Sábado, 5 de agosto de 2023
Major Flávio Silvestre de Alencar era o responsável pela segurança da Esplanada dos Ministérios no dia 8 de janeiro - Eurico Eduardo / Agência CLDF
Flávio Alencar confirmou a CPI que haviam apenas 308 policiais para segurança da Esplanada; 178 era alunos
Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF)
Suspeito de ordenar o recuo das tropas para facilitar a invasão do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), o major Flávio Silvestre de Alencar foi ouvido nesta quinta-feira (3), na primeira reunião da CPI dos Atos Antidemocráticos, após o recesso parlamentar da Câmara dos Deputados do Distrito Federal (CLDF). O depoente confirmou que haviam apenas 308 policiais no 8 de janeiro na Esplanada e disse que acredita que está preso desde “por engano”.
“Estou preso há 73 dias e acredito que o motivo da minha prisão seja um mal entendido”, afirmou o major Alencar preso no dia 22 de maio na Operação Lesa Pátria, suspeito de ordenar o recuo das tropas para facilitar a invasão do prédio do Supremo Tribunal Federal. O depoente disse que os vídeos em que ele aparece chamando policiais de quatro viaturas que faziam uma barreira de contenção na frente do prédio do STF foram “editados” e que a barreira não foi desfeita.
O major justificou que as munições de baixa letalidade da maioria dos policiais em ação estavam e foi avisado de que havia um grupo de policiais feridos dentro do Congresso e por isso teria chamado as quatro viaturas para fazer o resgate. “Eu não dei a ordem para tirar a linha de choque. Fiz o sinal com a mão para que as viaturas entrassem no comboio e a gente entrar no Congresso e resgatar os policiais feridos” narrou o major Alencar destacando: “priorizei a vida”.
O presidente da CPI, deputado Chico Vigilante (PT), questionou o depoente sobre uma mensagem que o mesmo divulgou em um grupo de policiais no qual ele teria dito que “na primeira manifestação é só deixar invadir o Congresso”. “Sim, eu falei mesmo aquela mensagem. Aquela mensagem foi dita num grupo. Uma mensagem infeliz”, disse o major Alencar, destacando que o grupo que o texto foi postado não era institucional, era um grupo de "amigos" e "lúdico ".
O major Alencar era o responsável pela segurança da Esplanada dos Ministérios no dia 8 de janeiro, mas ele começou o depoimento na CPI informando que o comando das tropas no dia da invasão ocorreu de maneira informal. “Nesses meus 17 anos de serviço eu nunca fui escalado verbalmente para atuar numa operação ou manifestação”, afirmou o major, acrescentando que recebeu as ordem informal para comandar as tropas na Esplanada do coronel Marcelo Casimiro.