Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 12 de julho de 2026

A surpreendente ascensão da esquerda nos EUA

Domingo, 12 de julho de 2026

A surpreendente ascensão da esquerda nos EUA

Como os socialistas estão vencendo batalhas importantes no Partido Democrata, ao propor pautas ligadas aos direitos e ao Comum. Os papéis de Bernie Sanders, Mamdani e Alexandra Ocasio. A resposta de Trump: um nervoso “apelo à Ordem”…


OUTRASPALAVRAS                        Estado em Disputa
Publicado originariamente no OutrasPalavras em 08/07/2026

Boletim Outras Palavras

No mesmo momento em que a influência poderosa de Donald Trump impulsiona a ascensão da extrema-direita na América Latina, um fenômeno oposto se dá Estados Unidos. No interior do Partido Democrata, uma corrente que se coloca de forma clara à esquerda está vencendo um número inédito de eleições primárias, em cidades importantes. Seu triunfo enfraquece as correntes vistas como favoráveis às corporações ou à política imperial norte-americana. O fenômeno é considerado pelo próprio New York Times como um das principais tendências políticas atuais no país.

Durante décadas, dentro do Partido Democrata, várias tendências e grupos coexistiram, em meio a crescentes tensões. Vão de uma ala mais conservadora, ideologicamente próxima do Partido Republicano, a outra ala mais radicalizada, integrada por correntes que, embora integrem o partido, também se organizam de forma autônoma. A mais destacada são os Socialistas Democráticos (DSA, ou Democratic Socialistas of America).

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Assim a China enfrenta a tempestade de Trump

Segunda, 29 de junho de 2026

Assim a China enfrenta a tempestade de Trump


Planejamento estratégico do país se revelou decisivo em 2026. Enfrentou o choque dos preços do petróleo e construiu relativa blindagem econômica. País já não “esconde a força”: prevê conflito crescente com os EUA, e prepara-se para ele

OUTRASPALAVRAS                         Geopolítica & Guerra
Publicado 29/06/2026

“Subjugar o inimigo sem lutar é o acme da habilidade.”
Sun Tzu, em A Arte da Guerra

Tomo a visita de 10 dias que fiz a Shanghai como ponto de partida para este artigo. Acabei de chegar e ainda luto com o fuso horário (a viagem de volta foi de 39 horas porta a porta). Assim, o artigo será talvez ainda mais incoerente do que de costume. Mas, enfim, vamos lá.

A China está em pleno processo de redefinição das suas relações com o resto do mundo, com o Ocidente em particular. Nas primeiras três ou quatro décadas do período de reforma e abertura econômica iniciado por Deng Xiaoping em 1979, a China buscava uma “ascensão pacífica” no interior do quadro internacional estabelecido sob a égide dos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. E foi inicialmente muito bem-sucedida nesse propósito. Evitava sistematicamente confrontações com os Estados Unidos e outras nações, posicionando-se com prudência e paciência estratégicas. Deng adotava como lema uma máxima chinesa clássica – “esconda a força, espere a hora”.

Como representante do Brasil em reuniões dos BRICS, na fase de formação do grupo de 2008 em diante, posso dar o meu testemunho de que os delegados chineses, sem exceção, obedecendo a um comando superior, evitavam a todo custo qualquer linguagem ou iniciativa que fosse mais agressiva em relação ao Ocidente ou que pudesse ser interpretada como tal. A China se posicionava como uma potência reformista – cautelosamente reformista, tanto na retórica como nas propostas. Às vezes, passava-nos a impressão de que dava precedência a um entendimento estratégico com os Estados Unidos – à formação de um G-2, como se dizia na época — mesmo que isso sacrificasse a articulação entre os BRICS.

O G-2 nunca viria a se constituir. Os Estados Unidos preferiram partir para uma política de contenção e confrontação, começando no primeiro mandato de Donald Trump, de 2017 a 2020, continuando com Joe Biden, de 2021 a 2024, e se intensificando de modo dramático no segundo mandato de Trump desde o ano passado.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge

Segunda, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge


O plano da Casa Branca para restringir o acesso à nova tecnologia e hierarquizar o mundo entre “aliados”, “submissos” e “inimigos”. O temor, diante da China. O triste papel reservado a Brasil e Argentina. A esperança que resta, nos movimentos sociais


Do OUTRASPALAVRAS Tecnologia em Disputa
Publicado 11/05/2026


Na base espacial Starbase da SpaceX, no sul do Texas, o secretário da Guerra de Donald Trump, Pete Hegseth, apresentou uma atualização doutrinária na própria linguagem do lançamento de um produto: o Pentágono incorporaria a IA de ponta as suas operações diárias, e o Grok, de Elon Musk, seria integrado às redes militares, incluindo as confidenciais. O local do evento era a mensagem. O fato de um membro do gabinete presidencial anunciar uma infraestrutura estratégica a partir da base de lançamento de um multimilionário não é um acidente de comunicação, mas a forma administrativa da fusão.

