Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 27 de janeiro de 2024

“Capoeira é meu remédio”, diz mestre de 96 anos

Sábado, 27 de janeiro de 2024
© Arquivo de Família

Mestre Felipe é homenageado com título de doutor honoris causa

Publicado em 27/01/2024 - Por Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - Brasília

Aos 96 anos de idade, o mestre de capoeira Felipe Santiago, de Santo Amaro da Purificação (BA), não para de cantar. Nem fica longe do berimbau. Ele é o mestre mais antigo do mundo. Nesta semana, durante o 5º Rede Capoeira, recebeu um reconhecimento simbólico como “herói nacional e guardião dos saberes” junto a outros 13 mestres octagenários.Em março, Felipe homenageado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano. O homem, que começou a trabalhar criança como cortador de cana e, depois, explorado em usinas, se aposentou como ferreiro. Mas foi a capoeira que lhe deu esperança viu vidas serem transformadas. “Capoeira é meu remédio”, diz.

Para ele, inclusive, a capoeira combateu historicamente o racismo. “Ajudou a criar respeito e união”, afirma. Ele explica que policiais perseguiam quem praticava a atividade em embarcações. “Aos poucos, quando chegou aos bairros, foi sendo menos pior. Foi passando para as pontas de rua e depois para o centro. Isso mostra que ela vem tendo mais respeito.”
Para mestre Felipe, atividade não tem idade para começar nem limite de parar. Foto: Ricardo Prado/Divulgação

"O coração da minha vida"

As homenagens recentes emocionam o homem. “É uma grande valorização que estão me dando. A capoeira é o coração da minha vida”. Ele recorda que começou na atividade com 18 anos e nunca parou. “Para mim, mesmo que eu não jogue, eu toco e canto. Estou abrindo a minha mente, o meu coração. Estou me sentindo feliz no meio dos meus irmãos.”

domingo, 23 de agosto de 2020

Uma justa homenagem ao mestre de capoeira Risomar (o Mestre Baleado)

Domingo, 23 de agosto de 2020
A homenagem é prestada pelo capoeirista Alisson Lopes, de Brasília.
Vídeo postado por Alisson Lopes


Veja no vídeo logo abaixo o Mestre Baleado (Risomar) mostrando variações nos toques antigos de Angola


E a seguir, vídeo do evento "Praia Verde" que Mestre Risomar participou em 1986

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Alô, Bahia! Roda de capoeira recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Quarta, 26 de novembro de 2014
Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
Crianças e jovens participam de oficinas de capoeira e dança oferecidas pela organização não governamental Viva Rio Haiti (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Crianças e jovens participam de oficinas de capoeira e dança oferecidas pela organização não governamental Viva Rio Haiti Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Dança, luta, símbolo de resistência e uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil, a roda de capoeira recebeu hoje (26) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Capoeira de roda deve ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade


Sexta, 21 de novembro de 2014
Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil
capoeira
A capoeira de roda será reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil
Dança, luta e símbolo de resistência, a capoeira de roda deverá ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Na semana que vem, em Paris, o Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial da Unesco anuncia sua decisão. Foram feitos 46 pedidos de registro pelos Estados-Membros, sendo que 32 foram recomendados pelo órgão técnico do comitê, entre os quais está o da capoeira – o único apresentado pelo Brasil e um dos três bens da América Latina na lista. Com o reconhecimento, a capoeira de roda se iguala ao Cristo Redentor como patrimônio da humanidade.
No dossiê de candidatura, de 25 páginas, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) enumera uma série de ações para difundir a modalidade e propõe medidas de salvaguarda orçadas em mais de R$ 2 milhões, como a produção de catálogos e encontros. O documento destaca que o registro vai favorecer a consciência sobre o legado da cultura africana no Brasil e o papel da capoeira no combate ao racismo e à discriminação. O dossiê lembra que a prática chegou a ser considerada crime e foi proibida durante um período da história. Hoje, a capoeira é praticada até fora do país.
“A capoeira é uma manifestação cultural de muitas dimensões. É ao mesmo tempo luta, dança e jongo, tão ligada à nossa história, à nossa sociedade, que é um pouco do que é o povo brasileiro”, explicou a diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial do órgão, Célia Corsino.
Já reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan desde 2008, a capoeira envolve os praticantes por meio do canto, dos instrumentos típicos como o berimbau e o atabaque, em uma roda, onde os golpes se confundem com a dança. Uma prática que é, ao mesmo tempo, jogo e brincadeira.
“A capoeira não é só um jogo, a capoeira é muito mais do que isso, a história da capoeira se confunde com a própria história do país, já foi utilizada até em guerra, como a do Paraguai”, diz mestre Paulinho Salmon, capoeirista e professor por mais de 50 anos. Ele faz parte de um comitê de mestres de capoeira no Rio que discute medidas de salvaguarda com o Iphan.
Os pedidos dos mestres para proteger a capoeira e seu aval para registrá-la como patrimônio da humanidade também foram levados em conta no dossiê entregue à Unesco. Entre eles, a possibilidade de a capoeira se tornar disciplina obrigatória nas escolas e nos encontros de troca de conhecimento. Segundo mapeamento do Iphan, a modalidade é praticada por todo o país.
No documento que recomenda o registro, o comitê técnico da Unesco destaca que a capoeira nasce da resistência contra a discriminação e favorece a convivência social entre pessoas diferentes. “[A roda] funciona como uma afirmação de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos e promove a integração social e da memória da resistência à opressão histórica.”
No pedido, o Iphan também cita ações como o registro nacional da capoeira de roda como um bem cultural, a criação de grupos de trabalho, encontros e o prêmio Viva Meu Mestre, desenvolvidos com a sociedade civil e órgãos de governo. Para o futuro, como patrimônio da humanidade, são sugeridas medidas para promover a capoeira, contextualizá-la como legado africano no Brasil, além de mapear as rodas e seus mestres.
Conhecido como um dos maiores portos de desembarque de africanos, o Brasil organiza para 2015 o pedido de registro como patrimônio da humanidade do Cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro. Estima-se que o país tenha recebido 40% de todos os africanos escravizados que chegaram vivos às Américas e, desses, cerca de 60% entraram pelo Rio de Janeiro, segundo o antropólogo e fotógrafo Milton Guran, do Comitê Científico Internacional do Projeto Rota do Escravo da Unesco. O Cais do Valongo é considerado sagrado por religiões de matriz africana.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Salvador: III FESTIVAL INTERNACIONAL CTE CAPOEIRAGEM

