Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 28 de julho de 2026

Terras raras e a tragédia da mineração brasileira

Terça, 28 de julho de 2026

Terras raras e a tragédia da mineração brasileira

Setor expressa, há 500 anos, a condição periférica do país. Agora, Brasil retorna ao centro de uma disputa geopolítica e da cobiça extrativista. Tem 20% das reservas de minerais críticos. Grande desafio: aprender com o passado. Daí a razão da Terrabrás

OUTRASPALAVRAS             Crise Brasileira
Publicado 28/07/2026


Boletim Outras Palavras

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No dia 17/07/2026 o premiadíssimo Jornalista Jamil Chade publicou uma reportagem exclusiva sobre as chantagens do governo norte-americano, leia-se Donald Trump, apresentadas ao governo brasileiro, em fevereiro de 2026, por meio de uma carta oficial, exigindo do Brasil várias medidas: eliminação das tarifas de importação para áreas estratégicas como a agricultura, comércio digital, industrial, minerais críticos, tecnologia segura, aeroespacial e trabalho (Jamil Chade, 2026). Destacamos da carta ao governo brasileiro as referências aos minerais críticos: “Adotar medidas que limitem investimentos por atores estrangeiras com atuação nos setores de mineração, refino e outros setores industriais críticos, sendo atores não orientados pelo mercado a forma pela qual o governo norte-americano se refere aos chineses, sem citá-los). E mais: “Revisar a venda da operação de níquel da Anglo-American e garantir um processo justo para empresas dos EUA investirem no Brasil no setor de minerais críticos.”2

Mais recentemente, os EUA voltaram a pressionar o Brasil por uma tarifa zero em setores-chave da economia nacional. A exigência estadunidense ocorreu às vésperas da entrada em vigor da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, como indicado a seguir:

“… aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras para o mercado estadunidense poderão ser atingidos, o equivalente a cerca de 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos. O governo brasileiro acompanha os impactos esperados sobre os setores exportadores e prepara medidas para reduzir os efeitos econômicos da decisão americana.”3

domingo, 12 de julho de 2026

A surpreendente ascensão da esquerda nos EUA

Domingo, 12 de julho de 2026

A surpreendente ascensão da esquerda nos EUA

Como os socialistas estão vencendo batalhas importantes no Partido Democrata, ao propor pautas ligadas aos direitos e ao Comum. Os papéis de Bernie Sanders, Mamdani e Alexandra Ocasio. A resposta de Trump: um nervoso “apelo à Ordem”…


OUTRASPALAVRAS                        Estado em Disputa
Publicado originariamente no OutrasPalavras em 08/07/2026

Boletim Outras Palavras

No mesmo momento em que a influência poderosa de Donald Trump impulsiona a ascensão da extrema-direita na América Latina, um fenômeno oposto se dá Estados Unidos. No interior do Partido Democrata, uma corrente que se coloca de forma clara à esquerda está vencendo um número inédito de eleições primárias, em cidades importantes. Seu triunfo enfraquece as correntes vistas como favoráveis às corporações ou à política imperial norte-americana. O fenômeno é considerado pelo próprio New York Times como um das principais tendências políticas atuais no país.

Durante décadas, dentro do Partido Democrata, várias tendências e grupos coexistiram, em meio a crescentes tensões. Vão de uma ala mais conservadora, ideologicamente próxima do Partido Republicano, a outra ala mais radicalizada, integrada por correntes que, embora integrem o partido, também se organizam de forma autônoma. A mais destacada são os Socialistas Democráticos (DSA, ou Democratic Socialistas of America).

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A guerra e a paz, vistas de Teerã

Segunda, 15 de junho de 2026

A guerra e a paz, vistas de Teerã

Em meio a sinais de uma derrota estratégica dos EUA, fala um pesquisador iraniano. As raízes históricas da resistência persa. A provável sabotagem de Israel. O papel da China e da Rússia. O que muda no Oriente Médio, após o fiasco de Trump


Mohammad Marandi, em entrevista a Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins

À medida que Washington e Teerã parecem se aproximar de um acordo preliminar para pôr fim à devastadora guerra contra o Irã, questões fundamentais permanecem sem resposta: o conflito realmente terminou ou a região está entrando em uma nova e mais perigosa fase de instabilidade?

