Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sábado, 3 de abril de 2021

Há um ano, empresários minimizavam pandemia: “5 ou 7 mil vão morrer"

Sábado, 3 de abril de 2021 

Em março de 2021, total de mortos no Brasil chegou a 321,5 mil com colapso hospitalar e fila de espera por leito de UTI

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 
Empresários como Roberto Justus, Junior Durski e Luciano Hang são contra medidas de restrição de circulação de pessoas como o lockdown - Reprodução

Quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia de coronavírus, em 11 de março de 2020, infectologistas e epidemiologistas do mundo pediam que os países determinassem isolamento social, uso de máscara e álcool em gel.

Receosos com suas atividades econômicas, diversos empresários correram e se colocaram, imediatamente, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), reproduzindo o discurso que minimizava os efeitos do coronavírus e pedindo que medidas sanitárias fossem freadas.

:: Releia: Bolsonaro minimiza pandemia como governantes do século passado, diz epidemiologista ::

Entre eles está Junior Durski, dono de uma rede de lanchonetes. Em 23 de março de 2020, o empresário arriscou um prognóstico sobre o número de mortes em decorrência da pandemia no país.

“Eu sei que nós temos que chorar, e vamos chorar. Mas nós não podemos parar por 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer”, vaticinou o empresário. “Não pode simplesmente o infectologista decidir se tem que todo mundo parar independente das consequências”, encerrou.

O Brasil ultrapassou, no dia 1º de abril e pela primeira vez desde o início da pandemia, a média de mais de 3 mil mortes diárias em decorrência da covid-19. O cálculo é baseado nos últimos sete dias. Morreram, no período, 3.117 pessoas em média a cada dia.

Atualmente, morrem mais brasileiros por dia do que a soma dos 10 países seguintes mais afetados pela doença. Mais de um terço das mortes no planeta ocorrem no Brasil.

Na última quinta-feira (1º), foram registrados 3.769 óbitos. Em relação ao número de novos casos, foram 91.097 infectados. Desde o início do surto, ao menos 12.839.844 pessoas foram contaminadas pelo vírus no país.

No mesmo dia do prognóstico de Durski, o empresário Roberto Justus saiu em defesa do colega empresário e discordou das medidas que restringiam o funcionamento do comércio.

“Nós estamos vindo de anos de recessão, de problemas, de queda do nosso PIB, e agora nós vamos conseguir destruir. O que acontece com isso? Um problema social sem precedentes. Sim, as pessoas vão morrer. Você sabe que muita gente se mata por problemas econômicos. A tristeza de não poder alimentar os seus filhos, perder o seu emprego. Um sorveteiro deu um grande exemplo, ele falou: ‘não vou morrer do vírus, vou morrer de fome’”, explicou. “Eu quero dizer que nós estamos dando um tiro de canhão para matar um pássaro. Nós estamos exagerando na dose”, encerrou.

Menos conhecido, Alexandre Guerra, fundador de uma rede de restaurantes, tentou intimidar seus empregados com um vídeo publicado em suas redes sociais no dia 24 de março de 2020.

“Você que é funcionário, que talvez esteja em casa numa boa, numa tranquilidade, curtindo um pouco esse home office, esse descanso forçado, você já se deu conta de que, ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você deveria também estar com medo de perder o emprego? Será que sua empresa tem condições de segurar o seu salário por 60, 90 dias? Você já pensou nisso?”, questionou.

Em entrevista ao portal UOL, em 23 de março de 2020, Luciano Hang, dono de uma rede de lojas de departamento, afirmou que “o dano na economia vai ser muito maior do que da pandemia” e defendeu a redução de salário para os seus funcionários. “O Brasil já está parado. Preservar o emprego nesse momento é a mais importante medida que devemos ter”.

Em uma transmissão ao vivo em uma rede social, no dia 23 de março de 2020, o empresário Abílio Diniz afirmou que a pandemia “não é tão grave assim”.

“O coronavírus se espalha rapidamente e temos de ficar reclusos, mas não por muito tempo. Precisamos de um horizonte de semanas, não de meses. Precisamos saber que isso vai passar.”

Até o fechamento desta matéria, nenhum dos empresários havia respondido aos questionamentos do Brasil de Fato.

Edição: Poliana Dallabrida

CAOS SANITÁRIO. Sem lockdown, Brasil pode ter 5 mil mortes por dia em abril, alertam especialistas

Sábado, 3 de abril de 2021

Enquanto isso, empresários querem garantir a compra de vacinas para familiares e funcionários fora da fila do SUS 
Na última sexta (2), média móvel de óbitos chegou a 3.013; DF e outros 17 estados possuem lotação acima de 90% nas UTIs - Sergio Avila/AFP


Do Brasil de Fato
Cristiane Sampaio
03 de Abril de 2021

"[Furar a fila] é construir uma grande desorganização do cronograma vacinal"

O Brasil encerra esta semana com novos números alarmantes da pandemia: depois de registrar 3.769 óbitos entre quarta (31) e quinta (1º), o país atingiu, pela primeira vez, uma média móvel de mais de 3 mil mortes.

Na última sexta (2), esse número chegou a 3.013 mortes. Esse é o segundo maior número já registrado desde o início da pandemia, em março do ano passado. A média móvel só foi maior na última quinta (1º), com 3.117 óbitos em média a cada dia.