Domingo, 8 de janeiro de de 2012

Aconteceu [ontem], no Teatro Vila Velha [Salvador, Bahia], o III Festival Internacional CTE Capoeiragem [Centro de Treinamento e Estudos da Capoeiragem]. O evento contou com a participação de mestres, contra-mestres, professores e alunos de capoeira do Brasil e do exterior. Houve também apresentações de maculelê, samba de roda, batizado de capoeira, troca de graduação e formaturas.

Como se trata de uma manifestação cultural, o Museu Vivo não poderia ficar sem registrar um evento de suma importância para a cidade do Salvador. 

Mestre Balão é responsável pelo grupo há cerca de 13 anos. Ele disse que o CTE (Centro de Treinamento de Estudos da Capoeiragem) é uma dissidência dos quilombolas do Barro Vermelho. Existem núcleos espalhados em países como: Estados Unidos, Bélgica, Austrália e Suíça. Em Salvador, o CTE treina na academia Speed que fica no bairro da Pituba.
"A nossa função não é apenas o treino da Capoeira, mas também o estudo. É uma emoção muito grande saber da nossa identidade como baiano e como brasileiro através da cultura afrodescendente. A base do povo é a sua identidade, é o conhecimento do individuo". - Mestre Balão


ENTREVISTA COM MESTRE VERMELHO

Mestre Vermelho
Museu Vivo - O senhor é considerado um dos precursores desse movimento que incorpora a capoeira fazendo uma mistura com a manifestação folclórica. Poderia falar um pouco sobre isso?

Mestre Vermelho - Na verdade, tudo começou com Rosita Salgado e com a professora Emília de Biancardi. Depois vieram muitos outros grupos como o nosso, o Afonjá, o Bahia Total, depois o grupo Moenda - durante 25 anos e após essa movimentação a capoeira espalhou-se pelo mundo. Não por nós, mas porque ia acontecer. Aconteceu e hoje mais de 150 países tem capoeira da Bahia, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Brasil em geral.

Museu Vivo - Até um tempo atrás havia preconceito em relação à capoeira. Hoje muitos jovens têm procurado esse tipo de esporte. Como o senhor ver essa mudança?

Mestre Vermelho - Sabe-se que a capoeira vinda dos escravos e havendo um preconceito contra eles, mesmo após a abolição da escravatura existe, ainda hoje, uma certa dificuldade dos negros conseguirem o seu espaço. Com a Capoeira não poderia ser de outra forma. Ela foi perseguida e houve o tempo em que o capoeira era preso. As coisas começam a mudar a partir do momento que Getúlio Vargas viu a capoeira  e a achou muito bonita. Ele resolveu transformá-la em esporte nacional. Ela passou a ser apresentada nos salões, em palácios de governos, em transatlânticos no porto, em eventos, congressos e hotéis. Hoje a Capoeira não é feita apenas pelas classes populares do subúrbio, nas esquinas de rua e nos quintais, mas é feita também nas academias. É dinâmica e ainda irá evoluir mais, vai perder um pouco da tradição e conseguir novos movimentos.

Museu Vivo - O senhor ensina Capoeira Regional ou Angola?

Mestre Vermelho - Eu sou daqueles que diz: capoeira é capoeira! A regional é uma variante. Tem o mesmo valor, embora eu seja angoleiro. Podemos dizer que são modos de jogar capoeira, mas são também duas culturas. O angoleiro pensa um pouco diferente do regional. O regional enfatiza mais como luta e o angoleiro o universo. O angoleiro é angoleiro no modo de andar, ao dobrar a esquina e de se vestir, já o regional é mais solto, é formado mais por estudantes. As duas são muito importantes e se misturam. Daqui a um tempo vai se falar apenas CAPOEIRA.
EDVA BARRETTO
"O CTE Capoeiragem é um grupo que se originou do Raízes Brasileiras. O Mestre Balão e a Professora Carol fizeram parte desse grupo. Eles estão dando continuidade e representando a nossa cultura com dignidade, fazendo um trabalho social que todo educador gostaria de fazer.  Fazem de uma forma muito correta, com honestidade e estão tirando meninos de rua, trazendo pessoas de outros países e fazendo essa união que a capoeira promove. A Capoeira em si tem essa característica de agregar, de unir não importando se seja negro, branco, índio, europeu ou africano. Isso é muito importante para nós seres humanos: viver  em harmonia  e respeito". 

Samba de roda




Maculelê

Aguardem vídeos do evento!

Anderson Luis de Araújo Moreira
Museólogo - COREM 1R 0279-I
e-mail: projetomuseuvivo@gmail.com
http://www.museuvivonacidade.blogspot.com/