Na entrevista a seguir, o jornalista Chris Hedges conversa com o analista político iraniano Mohammad Marandi, nascido nos EUA, formado na Universidade de Barminghan e ex-conselheiro para negociações nucleares de Teerã. Debatem o estado das negociações, a situação do Irã após meses de guerra, o futuro do Líbano e de Gaza, e as consequências geopolíticas mais amplas de um conflito que já remodelou o Oriente Médio e abalou a economia global.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge

Segunda, 11 de maio de 2026

Pax Silica: em IA, o império já não finge


O plano da Casa Branca para restringir o acesso à nova tecnologia e hierarquizar o mundo entre “aliados”, “submissos” e “inimigos”. O temor, diante da China. O triste papel reservado a Brasil e Argentina. A esperança que resta, nos movimentos sociais


Do OUTRASPALAVRAS Tecnologia em Disputa
Publicado 11/05/2026


Na base espacial Starbase da SpaceX, no sul do Texas, o secretário da Guerra de Donald Trump, Pete Hegseth, apresentou uma atualização doutrinária na própria linguagem do lançamento de um produto: o Pentágono incorporaria a IA de ponta as suas operações diárias, e o Grok, de Elon Musk, seria integrado às redes militares, incluindo as confidenciais. O local do evento era a mensagem. O fato de um membro do gabinete presidencial anunciar uma infraestrutura estratégica a partir da base de lançamento de um multimilionário não é um acidente de comunicação, mas a forma administrativa da fusão.

Durante anos, a hegemonia tecnológica dos Estados Unidos baseou-se em uma ficção cortês dos mercados. As empresas privadas “casualmente” dominavam os chips, as nuvens e as plataformas; os aliados “casualmente” se homogeneizavam em torno dos aglomerados americanos; Washington limitava-se a arbitrar. Essa ficção está sendo deixada de lado em público. O que distingue o presente não é o domínio, mas a ousadia: a informática é agora tratada como um instrumento de política estatal, e o Estado deixou de fingir que é um mero espectador dos triunfos do Vale do Silício.

terça-feira, 24 de março de 2026

Como os EUA podem tornar-se potência obsoleta

Terça, 24 de março de 2026

Como os EUA podem tornar-se potência obsoleta

Diante de adversário muito menos poderoso, porém coeso e sagaz, maior máquina militar da História sofre e hesita. O que isso revela sobre a mudança nos campos de batalha e – muito mais importante – a inconsistência dos planos de Trump

OUTRASPALAVRAS                           Geopolítica & Guerra



James Galbraith, entrevistado por Thiago Gama

Ao começar a quarta semana da guerra, Donald Trump piscou – ou por insegurança, ou por ardil. Na madrugada de 23/3, os mercados financeiros estavam em pânico, com quedas que poderiam ter efeitos devastadores. O presidente precisava agir. Pouco depois das 7 da manhã, ele “anunciou” em rede social que os EUA haviam aberto negociações com o Irã; que desejava um acordo; e que, por isso, resolvera suspender os ataques à infraestrutura do país. As autoridades iranianas negaram, em poucas horas, a existência de negociações. Mas os cassinos globais estavam sedentos de boas notícias – verdadeiras ou falsas. O barril de petróleo recuou um pouco, para a faixa dos 100 dólares (com alta 40% desde o inicio da guerra) e as bolsas, que despencavam, amenizaram as perdas.

Um conjunto de sobressaltas alarma a economia do Ocidente, desde que Trump interrompeu negociações e agrediu com selvageria o Irã em 28/2, esperando uma vitória rápida. A interrupção do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz afetou 33% do comércio mundial de petróleo, 20% do de gás natural liquefeito, 40% do de fertilizantes e quase metade do de hélio e enxofre, indispensáveis para a produção de microchips. A revista “Economist” prevê que, ainda que a guerra terminasse hoje, o abastecimento de petróleo tardaria meses para se normalizar e o cenário seria catastrófico. As grandes empresas de aviação, cuja receita ampara-se em boa medida nas receitas dos ricos e movimentadíssimos aeroportos dos Emirados Árabes, temem uma crise semelhante à da pandemia.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Marco Rubio expõe o projeto de recolonização

Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Marco Rubio expõe o projeto de recolonização

Sob aplauso das elites europeias, o secretário de Estado dos EUA abre o jogo em Munique. A descolonização foi perversa; para livrar-se da decadência, o Ocidente deve impor sua ordem à China e Sul Global; Gaza e Venezuela são caminho a seguir




Do OUTRASPALAVRAS
Por Crismar Lujano, no Diário Red | Tradução 
Antonio Martins 




MAIS:
O cinismo de Marco Rubio em Munique parece inacreditável, mas é real. Sua fala pode ser lida, na 
íntegra, no site do Departamento de Estado dos EUA.

