“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O Sistema é Bruto: Bilionários pelo Mundo Ficam 20% Mais Ricos em 2017

Quarta, 21 de novembro de 2018
Da Agência Pulsar Brasil

BILIONÁRIOS PELO MUNDO FICAM 20% MAIS RICOS EM 2017



Imagem EBC

No Brasil, 42 bilionários também tiveram aumento de suas fortunas na comparação com 2016, quando acumulavam mais de 173 bilhões de dólares e passaram a quase 177 bilhões no ano passado.Os chamados super-ricos do planeta, que correspondem a duas mil 158 pessoas, aumentaram suas fortunas em quase 20 por cento em 2017, ano em que acumularam um montante calculado em quase nove trilhões de dólares – algo como quatro bilhões de dólares cada uma. Os dados, que fazem parte do levantamento UBS Billionaires Report 2018 divulgado pelo banco suíço UBS e pela consultora PwC, mostram que a soma dessas fortunas são superiores, inclusive, ao Produto Interno Bruto (PIB) de alguns países, entre eles, Espanha e Austrália, que no mesmo ano registraram cerca de um trilhão de dólares.
O comentarista internacional Flávio Aguiar ressalta que entre 179 novos super-ricos, registrados pelo relatório, 44 passaram a ter este status por meio de herança.
O analista ressalta ainda a desigualdade em termos de distribuição regional, afirmando que “nenhum desses bilionários pertencem à África chamada subsaariana, uma das regiões em que sabidamente mais há pobres no mundo”. Os Estados Unidos são o país que historicamente concentra o maior número de bilionários, mas, segundo Aguiar, é a China que tem expandindo este número. (pulsar/rba)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Os donos do crédito no Brasil

Terça, 27 de fevereiro de 2018
Do Jornal do Brasil
Gilberto Menezes Côrtes

Apenas seis famílias estão entre os controladores dos quatro maiores bancos privados do país que lucraram R$ 53,9 bilhões em 2017. Foi um crescimento superior a 10%, num ano em que a economia cresceu pouco mais de 1%. O crescimento dos lucros dos bancos, turbinados pela concentração bancária e a prática dos juros mais elevados do mundo acirrou a concentração de renda no Brasil. 
Maior banco do país, o Itaú, controlado pelas famílias Setúbal, Villela e Moreira Salles teve ganho de R$ 24,9 bilhões no ano passado, com alta de 10,7%. No Bradesco, que tem entre os acionistas Denise Aguiar Alvarez, neta do fundador Amador Aguiar, o lucro de R$ 14,65 bilhões cresceu 11,9% sobre 2016. A maior expansão, de 44,5%, foi do espanhol Santander, controlado por Ana Botin. O Safra, de Joseph Safra, um dos brasileiros mais ricos do mundo, ganhou mais 13% (R$ 1,9 bilhão).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Veja quem são os oitos mais ricos do mundo que controlam tanta riqueza quanto os 50% mais pobres

Segunda, 16 de janeiro de 2017
Do Esquerda.Net
A Oxfam concluiu que as desigualdades em espiral crescente são resultado de uma compressão salarial agressiva de grande parte da população mundial, de fuga aos impostos do capital e à redução de margem dos produtores.

Fome e Seca, foto de António Silva - Lusa
Fome e Seca, foto de António Silva - Lusa
Bill Gates, Amancio Ortega (fundador da Zara), Warren Buffett, Carlos Slim Helú (setor das comunicações no México), Jeff Bezos (fundador da Amazon), Mark Zuckerberg (fundador do facebook), Larry Ellison (Oracle), e Michael Bloomberg (ex-presidente de Nova Iorque), são os oito multi-milionários mais ricos do mundo e, entre si, controlam mais riqueza do que os 50% mais pobres, o que perfaz 3,6 mil milhões [3 bilhões e 600 milhões] de pessoas, diz a Oxfam num relatório publicado
 para coincidir com o início do Fórum Económico de Davos, na Suíça. 

