Sábado, 7 de setembro de 2024
Adoção de elementos que evocam a ideia de união nacional foi feita diante de trauma na relação com militares
Cristiane Sampaio
Brasília | 07 de setembro de 2024

Lula durante desfile cívico-militar e em aceno ao público da Esplanada - Ricardo Stuckert/PR
Evento marcado historicamente por protocolos e ritos militares, o desfile do 7 de Setembro ganhou este ano um tom mais diversificado e arejado em Brasília (DF), com a adoção de elementos que evocam a ideia de união nacional e mobilizam o sentimento de nação a partir de referências menos tradicionais. O governo federal levou para a avenida diferentes abordagens, incluindo a ampliação do Mais Médicos e das campanhas de vacinação, a menção à atuação internacional do Brasil por meio do G20 e o esforço de reconstrução do Rio Grande do Sul após os últimos estragos climáticos.
Durante a cerimônia, o desfile presidencial, as marchas de grupos militares e o porte ostensivo de carros e aviões das Forças Armadas disputaram a atenção do público com os atletas brasileiros que competiram nos Jogos Olímpicos de Paris. Ao som de trompetes e tambores, uma banda oficial tentou conferir leveza à sonoridade do evento tocando hits como “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, e a canção “Tema da Vitória”, que marcou a história do esporte nacional por ser associada à figura de Ayrton Senna. O mascote Zé Gotinha, símbolo das campanhas de imunização, desfilou pelo segundo ano consecutivo e foi saudado pelo público das arquibancadas, inclusive por autoridades presentes.
“O conjunto foi muito representativo e significativo, pelas ações que estão sendo realizadas, desde o contexto de fortalecimento da pátria até as [políticas] de saúde e segurança nacional”, opina a enfermeira Vanessa Barroso Kuruaya, que atua no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). O desfile também atraiu outros indígenas, como é o caso de Aracaí Pataxó, que se somou a um pequeno enxame de apoiadores que se concentraram no entorno de Lula durante a saída do presidente, ocasião em que o petista decidiu parar e cumprimentar o público de perto. “Dei meu brinco pro Lula e ele me beijou. Eu abracei o presidente. Já esperava que ele fosse falar com o público e aproveitei pra abraçá-lo. Acho que foi inteligente da parte dele fazer isso porque também é um momento único pra gente conseguir chegar perto dele.”

Indígenas Vanessa Barroso Kuruaya e Aracaí Pataxó conferiram o desfile acompanhada de amigas / Cristiane Sampaio/Brasil de Fato
A menção ao Rio Grande do Sul contou com a participação de representantes de diversos agentes e órgãos públicos envolvidos na cadeia de serviços voltados à população gaúcha, desde tropas do Exército até integrantes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e de outras frentes. A ideia de celebrar a união de forças em prol do povo gaúcho agradou o bancário Marcos Ramos dos Santos, que veio ao evento pela segunda vez.
“Era importante [fazer isso] porque o povo brasileiro é um povo unido. A gente tem que se unir com os irmãos que estão sofrendo. Espero que agora tenhamos a capacidade de fazer o mesmo para combater as queimadas”, manifestou. Santos também disse ver com bons olhos a ideia de se elaborar o 7 de Setembro a partir da junção de militares com grupos e símbolos civis que não têm ligação direta com a cerimônia, como é o caso dos atletas que entraram na avenida e das referências ao SUS. “Achei perfeito. Nós somos progressistas e inclusivos. Todo mundo tem que fazer parte.”