Ao falar, em 13/2, à Conferência de Segurança de Munique, um dos principais fóruns geopolíticos mundiais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tirou o último véu já pouco disfarçada política externa MAGA para os próximos anos. Seu discurso foi recebido com uma ovação em pé por grande parte da elite europeia, aliviada por ouvir o chefe da diplomacia norte-americana reivindicar a aliança imperialista oldfashioned do colonialismo sem complexos e do poderio militar sem limites. Ela seria a base finalmente da tão esperada restauração geopolítica da hegemonia ocidental.



Rubio estruturou seu discurso, desde o início, no contexto dessa identidade compartilhada: “Fazemos parte de uma única civilização: a civilização ocidental”. Acrescentou que essa unidade se fundamenta em “séculos de história compartilhada, fé cristã, cultura, patrimônio, idioma, ancestralidade e nos sacrifícios que nossos antepassados fizeram juntos pela civilização comum que herdamos”. O mais espantoso não é evocar essa história compartilhada, mas perceber que ela foi apresentada como superior, homogênea e destinada a liderar. Trata-se de um apelo à “civilização ocidental” como fundamento político de uma hierarquia global.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O que o colonialismo não pode permitir



Quinta, 12 de fevereiro de 2026

O que o colonialismo não pode permitir

Em Cuba aportou Colombo, em 1492. A Europa dizimou os indígenas e introduziu os escravizados. Como tolerar, então, que a ilha supere os EUA em Saúde e espalhe seus médicos pelo Sul Global? É possível punir quem desafia assim a ordem eurocêntrica

OUTRASPALAVRAS                                      Descolonizações
Por Aline Pandolfi.

Artigo publicado originalmente no OUTRASPALAVRAS de 10/02/2026 às 19h35



Por Aline Pandolfi
Cuba é novamente alvo da ação ofensiva dos EUA, mas isso não começou agora. Tampouco é resultado de uma vontade política de cunho “democrático”, como costumava se ventilar desde a linha oficial da Casa Branca. Os últimos ataques bélicos conduzidos por Donald Trump culminaram em genocídio na Palestina, com mais 67 mil pessoas assassinadas, dentre elas mais de 20 mil crianças; a captura de Maduro e de Cilia Flores, através da invasão ao território Latino-americano, resultou no assassinato de mais de 100 pessoas dentre estes civis e seguranças, sendo 32 soldados cubanos. Além destes atos de guerra, há ainda a ação cada vez mais ofensiva contra os imigrantes latino-americanos e caribenhos residentes nos EUA. Não nos enganemos, está em curso uma política de extrema-direita com aspectos fascistas, a qual, motivada por um contexto de crise do capital, pretende avançar mais rapidamente com processos de expropriação de territórios, o que sempre se deu com a eliminação de povos inteiros na história mundial do capital.

A Revolução Cubana completou 67 anos no último 01 de janeiro de 2026, desde a entrada do movimento revolucionário em Havana em 01 de janeiro de 1959. Este ano foi o marco do início das profundas transformações econômicas, sociais e políticas, as quais conduziriam a ilha a patamares sociais de destaque em nossa região, sendo a única a apresentar índices elevados de acesso a serviços sociais básicos, equiparados aos países da Europa. A Cuba periférica, com 1.250 km de território, não dispõe de consideráveis fontes de matéria-prima e se caracteriza, como toda região, por uma economia dependente. Com um histórico de eliminação de sua população originária e marcada pelo trabalho escravizado desde o colonialismo até 1886, manteve parte significativa de seu território sob propriedade de empresários estadunidenses até sofrer as transformações políticas e econômicas a partir de 1959.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Aliança regional —Petro defende Venezuela depois de ameaças dos EUA: ‘agressão contra a América Latina e Caribe’

Segunda, 11 de agosto de 2025

Declaração do colombiano vem na esteira do aumento da recompensa pela prisão de Maduro anunciado pela Casa Branca


Brasil de Fato — Caracas (Venezuela)
11.ago.2025

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a Venezuela depois das ameaças dos Estados Unidos e do aumento da recompensa pela prisão chefe do Executivo venezuelano, Nicolás Maduro. O colombiano disse que uma operação militar contra a Venezuela sem a aprovação de “países irmãos” seria uma agressão à América Latina e ao Caribe.