O dado, mensurado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), considera as notificações ocorridas nos sete dias anteriores a esse período.

No total, já são 328.206 óbitos em decorrência da covid-19 e um contingente de mais de 12,9 milhões de infectados pela doença.

Outros números divulgados pelas autoridades de saúde também ajudam a evidenciar que a crescente piora da pandemia no Brasil vem se consolidando. O último boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado na quarta (31), identifica que, atualmente, somente os estados de Roraima e Amazonas têm ocupação de leitos de UTI para covid abaixo dos 80%. A situação do Distrito Federal e de outros 17 estados é de uma lotação acima de 90%.


O estado de São Paulo, por exemplo, está com índice de 92%. Como a unidade federativa tem uma das redes de saúde mais estruturadas do cenário nacional, o dado que evidencia o atual contexto paulista acendeu mais um alerta entre os tantos que hoje chamam a atenção do país.

Medidas urgentes

Os especialistas seguem reforçando o coro sobre a necessidade de um sério lockddown nacional. Não só a medida tem sido constantemente negada pelo governo Bolsonaro, como o presidente da República segue criticando as políticas de isolamento.

Por conta disso, na quinta (1º), mais de 30 pesquisadores, cientistas e economistas enviaram uma carta a Bolsonaro, prefeitos e governadores pedindo que seja adotado um lockdown de três semanas no país.

Segundo o grupo, a iniciativa, nomeada de “Abril pela Vida”, teria o potencial de poupar 22 mil vidas, evitando que o Brasil chegue em breve a um patamar de 5 mil óbitos por dia, porque reduziria a média móvel de mortes. Também daria tempo para se obter a vacinação de quase todos os idosos acima de 60 anos.

A médica de família e comunidade Nathalia Neiva dos Santos, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, reforça que, para o atual momento do país, não há saída em termos de respostas de curto prazo que não passe por uma séria política de lockdown.

“Quando se olha pra outros países, [se vê que] os que tiveram formas eficazes de controle da pandemia passaram justamente pela restrição na circulação de pessoas. É uma forma dura, traz consequências, não é livre de impactos negativos, mas, para o enfrentamento da pandemia, não se tem outra solução”.

Ela acrescenta que é necessário adotar esse tipo de medida mesmo com a imunização já em andamento: “Você olha para os países que estão avançando nas suas vacinações e todos eles conjugam a imunização com restrição de circulações, com lockdown. Não é uma invenção: é olhar para o exemplo deles, ver como estão fazendo esse enfrentamento, ver quais as taxas de eficiência e de sucesso no controle da pandemia”.

Disputa

Paralelamente a isso, o país discute também a possibilidade de empresas comprarem vacinas contra a covid neste período atual e iniciarem a imunização dos seus funcionários antes do fim da vacinação de grupos prioritários.


Após muita controvérsia, a permissão para a aquisição de lotes pelo setor já foi dada – e convertida em lei no último dia 10 –, depois de receber aprovação do Congresso Nacional. Mas a norma que entrou em vigor prevê que o empresário deve adquirir a carga e encaminhá-la para o Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto durar a vacinação das categorias prioritárias.

Ao fim desse processo, os empregadores podem, então, utilizar 50% das vacinas e devem doar o restante para a rede pública. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tenta agora aprovar a queda dessa norma.

A proposta é criticada pela Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares porque, na prática, a iniciativa privada teria o poder de decidir quem vai passar na frente dos grupos prioritários.

“Isso é construir uma grande desorganização do cronograma vacinal, que vai ser regido de uma forma exclusiva, pra se voltar a anos anteriores à existência do SUS, quando se tinha coisas essenciais pra saúde, como bolsas de sangue, sendo vendidas como se fosse um produto comercializável, e não é assim que funciona a organização da saúde”, diz Nathalia Neiva dos Santos.

O regramento adotado hoje pela rede de saúde segue o Programa Nacional de Imunização (PNI), tema no qual o Brasil se consolidou historicamente como uma referência internacional. O país se destacou, por exemplo, como pioneiro na inserção de diferentes imunizantes no calendário do SUS.

Edição: Poliana Dallabrida 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Cientistas russos conseguem modernizar vacina Sputnik V em 2 dias para vencer novas cepas

Sexta, 2 de abril de 2021

Sputnik / Georgy Zimarev

Do Sputnik Brasil

O Centro Gamaleya da Rússia desenvolveu um mecanismo de modernização da vacina contra a COVID-19. Está sendo discutida a necessidade de realizar todas as fases de ensaios clínicos com uma vacina incrementada.

O diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, Aleksandr Gintsburg, revelou à Sputnik que os cientistas do centro criaram uma tecnologia, baseada em vetores de adenovírus, para modernização da vacina contra o novo coronavírus.

"É a mesma tecnologia baseada em vetores de adenovírus, onde na sequência de proteína S, com a estrutura inicial alterada, literalmente em um dia é sintetizada uma sequência nova, e no dia seguinte é implantada dentro do vetor já usado. Praticamente, você tem uma construção de engenharia genética que pode ser usada como um medicamento de vacinação", explicou Gintsburg.