Durante anos, a hegemonia tecnológica dos Estados Unidos baseou-se em uma ficção cortês dos mercados. As empresas privadas “casualmente” dominavam os chips, as nuvens e as plataformas; os aliados “casualmente” se homogeneizavam em torno dos aglomerados americanos; Washington limitava-se a arbitrar. Essa ficção está sendo deixada de lado em público. O que distingue o presente não é o domínio, mas a ousadia: a informática é agora tratada como um instrumento de política estatal, e o Estado deixou de fingir que é um mero espectador dos triunfos do Vale do Silício.

quarta-feira, 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis

Quarta 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis


Serão atingidos, além do petróleo e gás, os centros financeiros, portos, aeroportos e a logística global do Golfo. O futuro está em aberto, e vem aí uma grande disputa política. As corporações jogarão a conta para as sociedades. Elas aceitarão pagar?


OUTRASPALAVRAS                   Geopolítica & Guerra

Publicado em 18/03/2026



Yanis Varoufakis, entrevistado por Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins[1]

Quanto mais tempo a guerra com o Irã se prolonga, mais a economia global entra em crise. Os iranianos bloquearam o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do suprimento energético mundial. 40% do petróleo importado pela China passa pelo Estreito. O petróleo bruto está agora acima de US$ 100 por barril, um aumento de 45% desde o início da guerra e continua subindo. Os preços da gasolina nos EUA subiram mais de 65 centavos de dólar por galão de querosene de aviação, e o diesel teve um aumento de 25%. Em algumas partes da Ásia, incluindo Tailândia, Paquistão e Bangladesh, já há escassez e longas filas em postos de gasolina. Repartições públicas nas Filipinas adotaram a semana de trabalho de quatro dias. O governo de Mianmar impôs dias alternados para dirigir.

O Japão, que depende do Oriente Médio para 90% do seu abastecimento de petróleo, está usando um recorde de 80 milhões de barris de petróleo desuas reservas, o equivalente a cerca de 45 dias de suprimento. A Índia, embora autorizada pelo governo Trump a comprar petróleo russo anteriormente sancionado, será particularmente afetada. Já sofre com uma grave escassez de gás natural liquefeito. Cerca de 84% do petróleo bruto e 83% do gás natural liquefeito que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia. O fertilizante nitrogenado, que custava entre US$ 460 e US$ 480 por tonelada antes do início da guerra, subiu para US$ 520 a US$ 620.

Isso significa aumentos expressivos nos preços dos alimentos. E, uma vez esgotadas as reservas estratégicas de petróleo, o preço do barril pode facilmente subir para US$ 200 a US$ 300, desencadeando uma inflação devastadora e uma depressão global. As economias globais entrarão em colapso neste momento, desencadeando uma onda de agitação civil. Para agravar essa crise, duas potências nucleares estão em guerra: os Estados Unidos, com cerca de 5.000 ogivas nucleares, e Israel, com cerca de 300.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O que o colonialismo não pode permitir



Quinta, 12 de fevereiro de 2026

O que o colonialismo não pode permitir

Em Cuba aportou Colombo, em 1492. A Europa dizimou os indígenas e introduziu os escravizados. Como tolerar, então, que a ilha supere os EUA em Saúde e espalhe seus médicos pelo Sul Global? É possível punir quem desafia assim a ordem eurocêntrica

OUTRASPALAVRAS                                      Descolonizações
Por Aline Pandolfi.

Artigo publicado originalmente no OUTRASPALAVRAS de 10/02/2026 às 19h35



Por Aline Pandolfi
Cuba é novamente alvo da ação ofensiva dos EUA, mas isso não começou agora. Tampouco é resultado de uma vontade política de cunho “democrático”, como costumava se ventilar desde a linha oficial da Casa Branca. Os últimos ataques bélicos conduzidos por Donald Trump culminaram em genocídio na Palestina, com mais 67 mil pessoas assassinadas, dentre elas mais de 20 mil crianças; a captura de Maduro e de Cilia Flores, através da invasão ao território Latino-americano, resultou no assassinato de mais de 100 pessoas dentre estes civis e seguranças, sendo 32 soldados cubanos. Além destes atos de guerra, há ainda a ação cada vez mais ofensiva contra os imigrantes latino-americanos e caribenhos residentes nos EUA. Não nos enganemos, está em curso uma política de extrema-direita com aspectos fascistas, a qual, motivada por um contexto de crise do capital, pretende avançar mais rapidamente com processos de expropriação de territórios, o que sempre se deu com a eliminação de povos inteiros na história mundial do capital.

A Revolução Cubana completou 67 anos no último 01 de janeiro de 2026, desde a entrada do movimento revolucionário em Havana em 01 de janeiro de 1959. Este ano foi o marco do início das profundas transformações econômicas, sociais e políticas, as quais conduziriam a ilha a patamares sociais de destaque em nossa região, sendo a única a apresentar índices elevados de acesso a serviços sociais básicos, equiparados aos países da Europa. A Cuba periférica, com 1.250 km de território, não dispõe de consideráveis fontes de matéria-prima e se caracteriza, como toda região, por uma economia dependente. Com um histórico de eliminação de sua população originária e marcada pelo trabalho escravizado desde o colonialismo até 1886, manteve parte significativa de seu território sob propriedade de empresários estadunidenses até sofrer as transformações políticas e econômicas a partir de 1959.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

SEGUNDA, 19 DE JANEIRO DE 2026

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

A guerra chegou à América do Sul. Mas Forças Armadas brasileiras estão concebidas como extensão do Pentágono. Transformá-las, preparando-as à defesa da soberania e livrando-as do combate ao “inimigo interno”, precisa estar na agenda nacional

.

