“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Estudantes repudiam volta de aluno que ameaçou ‘matar a negraiada’

Sexta, 25 de janeiro de 2019
Da
https://ponte.org
por Mariana Ferrari, especial para Ponte

Pedro Baleotti foi à Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, realizar uma prova; defesa alega duplo erro da universidade no processo de expulsãoManifestante critica universidade por acatar decisão judicial | Foto: Everton Pires Luz/Ponte

O relógio marcava 17 horas e 45 minutos, cerca de 20 manifestantes se reuniam na frente da entrada principal da Universidade Presbiteriana Mackenzie na Rua da Consolação, na cidade de São Paulo. A concentração havia acabado de começar quando os manifestantes foram surpreendidos por uma viatura da Polícia Militar. Dois homens fardados saíram do veículo querendo saber o que estava acontecendo. Ao fundo, um dos integrantes do coletivo AfroMack, grupo do movimento negro da universidade, resmunga: “Estamos aqui apenas para exigir nossos direitos”, enquanto o segurança da Universidade tentava tirar informação para repassar às autoridades. Cerca de 35 minutos depois, a polícia deixava o local. O ato era um movimento de repúdio depois que o estudante Pedro Baleotti pisara no Mackenzie pela primeira vez depois de decretada sua expulsão, no dia 17 de dezembro, motivada por racismo. 
Os estudantes mackenzistas, apoiados pela Educafro e AfriCásper, queriam respostas, segurança e transparência. É uma resposta à decisão da Justiça em anular a expulsão do aluno que ameaçou “matar a negraiada”, conforme disse em vídeo divulgado nas redes sociais. Em 23 de janeiro, os integrantes do AfroMack se reuniram com a reitoria e escutaram que Pedro estava em Londrina e, se dependesse do Mackenzie, ele não entraria mais na Universidade. Mas não dependia só deles.

domingo, 13 de janeiro de 2019

‘Ele namora uma menina parda’, diz defesa de estudante expulso por racismo

Domingo, 13 de janeiro de 2019
Da
https://ponte.org
por Mariana Ferrari, especial para Ponte

Estudante Pedro Baleotti, apoiador de Jair Bolsonaro, foi expulso da universidade Mackenzie após ameaçar nas redes sociais a atacar negros. ‘Negraiada vai morrer, é capitão, caralho!’, disse, vestindo camisa do presidente eleito

Expulso da faculdade, Pedro foi indiciado pela Polícia Civil após vídeo divulgado nas redes sociais em que ameaça negros | Foto: Reprodução
O estudante Pedro Baleotti, de 25 anos, foi expulso da Universidade Presbiteriana Mackenzie por racismo em falas registradas em um vídeo divulgado em suas redes sociais no dia 30 de outubro de 2018. Nas gravações, ele usa uma camisa do presidente eleito no dia anterior, Jair Bolsonaro (PSL), e ameaça atacar e matar a ‘negraiada’. A universidade definiu a punição em 12 de dezembro de 2018, mas a decisão foi publicizada apenas neste ano. A defesa de Baleotti sustenta que ele não é racista, pois “namora uma menina parda há nove anos”.
A fala foi dita pelo advogado Norman Prochet Neto, responsável por defender o estudante, em contato com a Ponte por telefone. Segundo ele, a fala não era o posicionamento oficial da defesa de Pedro, que envia nota posteriormente e, nela, explicou que o vídeo foi enviado a um grupo restrito de amigos “sem qualquer intenção de divulgação por parte do sr. Pedro” e que “os vídeos foram publicados de forma indevida e sem a autorização do sr. Pedro, violando direitos de sua personalidade”, sustenta o advogado. “Sobre o desligamento do estudante da UPM (Universidade Presbiteriana Mackenzie), limitamo-nos a informar que a situação está se resolvendo pelas vias ordinárias”, continua.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Estudantes denunciam professora por aulas racistas em universidade

Quinta, 7 de junho de 2018
da
https://ponte.org

Denúncia traz à tona o limite entre liberdade de expressão e propagação de conceitos racistas, no curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo

Há pelo menos um ano, o Coletivo Enegrecer vem recebendo denúncias sobre o conteúdo da aulas de uma professora do curso de Psicologia da Universidade São Judas Tadeu (USJT). No ano passado, o grupo falou com a coordenação do curso, mas não recebeu nenhuma resposta da universidade. A ausência de posicionamento fez com que o Coletivo divulgasse uma nota de repúdio.
A estudante do 5º semestre de Psicologia, Kezia Silva Castro, de 21 anos, relata que as falas discriminatórias da professora Maria Esmeralda Mineu Zamlutti eram frequentes. “Eu tive aula com essa professora nos meus dois primeiros anos de faculdade, em 2016 e 2017. Desde o meu primeiro ano, ela já reproduzia as mesmas falas racistas e discursos homofóbicos e machistas. São discursos que ela carrega há muito tempo e acaba atingindo diretamente a gente, acaba violentando diretamente a gente”, conta.

sábado, 28 de abril de 2018

Estudantes negros enfrentam o racismo de professores e colegas em universidades

Sábado, 28 de abril de 2018
Da
https://ponte.org


De xingamentos de ‘escravos’ a brincadeiras com os cabelos, negros que chegaram ao universo até então branco do ensino superior convivem com ataques de racismo


28/04/18
A estudante negra, que prefere não ser identificada, conta que, quando passou em publicidade e propaganda na Faculdade Cásper Líbero, na cidade de São Paulo, esperava se deparar com algum episódio racista quando pisasse naquele espaço — que, até poucos anos, era quase que exclusivamente branco, como todo o ensino superior do Brasil. “Por ser uma faculdade elitista, eu imaginei que sofreria algo”, diz. O que ela não esperava é que o racismo partisse de uma professora.
Durante uma aula, em 22 de março, folheando o álbum da Copa do Mundo de uma aluna, a professora comentou que na Croácia “só tem gente bonita” e, diante das imagens da seleção da Nigéria, disse que “queria saber como esse aqui faz pra pentear o cabelo, deve ser um ninho”, segundo o relato de alunos. No final da aula, a aluna e seus colegas procuraram a professora para questionar essa e outras falas dela que consideravam discriminatórias. Durante a conversa, a professora negou que fosse racista, disse que não havia racismo no Brasil (“tem até um outro negro na Cásper”) e ainda pôs a mão no cabelo da jovem, alegando “curiosidade”.