No relatório, a organização considera que a acumulação de 426 mil milhões de dólares de forma tão concentrada é “demasiado grotesco”. Na análise, concluiu que as desigualdades em espiral crescente são resultado de uma compressão salarial agressiva de grande parte da população mundial, de fuga aos impostos do capital e à redução de margem de lucro dos produtores sob pressão de grandes distribuidores. 
No ano passado, a Oxfam afirmou que não eram 8 mas 62 as pessoas que controlavam a mesma riqueza que os 50% mais pobres, mas novos números sobre pobreza na Índia e na China alteraram os cálculos de distribuição de riqueza mundial. 
Estes números juntam-se ao relatório também da Oxfam que revelou que 1% dos mais ricos controlam mais riqueza que o resto da população e, mantendo-se esta tendência, dentro de 20 anos quinhentas pessoas controlarão 2,1 biliões de dólares, um valor mais alto do que o PIB da Índia. Entre 1998 e 2011 o rendimento dos 10% mais pobres aumentou apenas 65 dólares, enquanto que o rendimento dos 1% mais ricos aumentou em 11,800 dólares - 182 vezes mais. 

Capitalismo é isso: Oito homens mais ricos detêm mesmo patrimônio que a metade mais pobre do mundo

Segunda, 16 de janeiro de 2017


Marieta Cazarré – Correspondente da Agência Brasil


O patrimônio de apenas oito homens é igual ao da metade mais pobre do mundo. Os dados foram divulgados hoje (16) pela Oxfam, organização humanitária que luta contra a pobreza, e mostram ainda que a fatia dos 1% mais ricos detém mais que todo o resto do planeta.

O relatório intitulado "Uma economia para os 99%” denuncia o abismo existente entre os mais ricos e o resto da população mundial e apresenta propostas de ações para uma sociedade mais justa e igualitária.

Entre os dados apresentados no documento há referência positiva ao caso do Brasil, onde os salários reais dos 10% mais pobres da população aumentaram mais que os pagos aos 10% mais ricos entre 2001 e 2012, “graças à adoção de políticas progressistas de reajustes do salário mínimo”.

No entanto, as notícias de maneira geral não são boas. No mundo, a renda dos 10% mais pobres aumentou cerca de US$ 65 entre 1988 e 2011, enquanto a renda dos 1% mais ricos aumentou – 182 vezes mais no mesmo período (ceca de US$ 11.800). Além disso, sete em cada dez pessoas vivem em um país que registrou aumento da desigualdade nos últimos 30 anos.

Ao longo dos próximos 20 anos, 500 pessoas passarão mais de US$ 2,1 trilhões para seus herdeiros – uma soma mais alta que o Produto Interno Bruto (PIB) da Índia, país que tem 1,2 bilhão de habitantes.

Nos Estados Unidos, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%.

Outro exemplo que o documento cita e que revela o tamanho da desigualdade na distribuição de renda é o Vietnã: o homem mais rico do país ganha mais em um único dia de trabalho do que a pessoa mais pobre vai ganhar em um período de dez anos.

De acordo com a Oxfam, os mais ricos acumulam riqueza de forma tão acelerada que o mundo pode ter seu primeiro trilionário nos próximos 25 anos. A ideia de que uma única pessoa possua mais de um trilhão é tão incrível que a palavra “trilionário” ainda não aparece na maioria dos dicionários. O relatório destaca que seria preciso gastar US$ 1 milhão todos os dias durante 2.738 anos para gastar US$ 1 trilhão.
Outra triste conclusão apresentada é sobre as desigualdades de gênero. De acordo com as tendências atuais, o impacto é maior entre as mulheres, que levarão 170 anos para serem remuneradas como os homens.

A Oxfam afirma que as relações econômicas atuais recompensam excessivamente os mais ricos e propõe, como estratégia para diminuir o abismo entre milionários e pobres, tornar essas relações econômicas mais humana.

“Governos responsáveis e visionários, empresas que trabalham no interesse de trabalhadores e produtores, valorizando o meio ambiente e os direitos das mulheres, além de um sistema robusto de justiça fiscal são elementos fundamentais para essa economia mais humana”, diz o texto.