A capacidade militar do Brasil, desde a Segunda Guerra Mundial, é concebida como extensão do poderio do Pentágono. Uma nova conflagração generalizada se desenha e, seja qual for o seu desenrolar, obedecendo ou contrariando Washington, seremos afetados.

Se, na melhor hipótese, forem usadas armas convencionais a carnificina se prolongará por tempo indeterminável. Na pior, armas nucleares encurtarão a guerra e o resultado será inimaginável.

Nas últimas décadas, orientações de nossa Defesa Nacional (DN) foram reescritas sem novidades substantivas. Consistem em generalidades e truísmos sobre o quadro geopolítico acompanhadas de proposições rotineiras das Forças Armadas.

Esses documentos mostram a DN como matéria da alçada militar. Revelam que as armas mais complexas são importadas e o desenvolvimento de tecnologia própria não acompanha o ritmo frenético dos grandes atores internacionais. Parcerias tradicionais são preservadas. As fileiras estão prontas para preservar a Lei e a Ordem e cumprir múltiplas funções. Finalmente, concluem que a DN estaria melhor, não fosse a avareza do Estado.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Interferência —Em novo ataque, EUA ameaçam punir autoridades que apoiarem decisão que impôs prisão domiciliar a Bolsonaro

Terça, 5 de agosto de 2025

Nota do governo diz que EUA 'responsabilizarão todos que ajudarem e facilitarem condutas sancionadas' por Moraes

Brasil de Fato — São Paulo (SP)
05.ago.2025
Redação

O governo dos Estados Unidos voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal após a decisão que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta segunda-feira (4).

Em nota publicada no X (antigo Twitter), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado tem como principal alvo o ministro Alexandre de Moraes, que ordenou a medida contra o ex-presidente por violação de medidas cautelares impostas anteriormente, diante de suspeitas de que Bolsonaro poderia tentar pedir asilo nos Estados Unidos.

Em nova tentativa de interferência na Justiça brasileira, o texto classifica Moraes como “abusador de direitos humanos, sancionado pelos EUA” e diz que os Estados Unidos “responsabilizarão todos que ajudarem e facilitarem condutas sancionadas”.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Sem novidades —Adotada por bolsonaristas, estratégia de pedir sanções dos EUA reproduz padrão de extrema direita latino-americana

Quinta, 10 de julho de 2025

Movimentos semelhantes são conduzidos pela oposição em países como Cuba e Venezuela

Brasil de Fato — Caravas (Venezuela) 
10 de julho de 2025
Lorenzo Santiago

Em meio ao julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil — processo que tem entre os réus o ex-presidente Jair Bolsonaro —, seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deixou o cargo no país natal e viajou aos Estados Unidos para pedir sanções contra o país e contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. A iniciativa revela a pouca criatividade da família e reproduz moldes já adotados por setores da extrema direita em países como Cuba e Venezuela, que já sofrem bloqueios dos EUA.

Na Venezuela, o movimento já dura 10 anos e começou ainda durante a gestão de Barack Obama. Em 2015, o democrata classificou a Venezuela como uma “ameaça incomum para a segurança interna dos Estados Unidos” a partir de uma ordem executiva. A medida veio em resposta a protestos violentos realizados um ano antes e promovidos pela oposição venezuelana sob as lideranças do fundador do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, e da ex-deputada ultraliberal María Corina Machado. Naquele momento, a Casa Branca sancionou os primeiros funcionários do governo chavista.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Brasil tem reservas para enfrentar decisões de Trump, diz Lula

Segunda, 7 de abril de 2025

Presidente disse ainda que economia deve crescer em 2025

Cajamar (SP), 07/04/2025- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visita o setor de distribuição do Mercado Livre. 
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

© Paulo Pinto/Agência Brasil
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Elaine Patricia Cruz e Wellton Máximo – repórteres da Agência Brasil
Publicado em 07/04/2025 - 19:02
São Paulo e Brasília

Brasil tem reservas internacionais suficientes para enfrentar as decisões do governo Donald Trump, disse nesta segunda-feira (7) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante anúncio de investimentos do setor de logística em Cajamar (SP), Lula reiterou que a economia voltará a crescer mais que o previsto em 2025.

“Nós pagamos a dívida externa brasileira. Nós, pela primeira vez, fizemos uma reserva [internacional] de US$ 370 bilhões, o que segura este país contra qualquer crise. Mesmo o presidente Trump falando o que ele quer falar, o Brasil está seguro porque temos um colchão de US$ 350 bilhões, que dá ao Brasil e ao ministro da [Fazenda] Fernando Haddad uma certa tranquilidade”, disse Lula, em evento promovido pela empresa de comércio eletrônico Mercado Livre.