Atualmente, está sendo discutido se é preciso realizar todas as fases de ensaios clínicos da nova vacina, segundo o diretor do Centro Gamaleya. Gintsburg relembrou que, na prática mundial, há exemplos de quando um medicamento é testado em um número limitado de pessoas, em até cem voluntários.

BOLSONARO APROVA ISOLAMENTO E QUARENTENA NO COMBATE AO NOVO CORONAVÍRUS

Sexta, 2 de abril de 2021

Aldemario Araujo Castro
Professor
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 2 de abril de 2021

            O Presidente Jair Messias Bolsonaro defende expressa e formalmente o isolamento e a quarentena como medidas para o combate à disseminação do novo coronavírus. A afirmação anterior está documentada, com a assinatura do Chefe de Estado, de Governo e da Administração Pública Federal, em pelo menos dois documentos públicos.

Há 1 ano, estudo do Exército pedia lockdown; link sumiu e governo ignorou sugestões

Sexta, 2 de abril de 2021

“Dilema entre salvar vidas e manter a atividade econômica é apenas aparente”, dizia documento do CEEEx de abril de 2020

Daniel Giovanaz
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
02 de Abril de 2021

Jair Bolsonaro conversa com o ex-comandante da Marinha Ilques Barbosa Junior durante cerimônia das Forças Armadas, em outubro de 2019 - Mauro Pimentel/AFP

Há exatamente um ano, o Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx) publicou um documento que sugeria ao governo brasileiro uma série de medidas restritivas que, ao longo da pandemia, se convencionou chamar de “lockdown” – em português, confinamento.

O estudo foi retirado da página do CEEEx sem explicação cinco dias depois, quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se manifestou explicitamente contra políticas de isolamento em massa.

O texto de 2 de abril de 2020, intitulado “Crise Covid-19: Estratégias de Transição para a Normalidade”, incluía entre as medidas necessárias “isolamento horizontal”, “preparação de instalações de isolamento para a população carente (hotéis, espaços públicos, escolas)”, “restrições ao movimento” e “redução da atividade aos serviços essenciais.”

O governo federal jamais adotou protocolo semelhante. Pelo contrário, Bolsonaro desestimula medidas restritivas e critica estados e municípios que impõem normas de confinamento.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

COMO SE CHAMAM? DE ONDE VÊM? AONDE VÃO? POUCO IMPORTA.

Quinta, 1º de abril de 2021







Do site Pátria Latina

Pedro Augusto Pinho*

“O que vemos hoje? Um país ainda pior, onde agentes, estrangeiros se transvestem de magistrados, ministros, comandantes, parlamentares para mais fácil e profundamente alienarem nossas riquezas.”
                                                                 *********
“Não é a pandemia que está causando tantas mortes, mas esta elite rentista que se aboletou no poder. São todos: ministros do executivo e do judiciário, parlamentares, a imprensa doutrinadora e venal, nunca informativa, pastores, e membros de seitas que se orgulham de agir na sombra, quando a escuridão oculta o opróbio, a vergonha que acompanha seus atos. Estes são os traidores, os Silvério dos Reis da pátria do estadista José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca.”

Em 28 de setembro de 1871, o Parlamento brasileiro aprovou, por 59 votos contra 39, a Lei do Ventre Livre. 

O representante diplomático dos Estados Unidos da América (EUA) colhe algumas flores, jogadas da galeria, para mostrar a seu país que no Brasil, “sob chuva de pétalas (fazia) o que lá tanto sangue custou” (Marilene Rosa Nogueira da Silva, O fim da ingenuidade, in Revista de História da Biblioteca Nacional, Ano 9, nº 104, maio de 2014).

Os “ingênuos” ou “riobranco” (Visconde do Rio Branco era então Presidente do Conselho de Ministros), como eram chamados estes menores e que, efetivamente, continuavam escravos, com vendas anunciadas na imprensa, só tinham uma certeza: continuariam iletrados. Quer porque o Decreto nº 1.331-A, de 17 de fevereiro de 1854, dispunha em seu artigo 69: “Não serão admitidos á matricula, nem poderão frequentar as escolas: § 1º os meninos que padecerem moléstias contagiosas; § 2º os que não tiverem sido vacinados e § 3º os escravos”, quer pela única escola ser o Colégio Pedro II. As escolas públicas só chegaram ao Brasil com a Era Vargas.

Uma das formas da elite se perpetuar era só garantir o ensino público para formação universitária, deixando com as escolas privadas, quase unicamente de jesuítas, o ensino primário e secundário.

Em 1957, o grande educador, pedagogo brasileiro, Anísio Teixeira (1900-1971), proferiu no Clube de Engenharia, a palestra “A escola brasileira e a estabilidade social”. Nela adverte que “longe de ter assegurada a sobrevivência da elite tradicional, o ensino superior gratuito está servindo para forjar uma falsa elite diplomada e para aumentar até o ponto de perigo a inflação burocrática do País”. E adiciona para o risco da sociedade “alargar as oportunidades de educação seletiva para a classe média e superior e a custeá-la com recursos públicos subtraídos à educação popular e à educação de formação para o trabalho produtivo” (Anísio Teixeira, Educação no Brasil, Editora UFRJ, RJ, 2011, 4ª edição).

