Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 14 de abril de 2026

A janela brasileira para o fim da escala 6×1

Terça, 14 de abril de 2026

A janela brasileira para o fim da escala 6×1

Produtividade do trabalho cresceu, apesar de duas crises econômicas globais. Baixa desocupação reflete cenário positivo. Custo da mão-de-obra é baixíssimo – e revela que não há repasse dos ganhos econômicos aos salários. Há chance histórica para a redução da jornada

OUTRASPALAVRAS                          Trabalho e Precariado






Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
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Este texto, originalmente intitulado “Viabilidade econômica para redução da jornada de trabalho no Brasil” foi escrito por Isadora Scheide Muller e Cássio da Silva Calvete e faz parte de um dossiê organizado pelo Cesit/Unicamp, Site DMT, Remir, GEPT/UNB e FCE/UFRGS e publicado em parceria com o Outras PalavrasLeia aqui a série completa

Introdução

Perto de completar 40 anos em vigor, a Constituição Federal de 1988 foi responsável por instituir a última redução da jornada de trabalho formal no Brasil. A jornada de até 8 horas diárias e 44 semanais substituiu a jornada em vigor até então, de 48 horas semanais, estabelecida formalmente desde a Constituição de 1934.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Manifestação em memória às vítimas da ditadura no Chile acaba com prisões e incidentes

Segunda, 10 de setembro de 2012
Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

A manifestação que ocorreu ontem (9) em Santiago, capital do Chile, para lembrar as vítimas da ditadura do governo Augusto Pinochet (1973-1990), acabou com oito presos e vários incidentes pela cidade. Todos os anos a data em que ocorreu o golpe militar – de 11 de setembro de 1973 - é celebrada no país. No Chile, há o Museu da Memória em homenagem aos mortos e desaparecidos do período militar.

A partir do golpe militar, em 11 de setembro de 1973, o Chile viveu 17 anos anos sob a ditadura. Amanhã (11), vários grupos depositarão flores na porta do Palácio de La Moneda. Parentes e amigos das vítimas, além de simpatizantes do Partido Socialista, visitarão o monumento do ex-presidente Salvador Allende - símbolo de resistência aos militares nos anos de 1970 e que estava no poder quando houve o golpe.

Com banners, bandeiras e cartazes, os manifestantes saíram da Praça dos Heróis, no centro de Santiago, em direação ao cemitério onde fica o memorial em homenagem às vítimas. Em marcha, os manifestantes passaram em frente ao Palácio de La Moneda (sede do governo), onde a polícia havia organizado forte esquema de segurança.

Durante a manifestação, houve incidentes envolvendo pessoas encapuzadas, que atiraram pedras contra policiais e instituições públicas. A presidenta da Associação de Familiares de Desaparecidos, Lorena Pizarro, apelou ao presidente chileno, Sebastián Piñera, "para acabar com a impunidade e a repressão policial"

Pelos dados das organizações não governamentais (ONGs), a ditadura de Pinochet deixou mais de 3 mil mortos e 37 mil vítimas de prisão e torturas. Os tribunais chilenos ainda têm 350 ações à espera de julgamento sobre casos de desaparecimento, tortura, confinamento ilegal e conspirações do período da ditadura, envolvendo cerca de 700 agentes civis e militares.
 
*Com informações da emissora multiestatal de televisão, Telesur.
Edição: Graça Adjuto

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Crise do neoliberalismo: a luta chilena por educação gratuita e por democracia real.

Segunda, 26 de setembro de 2011 
Após 30 anos de destruição dos direitos sociais na América Latina, o Chile demonstra que a democracia real é incompatível com as ‘plenas liberdades de mercado’ e que está na hora de construir a verdadeira igualdade social forjada na luta popular.

Por Joana Salém Vasconcelos*
 
O neoliberalismo apresentou seus primeiros sinais de crise com a emergência de governos anti-imperialistas na Venezuela (1998), na Bolívia (2005) e no Equador (2006). Com a crise econômica aberta em 2008 o imperialismo se viu mais debilitado para garantir sua política neoliberal na América Latina. Junto com a crise econômica veio uma nova situação política mundial, especialmente gerada pelas revoluções árabes de 2011, que derrubaram ditadores e forjaram movimentos sociais de massas com ampla capacidade. Os ventos das revoluções democráticas do mundo árabe atravessaram o mediterrâneo e alcançaram as praças da Europa em um dos momentos mais agudos da crise econômica, que se manifestou como crise da dívida pública dos países europeus. A bandeira “democracia real ya” criada na Espanha é a expressão do povo contra o domínio dos mercados financeiros nas decisões dos governos. Essa nova dinâmica da luta de classes mundial é marcada pelo conflito entre capitalismo e democracia: os interesses financeiros de salvar os bancos entraram em choque com os interesses públicos para salvar os direitos sociais. Os governos europeus, como previsto, tinham lado claro neste choque, e abraçaram os planos de ajustes do FMI.