Trump ameaça China com tarifas adicionais de 50% após Pequim retaliar

Segunda, 7 de abril de 2025

Produtos chineses enviados aos EUA poderão ter taxa de 84%.

Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 07/04/2025 - 15:27
Brasília

Lucas Pordeus León — Repórter da Agência Brasil
Publicado em 07/04/2025
Brasília

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou a China nesta segunda-feira (7) com tarifas adicionais de 50% sobre todas as importações do país caso Pequim não recue da decisão de impor tarifas recíprocas contra Washington.

“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão Tarifas ADICIONAIS à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, anunciou o presidente estadunidense em uma rede social.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Venezuela rompe com Paraguai e acusa Argentina de desestabilizar país

Terça, 7 de janeiro de 2025

Atritos com países da região ocorrem às vésperas de posse de Maduro

Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 07/01/2025 — Brasília

O governo da Venezuela determinou a retirada dos seus representantes diplomáticos do Paraguai após o presidente do país, Santiago Peña, declarar que Edmundo González foi o vencedor da eleição do ano passado, defendendo a posse do opositor no próximo 10 de janeiro.

Há poucos dias da posse do presidente Nicolás Maduro para um terceiro mandato (2025-2031), o chefe do Executivo, em Caracas, acusou o governo da Argentina de articular ações de desestabilizações no país, o que incluiria a tentativa de assassinato a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Enquanto isso, o opositor Edmundo González, que alega ser o vencedor da eleição presidencial de 2024, se reuniu com autoridades em Washington, incluindo o presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, e o assessor de Segurança Nacional do presidente eleito Donald Trump, Mike Waltz.

Já o México reforçou que enviará representante para posse de Maduro. “Nossa postura é o que está na Constituição, com todos os governos do mundo, a auto determinação dos povos. No caso da Venezuela, irá um representante na posse e não vemos porque não deva ser assim. E isso corresponde aos venezuelanos e não ao México definir”, afirmou a presidente Cláudia Sheibaum nessa segunda-feira (6).

Apesar de não terem reconhecido a vitória de Maduro por causa da não publicação dos dados eleitorais detalhados, a Colômbia e o Brasil devem enviar representantes para a posse. No caso do Brasil, o envio da embaixadora em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, depende de convite por parte do governo venezuelano.

De acordo com Caracas, mais de dois mil convidados internacionais já estão no país para acompanhar a posse de Maduro entre representantes de governos, movimentos socais e culturais.

Paraguai

Em relação ao Paraguai, o rompimento das relações ocorreu após o presidente Santiago Peña defender a posse do opositor. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela defendeu que a posição de Peña viola o princípio do direito internacional de não intervenção nos assuntos internos de outras nações.

Rio de Janeiro (RJ), 18/11/2024 - Presidente do Paraguai, Santiago Peña. Foto: Ricardo Stuckert/PR - Ricardo Stuckert/PR

“É lamentável que governos como o do Paraguai continuem a subordinar sua política externa aos interesses de potências estrangeiras, promovendo agendas que visam minar os princípios democráticos e a vontade dos povos livres”, afirmou o ministério venezuelano.

Em nota, o governo paraguaio reforçou sua posição a favor de González e exigiu a retirada do embaixador de Caracas do país em 48 horas. “[O governo do Paraguai] reconhece o senhor Edmundo González Urrutia como presidente eleito da República Bolivariana de Venezuela”, diz a nota oficial de Assunção.

Argentina

O governo Maduro acusou o governo Argentino de estar por atrás de ações de desestabilização política da Venezuela, incluindo um suposto plano para assassinar a vice-presidente do país, Delcy Rodriguez.

Maduro afirmou que os serviços de inteligência venezuelano identificaram as ameaças contra o país que ocorrem desde o ano passado. “Nesse período, a inteligência popular, policial e militar capturou 125 mercenários de quase 15 nacionalidades que vinham fazer atividades terroristas em Venezuela”, disse o presidente venezuelano, posteriormente corrigido de que os mercenários seriam oriundos de 25 nacionalidades.

Ainda segundo Maduro, a Argentina está por trás de planos para desestabilizar o país. “O governo argentino está envolvido nos planos violentos de atentar contra a paz da Venezuela. Assim eu denuncio. Todos os processos estão judicializados e em altíssimo nível de investigação”, afirmou.

sábado, 7 de janeiro de 2017

O Isolamento dos EUA, por Noam Chomsky

Sábado, 7 de janeiro de 2017
Do Esquerda.Net

Noam Chomsky reflete sobre Israel, Trump e a Nova Ordem Mundial, uma aliança entre estados autoritários que se parece estar a estruturar.

