Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

🫘 Você conhece toda a diversidade dos feijões brasileiros?



Quinta, 13 de agosto de 2025


Nem todo feijão é preto ou carioca. Quando ampliamos nosso olhar para a diversidade de feijões produzidos no Brasil, descobrimos novos sabores, histórias e formas de fortalecer uma alimentação mais diversa, saudável e sustentável.


Muito além do carioca: a diversidade dos feijões brasileiros

Quando pensamos em feijão, é comum lembrarmos primeiro do carioca ou do preto. Eles realmente fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, mas estão longe de representar toda a riqueza que existe nas lavouras, feiras e cozinhas do país.

O Brasil abriga uma enorme diversidade de feijões. Além dos mais conhecidos, encontramos variedades como fradinho, branco, jalo, vermelho, rosinha, rajado, manteiguinha, verde, azuki e muitas outras cultivadas em diferentes territórios. Cada uma carrega características próprias de sabor, textura, tempo de cozimento e modos tradicionais de preparo.

Conhecer essa diversidade é também conhecer um pouco mais da nossa própria cultura alimentar.

Muito mais do que um acompanhamento

Embora todos pertençam ao mesmo grupo de alimentos, cada variedade de feijão oferece sabores, texturas e possibilidades diferentes na cozinha.

O feijão-fradinho, por exemplo, está presente em preparações tradicionais como o acarajé e o baião de dois. O feijão-branco aparece em sopas e ensopados. O jalo, bastante consumido em Minas Gerais, tem grãos maiores e sabor delicado. Já o feijão-manteiguinha, também conhecido como feijão-de-Santarém, é muito utilizado no Pará em saladas, vinagretes e como acompanhamento.

Essa diversidade amplia nossas possibilidades de cozinhar, experimentar novos pratos e valorizar receitas regionais que fazem parte da história de diferentes comunidades.

Diversificar também fortalece a biodiversidade

Quando consumimos sempre as mesmas variedades, reduzimos a procura por outras espécies cultivadas por agricultoras e agricultores familiares em diferentes regiões do país.

Essa padronização faz com que parte da nossa biodiversidade alimentar perca espaço ao longo do tempo. Ao ampliar nosso repertório, ajudamos a manter vivas sementes, conhecimentos tradici
a diversidade preservada no campoonais e formas de cultivo adaptadas aos diferentes biomas brasileiros.

Quanto maior a diversidade no prato, maior também a diversidade preservada no campo. Nesse processo, os Bancos Comunitários de Sementes são uma tecnologia social importante: eles apoiam a conservação e a circulação de sementes crioulas, fortalecem a autonomia de agricultoras e agricultores familiares e ajudam a manter vivas variedades adaptadas aos diferentes territórios.

No Agreste Meridional de Pernambuco, por exemplo, a Rede Semeam promove feiras de sementes crioulas, incentiva a produção e a comercialização de diferentes variedades tradicionais de feijão e apoia os Bancos Comunitários de Sementes. Essas ações enfrentam a padronização do consumo, valorizam saberes locais e contribuem para conservar a agrobiodiversidade.

Esse movimento fortalece sistemas alimentares mais resilientes, capazes de enfrentar desafios como mudanças climáticas, pragas e oscilações na produção.
Vale experimentar novos sabores

Uma boa forma de começar é observar quais feijões aparecem nas feiras livres, mercados municipais, cooperativas ou estabelecimentos da agricultura familiar da sua região. Muitas vezes encontramos variedades produzidas localmente que nem imaginávamos existir.

Também podemos substituir o feijão de sempre em algumas refeições e testar novas receitas aos poucos. Um feijão diferente pode transformar uma salada, uma sopa, um ensopado ou até o tradicional arroz com feijão.

Mais do que variar o cardápio, essa escolha fortalece a produção local, incentiva a conservação da biodiversidade e amplia nossa relação com a comida de verdade.

Nós acreditamos que comer bem também passa por conhecer os alimentos que fazem parte do nosso território. Quanto mais diversidade chega ao prato, mais fortalecemos nossa cultura alimentar e sistemas alimentares capazes de produzir saúde para as pessoas e para o planeta.

Quer variar os tipos de feijão no dia a dia? Antes de levar os grãos para a panela, o remolho pode facilitar o preparo, melhorar a digestibilidade e ainda reduzir o tempo de cozimento. Veja como fazer o molho e o remolho de feijões e outras leguminosas no conteúdo do Idec.


A diversidade que chega ao nosso prato também precisa de quem a defenda.