O que vemos hoje senão uma classe de rentistas que, por incapacidade de cuidar de seus próprios bens e mesmo demonstrando ignorância dos seus interesses, se curva aos ditames do capital internacional, apátrida e ganancioso, que administra a própria nação. O capital produtivo não suportando a falta de recursos acaba por ser levado a inflar o infértil rentismo e à especulação que o irá reduzindo paulatinamente.

Na mesma conferência, Anísio Teixeira ainda procura abrir os olhos entorpecidos pela instrução que se esgota em manter o status social e a ensinar gastar uma fortuna herdada e a consumir o que lhe é vendido como “espirito”. “A educação sempre se apresentou como alternativa para a revolução e a catástrofe, mas, para isso, é necessário que não se faça ela própria um caminho para o privilégio ou para a manutenção de privilégios” e adverte a classe média a não buscar privilégios, pois “o vigor moral dessa classe está exatamente em não se sentir privilegiada e buscar, com certa nobre gratuidade, sustentar os padrões de dignidade e decência que constituem os seus pontos de honra”.

O que vemos hoje, passados 64 anos desta necessária reflexão? Um país ainda pior, onde agentes estrangeiros se transvestem de magistrados, ministros, comandantes, parlamentares para mais fácil e profundamente alienarem nossas riquezas, destruírem instituições brasileiras produtivas, aumentarem a ignorância e a miséria da população.

Faltou antes de tudo o sentimento patriótico em quem usa a bandeira como vestimenta, as cores nacionais como enfeite, e mantém distância dos pobres, segrega humildes, demonstra a total ausência de solidariedade humana.

Não é a pandemia que está causando tantas mortes, mas esta elite rentista que se aboletou no poder, que serve aos colonizadores de sempre, hoje os capitais financeiros internacionais e apátridas, como antes o capital industrial estadunidense. São todos: ministros do executivo e do judiciário, parlamentares, a imprensa doutrinadora e venal, nunca informativa, pastores, e membros de seitas que se orgulham de agir na sombra, quando a escuridão oculta o opróbio, a vergonha que acompanha seus atos. Estes são os traidores, os Silvério dos Reis da pátria do estadista José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca.

E num contexto de enorme ignorância, estas classes pobres e mesmo as médias só apelam para o que não veem, só acreditam no mágico e terminam buscando o impossível.

Não há forças nacionalistas, trabalhistas, lideranças que procurem seguir o desenvolvimento industrial e cultural da Era Vargas. Que apresente metas para a alfabetização geral dos brasileiros e tenha verdadeiros Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), erguidos com o pensamento genial de Darcy Ribeiro e a liderança de Leonel Brizola.

Reestudemos nossa história para não louvar traidores e esquecer os heróis. Precisamos dar nome a todos nós. Não podemos ser a “ninguenzada” como Darcy Ribeiro se referia aos brasileiros anônimos. Saber de onde vem para poder buscá-los antes que os poderes estrangeiros os sequestrem. E ter a educação libertadora, formadora de consciência, para sabermos onde e como todos cresceremos. Pois o Brasil importa, o brasileiro importa.

A pedagogia colonizadora do neoliberalismo acaba por colocar segmentos economicamente mais favorecidos da população, egoisticamente vestidos com pele de cordeiro, pedindo autorização para importar vacinas contra o covid 19. E não há qualquer autoridade no Brasil, como se os governantes em todos os poderes e em todos os níveis estivessem preocupados com a Nação, com o povo, para dizer que, se estes aquinhoados pagassem corretamente seus impostos, eles estariam ajudando muito mais o País do que exigindo privilégios adicionais.

Imunidade é uma questão de saúde pública e não de mercantilismo.

As questões que dão título a este artigo são tradução livre do parágrafo inicial do filosófico romance Jacques o fatalista e seu mestre, do iluminista francês Denis Diderot (1713-1784). E também em tradução livre da mesma obra o encerro:

“acreditamos conduzir nosso destino; mas é sempre ele quem nos leva: o destino, para Jacques, era tudo que ele tocava ou dele se aproximava”.

Nosso destino será tudo para o que nos empenhemos, conscientemente o conquistemos, pelo que lutemos com saber e coerência, com verdadeiro sentido patriótico e com a solidariedade devida, sem distinção, a todos nossos irmãos brasileiros.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.

O Primeiro de Abril e os “patriotas” de ofício

Quinta, 1º de abril de 2021











O Primeiro de Abril e os “patriotas” de ofício


O general Braga Netto, recém nomeado ministro da Defesa, disse a que veio. Com a Ordem do Dia sobre o 1º de abril de 1964, por si só uma insubordinação em face do Pacto de 1988, cumpriu a primeira tarefa que lhe terá sido imposta pelo capitão, em busca de narrativa que favoreça seus planos antidemocráticos. Essas maquinações palacianas —as quais, reconheçamos, jamais foram escondidas— podem ter sido postas em repouso tático, mas é certo que até o ultimo dia desse interminável mandato estarão nas cogitações do Bonaparte de hospício que nos governa. Na crise desta semana, preocupa a ligeireza com que militares graduados se apressaram em garantir que “não há risco de golpe”. Em situação normal chefes militares são dispensados dessas garantias. No futebol, que tanto nos ensina, quando o dirigente de clube garante que o técnico “está prestigiado”, é certo que ele estará desempregado em uma semana.

