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(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Maioridade penal

Quarta, 28 de outubro de 2026

Maioridade penal

Encarceramento de adolescentes não é resposta à violência, defendem organizações

Em audiência internacional, organizações e governo brasileiro criticam a redução da maioridade penal

Brasil de Fato — Brasília (DF)
28.out.2026

Audiência temática sobre a redução da maioridade penal reuniu organizações da sociedade civil e representantes do Estado brasileiro na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na Cidade do Panamá | Crédito: Reprodução CIDH

A redução da maioridade penal não pode ser tratada como resposta à violência enquanto adolescentes negros seguem entre as principais vítimas da violência no Brasil. O argumento marcou a audiência temática realizada nesta quarta-feira (28) na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na Cidade do Panamá, com a participação de organizações brasileiras de defesa dos direitos humanos e representantes do Estado brasileiro.

Durante o encontro, representantes da sociedade civil e do governo federal apresentaram argumentos contrários à redução da maioridade penal e defenderam o fortalecimento das políticas de prevenção à violência e do sistema socioeducativo. A audiência ocorreu em meio à retomada de propostas legislativas que buscam reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilização penal no país.

“A juventude negra brasileira não pode continuar sendo tratada exclusivamente como ameaça à segurança pública, quando ela própria está entre as principais vítimas da violência”, afirmou Carla Moura, representante do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) do Ceará.

A fala colocou no centro do debate a relação entre violência, racismo e atuação do Estado na garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Para Moura, a ausência de proteção também precisa ser considerada na discussão sobre segurança pública. “O Estado falha na proteção de adolescentes negros e, posteriormente, amplia os mecanismos de controle e punição dirigidos a essa mesma população”, declarou.