O relatório fala ainda em cobrança justa de impostos por empresas e pessoas ricas, a igualdade salarial entre homens e mulheres e a proteção do meio ambiente.

“Combustíveis fósseis têm impulsionado o crescimento econômico desde a era da industrialização, mas eles são incompatíveis com uma economia que efetivamente prioriza as necessidades da maioria. A poluição do ar provocada pela queima de carvão causa milhões de mortes prematuras em todo o mundo, enquanto a devastação causada pelas mudanças climáticas afeta mais intensamente os mais pobres e mais vulneráveis. Energias renováveis sustentáveis podem garantir o acesso universal à energia e promover o crescimento do setor energético respeitando os limites do nosso planeta”.

O relatório da Oxfam foi divulgado um dia antes do início do Fórum Econômico Mundial, que vai debater alguns desses assuntos ao longo desta semana, em Davos, na Suíça. No evento, estarão reunidos os principais atores políticos e econômicos do mundo para discutir, entre outros temas, a questão das alterações climáticas.

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Menos de 1% das propriedades agrícolas detém quase metade da área rural no país

sábado, 24 de dezembro de 2016

Brasil, paraíso dos latifundiários: Dez maiores multas por desmatamento somam R$ 260 milhões e sequer são pagas, denuncia Greenpeace

Sábado, 24 de dezembro de 2016
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil

desmatamento
Entre agosto de 2015 e julho 2016 houve
aumento de 29% do desmatamento na região amazônicaArquivo/Agência Brasil

Os dez maiores multados por destruir a Amazônia entre agosto de 2015 e julho 2016 acumularam mais de R$ 260 milhões em penalidades e a maior parte dessas multas não são pagas, segundo a Ong Greenpeace. No mesmo período, como mostrou estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve aumento de 29% do desmatamento na região.

O valor total das multas ambientais aplicadas nos estados da Amazônia Legal no período foi R$ 1,7 bilhão. As multas incluem crimes como desmatamento, exploração ilegal de madeira, transporte ilegal de madeira e fraude no sistema.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Menos de 1% das propriedades agrícolas detém quase metade da área rural no país

Quinta, 1º de dezembro de 2016
Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil
Propriedade rural em Ulianápolis, Pará,
Estabelecimentos com menos de 10 hectares representam cerca de 47% do total das propriedades brasileiras, mas ocupam menos de 2,3% da área rural total -MMA/Arquivo

Quase metade da área rural brasileira pertence a 1% das propriedades do país, de acordo com o estudo inédito Terrenos da desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural divulgado hoje (1º) pela organização não governamental (ONG) britânica Oxfam. Os estabelecimentos rurais a partir de mil hectares (0,91%) concentram 45% de toda a área de produção agrícola, de gado e plantação florestal.

Por outro lado, estabelecimentos com menos de 10 hectares representam cerca de 47% do total das propriedades do país, mas ocupam menos de 2,3% da área rural total. Esses pequenos produtores produzem mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, já que as grandes monoculturas exportam a maior parte da produção.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

10 maiores empresas ganham mais do que maioria dos países do mundo juntos. A Walmart, Apple e Shell são mais ricas do que a Rússia, Bélgica e Suécia

Quinta, 15 de setembro de 2016
Do Esquerda.Net
69 das 100 maiores entidades econômicas são empresas, e não países. Se olharmos para a lista das 200 principais entidades económicas, a situação é ainda mais flagrante, já que 153 são empresas. A Walmart, Apple e Shell são mais ricas do que a Rússia, Bélgica e Suécia.
14 de Setembro, 2016
Segundo a Global Justice Now, em 2015, as 10 maiores empresas do mundo - entre as quais a Walmart, Shell e Apple - registraram uma receita combinada superior à receita dos 180 países com menos dinheiro, lista que inclui a Irlanda, Indonésia, Israel, Colômbia, Grécia, África do Sul, Iraque e Vietname*.

O diretor da Organização Não Governamental (ONG), assinala que "a vasta riqueza e poder das multinacionais está na base de muitos dos problemas do mundo - como a desigualdade e as alterações climáticas”.

