Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Queima das reservas para nada

Sábado, 30 de agosto de 2019
Por José Carlos de Assis


Reservas internacionais em moeda forte, notadamente dólar, são constituídas com o fim específico de proteger o país contra crises no balanço de pagamentos. Queimar essas reservas – no nosso caso, quase 400 bilhões de dólares – para enfrentar altas conjunturais do dólar é uma irresponsabilidade da política econômica. O objetivo aparente é o de atender pressões de especuladores que querem pular fora do real e se abrigar no exterior, sem nenhuma relação com o funcionamento interno da economia.

Para uma melhor análise desse processo convém observar que não faz sentido usar reservas internacionais para investimento no Brasil. Na sua origem, a reserva surge de uma operação comercial ou financeira na qual um exportador ou credor externo entra no país com dólar, o qual é convertido em real pelo Banco Central. Nesse caso, o Banco Central paga pelo dólar que entra, dando em troca reais. É que não temos moeda conversível, e todo dólar que entra tem que ser convertido legalmente em reais.

domingo, 28 de julho de 2019

Projeto racional e rápido de destruição do Estado

Domingo, 28 de julho de 2019
José Carlos de Assis*


Quando Jair Bolsonaro afirma que vai “beneficiar” o filho com a Embaixada nos Estados Unidos, ele exprime exatamente o que grande parte da sociedade brasileira pensa dos funcionários públicos concursados em geral. São considerados beneficiários de empregos, de carreiras públicas, de aposentadoria garantida. Não são vistos como prestadores de serviços ao conjunto da sociedade, obrigados pelo estatuto próprio a atuar de forma imparcial, sem discriminação, acima de legendas partidárias e de preferências políticas.

A idéia do cargo público como benesse é própria dos desinformados e está na base do projeto de reforma previdenciária. Vários dispositivos visam a tirar direitos e a enxugar o quadro de servidores sem qualquer critério racional. O que se seguirá disso é a degradação do setor público em prejuízo não dos servidores propriamente, mas da sociedade que precisa dos serviços deles. Paulo Guedes, um primata em matéria de filosofia do serviço público, está atropelando um dos maiores avanços da Idade Moderna, a burocracia estatal.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O assalto ao FGTS rumo à destruição do BNDES

Quinta, 18 de julho de 2019
JOSÉ CARLOS DE ASSIS*


Você acha que Bolsonaro é muito bonzinho quando promete liberar o acesso total a contas ativas do FGTS e do PIS/Pasep? Você aplaude quando ele critica o sistema de remuneração do FGTS em razão de taxas de juros muito baixas? Você acha que o FGTS, sendo dinheiro do povo, não deveria ser emprestado pelo BNDES a grandes empresas? Você acha que os recursos do FGTS deveriam ser democratizados, destinados só a pequenas empresas?

Se você acha tudo isso, me desculpe, você se comporta como um manipulado em economia. Até justifico sua posição porque, no fundo, você não tem fonte de informação imparcial sobre essas coisas. A televisão e os jornais dão números secos, não as causas por detrás deles. Na verdade, a mídia imbeciliza a população. Ainda pior é que do lado dos chamados economistas progressistas há uma espécie de preguiça coletiva em esclarecer esses temas.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Afinal, os pequenos crimes de Cristiane são maiores do que os da quadrilha de Temer?

Quarta, 10 de janeiro de 2018
José Carlos de Assis

Não consigo entender tanto barulho por conta da nomeação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho. Parece que ela comprometeria a respeitabilidade e honorabilidade do Governo. Contudo, ela está indiscutivelmente à altura da turma de Michel Temer.

Cristiane, filha de um condenado por corrupção, não é pior que Moreira Franco, condenado anos atrás por fazer promoção pessoal com dinheiro público.

Não é pior que Eliseu Padilha.

domingo, 26 de novembro de 2017

A falácia da crise previdenciária de estados e municípios

Domingo, 26 de novembro de 2017   
Por
José Carlos de Assis

A manchete escandalosa da Folha deste sábado afirmou que o gasto dos Estados e municípios com aposentadorias e pensões superará a dívida pública em 75 anos. O jornal, citando cálculos de Paulo Tafner (instituto Insper) apresentados a Temer e seus bandidos na última quarta-feira, no Alvorada, por Marcos Lisboa, chegou a extrema estupidez de tomar um fluxo estimado de pagamentos futuros dos benefícios previdenciários estaduais, estimado impropriamente em 85% do PIB, com o estoque da dívida atual (73%).

