Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge

Segunda, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge


O plano da Casa Branca para restringir o acesso à nova tecnologia e hierarquizar o mundo entre “aliados”, “submissos” e “inimigos”. O temor, diante da China. O triste papel reservado a Brasil e Argentina. A esperança que resta, nos movimentos sociais


Do OUTRASPALAVRAS Tecnologia em Disputa
Publicado 11/05/2026


Na base espacial Starbase da SpaceX, no sul do Texas, o secretário da Guerra de Donald Trump, Pete Hegseth, apresentou uma atualização doutrinária na própria linguagem do lançamento de um produto: o Pentágono incorporaria a IA de ponta as suas operações diárias, e o Grok, de Elon Musk, seria integrado às redes militares, incluindo as confidenciais. O local do evento era a mensagem. O fato de um membro do gabinete presidencial anunciar uma infraestrutura estratégica a partir da base de lançamento de um multimilionário não é um acidente de comunicação, mas a forma administrativa da fusão.

Durante anos, a hegemonia tecnológica dos Estados Unidos baseou-se em uma ficção cortês dos mercados. As empresas privadas “casualmente” dominavam os chips, as nuvens e as plataformas; os aliados “casualmente” se homogeneizavam em torno dos aglomerados americanos; Washington limitava-se a arbitrar. Essa ficção está sendo deixada de lado em público. O que distingue o presente não é o domínio, mas a ousadia: a informática é agora tratada como um instrumento de política estatal, e o Estado deixou de fingir que é um mero espectador dos triunfos do Vale do Silício.