“A procura atual por lucros de curto prazo parece sobrepor-se aos direitos humanos mais elementares de milhões de pessoas no planeta. Estes números mostram que o problema está a piorar”, alerta Nick Dearden.

"O governo do Reino Unido tem facilitado este aumento do poder empresarial - através de estruturas fiscais, acordos comerciais e até mesmo programas de apoio que ajudam grandes empresas”, sublinha o representante da ONG.

“Todo o seu apoio incondicional ao acordo comercial EUA-UE (TTIP) , é apenas o mais recente exemplo do apoio do governo às grandes empresas”, acrescenta, lamentando que, “vergonhosamente, [o Reino Unido] também se opõe sistematicamente ao apelo dos países em desenvolvimento no sentido de garantir que as empresas prestem contas na ONU dos seus impactos sobre os direitos humanos”. 

“É por isso que hoje estamos a juntar campanhas de todo o mundo para exortar o governo britânico a parar de bloquear essa reivindicação internacional por justiça", destaca Dearden.

A Global Justice Now divulgou agora estes números por forma a aumentar a pressão sobre o governo britânico para que este não vete, tal como já fez no passado com propostas semelhantes, a criação de um tratado juridicamente vinculativo, a nível nacional e global, que assegure que as transnacionais são abrangidas por todas as responsabilidades no domínio dos direitos humanos. O documento está a ser preparado por um grupo de trabalho da ONU, liderado pelo Equador.


* Os números apresentados pela Global Justice Now foram calculados a partir de uma comparação direta das receitas anuais das empresas e a receita anual dos países. Fontes: CIA World Factbook 2015 e Fortune Global 500.
Esquerda.net com Global Justice Now.

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Tratado Transatlântico (TTIP): proposta europeia anula compromissos da cimeira do clima

Terça, 12 de julho de 2016
Do Esquerda.Net
Em dezembro passado, 200 governos comprometeram-se em Paris a reduzir o uso de combustíveis fósseis e apostar nas energias renováveis. Mas um documento vindo a público das negociações do TTIP mostra que a UE quer ir no sentido contrário.
12 de Julho, 2016
Foto Ulrike Schmidt/Kompact
Uma nova fuga de informação, revelada pelo Transnational Institute (TNI), apresenta a proposta da Comissão Europeia nas negociações com os Estados Unidos acerca do mercado da energia e matérias primas, que foi apresentada no Conselho Europeu do mês passado.

Esta proposta vai no sentido de liberalizar o comércio de combustíveis fósseis e restringir a implementação de políticas que favorecem as energias limpas. Segundo o TNI, Bruxelas exige que o Tratado Transatlântico inclua “um compromisso obrigatório para eliminar todos os obstáculos existentes à exportação de gás natural” entre os EUA e a UE. O resultado deste compromisso seria o aumento da exportação do gás natural liquefeito norteamericano, contribuindo assim para o aumento das emissões e da dependência dos combustíveis fósseis.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

As 10 empresas que controlam 40 mil outras

Quarta, 6 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
Um estudo recente sobre as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo veio comprovar resultados de um trabalho anterior, que mostrou que 146 acionistas controlam 40% do valor total das empresas.
5 de Abril, 2016

Foto de Nick Ares/Flickr

A professora de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid, Reyes Herrero López, estudou as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo. A lista dos 10 investidores mais importantes está representada na figura abaixo, feita com base da descrição do artigo de Reyes Herrero López feita por Narciso Pizarro no blog de economia El Salmon Contracorriente. Em primeiro lugar da lista está o fundo norte americano BlackRock, considerado o maior gestor de ativos do mundo.
 
Os 10 investidores mais importantes a
nível mundial, segundo o trabalho de Reyes
Herrero López.

Em cada lugar do ranking descrevemos o número total de empesas participada por cada uma, uma forma de visualização da importância dos maiores investidores. Além disso, vários destes grupos de investidores participam nas mesmas empresas, sendo, no fundo, acionistas uns dos outros.