É difícil saber se isso é fruto de ignorância ou má fé. Da repórter, que prefiro não citar, é certamente conseqüência da ignorância. Não deve ser o caso dos editores. Todos estão loucos para prestar serviço à quadrilha de Temer e aproveitam qualquer leve insinuação de algum dado “técnico” em que possam se apoiar. Não será nas páginas de algum dos nossos jornalões que encontraremos espaço para um debate imparcial sobre a Previdência. Não fosse a internet e os blogs, estaríamos cegos dentro desse tiroteio que se tornou infame.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A farsa da recuperação da economia vendida pela Globo

Quinta, 2 de novembro de 2017
Por
José Carlos de Assis*

A recuperação do emprego é uma farsa. O que está sendo criado de novo são os subempregos e os trabalhos (desesperados) por conta própria, agora estimulados pela chamada reforma trabalhista, em sua essência estratégias de sobrevivência dos que não tem vocação ou coragem para roubar ou entrar para o tráfico. O excelente site da CTB, a central dos comunistas, mostra os números. Em contrapartida, o Jornal Nacional da Globo exibiu ontem por vários minutos, como episódio relevante de recuperação do emprego formal, a contratação no ano de seis pessoas numa empresa paulista.

sábado, 12 de agosto de 2017

A chantagem de Meirelles na manipulação da dívida

Sábado, 12 de agosto de 2017
Da Tribuna da Internet
Por José Carlos de Assis


Henrique Meirelles é um chantagista. Não tem a menor intenção de promover equilíbrio das contas públicas no país. Está simplesmente chantageando os brasileiros, pobres e ricos, com propostas diversionistas. Enquanto houver um déficit – por exemplo, os R$ 159 bilhões que acabou de anunciar – o Governo tem desculpa para cortar gastos públicos essenciais, massacrar salários e promover mais uma rodada de privatizações - dessa vez as joias da coroa do setor energético, as grandes hidrelétricas do Nordeste e do Sudeste.

terça-feira, 7 de março de 2017

A falácia do déficit da Previdência

Terça, 7 de março de 2017
Da Tribuna da Imprensa Sindical
JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


A tentativa do grupo de crápulas que ocupa a Presidência da República de esquartejar o sistema de seguridade social do Brasil, em especial a Previdência, situa-se entre uma das iniciativas mais torpes jamais empreendida na história republicana. Tudo é falso na propaganda destinada a destruir o sistema previdenciário brasileiro. Os números são falsos. Os conceitos são falsos. Os argumentos são falsos. Estamos diante de uma falácia em larga escala acobertada vergonhosamente pela grande mídia que silencia em face do esbulho.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Não haverá segurança jurídica para os vendilhões da Pátria

Sexta, 3 de fevereiro de 2017
Da Tribuna da Imprensa Sindical
José Carlos de Assis

Com a eleição de Eunício de Oliveira para a presidência do Senado, e de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara reconstituiu-se a Aliança partidária entre o PMDB e o PFL (Dem) que conduziu os primeiros vagidos da democratização após a ditadura de 64. Como âncora da campanha das diretas o PMDB tinha direito de nascença à Presidência da República, mas o acaso matou Tancredo Neves para colocar em seu lugar José Sarney, que encarnava em si mesmo, como prócer do PFL travestido em PMDB, a aliança PMDB-PFL.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O efeito da dívida dos estados na degradação dos serviços públicos

Sexta, 27 de janeiro de 2017
Da Tribuna da Imprensa Sindical
Por
Roberto Requião*
J. Carlos de Assis*

A dívida imposta pela União aos Estados e a queda das receitas estaduais estão entrelaçadas no mesmo movimento.


Durante três décadas o Governo Federal impôs aos Estados uma dívida que nunca existiu. Como a essa dívida não correspondia nenhum imposto específico, o orçamento global dos Estados teve de ser acomodado ao longo dos anos para que a União recebesse os pagamentos correspondentes. O resultado foi um achatamento progressivo dos recursos estaduais livres numa trajetória descendente que seria agravada com a depressão econômica nos anos de 2015 e 2016, ameaçando repetir-se em 2017.