Assembleia Geral da ONU

A 23 de dezembro de 2016, o Conselho de Segurança da ONU passou a Resolução 2334 por unanimidade, com a abstenção dos EUA. A Resolução reafirmou "que a política e práticas de Israel em estabelecer colonatos na Palestina e outros territórios Árabes ocupados desde 1967 não tem legitimidade legal e constitui uma séria obstrução para alcançar uma paz justa e compreensiva no médio oriente. Chama novamente Israel, como país ocupante, a cumprir escrupulosamente a Quarta Convenção de Genebra (1949), a rescindir as medidas anteriores e a desistir de tomar qualquer ação que pudesse resultar numa alteração de estatuto legal ou natureza geográfica e afetar materialmente a composição demográfica dos territórios árabes ocupados desde 1967, incluindo Jerusalém, e, em particular, para não transferir parte da população civil para os territórios árabes ocupados."

sábado, 26 de dezembro de 2015

O recado dos EUA e da UE para seus capachos antinacionalistas latino-americanos: “Façam o que dissermos. Não o que fazemos


Sábado, 26 de dez de 2015
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim-_djYp7_H_eLDwmQotcWOJCTCfy8UvnZKqbjV3u_H6JmE0kWW7wpCMu_2vkSaMx5E6-eGJ8YmJ9W9bESrhl9apH9e0IKd-djIoBhpwlOm4pbSzrDY_qDyT3D6-9hdKBHoQetr-KsXUk/s1600/buy_american_sticker.png
Para os energúmenos que dizem que nos EUA o Estado não interfere na economia, uma notícia: só na semana passada foi aprovado pelo Congresso, em Washington, o fim da proibição da exportação de petróleo norte-americano, que perdurou por longos 40 anos.
Por lá, existe uma lei de conteúdo local, o Buy American Act – que, como ocorre no caso da Petrobras, aqui seria tachada de “comunista” e “atrasada” pelos entreguistas – que, desde 1933, exige que o governo dê preferência à compra de produtos norte-americanos, e que foi complementada por outra, com o mesmo nome e objetivo, em 1983.
Na área de defesa, nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas norte-americanas, se não for fabricado no país.
E se a tecnologia ou o desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar, minoritariamente, a um “sócio” norte-americano, para produzir, in loco, o produto.
Quem estiver duvidando, que pergunte à EMBRAER, que, para fornecer caças leves Super Tucano à Força Aérea dos EUA, teve que se associar à companhia norte-americana Sierra Nevada Corporation e montar uma fábrica na Flórida.
No Brasil, a nova direita antinacionalista, grita, nas redes sociais, o mantra da privatização de tudo a qualquer preço. Citando, automaticamente, fora de qualquer contexto, os Estados Unidos, os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos, ignorando que nos EUA – a que eles se referem, abjeta apaixonadamente, como se não vivêssemos no mesmo continente, como America – a presença do estado vai muito além de setores estratégicos como a defesa.
No nosso vizinho do Norte o transporte ferroviário de passageiros, por exemplo, é majoritariamente atendido por uma empresa estatal, a AMTRAK, que – sem ser incomodada ou atacada por isso – dá um prejuízo de cerca de um bilhão de dólares por ano, porque, nesse caso, o primeiro objetivo não pode ser o lucro, e, sim, o atendimento às necessidades da população, incluídas as camadas menos favorecidas.
A União Européia, que posa de liberal no comércio internacional, e cujos jornais econômicos – assim como o Wall Street Journal, dos EUA – adoram ficar (a palavra que queríamos usar é outra) – ditando regras para o governo brasileiro, acaba de postergar, até segunda ordem, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo depois da eleição de  Fernando Macri, adversário de Cristina Kirchner, na Argentina.
Apesar da propaganda contrária por parte da imprensa brasileira, a culpa não foi do Brasil ou do Mercosul.
Como previmos no post “o porrete e o vira-lata” os europeus roeram a corda porque,  protecionistas como são, não querem eliminar seus subsídios ao campo nem  abrir o mercado do Velho Continente aos nossos produtos agrícolas, nem mesmo em troca da assinatura de um acordo que pretendem cada vez mais leonino - para eles  é claro - com a maioria dos países da América do Sul.  
Se no plano econômico é assim, no contexto político a estória também não é muito diferente.
Os bajuladores dos EUA entre nós acusam a Venezuela e a Argentina – onde a oposição venceu democraticamente as respectivas eleições há alguns dias – de ditaduras “bolivarianas”.
Mas não emitem um pio com relação a “democracias” apoiadas pelos EUA, como a Arábia Saudita - governada e controlada por uma família real com algumas centenas de membros.
Um reino que detêm um fundo, estatal e bilionário, que acaba de comprar 10% da terceira maior empresa de carnes brasileira, a Minerva Foods.
E uma monarquia fundamentalista na qual as mulheres votaram pela primeira vez, apenas na semana passada.
Fonte: http://www.maurosantayana.com

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma breve história da luta da grande mídia contra os interesses nacionais