Portanto, todo cuidado é pouco.

O capitão é o problema que nos assola, e seguirá assolando enquanto tiver a solidariedade das baionetas ou dispuser da guarda pretoriana que cuida de seus interesses no Congresso. Aliás, ainda se está por conhecer a real inteligência da reforma ministerial levada a cabo no início da semana, depois de o capitão perder o apoio da fatia mais grossa do PIB e sua popularidade despencar, no momento mais grave da pandemia, quando a crise econômica prenuncia o caos social. 

O general não poderia, pois, escolher momento mais inoportuno para defender o golpe militar de primeiro de abril que os fardados insistem em comemorar no dia 31 de março, que nada fez para merecer tamanha injúria. Aliás, a primeira questão que se impõe é a legitimidade desses pronunciamentos. Por que a retomada das louvações a um monstruoso golpe de Estado que nos roubou 21 anos de democracia? Sua defesa, por uma instituição do Estado, atenta contra a Constituição e a ordem democrática que ela consagra. Ademais, essas “ordens do dia” são, sempre, a repetição monótona e pobre de inverdades e meias verdades, umas e outras desmentidas pela História que a caserna jamais conseguirá reescrever. A primeira aleivosia é chamar de “movimento” um golpe de Estado que se perpetuou como ditadura.

Num esforço não alcançado de apresentar atenuantes ao golpe, o general ministro da defesa tenta inseri-lo nos feitos da Guerra Fria, que teria chegado ao Brasil, segundo ele, como as chuvas de verão. Ora, foram as forças armadas brasileiras, dependentes ideológicas da geopolítica militar estadunidense, que nos inseriram no conflito entre os EUA e a URSS de então, que em nada nos dizia respeito, como não nos dizem respeito as contendas de hoje entre os EUA e a China, senão na medida da defesa dos nossos interesses, pelos quais não se interessa o capitão. Mas os militares brasileiros já não pensavam com suas próprias cabeças, porque as escolas de formação de nossos oficiais de há muito funcionavam como correias de transmissão ideológica do pensamento estratégico formulado na Escola de Comando e Estado-Maior dos EUA, em Fort Leavenworth, onde se formaram ou estagiaram numerosos oficiais brasileiros das três armas, e na National War College (e suas congêneres), matriz de nossa Escola Superior de Guerra. Nem o anticomunismo de nossos militares é autêntico.

Os militares, que tanto se ufanam como “defensores da pátria” (atributo que julgam ser exclusividade deles), se esquecem de que o “movimento” foi ditado por Washington. Além da registrada conversa telefônica entre Lyndon Johnson, presidente dos EUA, e seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, autorizando o golpe, a “Operação Brother Sam”, como os americanos chamaram o ancoramento de petroleiros na costa brasileira, já faz parte da historiografia sobre o golpe (Marcos Sá Corrêa. 1964 visto e comentado pela Casa Branca, L&PM). As ligações com as autoridades dos EUA estão documentadas, e podem mesmo ser revistas nos depoimentos de muitos dos principais conspiradores, como o general Cordeiro de Farias (Diálogo com Cordeiro de Farias, Nova Fronteira, p. 571). As pesquisas mostram ainda a participação da CIA, as articulações da embaixada norte-americana e do adido militar dos EUA, o Cel. Vernon Walters, interlocutor de nossos generais desde os tempos da FEB, quando conheceu Castelo Branco e Cordeiro de Farias. (A propósito: as bibliotecas de Lyndon Johnson, em Austin, e de John Kennedy, em Boston, guardam extensa documentação sobre a participação dos EUA na preparação do golpe). 

A subordinação de nossos interesses aos ditames de uma potência estrangeira foram escandalizados no primeiro governo do mandarinato militar, ditador o marechal Castelo Branco, quando o general Juraci Magalhães, embaixador brasileiro nos EUA, declararia que “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Em nome desta subalternidade abjeta, tropas brasileiras invadiram a República Dominicana (1965), um pequeno e pobre país caribenho, para combater os constitucionalistas que lutavam contra uma ditadura de extrema-direita. Voltamos à ilha de São Domingos, 2004, para exercer o policiamento nas ruas do Haiti. Ficamos 13 anos. A “elite” militar de hoje fez lá seu “pós-doutorado”, adestrando-se para ações internas de “segurança pública”, como a fracassada intervenção federal no Rio de Janeiro (2018), chefiada pelo general Walter Souza Braga Netto. Outra parte estagiou nos altos cargos do Comitê Olímpico Internacional, e agora habita o terceiro andar do palácio do planalto.
 
Desses militares não podemos nos orgulhar.

Não sei se esses episódios constam das apostilas (os ‘polígrafos’ dos tempos de Castello Branco) que circulam nos cursos da EsAO. Tampouco sei se, quando estudam a história militar no Império, se referem às invasões da Cisplatina (1825), do Prata (1821), do Uruguai (1864) e do Paraguai (1864-1870), onde, no final da guerra, nossas tropas enfrentaram um exército de meninos, velhos e mulheres. Evento despido de glória.

