Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 28 de junho de 2026

Um novo desafio à Reforma Sanitária

Domingo, 28 de junho de 2026

Um novo desafio à Reforma Sanitária

Em conferência que abriu seminário de Outra Saúde, Jairnilson Paim lembra: no horizonte daqueles que construíram o SUS estava, mais que reformar a saúde, construir o socialismo. Para mobilizar as forças do presente, será preciso resgatar aquela ação criativa

OutraSaúde

Publicado originalmente no OUTRASAÚDE em 26/06/202626/06/2026

Foto: Argel do Valle/Outra Saúde

Realizada nos dias 21 e 22 de maio na Faculdade de Saúde Pública da USP, a etapa São Paulo do ciclo de debates Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS, promovido por Outra Saúde, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e parceiros, foi iniciada com uma magistral conferência de Jairnilson Paim, professor emérito do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e veterano do movimento sanitário. Em sua fala, ele apontou: apesar de constrangida por uma força conservadora que age no sentido de “mudar tudo para que nada mude” na sociedade brasileira, a Reforma Sanitária previa uma “totalidade de mudanças”, e não apenas uma reformulação dos serviços de saúde. Mobilizando as reflexões de líderes deste movimento, a exemplo de Sergio Arouca, Sonia Fleury e Nelsão Rodrigues, além de teóricos como Antonio Gramsci, Agnes Héller e Vladimir Lênin, ele cravou que este processo contra-hegemônico segue vivo, mas que é preciso “recriar utopias” e forjar uma “política do encanto” para que seu projeto socialista de sociedade seja implementado. Boa leitura! (G. A.)

Para sistematizar o que passou, o que está acontecendo e o futuro da Reforma Sanitária Brasileira (RSB), vou dividir minha exposição em duas partes. A primeira está relacionada com os estudos que eu realizei e, na segunda parte, vou trabalhar com as reflexões e as contribuições que estão sendo colocadas no presente, com vistas ao futuro, que é a grande convocação que esse movimento “Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS” coloca.

A Reforma Sanitária é uma expressão que está sendo retomada nos últimos anos.

domingo, 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil



Domingo. 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil

Há 40 anos, em meio a lutas sociais, país assistia à 8ª Conferência de Saúde. O que permitiu este feito histórico, que deu origem ao SUS? Por que Outra Saúde vai resgatá-lo agora, diante de crise prolongada e às vésperas de uma eleição decisiva?

OutraSaúde

Créditos: Revista Radis

Em um mês de março, há 40 anos, acontecia um evento que mudaria os rumos da vida política e social brasileira. Não simplesmente por ter dado as bases para o que viria a ser o Sistema Único de Saúde (SUS) – o que já seria extraordinário. Mas a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em Brasília entre os dias 18 e 21 de março de 1986, conseguiu ir além. Mostrou que mesmo em tempos brutos é possível construir força política para ensejar grandes mudanças.

A história da Reforma Sanitária não é conhecida pelos brasileiros. Pouco se conta sobre como foi possível criar um sistema de saúde dessas proporções. Quase ninguém sabe que seu projeto era ainda mais ousado, mas começou a ser dinamitado logo a partir de seu nascimento, porque “a saúde como direito de todos e dever do Estado” entrava na Constituição no mesmo momento em que o Brasil abria-se ao neoliberalismo.

Essa história – e suas contradições – começa a ser descrita e debatida pelo Outra Saúde a partir de agora. No ano em que seu grande marco, a 8ª Conferência Nacional de Saúde (carinhosamente conhecida como Oitava), faz quatro décadas, queremos resgatar seu espírito de criação coletiva e participação popular e investigar o que ela tem a dizer ao Brasil de 2026. Seu ímpeto e sua criatividade têm muito a ensinar em um ano como este.