Reyes Herrero López obteve resultados semelhantes com os de um estudo publicado em 2011 por Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, apesar de ter usado metodologias e bases de dados originais diferentes. Estes autores publicaram na conceituada revista PLOS ONE um trabalho (disponível aqui) em que pesquisaram extensivamente a relação entre os proprietários das 43.060 maiores empresas multinacionais do mundo.

O primeiro estudo teve como fonte a base de dados OSIRIS e usou dados de 2012, o segundo recorreu à base de dados Orbis em 2007. No trabalho mais antigo, os investigadores, economistas e estatísticos, procuraram as interligações entre as multinacionais mundiais. E, tal como o estudo recente, revelaram que um pequeno grupo de atores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.

Vitali, Glattfelder e Battiston estudaram as cadeias de participação em capital de uma empresa noutra e encontraram 1.006.987 cadeias de relações de propriedade entre 600.508 atores económicos que incluem mais de 40.000 multinacionais e outros agentes que não estavam incluídos na lista inicial de empresas. Descobriram que 737 acionistas, 0,123% de todos os acionistas, controlam 80% do valor das empresas mundiais de as mais de 43.000 companhias multinacionais.

Além disso, 147 desses acionistas, 0,024% do número total de acionistas, controlam 40% do valor total destas empresas. Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam aquilo a que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo. Não só existe um alta concentração de controlo, como os acionistas estão extremamente conectados entre si.

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sábado, 5 de março de 2016

"TTIP quer baixar padrões e aumentar lucros de multinacionais"

Sábado, 5 de março de 2016
Declarações de John Hilary, diretor da ONG "War on Want", que luta contra o TTIP, ao esquerda.net. O texto lido em baixo, tal como o vídeo da entrevista.
John Hilary é o diretor da "War on Want", uma ONG britânica que está à frente da luta contra o TTIP, cronista e autor do livro of "The poverty of capitalism: economic meltdown and the struggle for what comes next" ["A pobreza do capitalismo: crise económica e a luta por o que vem depois"], de 2013. John Hilary foi entrevistado para o esquerda.net sobre o ponto atual da luta contra o TTIP e possíveis alternativas na conferência "Um Plano B para a Europa", em Madrid.
"Estamos muito felizes porque o movimento contra o TTIP e também contra o tratado entre o Canadá e a União Europeia, o CETA, tornou-se um movimento de massas, não só no Reino Unido, mas em toda a Europa. 
Em 28 estados membros da UE há milhões e milhões de cidadãos que fizeram ações contra o TTIP e contra o CETA e contra esta nova geração de acordos de comércio livre. O que é muito bom para nós é que todos os sindicatos no Reino Unido estão 100% contra o tratado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O Capitalismo do 1%. "A desigualdade tem aumentado em ritmo galopante", diz Guilherme Boulos

Quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Do Blog Náufrago da Utopia 
O CAPITALISMO DO 1%
Por Guilherme Boulos
Uma economia para o 1%. Com esse título, a organização não governamental britânica Oxfam lançou no mês passado um estudo das desigualdades no mundo. Pela primeira vez na história o 1% mais rico superou em renda e patrimônio os 99% restantes. Os dados basearam-se no Relatório anual de 2015 do banco Credit Suisse.

O estudo mostrou que a metade mais pobre da humanidade (3,6 bilhões de pessoas) viu sua riqueza cair 38% nos últimos cinco anos, perda de US$1 trilhão. E se apropriou de apenas 1% do aumento da riqueza global desde 2000. Enquanto isso, o 1% mais rico abocanhou a maior parte deste incremento.

A riqueza da metade mais pobre equivalia em 2010 à dos 388 homens mais ricos do mundo. Nos últimos anos, essa indecência só se agravou: as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres agora têm o mesmo que 62 membros do Clube dos bilionários.

Os resultados são alarmantes. Mostram que, desde o estouro da crise em 2008, a desigualdade tem aumentado em ritmo galopante. Enquanto as políticas de austeridade achatam a renda dos trabalhadores e atacam os sistemas de seguridade social, o lucro dos bancos bate recordes, assim como os ganhos de altos executivos.