Diz o general ministro da defesa, na absurda Ordem do Dia, que “As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”. Essa sandice não se põe de pé. Como chamar de pacificação uma ditadura de 21 anos, a perseguição a milhares de brasileiros, as cassações de mandatos eletivos, a censura, a invasão de universidades e a perseguição a cientistas e pesquisadores, o confinamento e o exílio de centenas de patriotas, enfim, as prisões, a tortura e os assassinatos, os incontáveis mortos sem sepultura? Reorganizar o país? Ora, isso foi obra da Constituinte de 88, requerida pelo povo contra o veto dos militares. Uma reorganização, aliás, interrompida pelo golpe de 2016 e o governo militar do capitão. Sim, governo militar, e dele não conseguirão se apartar os fardados diante do severo julgamento da História. 

E como falar em liberdades democráticas, se nossas forças armadas sempre as golpearam, como nas ditaduras dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ou sustentando por trinta anos os governos autoritários e ilegítimos da velha república, a serviço do latifúndio e do atraso, como o desastrado governo do quase grotesco marechal Hermes da Fonseca, que governou do primeiro ao último dia sob estado de sítio? Como podem se auto-nomear defensoras das liberdades democráticas as forças armadas que deram o golpe de 1937, contra a democracia e a Constituição liberal de 1934, implantaram a ditadura do Estado Novo, levaram Getúlio Vargas ao suicídio em 1954, se insurgiram contra a Constituição em 1961 e, finalmente, instauraram a ditadura em 1964, rasgaram a Constituição de 1946 e passaram a legislar mediante atos institucionais protofascistas? Foram generais, liderados pelo comandante do exército, que inventaram Bolsonaro – tenente de carreira reles, reformado como capitão e por quase 30 anos habitante do baixo clero da câmara dos deputados – e é a caserna (o capitão fala mesmo em “meu exército”) que lhe dá sustentação.

As instituições, quando perdem a visão histórica, cavam sua própria degradação. As forças armadas brasileiras, sem nenhuma justificativa, insistem na defesa do golpe militar de 1964, quando deveriam pedir desculpas pelos crimes cometidos e acobertados. Na história presente, dão sustentação a um governo corrupto, inepto, antinacional e criminoso, surdas e cegas para os desmandos que estão destruindo o país, sua economia, sua população e sua dignidade. Como já observou o professor Manuel Domingos Neto, da UFF, esse erro clamoroso pode ser as Malvinas de nossas tropas.

O ministro nos fala em defesa da ‘Pátria’. Que é, mesmo, a pátria? É nosso território? É nosso povo? É nossa história? É o meio ambiente devastado? São os índios massacrados? Os desempregados? As mais de trezentas mil vítimas da Covid-19 e da incompetência do general (da ativa) Eduardo Pazuello? São os trabalhadores sem terra? Ou os capitães do agronegócio e as mineradoras, ou os rentistas da Faria Lima? De quem os militares estão defendendo a pátria? Dos que lutam internamente por uma sociedade distinta desta fundada na desigualdade, sociedade e capitalismo arcaicos que generais fardados e de pijama defendem e impõem pela força das armas que o povo lhes entregou (e os remunera) para defendê-lo?

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Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia

A criação artificial da escassez: o caso das vacinas

Quinta, 1º de abril de 2021

Do Site Pátria Latina

Cartoon de Monta


Por Juan Torres López [*] Cartoon de Monta

O desaparecido economista e catedrático da Universidade de Salamanca David Anisi escreveu em 1995 um livro intitulado Credores de escassez. Del bienestar al miedo (Alianza Editorial). Nele explicava que, ao contrário do que se acreditava, a crise que se verificou a partir dos anos 70 não havia sido o que obrigou a questionar o Estado de Bem-Estar, mas foi o inverso: a colocação em causa deste último originou a crise.

Como explicava Anisi, “havia chegado o momento de disciplinar os trabalhadores. E assim se fez”.

Para isso recorreu-se à forma sempre mais eficaz, gerando o desemprego. Aquele que carece de rendimentos e meios de vida não tem outro remédio senão aceitar o que aparece para ir em frente e converte-se assim num ser pessoal, mental e socialmente frágil, facilmente manipulável e disciplinado.

Para provocar deliberadamente o desemprego que disciplinasse as classes trabalhadoras aplicaram-se políticas baseadas na criação artificial de escassez, aumentando as taxas de juro (o que travava o investimento produtivo mas ao mesmo tempo enriquecia os possuidores do dinheiro), reduzindo salários (o que reduzia o consumo mas aumentava os lucros das grandes empresas que têm mercados cativos) e provocando défices públicos e muita dívida (arrefecendo assim a economia mas aumentando o negócio do capital financeiro).

Conselho Nacional de Saúde critica compra de vacinas por empresas no Brasil: 'Camarote VIP'

 Quinta, 1º de abril de 2021


Do site Sputnik Brasil


O Conselho Nacional de Saúde se manifestou contra o projeto de lei que visa autorizar a iniciativa privada a adquirir e distribuir vacinas contra a COVID-19 no Brasil.

"Querem transformar o PL numa lei que substitui e garante o fura-fila oficializado, camarote VIP da vacina ao nosso país, tirando a obrigatoriedade, inclusive quando for permitido, de doação para o Sistema Único de Saúde [SUS] daquilo que for adquirido", disse o presidente do CNS, Fernando Pigatto, em vídeo publicado pela entidade no Facebook.