Segunda, 9 de fevereiro de 2015
Do Blog do Siro Darlan / Carta Maior
Por Leandro Severo (*)
Em 1941, enquanto milhões de homens e mulheres derramavam seu sangue pela liberdade nos campos da Europa e da União Soviética, a elite dos círculos financeiros dos Estados Unidos já traçava seus planos para o pós-guerra. Como afirmou Nelson Rockefeller, filho do magnata do petróleo John D. Rockefeller, em memorando que apresentava sua visão ao presidente Roosevelt: “Independente do resultado da guerra, com uma vitória alemã ou aliada, os Estados Unidos devem proteger sua posição internacional através do uso de meios econômicos que sejam competitivamente eficazes...” (COLBY, p.127, 1998). Seu objetivo: o domínio do comércio mundial, através da ocupação dos mercados e da posse das principais fontes de matéria-prima. Anos mais tarde o ex-secretário de imprensa do Congresso americano, Gerald Colby, sentenciava sobre Rockefeller: “no esforço para extrair os recursos mais estratégicos da América Latina com menores custos, ele não poupava meios” (COLBY, p.181, 1998).
Neste mesmo ano, Henry Luce, editor e proprietário de um complexo de comunicações que tinha entre seus títulos as revistas Time, Life e Fortune, convocou os norte-americanos a “aceitar de todo o coração nosso dever e oportunidade, como a nação mais poderosa do mundo, o pleno impacto de nossa influência para objetivos que consideremos convenientes e por meios que julguemos apropriados” (SCHILLER, p.11, 1976). Ele percebeu, com clareza, que a união do poder econômico com o controle da informação seria a questão central para a formação da opinião pública, a nova essência do poder nacional e internacional.

domingo, 8 de setembro de 2013

Os AMX, os Sukhoi e os EUA

Domingo, 8 de setembro de 2013
Os pilotos da FAB, que majoritariamente prefeririam a compra de jatos russos Sukhoi-35, no lugar de caças norte-americanos F/A 18E (ver comentários em outras matérias sobre defesa neste blog), devem estar com suas esperanças renovadas, em razão da espionagem direta da NSA (agência nacional de segurança) norte-americana sobre a Presidente Dilma Roussef e outros membros do governo brasileiro. As denúncias praticamente sepultam as chances da Boeing vencer a licitação do Programa F-X2.
 
O Brasil não foi apenas mais um país entre os muitos espionados pelos EUA, mas o país estrangeiro mais espionado pelos EUA.
 
Os norte-americanos nos consideram não apenas um adversário potencial, mas - como criador dos BRICS e terceiro credor dos EUA – o seu pior inimigo, a nação mais perigosa do mundo, no contexto geopolítico. 

Se os Estados Unidos são capazes, do ponto de vista moral, de espionar até o email dos outros, como o mais vulgar fofoqueiro de escritório ou hacker ladrão de senha de banco e de cartão de crédito, imagine-se o que não fariam com os códigos-fonte  dos novos caças brasileiros, e o que não fazem, por meio das empresas (próprias e originárias de outros países da OTAN), que trabalham na indústria de  “brasileira” de defesa.
Leia a íntegra no Blog do Mauro Santayana

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Governo americano autorizou venda de armas que reprimem a primavera árabe

Sexta, 20 de julho de 2012
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

Por Zach Toombs e R. Jeffrey Smith, da iWatch News

Enquanto critica a repressão a manifestações populares, Washington autoriza e estimula venda de armamento americano para países como o Egito e a Argélia

Uma cisão dentro do governo americano revela uma das maiores contradições no modo como o país se posiciona internacionalmente. Enquanto se anuncia como defensor da democracia, e apóia manifestações populares contra regimes totalitários pelo mundo, Washington autoriza vendas bilionárias de armas e equipamentos para controle de protestos (como gás lacrimogêneo) para esses mesmos regimes.

A contradição veio à tona depois de um racha na publicação de relatórios feitos por diferentes setores do governo em maio e junho desse ano. De um lado, os departamentos envolvidos com a proteção aos direitos humanos criticam os governos de outros países por falta de princípios democráticos, citando abusos ao direito de expressão, reunião, discurso e escolha política. Do outro, setores ligados aos assuntos político-militares exaltam o sucesso do governo americano no estímulo a um mercado bilionário que só cresce: à exportação de armamento.

Para se ter uma ideia do tamanho desse mercado, o relatório do Departamento de Estado sobre assistência militar, de 8 de junho, afirma que o governo aprovou U$44,28 bilhões em carregamentos e armas para 173 nações no último ano. Entre elas, há lugares onde há fartos relatos de violações de direitos humanos, como Emirados Árabes, Qatar, Israel, Djibouti, Honduras, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. E pelo menos três países onde o governo local reprimiu a resistência democrática no ano passado – Argélia, Egito e Peru. Além do governo do Egito, que comprou equipamentos para dispersar manifestante, como o gás lacrimogêneo, com o aval de Washington.

No mesmo ano em que estourou a primavera árabe, cresceu a exportação de armas americanas – comércio que o governo americano prefere chamar de “parceria”. As vendas de armas autorizadas alcançou U$44,28 bilhões no ano passado, U$10 bilhões a mais que em 2010. Segundo o departamento de estado americano, deve haver um aumento de 70% no ano que vem.

Essas vendas – somados à a exportação feita diretamente de governo para governo, que são supervisionados pelo Pentágono – fazem dos Estados Unidos o maior provedor mundial de armas convencionais, segundo o Instituto Internacional de Estocolmo para Pesquisa sobre Paz (Stockholm International Peace Research Institute). Rússia, França e China estão logo atrás nesse ranking. Os EUA cresceu recentemente nesse setor graças à expansão das vendas para o Brasil, Arábia Saudita e Índia.