Quem viu o lucro do Bradesco avançar 14% no ano passado, em plena recessão, não deveria estranhar os resultados apresentados pela Oxfam. No entanto, o relatório foi seguido de ruidosa chiadeira.


 












Os defensores da ordem foram a campo tentando desqualificar os dados do Credit Suisse por sua metodologia. Alegaram, principalmente, que o uso do conceito de riqueza líquida (renda e patrimônio, com subtração das dívidas) distorcia os resultados.

Vale pontuar que, semanas atrás, quando o mesmo Credit Suisse fez um duro prognóstico da recessão brasileira apontando-a como a pior da história, não vimos nenhum articulista da direita nacional fazer suas ponderações "metodológicas".

De toda forma, a própria Oxfam se encarregou de responder o questionamento sobre a riqueza líquida, afirmando que "os 50% mais pobres são, na maioria, pessoas lutando para sobreviver com pouca ou nenhuma riqueza para apoiá-los. Apesar desse número incluir aqueles em dívida –riqueza negativa, mas com algum patrimônio– é importante notar que esses são a exceção e não a regra".

Além disso, foi alegado que, se excluídas as dívidas do cálculo, haveria uma mudança na distribuição da riqueza global e os números não seriam tão chocantes. Isso não é verdade, diz a Oxfam, "já que excluindo a dívida dos 10% mais pobres, a fatia da riqueza do 1% mais rico se modifica pouco, passando de 50,1% para 49,8%". Ou seja, as desigualdades mundiais não se resolveriam com alteração metodológica.

Há quem prefira atacar os dados a deparar-se com a realidade. Compreensível. Afinal não deve ser fácil para os amantes da ordem reconhecer que seu sistema meritocrático da "oportunidade para todos" desandou numa plutocracia onde 1% tem mais que todos os 99% restantes.

O capitalismo fracassou em suas promessas. O mundo de hoje é muito mais desigual que o do século passado. Nem todos os perfumes da Arábia, nem o cinismo do discurso neoliberal conseguirão maquiar esta realidade.

Aí está Bernie Sanders, pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos. Aí está o Podemos, na Europa. E o fortalecimento de diversos movimentos populares mundo afora. Será difícil silenciá-los ante a profundidade do abismo que separa o 1% da maioria trabalhadora.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O capitalismo na sua fase autofágica. O ocidente está reduzido a canibalizar-se

Quarta, 24 de fevereiro de 2016
Do resistir.info
por Paul Craig Roberts [*]

Eu próprio, Michael Hudson, John Perkins e alguns outros, temos relatado os múltiplos saqueios de povos pelas instituições econômicas ocidentais, principalmente os grandes bancos de Nova Iorque com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os países do terceiro mundo foram e são saqueados ao serem induzidos em certos planos de desenvolvimento. A governos crédulos e confiantes é-lhes dito que podem tornar os seus países ricos contraindo empréstimos externos para implementarem planos de desenvolvimento que as potências ocidentais apresentam e que teriam em resultado desse desenvolvimento económico suficientes receitas fiscais para pagamentos dos empréstimos externos.
Raramente, se alguma vez, isso acontece. O que acontece é que o país se torna endividado até ao limite, muito para além dos seus ganhos em moeda estrangeira. Quando o país é incapaz de satisfazer o serviço de dívida, os credores enviam o FMI ao governo endividado para dizer que o FMI poderá proteger o rating financeiro do governo emprestando-lhe dinheiro para pagar aos seus credores bancários. No entanto, as condições impostas são que o governo deverá tomar as necessárias medidas de austeridade a fim de poder pagar ao FMI.
Estas medidas consistem em restringir serviços públicos, o setor estatal, pensões de reforma e vender recursos nacionais aos estrangeiros. O dinheiro economizado pela redução de benefícios sociais e o obtido com a venda de ativos do país aos estrangeiros serve para pagar ao FMI.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Piketty: Sanders desafia a Era da Desigualdade

Quinta, 18 de fevereiro de 2016
Nos Estados Unidos o crescimento do candidato que quer redistribuir riqueza terá repercussão global: ele mostra que é possível reagir à aristocracia financeira. Por Thomas Piketty.
18 de Fevereiro, 2016
Houve, nos Estados Unidos, uma tradição hoje ignorada: impostos progressivos, com percentagens de até 91% para os mais ricos. Ao evocá-la, num país em crise, Sanders atrai cada vez mais apoio.
 