“Transmito publicamente minha ordem como comandante das Forças Armadas colombianas. Colômbia e Venezuela são o mesmo povo, a mesma bandeira, a mesma história. Qualquer operação militar que não tenha a aprovação de nossos países irmãos é uma agressão à América Latina e ao Caribe”, publicou Petro em suas redes sociais.

A declaração de Petro vem em resposta à decisão dos Estados Unidos de aumentar para 50 milhões de dólares (aproximadamente R$ 271 milhões) a recompensa em dinheiro que possa levar à prisão de Maduro. O anúncio havia sido feito pela procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, que acusou o presidente venezuelano de uma suposta ligação com grupos vinculados ao narcotráfico.

sábado, 2 de agosto de 2025

XÔ IMPERIALISMO —Manifestantes se reúnem em frente à Embaixada dos EUA em Brasília para defender soberania nacional

Sábado, 2 de agosto de 2025

Manifestação nacional e denunciou as interferências de Trump no Brasil e em outros países



Integrantes de movimentos sociais, sindicais, estudantis e dos trabalhadores estiveram reunidos nesta sexta-feira (1º) pela manhã em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, em defesa da soberania nacional.

O mote da manifestação foi as recentes tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump ao Brasil. Em carta enviada ao presidente Lula (PT), ele acusa o Estado brasileiro de perseguir politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, além de promover “graves violações de direitos humanos” e comprometer o Estado de Direito.

“Essa ação hoje é pra mostrar que não é só uma ação do governo, de parlamentares. O povo se levanta contra as ações injustas de Trump, que vão causar, claro, a economia brasileira, que também querem abalar quando nós já conseguimos democracia e soberania do nosso mundo”, declarou a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), que esteve presente no ato.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Sem novidades —Adotada por bolsonaristas, estratégia de pedir sanções dos EUA reproduz padrão de extrema direita latino-americana

Quinta, 10 de julho de 2025

Movimentos semelhantes são conduzidos pela oposição em países como Cuba e Venezuela

Brasil de Fato — Caravas (Venezuela) 
10 de julho de 2025
Lorenzo Santiago

Em meio ao julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil — processo que tem entre os réus o ex-presidente Jair Bolsonaro —, seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deixou o cargo no país natal e viajou aos Estados Unidos para pedir sanções contra o país e contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes. A iniciativa revela a pouca criatividade da família e reproduz moldes já adotados por setores da extrema direita em países como Cuba e Venezuela, que já sofrem bloqueios dos EUA.

Na Venezuela, o movimento já dura 10 anos e começou ainda durante a gestão de Barack Obama. Em 2015, o democrata classificou a Venezuela como uma “ameaça incomum para a segurança interna dos Estados Unidos” a partir de uma ordem executiva. A medida veio em resposta a protestos violentos realizados um ano antes e promovidos pela oposição venezuelana sob as lideranças do fundador do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, e da ex-deputada ultraliberal María Corina Machado. Naquele momento, a Casa Branca sancionou os primeiros funcionários do governo chavista.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Trump ameaça China com tarifas adicionais de 50% após Pequim retaliar

Segunda, 7 de abril de 2025

Produtos chineses enviados aos EUA poderão ter taxa de 84%.

Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 07/04/2025 - 15:27
Brasília

Lucas Pordeus León — Repórter da Agência Brasil
Publicado em 07/04/2025
Brasília

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou a China nesta segunda-feira (7) com tarifas adicionais de 50% sobre todas as importações do país caso Pequim não recue da decisão de impor tarifas recíprocas contra Washington.

“Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão Tarifas ADICIONAIS à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, anunciou o presidente estadunidense em uma rede social.