“Nós vamos continuar a pressionar e defender a venda de armas dos Estados Unidos”, disse Andrew Shapiro, Secretário Assistente da Secretaria de Assuntos Político-Militares do governo americano, em coletiva de imprensa sobre a exportação de armas em junho. “Estamos esperançosos de que as vendas para a Índia aumentem. Fizemos grande progresso nessa relação na última década”. Segundo ele, na última década, as vendas de armas para a Índia saltaram de “quase zero” para U$8 bilhões.

domingo, 4 de setembro de 2011

Grande imprensa reconhece que a origem da crise global da dívida é o salvamento de bancos

Domingo, 4 de setembro de 2011
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
O Jornal O Globo de hoje [4/9] traz reportagem reconhecendo um fato já largamente comentado em edições anteriores deste boletim: que a causa da crise global da dívida é o salvamento do setor financeiro pelos Estados. Conforme mostra a notícia, os governos já destinaram US$ 12,4 trilhões para “limpar os estragos provocados por grandes bancos globais”, o que fez as dívidas públicas explodirem.

Enquanto isso, os bancos que foram salvos pelos governos apresentaram lucros gigantescos, e seus executivos continuam ganhando muito bem:
Seis dos principais bancos ajudados na crise - Bank of America, Merrill Lynch, BNY Mellon, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley - lucraram, somados, US$42,4 bilhões no ano passado, aumento de 40% na comparação a 2009. E os bônus dos grandes executivos de Wall Street voltaram, com pagamentos que em um dos casos chegou a US$23,3 milhões. O problema dos bancos com a dívida imobiliária foi absorvido, e eles voltaram a ser lucrativos, na maioria dos casos. A crise que era de empresas e bancos transformou-se agora numa crise de governos, principalmente em países como Grécia, Portugal e Irlanda, e provavelmente Espanha e Itália, que precisaram socorrer suas economias.

Tais países têm feito pesados pacotes neoliberais – corte de gastos e direitos sociais – para permitir o pagamento desta dívida ilegítima.

No Brasil, os gastos sociais também são contidos para dar lugar ao pagamento da dívida. O jornal Estado de São Paulo mostra que a Presidente Dilma prometeu ao Presidente do Banco Central (BC) manter e aprofundar o ajuste fiscal, aumentando o superávit primário (ou seja, a reserva de recursos para o pagamento da dívida) em R$ 10 bilhões. Tal promessa foi necessária para que o BC anunciasse a tímida queda de 0,5% na Taxa Selic. Em bom português: os cerca de R$ 10 bilhões anuais a menos no pagamento de juros da dívida foram anulados pela decisão de aumentar o superávit primário.

Um dos efeitos desta política de ajuste fiscal é mostrada no jornal Correio Braziliense, que comenta sobre a precariedade do sistema de tratamento a dependentes de drogas no país: “O governo descumpriu todas as metas anunciadas há um ano no Plano de Enfrentamento ao Crack. Dos 136 centros especializados em atendimento aos usuários prometidos para 2011, apenas nove foram inaugurados.”

Conforme reconhece o próprio secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, “há carência de psiquiatras, psicólogos e outros profissionais capacitados, inclusive nas emergências." Ou seja: a saúde carece de grande volume de recursos para poder garantir um bom atendimento à população brasileira.

Porém, o governo apenas aceita aumentar os gastos na saúde com a criação de um novo tributo, como uma nova CPMF. Outra notícia do Correio Braziliense mostra que uma Resolução do 4º Congresso do PT deve criticar o fim da CPMF, e dizer que “O Congresso orienta nossas bancadas na Câmara e no Senado a buscarem fontes suplementares de recursos para recomposição do orçamento do SUS e viabilização da Emenda 29”. Ou seja: a fatia do orçamento destinada à dívida pública permanece intocada, apesar de representar mais de 10 vezes os gastos federais com a saúde. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Amorim: a pedra no meio do caminho

Quinta, 18 de agosto de 2011
Da Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

Os documentos vazados pelo Wikileaks revelam, entre outras coisas, como o serviço diplomático americano vê a atuação do “esquerdista mais afeito às delicadezas diplomáticas”, Celso Amorim, à época, ministro das Relações Exteriores e atual ministro da Defesa.
 
Por Marina Amaral e Natalia Viana
Aos olhos do serviço diplomático americano, em especial durante a era George W. Bush (2011-2009), a posição mais independente do Ministério das Relações Exteriores (MRE) capitaneado por Celso Amorim parecia uma constante provocação.

Nos telegramas vazados pelo parceiro da Pública, o Wikileaks, o MRE é visto “com inclinações antiamericanas” que impedem a melhoria das relações com o governo brasileiro e que tem, além de um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia) que aconselha o presidente Lula, um ministro “nacionalista” (Celso Amorim) e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães).