Em discussão no Congresso, o projeto, de relatoria da deputada Celina Leão (PP-DF), viabiliza a aquisição de imunizantes por empresários, sem mais a obrigatoriedade de ceder uma parte ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A intenção do texto é permitir que as empresas vacinem funcionários e seus familiares.

A proposta alteraria a Lei nº 14.125, que passou a permitir a compra de imunizantes desde que um percentual das doses fosse doada ao SUS.

Nesta quarta-feira (31), o presidente da Câmara do Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a proposta. Para o parlamentar, não há conflitos de interesse na entrada do setor privado no processo de aquisição de imunizantes.

Lira alega que os empresários podem dar celeridade à compra e aplicação de doses.

Ministério Público de olho na poluição do Rio Melchior

Quinta, 1º de abril de 2021

Corredeiras do Rio Melchior. Fotos de Alzirênio Carvalho
“A qualidade das águas do Rio Melchior é alvo de atenção especial da Prodema. O MPDFT está atento para cumprir a sua missão de cuidar do equilíbrio ecológico da região. Estamos preparando outras medidas fiscalizatórias para proteger o rio”, afirmou o promotor de Justiça, Milton de Carlos Júnior.

Por Chico Sant’Anna

A 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Prodema) promete acompanhar de perto a qualidade da água e o nível de poluição do Rio Melchior. Há alguns dias, aqui no blog Brasília, por Chico Sant’Anna, mostramos que o Rio Melchior, apesar de sua beleza e importância, tem sido o destino do esgoto sanitário de grande parcela da população do Distrito Federal, além de ser vítima de vazamentos de chorume do Aterro Sanitário de Samambaia. Um rio à beira da morte, cheio de poluição, exalando mau cheiro, com água imprestável para o consumo humano e suspeita para ser utilizada na agricultura. Com 25 quilômetros de extensão, o Rio Melchior demarca a divisão geográfica entres as regiões administrativas de Ceilândia e Samambaia e é um dos afluentes do Rio Descoberto. A ação da Prodema acontece exatamente em decorrência da sensibilidade ecológica da área.

Para conhecer melhor o Rio Melchior, leia também:


A 3ª Prodema também informou que outras medidas serão tomadas para fiscalizar a quantidade e a qualidade de resíduos dispensados no rio. “A qualidade das águas do Rio Melchior é alvo de atenção especial da Prodema. O MPDFT está atento para cumprir a sua missão de cuidar do equilíbrio ecológico da região. Estamos preparando outras medidas fiscalizatórias para proteger o rio”, afirmou o promotor de Justiça, Milton de Carlos Júnior.

Manifesto da Academia Latino-Americana de Líderes Católicos pela vacinação universal solidária

Quinta, 1º de abril de 2021





Do IHU — Instituto Humanitas Unisinos

Coluna “Rumo a Assis: na direção da Economia de Francisco”

01 Abril 2021

No Manifesto pela Vacinação Universal Solidária, que compartilhamos intencionalmente neste final de semana de Páscoa, a Academia Latino-Americana de Líderes Católicos afirma que "A vacinação universal não é uma caridade, mas a consequência de um direito humano fundamental, como é o direito à saúde, por meio de ações preventivas por excelência; e é também um dever de justiça justificado por todos os critérios (sanitário, econômico, financeiro, social e político). As vacinas são um bem público internacional, que deve ser acessível a todos, especialmente aos mais pobres. Portanto, mais que um serviço público, a vacinação universal é uma exigência evangélica, humanitária e solidária, bem como uma questão de Segurança Nacional, uma vez que as maiores ameaças ao futuro da vida serão, sem dúvida, as sanitárias."

Vacinação universal é o desejo efetivo da Coluna "Rumo a Assis: na direção da Economia de Francisco" enquanto desejo sincero de Feliz Páscoa a todas e todos.

Eis o manifesto.

Manifesto pela Vacinação Universal Solidária
Conquistemos a "imunização de grupo" contra o isolamento, a pobreza e a morte.

Não posso passar à frente dos outros, colocando as leis do mercado e das patentes de invenção acima das leis do amor e da saúde da humanidade. Peço a todos, nomeadamente aos líderes dos Estados, às empresas, aos organismos internacionais, que promovam a cooperação, e não a concorrência, na busca duma solução para todos: vacinas para todos, especialmente para os mais vulneráveis e necessitados em todas as regiões da Terra. Em primeiro lugar, os mais vulneráveis e necessitados!

Mensagem Urbi et Orbi do Papa Francisco
Natal 2020

1. É necessário sonhar juntos

Não é mentira: Com Bolsonaro, 1º de abril é todo dia; presidente diz 3 mentiras por dia de mandato

 Quinta, 1º de abril de 2021

Levantamento mostra que presidente não se constrange em mentir; em 820 dias de governo, foram 2.662 declarações falsas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 
De acordo com levantamento do portal Aos Fatos, janeiro de 2021 foi o mês em que o presidente mais mentiu durante seu governo, com 218 declarações falsas - Evaristo Sa/AFP

Desde que assumiu, em 1 de janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já mentiu 2.662 vezes, uma média de 3,2 declarações falsas por dia de mandato. Os dados são de um levantamento realizado pelo site Aos Fatos.