Com R$ 15 por mês, você se associa ao Idec, fortalece nossa atuação independente e ajuda a construir sistemas alimentares mais diversos, saudáveis e sustentáveis.
             QUERO APOIAR








PARTICIPE
Caravana leva agroecologia às telas do Recife

Cinema, agroecologia e direito à alimentação estão viajando juntos pelo Recife. A Caravana Agroecológica percorre diferentes territórios com exibições do documentário Comida de Mentira e rodas de conversa sobre os impactos dos produtos ultraprocessados, agricultura urbana e sistemas alimentares sustentáveis. A programação segue até 8 de setembro e o Idec é um dos parceiros do documentário. Mídia NINJA


CULTURA ALIMENTAR
Feijoada e escondidinho chegam à merenda

As escolas municipais de Fortaleza terão feijoada, escondidinho e fricassê no cardápio durante agosto. Depois da experiência com o tradicional “pratinho” cearense, a rede amplia as preparações servidas aos estudantes. A partir de setembro, eles próprios escolherão qual das novas opções permanecerá no cardápio. Diário do Nordeste


TENDÊNCIA SAUDÁVEL PELO MUNDO
Publicidade de produtos entra na mira da Anvisa

A Anvisa abriu um processo para revisar as regras de publicidade de medicamentos e produtos alimentícios, diante de desafios trazidos por redes sociais, influenciadores, comércio eletrônico e anúncios direcionados por algoritmos. A discussão inclui a proteção de crianças e outros grupos vulneráveis e deverá passar por análise de impacto regulatório e consulta pública. Futuro da Saúde





Gabriela Rigote

Nutricionista. Mestra em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP). É mentora e lidera o grupo de trabalho Vivências biodiversas, que conduz ações de promoção de alimentação saudável e sustentável. E pesquisadora na área de Nutrição em Saúde Pública com ênfase em sistemas alimentares e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)

“ Ao trazer uma maior variedade de feijões para a nossa cozinha, nós ganhamos novos sabores, resgatamos antigos saberes e multiplicamos as possibilidades culinárias. Dá para sair do básico no feijão ensopado, escolhendo outras variedades como o branco e o rosinha, e também ousar com preparações inusitadas, por exemplo aproveitando o adocicado mais acentuado do feijão-vermelho, e a sua textura mais encorpada, em uma preparação doce, como em uma massa de brownie. Ou substituindo o grão-de-bico do homus pelo feijão-fradinho, que tem uma textura mais firme, ótima para pastas e massas, vide seu uso para fazer o nosso famoso bolinho de acarajé.

As possibilidades de uso e combinações só aumentam conforme vamos trazendo mais variedades para a nossa mesa, é um mundo de cores, sabores, aromas e texturas que se abre. E não é só o nosso paladar que sai ganhando, ao termos uma alimentação mais biodiversa estamos também estimulando o cultivo de uma variedade maior de alimentos e indo contra a monotonia dos nossos pratos e das nossas terras!

Todo compartilhamento amplia esse trabalho

Produzimos conteúdo gratuito para empoderar consumidores. Siga o Idec e leve essa informação adiante.












O sabor versátil da abóbora

A abóbora atravessa diferentes cozinhas brasileiras e aparece em preparações doces e salgadas. Rica em cor, sabor e versatilidade, pode ser encontrada em diversos formatos e combina bem com temperos frescos, grãos e leguminosas.

Depois de cozida, ela pode ser congelada em porções para facilitar o preparo de sopas, purês, refogados e recheios durante a semana. Assim, fica mais fácil incluir esse alimento no dia a dia e evitar desperdícios.
A força das folhas de couve

A couve é uma das verduras mais tradicionais da alimentação brasileira e combina com diferentes preparações, do refogado ao caldo, passando por saladas e sucos. Seu sabor marcante permite inúmeras possibilidades na cozinha.

Para conservar melhor, lave apenas na hora do consumo e mantenha as folhas secas na geladeira, dentro de um recipiente fechado ou envolvidas em papel-toalha. Assim elas permanecem frescas por mais tempo.




Broa de cará
Que tal transformar o cará em uma broa cheia de sabor? A receita valoriza um ingrediente brasileiro versátil e mostra como ele também pode aparecer em preparações doces. Uma ótima pedida para o café da manhã ou lanche.




Pão de queijo nutritivo
Uma receita prática e saborosa para variar o café da manhã ou o lanche. Com textura macia e preparo simples, esse pão de queijo é uma boa opção para reunir a família em torno da mesa.




Pizza de rúcula
A rúcula ganha espaço nessa pizza prática e cheia de sabor. Uma boa pedida para variar o cardápio, aproveitar a verdura em outro preparo e reunir todo mundo em torno da mesa.


Comida de verdade também se defende.

Receitas, alimentos da época e informação clara fazem parte de uma mesma luta. Quem se associa mantém o Idec independente para seguir nela.

   Fortalecer essa causa   

A partir de R$​15 por mês. Junte-se a milhares de associados.



Feito por gente que come de verdade — e quer saber o que você achou.



Como foi esta edição para você?






Se a sua resposta foi sim, a gente tem algo em comum. Este boletim, as denúncias e a pressão por rótulos honestos e por escolas livres de ultraprocessados não têm patrocínio de empresa nenhuma.

Quem sustenta esse trabalho é você. São os associados que mantêm o Idec livre para cobrar quem precisa ser cobrado. Por R$​15 por mês — menos que um café por semana — você faz parte disso.
Quero fazer parte por R$​15/mês





Conhece alguém que precisa ler isto? Encaminhe em um toque:

ALIMENTAÇÃO | FINANCEIRO | SAÚDE | TELECOMUNICAÇÕES | MOBILIDADE | ENERGIA | SUSTENTABILIDADE



Nós respeitamos seu direito a privacidade.