Como podemos interpretar o incrível sucesso do candidato “socialista” Bernie Sanders nas primárias dos Estados unidos? O senador de Vermont está agora à frente de Hillary Clinton entre os eleitores democratas com menos de 50 anos de idade, e é apenas graças à geração mais velha que Clinton consegue manter-se à frente nas sondagens.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Porquê o Socialismo?

Sábado, 13 de fevereiro de 2016
“A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe atualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal.”
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Do resistir.info
por Albert Einstein
Será aconselhável para quem não é especialista emAlbert Einstein assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.
Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de forma a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por muitos fatores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente econômicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de fato o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu atual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

1% da população mundial possui mais do que os restantes 99%

Segunda, 18 de janeiro de 2016
"O fosso entre a faixa dos mais ricos e do restante da população (do planeta) aprofundou-se de forma dramática nos últimos 12 meses", avança a Oxfan. Segundo esta organização, em 2015, 62 pessoas detinham tanto capital como a metade mais pobre da população mundial.
18 de Janeiro, 2016 -
Foto de Paulete Matos.
No ano passado, o capital acumulado pelo 1% das pessoas mais ricas do mundo suplantou o dos 99% restantes, constata a organização não-governamental (ONG) britânica Oxfan no relatório intitulado "Uma economia a serviço do 1%", que foi divulgado esta segunda-feira.
"O fosso entre a faixa dos mais ricos e do restante da população (do planeta) aprofundou-se de forma dramática nos últimos 12 meses", avança a organização.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A desigualdade social chega a níveis alarmantes

Segunda, 11 de janeiro de 2016
A concentração de riqueza no mundo é hoje semelhante à de Inglaterra de Charles Dickens ou da França de Victor Hugo.

As pressões para privilegiar ainda mais os ricos e dar-lhes maior liberdade de ação estão em alta em quase toda parte e as crises em formação só tendem a reforçá-las.
Em 2013, com O Capital no Século XXI, Thomas Piketty alertou para o crescimento contínuo da desigualdade da riqueza desde a década de 1970, contrária à tendência dos 60 anos anteriores e muito mais acentuada e socialmente relevante que a desigualdade de rendimentos, mais fácil de pesquisar e na qual se concentrava a maioria dos estudos anteriores.


Na Europa, a parcela detida pelo décimo superior subiu de 60% em 1970 para 64% em 2010 e a do centésimo superior de 21% para 24%. Nos EUA, o décimo superior subiu de 64% para 72% e o centésimo superior de 28% para 34%. Na falta de políticas ativas contra a desigualdade (como, por exemplo, impostos progressivos sobre o capital), esses países retornarão em meados do século XXI a um patamar de desigualdade semelhante àquele do fim do século XIX e início do XX.


Nesse período, o 1% mais rico (“classes dominantes”, na terminologia de Piketty) detinha metade de toda a riqueza, o décimo superior (“classes superiores”, sendo os não incluídos no primeiro 1% referidos como “classes abastadas”) , quase 90%, enquanto o 50% mais pobre (“classes populares” na terminologia do economista) ficava com meros 5%. A nostalgia chama a esses tempos de belle époque, mas poucos, mesmo nos países mais ricos, puderam usufruir de sua beleza.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A desnacionalização e a concentração anulam a democracia