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava em novembro de 2004, o embaixador do partido republicano John Danilovich, um dos dois diplomatas que receberam a embaixada em Brasília como “recompensa” por levantar centenas de milhares de dólares para a campanha presidencial de Bush.

Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou catequizar Celso Amorim sobre a ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava a toda a América do Sul. A resposta foi “clara” e “seca” na descrição do americano. “Nós não vemos Chávez como uma ameaça”, respondeu Amorim. “Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”, afirmou. O embaixador finaliza o documento em tom desapontado: o Itamaraty não “comprou” a ideia americana.

Sobel, o sucessor
Sai Danilovich entra Clifford Sobel, também republicano e ligado aos Bush. Sobel, talvez numa sagacidade maior, se aproximou do então ministro da Defesa, Nelson Jobim, que virou interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE – compartilhada pelos EUA – em especial com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

Jobim tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em benefício próprio. Em fevereiro de 2009, com Barack Obama presidente dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três telegramas com o significativo título de “Compreendendo o Ministério de Relações Exteriores do Brasil”.

Neles, pensava uma estratégia para contornar o triunvirato “esquerdista” que já incomodava os planos do seu antecessor. “Juntos com o presidente Lula, eles (Amorim, Guimarães e Garcia) têm puxado o MRE para direções inabituais e, às vezes, diferentes entre si”, pontua Sobel.

“Enquanto tentamos aprofundar nossas relações, a dinâmica ideológica faz com que o Itamaraty seja, às vezes, um parceiro frustrante”, assinala o embaixador, esperançoso com a aposentadoria próxima de Pinheiro Guimarães e com a possibilidade de influenciar os diplomatas mais jovens que ocupariam os futuros postos de comando.

O telegrama ainda trata da proximidade entre Amorim, “um esquerdista mais afeito às delicadezas diplomáticas”, e Guimarães “adepto de posições radicais como a de que o Brasil precisa de armas nucleares para se impor no cenário internacional”.

A indicação de Amorim para o cargo teria sido obra de Pinheiro Guimarães, ao contrário do que sugeriam suas posições hierárquicas. “Um diplomata aposentado contou a nossos conselheiros políticos que a influência e independência de Guimarães deve-se ao fato de ter sido o primeiro escolhido pelo PT para o MRE.

Como ele achava que seu nome não seria aprovado pelo Congresso, indicou Amorim para o cargo e escolheu para si o posto de secretário-geral. Além de ligações familiares, a filha de Guimarães é casada com o filho de Amorim. Essa história explica sua autoridade desmedida e substancial autonomia”, fofocou o embaixador.

Leia a íntegra de "Amorim: a pedra no meio do caminho"

domingo, 7 de agosto de 2011

A crise da dívida dos EUA

Domingo, 7 de agosto de 2011
Da revista Caros Amigos
 “Não é de hoje que estudos, auditorias e investigações denunciam que a dívida pública, ao invés de aportar recursos ao Estado, vem desviando recursos (que deveriam se destinar a áreas sociais) para o pagamento de juros e amortizações de uma dívida cuja contrapartida não se conhece, pois não existe a devida transparência.”

Por Maria Lúcia Fattorelli
A crise da dívida dos Estados Unidos da América do Norte, maior economia do planeta, escancara a usurpação do instrumento de endividamento público e a sua utilização em benefício do setor financeiro bancário.

Sabemos que o endividamento público é um importante instrumento de financiamento dos Estados, por isso todas as nações são autorizadas a endividar, dentro de certos limites e condições. As dívidas contraídas deveriam aportar recursos aos cofres públicos, complementando os recursos arrecadados por meio de tributos, de forma que o Estado possa cumprir seu papel e garantir vida digna ao seu povo.

Não é de hoje que estudos, auditorias e investigações denunciam que a dívida pública, ao invés de aportar recursos ao Estado, vem desviando recursos (que deveriam se destinar a áreas sociais) para o pagamento de juros e amortizações de uma dívida cuja contrapartida não se conhece, pois não existe a devida transparência.

Assim, o problema central é que o instrumento do endividamento público tem sido utilizado como um sistema de desvio de recursos públicos que, para operar, conta com arcabouço de privilégios e possui diversas ramificações que constituem o que batizamos de “Sistema da Dívida”.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

WIKILEAKS: Para EUA, aumento de influência de bancos públicos põe “em risco” setor financeiro

Quarta, 3 de agosto de 2011
Da "Pública"
Em 2009, consulado americano em São Paulo previu alta na inflação e “saturação” do mercado de crédito

Dentre os cerca de 3 mil documentos referentes ao Brasil publicados pelo WikiLeaks ainda há muitos que são importantes para compreender a visão americana sobre eventos que aconteceram no país.

É o caso de um documento enviado pelo consulado de São Paulo em 15 de setembro de 2009 ao Departamento de Estado, sob o título “Brasil: aumento da influência dos bancos públicos traz riscos para o setor financeiro”.

O telegrama consiste em uma análise do crescimento da oferta de crédito pelos bancos públicos nos primeiros anos de crise econômica mundial – servindo, segundo a visão americana, como “quase um último recurso” para os setores mais afetados da economia.