Terça, 13 de agosto de 2024
Ministra da Ciência e Tecnologia afirmou que 65% desses ataques foram de negação de serviço, os chamados DDoS
Lorenzo Santiago
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

Apresentação dos dados foi feita em reunião do Conselho de Segurança do governo da Venezuela - Prensa Presidencial
O governo da Venezuela apresentou nesta segunda-feira (12) detalhes da ofensiva hacker sofrida pelo sistema eleitoral do país durante as eleições de 28 de julho. Segundo a ministra de Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez, foram 30 milhões de ataques por minuto em média durante o dia 28. A apresentação foi feita durante reunião do Conselho de Segurança organizado pelo governo.
Ainda de acordo com a ministra, 65% desses ataques foram de negação de serviço - ou DDoS. Essa é uma forma de congestionar o sistema com um volume muito grande de pedidos de acesso, forçando a sua queda. Ou seja, muitos computadores tentam, ao mesmo tempo, entrar num mesmo site, fazendo os mesmos pedidos, criando um fluxo insuportável para uma determinada página online.
Segundo o relatório do governo, foram atacadas 25 órgãos do governo nacional, além de outras 40 instituições, entre sites de estados, prefeituras, empresas privadas e de comunicação. O aumento neste fluxo já tinha sido identificado pela Netscout, plataforma estadunidense criada em 1984 que avalia o desempenho de páginas na internet.
O site indica que houve um “aumento incomum” no número de ataques DDoS na Venezuela no dia das eleições, que se estenderam também no dia seguinte ao pleito. De acordo com a Netscout, o número de ataques por segundo foi 690 vezes maior em 28 de julho, se comparado ao dia anterior.
O governo afirma que 98% dos ataques partiram de uma mesma rede de computadores e apenas 2% foram de plataformas móveis - como celulares. Segundo especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato, a origem dos ataques de DDoS são realmente possíveis de serem identificados, já que são feitos na internet. Para isso, é preciso rastrear o IP de onde foi feito o pedido. O IP é como um endereço que cada computador tem.
A ministra afirmou que foi “sequestrado” o IP da empresa de telefonia venezuelana CanTV, responsável por fazer a transmissão dos dados das urnas para o sistema do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). “São alterados os IPs e quando os usuários tentam acessar links de sites com algum serviço, eles são redirecionados a um site completamente diferente e esse movimento colapsa os servidores de forma conjunta”, afirmou a ministra.
O governo estima que um ataque em grande escala como esse pode custar entre US$ 500 e US$ 5 mil (de R$ 2.746 a R$ 27.467) por hora. A ministra afirmou que, para isso, seria preciso um “grande potencial econômico e tecnológico”.
“Temos um volume importante em número de ataques, financiamento significativo e diversidade de ataques contra instituições do Estado. Quem tem capacidade para fazer um ataque desse tamanho? Um Estado como Estados Unidos, que conta com agências como a NSA [Agência de Segurança Nacional], que tem um orçamento para ataques de alta magnitude”, afirmou.
Segundo o CNE, esses ataques atrasaram a divulgação dos resultados eleitorais e a publicação dos dados detalhados por mesa de votação. O presidente Nicolás Maduro pediu a investigação desse movimento depois da denúncia apresentada pelo CNE.