Quinta, 29 de outubro de 2015
Por Adriano Benayon* | Brasília, 28/10/2015
Numerosos e conceituados economistas das principais entidades acadêmicas, consultorias e institutos reconhecem a seriedade da presente crise e a relacionam a uma contradição que apontam na política governamental.
2. Essa contradição seria aplicar, ao mesmo tempo, políticas fiscais e monetárias – inclusive juros estupidamente altos, do agrado de banqueiros e rentistas – e políticas sociais distributivistas, além de manter gastos públicos para fomentar investimentos.
3. De fato,  a aplicação conjunta dessas políticas gera crises recorrentes, e cada vez mais graves, inclusive porque os efeitos acumulados dessas políticas causam desequilíbrios cada vez maiores.
4. Mas, piores que a incongruência das medidas macroeconômicas são os colossais defeitos intrínsecos de algumas delas, como é o caso das taxas de juros – enganosamente justificadas como barreira à inflação,  e, na verdade, fonte da inflação dos títulos públicos (elevação desmedida da  dívida pública), sem qualquer contrapartida positiva para a economia produtiva.
5. Ao contrário, prejudicam-na crescentemente, à medida que os gastos financeiros abocanham percentual cada vez mais dominante das despesas públicas e privadas. Com isso já se entende o porquê da recorrência das crises e a natureza cada vez mais perversa delas.
6. Mas há algo que fere ainda mais agudamente a economia e a sanidade social do País. São os defeitos estruturais do “modelo brasileiro”: desnacionalização e dependência financeira e tecnológica. Eles conduzem à desindustrialização (reprimarização), e acarretam desemprego, miséria, além de mais ignorância e alienação.
7. Os próprios vícios e incongruências das políticas macroeconômicas são consequências dessas estruturas determinadas por interesses estranhos aos da sociedade em seu conjunto.
8. Poder-se-ia dizer que o tecido social está sendo atacado com efeitos não tão diferentes do que as potências imperiais produziram no Iraque, Líbia etc., por meio de mísseis e bombas. É a devastação sem necessidade dessas armas, tendo por instrumento a política econômica.
9. No ponto a que chegaram a desnacionalização e a concentração, não há condições de poder para adotar política macroeconômica conforme os princípios recomendados por Keynes, Kalecki, Minsky,  ao gosto dos desenvolvimentistas, nem isso serviria de muito.
10. Ademais, essa política, por si só, não sanaria os desequilíbrios decorrentes dos oligopólios econômicos e financeiros, nem tampouco os ligados às deterioradas e mal concebidas infra-estruturas físicas (transportes, energia, comunicações, insumos básicos) e sociais (educação, saúde, cultura).
11. Toda a estrutura produtiva e de mercados, bem como as infra-estruturas foram sendo formadas em função de interesses de grupos concentradores, principalmente sediados no exterior. Assim, os investimentos têm sido  alocados sem atenção ao benefício que deveriam trazer à economia nacional em seu conjunto.
12.  Como se sabe, o  Brasil nunca chegou a formar entre os países desenvolvidos, embora tenha mostrado ter diversas das condições para isso e haver alcançado padrões elevados em algumas atividades.
13. Intervenções oriundas do exterior cassaram o requisito essencial para conquistar o desenvolvimento: a real autonomia política. De fato, ele se torna impossível se as coisas vão sendo arrumadas basicamente com o objetivo de proporcionar ganhos a grupos financeiros e econômicos.
14. O fato é que, em 2015, o descalabro patente  na queda econômica e social torna mais difícil continuar mascarando as políticas de favorecimento a esses grupos, como se elas levassem, algum dia, ao desenvolvimento.
15. Grande parte da população revolta-se com a exposição de casos específicos e adrede selecionados de corrupção no sistema político. A ela, entretanto, é subtraído o conhecimento da corrupção intrínseca ao sistema, e que explica por que um país com o potencial do Brasil chegou ao presente estado de coisas.
16. É essa corrupção que torna inviável, sob as atuais instituições, até mesmo atenuar os defeitos da estrutura econômica e os da própria estrutura de poder. Que dizer da inescapável conclusão, para quem quer que não tenha ojeriza a encarar realidades desagradáveis? Ela é:
O Brasil tem necessidade e urgência de reconstruir todas as suas estruturas sociais, econômicas e políticas, e é claro que isso não tem como ser feito no quadro da atual sistema político.
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Artigo desenvolvido com base no comentário de mesmo título publicado há dois dias no Blog dos Desenvolvimentistas.
Resultado de imagem para foto adriano benayon *- Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
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