É nesta nova conjuntura mundial que a crise do neoliberalismo na América Latina de aprofunda, tendo como principal expressão a luta do povo chileno por educação pública. Depois de 2011, o movimento social chileno não recua um passo atrás. O povo chileno não aceitará mais programas de falsas mudanças. Ou seja, a experiência de luta antineoliberal chilena é irreversível e agora o neoliberalismo está efetivamente em cheque. E foi justamente no Chile que o neoliberalismo nasceu.

O neoliberalismo é filho da ditadura de Pinochet.

 O Chile foi o berço do neoliberalismo. Após o golpe militar de 11 de setembro de 1973 que assassinou o presidente Salvador Allende, se instaurou no poder o tirano Augusto Pinochet que governou o país por 18 anos com mãos de ferro. Pinochet ficou mundialmente conhecido por ser responsável por mais de 30 mil mortes e desaparecimentos de cidadãos latino-americanos. Seu primeiro ato econômico de governo foi a formação de uma equipe que ficou conhecida como Chicago Boys. Os Chicago Boys, economistas chilenos formados na Universidade de Chicago, formularam a política econômica da ditadura e a primeira implementação do modelo neoliberal no mundo. O regime militar chileno foi a vanguarda mundial do neoliberalismo.

A certidão de nascimento do neoliberalismo chileno é um medíocre documento ideológico de 1973 chamado El Ladrillo. Recorrendo ao mito da neutralidade da técnica e da eficácia dos agentes privados, eles elaboraram uma doutrina que se declarava antimarxista, fundada em uma série de mentiras e manipulações a respeito do governo Allende. O documento apregoava a redução dos gastos públicos, a venda o setor estatal, abertura do país ao capital estrangeiro, e a política de meta de inflação. Foi isso que fizeram. Venderam tudo: as terras dos camponeses, o cobre estatal do norte, as florestas do sul, os recursos naturais, os solos urbanos. Com isso, a burguesia chilena realizou uma gigante demonstração de antipatriotismo. O governo militar apoiou as políticas de redução salarial e acobertou as ganâncias da especulação financeira. As privatizações da saúde e da educação públicas se consolidaram em 1981. A distância entre ricos e pobres, dali em diante, só aumentou. Foi a partir de 1981 que a educação pública chilena deixou de ser gratuita e passou a ser encarada como uma mercadoria igual a qualquer outra.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como nos velhos tempos de Pinochet

Sexta, 26 de agosto de 2011
A repressão do governo chileno às manifestações de estudantes e trabalhadores já apresenta 1.394 detidos, 206 feridos e o jovem Manuel Gutierrez, de 14 anos, morto. É a guerra entre os que querem mudanças e o neoliberalismo do presidente Sebastián Piñera.

Leia sobre os conflitos no Chile.

Atenção! Senta! Deita! Rola! Morto!

Sexta, 26 de maio de 2011
Lideradas pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e por entidades representativas dos estudantes milhares de pessoas  tomaram ontem (25/8) as ruas das principais cidades do país no segundo dia de greve geral contra políticas neoliberais do governo. Ao final do dia foram registrados muitos confrontos entre manifestantes e policiais.

O presidente da Une (União Nacional dos Estudantes), entidade que se diz representante dos estudantes universitários brasileiros, esteve presente nas manifestações contra o governo. Também participaram do movimento os partidos políticos, especialmente os de esquerda.

As manifestações populares desta semana foram as mais fortes dos últimos 20 ou 30 anos no país, segundo opiniões de analistas.


Os organizadores da greve geral, que teve o apoio integral dos estudantes e de pais de alunos, reivindicam mudanças nos sistemas de aposentadoria, e também na saúde pública e impostos, exigindo ainda uma reforma constitucional. A série de manifestações teve início há três meses com as passeatas de milhares de estudantes e professores que pressionam o governo por uma reforma educacional.


Os estudantes querem mudança na educação, com maior investimento no setor e um ensino superior gratuito. Alguns estudantes, dentre os quais líderes de entidades estudantis, se encontram em greve de fome há mais de 30 dias, num esforço para sensibilizar o governo e a opinião pública para as mudanças necessárias na educação.