De acordo com o compilado, janeiro de 2021 foi o mês em que o presidente mais mentiu durante seu governo: foram 218 declarações falsas, contra 205 proferidas em maio de 2020, que vem logo atrás.

A mentira preferida e mais repetida de Bolsonaro é de que o Supremo Tribunal Federal (STF) eximiu a Presidência da República de tomar medidas contra o coronavírus. Ao todo, o presidente repetiu essa afirmação falsa por 87 vezes, desde 9 de abril de 2020.

O Brasil de Fato recuperou outras cinco mentiras contadas por Jair Bolsonaro durante o exercício da Presidência da República.

22 de setembro de 2020

Em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro elogiou o programa brasileiro de transferência de renda durante a pandemia. “Concedemos o auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente mil dólares para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez um dos maiores do mundo”.

Era mentira. Somadas, as quatro parcelas de R$ 600,00 do auxílio emergencial chegam a R$ 4,2 mil. À época, mil dólares correspondia a R$ 5,4 mil.

13 de abril de 2020

O mundo completava um mês de pandemia do coronavírus e Jair Bolsonaro foi às redes sociais para transmitir uma mensagem de Páscoa aos brasileiros. No vídeo, ousou dizer, contrariando todos os prognósticos, mesmo os mais otimistas, que o vírus estaria “desaparecendo”.

Era mentira. Dez meses após a afirmação de Bolsonaro, o Brasil segue sob os efeitos da pandemia. Ao todo, 321,5 mil brasileiros já morreram em decorrência da doença, sendo 66,8 mil mortes apenas em março de 2021, o mês mais letal do novo coronavírus no país, que soma 12,7 milhões de contaminados.

23 de novembro de 2020

Um dos alvos preferidos de Bolsonaro, os indígenas são constantemente afetados pelas mentiras do presidente. Em conversa com seus seguidores, em frente ao Palácio do Alvorada, o mandatário tentou defender o interesse do agronegócio em terras indígenas, mais precisamente no território do povo Yanomami, em Roraima.

“Tem mais ou menos, ninguém pode comprovar, são 10 mil índios. Alguém sabe o tamanho da reserva Yanomami comparando com outros Estados? É duas vezes (sic) o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Justifica isso?”.

Era mentira. Dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), produzidos em 2017, mostram que existem 25.486 yanomamis no território. De acordo com o Censo 2010, eram 25.719. Um erro 180%.

5 de setembro de 2020

No Dia da Amazônia, o presidente brasileiro recorreu, novamente, às redes sociais para transmitir sua mensagem ao povo. Durante o breve discurso, afirmou que a “a Amazônia é nossa e nós vamos desenvolvê-la, afinal de contas lá existem 20 milhões de brasileiros que não podem ficar desamparados”. Ladeado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o deputado estadual Frederico D’avilla (PSL-SP), Bolsonaro emendou:


“O Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente.”

Era mentira. De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 30º país que mais preserva o meio ambiente. Segundo a Global Forest Watch, os brasileiros são responsáveis por um terço do desflorestamento mundial em 2020, ano da declaração falsa de Bolsonaro.

24 de março de 2021

Sem qualquer constrangimento, Bolsonaro usou a cadeia nacional de rádio e TV para falar à população sobre o avanço da pandemia no país, pressionado principalmente pelas declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu por vacinação e atacou o presidente e os negacionistas.


Durante o discurso, Bolsonaro garantiu: “Somos o quinto país que mais vacinou no mundo. Temos mais de 14 milhões de vacinados e mais de 32 milhões de doses de vacina distribuídas para todos os estados da Federação”.

:: Leia também: Entenda por que apenas 10 países dominam a vacinação contra a covid-19 ::

Era mentira. No dia do discurso de Bolsonaro, o Brasil era o 5º país que mais havia vacinado em números absolutos, de acordo com a ferramenta Our World in Data, da Universidade de Oxford. Proporcionalmente, ou seja, calculando o número de vacinas para cada grupo de 100 mil habitantes, os brasileiros estavam na 73ª posição.

Edição: Poliana Dallabrida

Fonte: Brasil de Fato

Washington Post diz que Cuba pode se tornar uma potência de vacinas contra o coronavírus

Quinta, 1º de abril 

Foto divulgação

Do Pátria Latina, com informações do 247
A Ilha pode estar à beira de um avanço singular: tornar-se uma potência de vacinas contra o coronavírus, escreve o jornal estadunidens.

247 – Cinco vacinas candidatas estão se desenvolvendo, duas em estágio final de testes com o objetivo de uma implementação mais ampla até maio. Se bem-sucedidas, as vacinas seriam um feito de proezas médicas contra todos os prognósticos, bem como um golpe de relações públicas para um país isolado de 11 milhões de habitantes que foi adicionado à lista de patrocinadores estatais do terrorismo nos últimos dias da administração Trump.

As autoridades cubanas dizem que estão desenvolvendo soros baratos e fáceis de armazenar. Eles podem durar semanas em temperatura ambiente e em armazenamento de longo prazo até 46,4 graus, tornando-os potencialmente uma opção viável para países tropicais de baixa renda que foram deixados de lado por nações maiores e mais ricas na disputa internacional para vacinas contra o coronavírus.