestando movimentos que marcaram época com experiências instrutivas que enraizaram as bandeiras médicos-sociais”, resume o médico cubano Cosme Ordóñez em seu livro.
A influência intelectual alcançou, por exemplo, o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), entidade onde foi gestado o texto “A questão democrática na área da saúde”, documento no qual surgiu pela primeira vez a proposta do SUS.
Em 1984, o Cebes publicaria Saúde e Revolução: Cuba, uma antologia de textos que apresentavam “os resultados obtidos pela Revolução Cubana no processo de construção de um sistema de atenção à saúde dos mais eficientes do mundo”. Os escritos do volume abordam temas como recursos humanos, quadro epidemiológico, organização dos serviços de saúde e participação popular. Confeccionada pelo Cebes em parceria com a editora Achiamé, a obra foi prefaciada por Sonia Fleury.

Ainda que contando com a confluência de várias outras inspirações e do espírito criador autóctone, é plenamente razoável destacar a relevância do exemplo cubano na adoção da saúde universal, da participação popular, da atenção básica e de um modelo unificado mas descentralizado para que tais princípios viessem a fazer parte do DNA do Sistema Único de Saúde.
De fato, com a criação do SUS pela Constituição Federal de 1988, passaria a ser perceptível uma influência mais diretamente prática nos programas que surgiam na esteira do novo sistema de saúde. Esta se expressou principalmente na criação do Programa de Saúde da Família (PSF), que depois se tornaria a Estratégia de Saúde da Família (ESF).
O sanitarista cearense Odorico Monteiro, hoje pesquisador da Fiocruz Ceará, é um dos que atesta a relação histórica, em entrevista à Trabalho, Educação e Saúde: “A experiência cubana trouxe grandes contribuições para consolidar a proposta brasileira”. Ainda na década de 1980, Monteiro criou um dos primeiros programas de médicos da família do país, no município de Quixadá (CE).
Outro nome histórico daquele estado do Nordeste, o sanitarista Carlille Lavor, em depoimento ao mesmo veículo, corrobora a avaliação, relembrando que surgiu uma iniciativa similarmente inspirada em Cuba no município de Niterói (RJ). Quando foi secretário de saúde do Ceará entre 1987 e 1988, Lavor criou um pioneiro programa estadual de agentes de saúde, que antecedeu a nacionalização da experiência, e também guardava relações com as propostas cubanas.
Em Cuba, “o médico está em todas as comunidades, assim como os agentes de saúde. Lá você tem um médico em cada cem ou 120 famílias, você tem um médico que conhece muito bem todas as famílias. A área da saúde teve prioridade especial desde o presidente Fidel Castro”, diz Lavor.

O bloqueio, um crime contra a saúde
Apesar de todos os êxitos, nem tudo na saúde de Cuba são mil maravilhas. Quando vivo, o presidente Fidel Castro era o primeiro da fila a denunciar as insuficiências, destacando o papel do bloqueio americano – como se sabe, os EUA impõem um embargo comercial contra a ilha socialista desde 1962 – em seu agravamento, principalmente no que se refere à escassez de insumos.
“Nosso país não pode comprar nem uma aspirina dos Estados Unidos. Se surge um novo medicamento contra o câncer ou qualquer outra doença, não podemos adquiri-lo. Não podemos salvar a vida de uma criança, de um adulto, de um idoso cubano. Não podemos nem aliviar sua dor, porque esse país, o campeão dos direitos humanos, proíbe”, criticou Fidel em 1990, em sua visita à Fiocruz.
No entanto, as dificuldades se agravaram nos últimos anos, em especial devido ao endurecimento quase total do bloqueio estadunidense. Inviabilizadas as trocas com o exterior, Cuba conta com cada vez menos recursos para investir na saúde. Os medicamentos escasseiam. As unidades e os equipamentos de saúde de seu sistema público se deterioram a largos passos.
Frente a esse cenário, campanhas de solidariedade vêm sendo organizadas para angariar dinheiro e remédios para Cuba, coletando contribuições em dezenas de países do mundo. Nesta semana, a 31ª Brigada Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade a Cuba chegou na ilha para entregar preciosos insumos, que ajudam o sistema de saúde local a resistir.
Na conferência de abertura do Colóquio Fidel, realizado entre os dias 10 a 13 de julho em homenagem ao centenário do Comandante, o atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, listou os efeitos do atual bloqueio americano sobre a saúde no país.
Segundo o mandatário, 98,5 mil pacientes esperam por cirurgias, dos quais 12 mil crianças; 34 mil gestantes estão sem acesso a ultrassonografias pré-natais; 67 mil menores de um ano se encontram sem esquema vacinal atualizado; 117 mil adultos e 1,2 mil crianças com câncer seguem sem tratamentos primários adequados; apenas 30% do quadro básico de medicamentos está disponível;e a mortalidade infantil já saltou de 4-5 para 9,8 por mil nascidos vivos. Em suma, a agressão atinge duramente o direito à saúde dos cubanos e custa vidas.
De enorme gravidade, o cenário revela ser urgente a necessidade de pôr fim ao bloqueio norte-americano – para que o mundo retorne um pouco da solidariedade que Cuba e Fidel, por meio das ações relembradas neste texto, demonstraram pelo mundo ao longo de décadas.
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