Sábado, 18 de novembro de 2023
No período citado, foram 32 mortes registradas; levantamento comparou dados recentes com os registros entre 2008 e 2017

Dona Maria, viúva de Edvaldo, mostra foto do marido com a família: líder quilombola foi executado com oito tiros - João Paulo Guimarães
Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 17 de Novembro de 2023
O número de quilombolas assassinados no país quase dobrou, na média anual, no período entre 2018 e 2022, quando comparado com os anos entre 2008 e 2017. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17), na segunda edição da pesquisa Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil, desenvolvida pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e pela organização Terra de Direitos.
O mapeamento, que está disponível neste link, apontou 32 assassinatos de integrantes de comunidades quilombolas no país entre 2018 e 2022, o que representa uma média de 6,4 casos por ano. Nos dez anos anteriores (2008 a 2017) foram registradas 38 mortes, uma média de 3,8.
Neste último período, os 32 registros se espalham por 11 estados brasileiros, em todas as regiões do país. Cerca de 70% dos casos aconteceram em territórios não titulados. Entre as principais causas das mortes violentas estão conflitos fundiários e violência de gênero.
O período de aumento dos casos coincide quase totalmente com os anos de permanência de Jair Bolsonaro (PL) na presidência da República. Eleito em 2018, ele governou entre 2019 e 2022, e atuou para estrangular o processo de titulação de terras para quilombolas.