A dívida imposta pela União aos Estados e a queda das receitas estaduais estão entrelaçadas no mesmo movimento. Uma dívida que nasce do nada é como um imposto líquido sem contrapartida de produção de bens ou serviços. Seu efeito macroeconômico é contracionista. É fácil verificar isso. Quando se retira da sociedade recursos líquidos, portanto sem contrapartida de gastos equivalentes, haverá menos dinheiro em circulação na economia. O resultado é uma contração do sistema produtivo, recessão ou depressão.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Um cronograma para devolver aos estados dinheiro que lhes foi roubado

Domingo, 25 de dezembro de 2016
Essa será a resposta que o próximo Governo brasileiro - não este que está aí, claro, mergulhado em corrupção e más intenções - pode dar ao neoliberalismo.
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Da Tribuna da Imprensa Sindical
José Carlos de Assis

No artigo anterior demonstrei que grande parte da dívida dos Estados junto à União é tecnicamente nula. Não só isso. Para pagar uma dívida inventada pelos tecnocratas da Fazenda federal no governo Fernando Henrique e confirmada nos governos posteriores de Lula e Dilma, os Estados foram obrigados a recorrer a endividamento externo adicional - o que Maria Lúcia Fatorelli, a grande especialista brasileira em dívida pública, assim como eu próprio, classificamos simplesmente como “aberração”. Em síntese, para pagar uma dívida que não existia em reais, os Estados se endividaram em dólar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A subjugação dos estados ao neoliberalismo pela dívida

Quinta, 22 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Imprensa Sindical
José Carlos de Assis

O mesmo processo de dívida pública que subjugou a política econômica brasileira (e dos demais países em desenvolvimento) à banca internacional, através do FMI e do Banco Mundial, subjugou os Estados federados brasileiros aos ditames neoliberais do poder central. O mecanismo é o mesmo. Há uma diferença, na medida em que, no caso da dívida externa, chegou a entrar algum dinheiro no começo do processo. No caso da dívida dos Estados federados junto à União, não entrou nada. Só tem saído na forma de pagamentos à União.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Presente de R$100 bilhões destinados ao Natal das teles

Terça, 20 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Imprensa Sindical
José Carlos de Assis

O governo Temer manobrou no Congresso para que as concessões de telefonia fixa sejam transformadas em autorizações, num artifício para lhes dar de graça algo como R$ 100 bilhões pelos cálculos do TCU-Tribunal de Contas da União. Atualmente, pelo regime de concessões, ao fim destas últimas as empresas tem que devolver a maioria dos seus ativos ao Estado, o que se dará por volta de 2025. Pela lei do deputado Daniel Vilela, PMDB-GO, aprovada na Câmara, os ativos da telefonia passam imediatamente à posse das empresas, num presente de Natal estimado no valor acima, sob o pretexto de que investirão em banda larga recursos equivalentes para “modernizar” o sistema.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Meirelles e Temer ajudam patrões a desempregar com menor custo

Sábado, 17 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet Sindical
José Carlos de Assis

Em plena crise de desemprego, a maior de nossa história, Michel Temer baixa em seu minipacote da infâmia medidas para reduzir o custo das demissões por parte dos empregadores. Um ingênuo diria: isso é uma extrema insensibilidade política. Não é. Temer, orientado por Henrique Meirelles, faz o que a banca manda. E ordem da banca se cumpre sem considerações com popularidade, conforme recomendou aquele publicitário imbecil, em discurso inflamado, na reunião do chamado Conselho de Desenvolvimento Econômico.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pai, perdoai aos que votaram na PEC-55, pois não sabem o que fazem!

Sexta, 16 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Imprensa Sindical
JOSÉ CARLOS DE ASSIS


Como a natureza profunda de nossa crise é econômica, conhecer o básico de economia é fundamental para enfrentá-la. Entretanto, a maioria de deputados e senadores nada sabe de economia. E também nada sabe de economia a maior parte de seus assessores. Foi por absoluta ignorância em economia que muitos senadores votaram a favor da PEC-55, a PEC da Morte. Eles foram no canto de sereia de um corrupto de carteirinha, como Henrique Meirelles, no embalo de suas afirmativas de que o Brasil está quebrado e o setor público, inchado, tem que ser reduzido ao Estado mínimo.

É verdade que também Meirelles nada entende de economia. Ele entende de agiotagem e manipulação financeira. Para isso não é preciso saber economia da mesma forma que não é preciso ser arquiteto para assaltar um banco. Contudo, como não podemos ter um Congresso só de economistas, ou de médicos, ou de engenheiros, o jogo político de alianças em torno de interesses, alguns legítimos, é que acaba conduzindo todo mundo. Com base nesse jogo se organiza a situação e a oposição, e aqueles que não são especialistas nas áreas em discussão votam segundo seu líder, não com base em conhecimentos.