Quarta, 7 de setembro de 2022
Professor da USP Christian Dunker analisa o apelo a estereótipos feito pelo presidente em discurso
Glauco Faria
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 07 de Setembro de 2022

Bolsonaro no desfile militar, antes de fazer seu discurso em ato realizado nesta terça-feira (7), em Brasília - Alan Santos/PR
Em seu discurso após o desfile de 7 de Setembro, o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso no qual repetiu clichês apelando à masculinidade e a um padrão estereotipado do papel da mulher e do conceito de "família", acenando em especial para a base do seu eleitorado.
Após falar que a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, "muitas vezes está é na minha frente" e não ao seu lado, recomendou aos homens solteiros que se casassem. "E eu tenho falado para os homens solteiros, para os solteiros que estão cansados de ser infelizes. Procure uma mulher, uma princesa, se casem com ela, para serem mais felizes ainda." Em seguida, beijou a primeira-dama, para puxar o coro de "imbrochável, imbrochável, imbrochável" junto com parte da plateia.
"Imbrochável é um significante fundamental do Bolsonaro desde sua campanha e ele se refere a esse apelo pela masculinidade que compõe boa parte dos apoiadores e cria um conjunto de identificações com aquelas pessoas que sentem que a sua masculinidade tradicional heteronormativa está ameaçada com as transformações recentes. Com as mudanças que a gente tem no Brasil, muitas pessoas sentem que perderam o lugar e que as coisas estão 'desorganizadas', que estão subvertendo hierarquias tradicionais", avalia o psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Christian Dunker.