Se a greve geral dos trabalhadores e as manifestações dos estudantes foram tão fortes, por que nós brasileiros não tomamos conhecimento de toda a sua extensão? 


Por um simples detalhe. Triste detalhe. É que toda essa manifestação de trabalhadores, pais e estudantes, não acontece no Brasil. Está ocorrendo aqui perto, no Chile.


A CUT que não se deixou domesticar, que não permitiu ser adestrada, é a Central Única dos Trabalhadores do Chile. Os centros e grêmios acadêmicos que são inquietos, contestadores, não são os brasileiros, mas as agremiações estudantis desse país irmão da América do Sul.


O presidente da Une (União Nacional dos Estudantes) que está no Chilia é sim o brasileiro. A entidade é aquela que nas ruas contestou e enfrentou a ditadura no Brasil. Mas hoje o seu presidente encontra-se nas manifestações dos estudantes do Chile, enquanto que aqui no Brasil ele se cala contra as mazelas dos governos. Protesto, só contra governos de outros países. No Brasil? O partido que controla a Une não deixa. Mesmo que a nossa seja uma educação bem pior do que a do Chile. Temos uma educação em que o aluno sai oito anos depois de estudar e não consegue fazer uma simples regra de três. Mas também até os livros do MEC (Ministério da Educação) estão sendo publicados com erros grosseiros de matemática! O que esperar?

No Brasil as principais centrais sindicais foram domesticadas com os milhões de reais que o governo passou a distribuir para elas, com muitos de seus líderes agarrados nas tetas do Estado. Sindicatos inteiros foram cooptados pelo agrado dos governantes. Partidos de esquerda (há exceções, ainda bem) se confundem com a mais tradicional direita do país, e mais do que isso, passaram a apresentar as mesmas práticas deletéreas de seus antigos adversários.

Esta semana mesmo foi aprovado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1992 de 2007, de iniciativa do Poder Executivo e que privatiza a previdência dos servidores públicos. Contra esse projeto, enviado em 2007 por Lula ao Congresso, não houve um pio das centrais de trabalhadores do Brasil, apesar de altamente prejudicial ao brasileiro, beneficiando apenas o sistema financeiro. CUT, Força Sindical, e outros penduricalhos dessas duas primeiras, nada falaram. Nem um pio. Caladas. Fingem-se de mortas para continuarem a ter as benesses do governo.

Enquanto no Chile a coisa está esquentando e a explosão cívica se espalha, no Brasil o governante trata as entidades sindicais e de estudantes como fazem os adestradores de cães:

- Senta!

- Deita!

- Rola!

- Morto!

E as centrais sindicais, os sindicatos e a Une, o que fazem? Sentam, deitam, rolam e se fingem de mortos para terem direito a uma raçãozinha como recompensa.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

CHILE: a alternativa dos estudantes é a Argentina

Quinta, 25 de agosto de 2011
Da Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Hoje o Chile vive o segundo dia de protestos nacionais chamados pela Central Unitária de Trabalhadores em apoio às demandas estudantis. Mais de 400 pessoas foram presas, segundo as autoridades, por saquear lojas e confrontar a polícia. A Pública traz uma reportagem do parceiro CIPER, um centro independente de investigação jornalística, que mostra o êxodo de estudantes chilenos à Argentina para fugir das dívidas educacionais e usufruir da educação de boa qualidade.
por Rodrigo Baires e Lissette Fossa do Ciper (Centro de Investigacíon Periodística)

Hoje há 207.256 jovens que juntos devem 514 milhões de pesos (aproximadamente 1,7 milhão de reais) ao CAE, criado em 2006, para aplacar a “rebelión de los pinguinos”, que reivindicava melhorias no sistema educacional do país.

No dia 30 de junho deste ano, enquanto cerca de 100 mil pessoas se manifestavam nas ruas chilenas pedindo educação de qualidade e sem fins lucrativos, uma centena de jovens fazia o mesmo nas ruas de Buenos Aires – em uma passeata que foi do Obelisco até o consulado chileno.

A maioria dos manifestantes tinha deixado seus lares no Chile para viver na Argentina, país onde as universidades são gratuitas. “O exílio educacional ao qual nos vemos obrigados se deve às condições injustas de custo, entrada e acesso à educação superior de qualidade no nosso país”, diz trecho da carta aberta entregue na embaixada.

domingo, 7 de agosto de 2011

Juventude chilena não se deixou amestrar

Domingo, 7 de agosto de 2011  
A resistência dos estudantes chilenos à repressão do governo de direita, em 4 de agosto.